segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz 2008!

A Administração da Lodo, S.A.D. deseja a todos os clientes, fornecedores e amigos um feliz Ano Novo, mas recomendando cuidado com os excessos para evitarem as figuras da fotografia ( que julgamos ser de um eleitor português...)!

Não tendo mais nada que fazer...


Quando o trauma é miopia

A 5 de Novembro, lia-se no "Público" que a União dos Resistentes Antifascistas Portugueses já reunira dezasseis mil assinaturas contra a criação de um Museu do Estado Novo.
Sei que me repito, mas se os austríacos, em Viena, assumem o nazismo, se os russos, em Moscovo, lidam bem (demais...) com a URSS e se os ucranianos, em Kiev, explicam Chernobyl, por que diabo não havemos de mostrar e ensinar o que se passou de 28 de Maio de 1926 a 25 de Abrl de 1974?
Até na objectividade e no assumir dos traumas temos que ser atrasados?!

Menezes mal

O Presidente do PSD mandou cancelar a revisão do programa do partido, sublinhando que Francisco Pinto Balsemão (a figura tutelar do processo) lhe dissera que não havia "uma linha" escrita.
Sendo que do fundador do PSD apenas se esperava um crivo final, nada a apontar-lhe, assim como se não crítica o cancelar de um processo moroso demais para se confundir com o calendário pré-eleitoral, onde correria o risco de ser mero arrazoado panfletário.
Onde creio que Menezes não esteve tão bem, foi quando não apurou e revelou porque não havia uma linha escrita. Eu, por exemplo, confirmei, de imediato, a minha disponibilidade, assim que a solicitaram para um dos grupos de trabalho.
Não penso em quem quer que seja (palavra de honra), mas aposto que muitos dos indisponíveis para pensar o futuro do País (um programa partidário deve fornecer um ideal social) já terão vagar para nos fazer o favor de voltar a ir nas listas do PSD.
Diria o Rui Reininho, "é tudo a mesma fruta, a mesma caldeirada"...

Menezes bem

Andou bem Luís Filipe Menezes, quando questionou a transferência de gestores da Caixa Geral de Depósitos para o Banco Comercial Português.
Depois daquela entrada em falso - pedir uma repartição de lugares entre os partidos (CGD vs. Banco de Portugal) apenas tem o mérito de assumir que o bloco central de interesses existe - fez muitíssimo bem em perguntar como raio vão uns senhores que conhecem o banco público de fio a pavio esquecer os segredos do mesmo, quando tiverem que gerir uma instituição da concorrência...
É isto que me leva, cada vez mais, a achar que a nossa democracia é uma farsa, limitando-se a algumas encenações para enganar o cidadão...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Inventem-se novos Natais

Aborrece-me até os Natais já serem previamente formatados no que quer que seja. Aqui em minha casa os rituais são as bolachinhas ao Papai Noeu, as velinhas nas janelas e a malta toda na cozinha a inventar doçaria.
Eu quero lá saber quanto é que ganhou a Vodafone nas mensagens escritas entre as 20 horas de dia 24 e a 01 hora do dia 25, ou as dietas para combater os excessos da quadra natalícia. Francamente - haja paciência.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Na tola

Quase tão comuns como as mensagens que, via telemóvel e sem personalização, se enviam nesta quadra, são as reflexões sobre o Natal e as contra-análises sobre os excessos da sociedade hodierna.

Vendo bem a coisa, não há muito mais que possamos acrescentar. Podemos, isso sim, cortar o nó górdio que irá influenciar o tom do que dizemos: devemos decidir se partimos da ideia de pessimismo antropológico – o ser humano é egoísta de nascença, socializando-se por necessidade – ou da bondade intrínseca de cada um – posto o que atribuiremos à sociedade a chave das perversões em que todos concordamos (eu tendo para a primeira parte).

E este é o ponto para procurarmos resolver o que há para ser resolvido; se todos concordam que há maleitas – quando a própria mensagem da Igreja Católica se baseia em apelos, é porque estamos longe da perfeição – por que diabo não as combatemos, antes tendo a sensação de que estamos cada vez mais desumanos?

Vejamos: por que consumimos desenfreadamente (interrogação que não é nova, aqui no Lodo, como se pode exemplificar)? Por que singram esses abutres do crédito instantâneo? Todos deveríamos saber que muito do que compramos não é necessário; a velha TV ainda funciona, mas aí vem o LCD. O telemóvel faz chamadas, fotografa e envia mensagens, mas o que saiu ontem tem mais mega-qualquer-coisa na câmera. Temos sempre que cozinhar, mas a panela (ou, para sermos finos, “robot de cozinha”) “Bimby” é necessária, apesar dos dois salários mínimos ou mais que me dizem custar…

E qual a razão pela qual estamos tão encantados? Adormecimento intelectual pelo “mundo TV” e pela publicidade? Em parte… Ausência de pedagogos na política? De certezinha…

Mas andemos um pouco mais pela “selva”: creio que todos sentem que, nas grandes empresas, instituições, escritórios e afins, mais do que cooperarmos, competimos em nome de um ideal de “carreira” que ninguém consegue medir ou definir com proficiência ética. E porquê?! Não é melhor o retorno quando, sem pé atrás, aprendemos uns com os outros e repartimos agruras e sucessos? Sim, mas vejo poucos casos de gente que procure estimular a desejável aliança entre o mercado livre e uma moral prática exigida para que possamos respeitar todo o ser humano que connosco se cruza na vida profissional ou no simples trato comercial quotidiano (falo, a contrario, do caso dos que procuram ganhar tudo num dia, enganando)…

E depois há sempre a muito debatida agressividade social. Desde ultrapassagens pela direita e colagens ao veículo da frente ao sujeito que argumenta que fumar á mesa é um direito que lhe assiste, por muito que saiba que (também) prejudica a saúde alheia, a mais de importunar que não aprecie o cheiro de cigarros, multiplicam-se os exemplos de mal-estar, que nem todas as leis ou todas as campanhas institucionais poderão resolver, enquanto cada um de nós se não convencer de que também é com o nosso metro quadrado que se constrói uma nação com civismo…

E o que fazemos, por cá? Começando onde tudo deveria ter o seu início, vemos tipos cinzentos extraordinariamente vaidosos por terem sido eleitos para um cargo que, mesmo ocupado durante duas décadas, por vezes, nunca é visto como lugar de serviço e de postura exemplar. E quem lidera, por vezes, prefere atiçar os “doberman”a proteger os senadores que, ainda assim, tiveram vida e têm valores, ou aguçar o apetite de jovens tubarões que bajulam quem atira a peça de carne – é assim na política como nas empresas, muitas vezes…

E nós, isoladamente?! Muitos aliviam a consciência contribuindo para o Banco Alimentar ou dando uns trocos para o Darfur, sem pensar que, por muito louváveis que sejam os minutos desses dois dias, sobram 363 dias para olhar para o efeito de estufa, para o reorientar dos gastos supérfluos para Educação, Cultura e outros fins interessantes e para, sobretudo, olharmos para o próximo como sujeito e não como objecto.
Eis o que podia ser um Natal. Mas não é…

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

FRestas Felizes

Como todos os anos, a LODO, S.A.D. deseja a todos os fornecedores, clientes e amigos um Natal do caraças!...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A cor do dinheiro

Nesta quadra natalícia e, naturalmente, de maior consumo, os portugueses usam e abusam do crédito para satisfazer tudo e todos. Esquecem, no entanto, que tais ‘facilidades’ podem conduzi-los a um fenómeno que já ocorre com muitas famílias portuguesas e que dá pelo nome de “sobreendividamento”.

Se o agravar das condições financeiras dos portugueses leva ao aumento de situações de endividamento, o mercado de crédito ao consumo não fica alheio a esta tendência e responde ‘à altura’. Basta atentar à pletora publicidade com que somos bombardeados neste âmbito.
Com efeito, a juntar ao tradicional crédito bancário, proliferam as empresas de crédito especializado e as cadeias de lojas e supermercados apostam cada vez mais nos cartões de "pagamento em suaves prestações”.

Quanto à publicidade, pode ser do mais subtil: um dia destes li um horóscopo de um jornal diário*, no qual Paulo Cardoso (sim, o astrólogo!), instava o nativo de determinado signo a recorrer a instituições financeiras caso sentisse uma maior capacidade de realização a nível financeiro..!!!

A pergunta que se impõe: onde irá parar a tendência de crédito vivida no mercado português?
Não sei responder, mas não auguro um cenário muito próspero.
Pelo menos, tendo em conta o auxílio do Governo que, indiferente ao esboroamento da economia nacional, esquece-se de medidas que pode (e deve...) tomar no sentido de estimular uma maior moderação e responsabilidade por parte do consumidor.

Neste contexto, ocorre-me uma recente medida do Governo que me deixou um bocadinho preocupada: lançamento do crédito a estudantes do ensino superior, ao abrigo do programa com garantia mútua. Agora que o Bolonha vigora, não deixa de ser oportuna este “ajuda” aos universitários, mormente no segundo ciclo de estudos. Mas não estará o Governo, deste modo, a incitar precocemente os jovens ao crédito?

Em suma, o crédito está cada vez mais facilitado - ao alcance de um simples telefonema e de uma simples subscrição - mas já diz o provérbio que "nem tudo o que luz é ouro"... e o efeito “bola de neve” não tarda a fazer-se sentir.
O problema, é que nós – povo luso – só despertamos para a realidade quando temos a corda ao pescoço. Até lá, que o brilho do Natal e o dourado dos cartões nos continue a ofuscar.
* Jornal "Meia Hora", edição 18 Dezembro 2007

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Menino prodígio (e menino birrento...)


Cristiano Ronaldo estava, a par de Káká e Messi, nomeado para Melhor Jogador do Mundo 2007. Ontem, na Gala FIFA World Player em Zurique, arrecadou o 3º lugar e não escondeu a decepção. Grave, é que não fez o menor esforço por isso. Subiu ao palco antes do número dois (Messi), pegou no troféu daquele, não cumprimentou o presidente da FIFA, andou às voltas no palco como que em busca do protagonismo e, last but not the least, para a fotografia, forçou um sorriso amarelo q.b..
Não deixa de ser o ‘nosso’ menino prodígio, mas ficava-lhe bem deixar de uma vez por todas a faceta de menino birrento.
Claro que, quais “papás babados”, Mister Scolari e Gilberto Madaíl já vieram bradar pela injustiça do título, garantindo que Cristiano provou ser o melhor jogador do Mundo no ano que agora finda.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

E a senhora de vermelho vai trazer o quê???


PÚbico

Eu leitor do "Público" me confesso...
Quase sem excepção, todos os dias leio o diário em causa de fio a pavio.
Porém, de quando em vez, lá vem o balde de água fria. Vejamos: anteontem, no Parlamento, Paulo Portas atacou José Sócrates, comparando a alegada perseguição aos contribuintes com a que Afonso Costa moveu às ordens religiosas, enquanto figura de proa da I República (tempo de má memória, digo eu...).
Um dos destaques da pág. 6 do Público, na edição de ontem, dizia "Debate forte entre líder do CDS e primeiro-ministro - Portas compara Sócrates ao mata-frades".
Ora bem, lá fui eu confirmar a ideia que tinha de que quem, efectivamente, se celebrizara por esse epíteto fora, isso sim, Joaquim António de Aguiar, também ele pouco dado ao crucifixo, embora ainda na monarquia...
Mas, mais curiosidade tive em perceber por que razão uma jornalista conceituada embarcara neste erro e guardado estava o bocado...

Como já sei do que a casa gasta, vou à boa da Wikipédia e leio sobre Afonso Costa que: "recebeu, dos seus opositores, a alcunha de 'mata-frades', pela legislação anti-clerical que mandou publicar - expulsão dos jesuítas, estatização dos bens da Igreja (...)".

Já no matutino lia-se: "que ficou conhecido como o 'mata-frades', devido a medidas anti-clericais e à estatização dos bens da Igreja".
Até pode ser, mas, ao que sei, nunca foi "O" mata-frades!
Não consigo nem quero provar o que quer que seja, mas lá fica a dúvida...

A Wikipédia é simpática, mas, mercê de ser livremente editável, contém muitos erros, imprecisões e falsidades. Todavia, segundo sei de fonte segura, cada vez mais, muitos dos nossos jornalistas baseiam aqui a sua "exaustiva" investigação, com os danos que isso tem sobre os cidadãos (poucos) que ainda se prestam a comprar um bom diário, nos dias em que não traz DVD...
Se o meu instinto está certo, há aqui um toque pornográfico, pela descarada negligência...

“Um” peso, duas medidas

(…)
A não ser que a causa seja demasiadamente específica, não percebo a notícia que dá conta de um contrato estabelecido pelo Ministério da Educação com um advogado, por um montante de 20 mil Euros/mês, para trabalhos de “levantamento e compilação de legislação” do ministério.
Não pondo em causa, naturalmente, as competências técnicas do advogado e a especificidade do trabalho, cabe-me no entanto a surpresa pela coincidência na selecção e pelo histórico do contrato em causa: ver noticia aqui

Lembram-se do Paulo Macedo?
… e das criticas socialistas ao seu vencimento?
É caso para dizer que para os mesmos "ordenados", este governo segue a prática de:
“um” (mesmo) peso, duas medidas…
foto do site tsf

Teóricos de Real Valor II

"A combinação do anticomunismo e do nacionalismo tradicional recorda a ideologia de partidos ditos "revolucionários de direita" que procuram na esquerda os seus valores sociais e na direita os seus valores políticos."

in O ópio dos Intelectuais, Reymond Aron

(posso mandar uma posta de pescada? Esqueçam o Pacheco Pereira)
Pronto, está lançada a acendalha política

Teóricos de Real Valor

"Para os teóricos católicos, teria sido o pecado original o evento responsável pela queda do homem do estado de felicidade, em que não existia poder, para o estado social, em que a necessidade de protecção mútua exige a organização social e a coerção do Estado"

in História das RI, Pedro Barbas Homem

Há coisas fantásticas não há?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A fila do bacalhau

Numa co-produção com a Dulce, chega-me esta pérola... Acabara de nascer o Tratado de Lisboa e Sócrates era soterrado por convivas e congéneres extasiados.

Luís Amado, o nosso MNE, estava ali à mão de semear... Bem, semear foi mesmo uma boa alternativa, pois, após escutar os "parabéns" não cantados de José Sócrates, aperto de mão já era pedir demais, tendo ficado, como se viu (por todo o Mundo, aliás) à espera de melhor ocasião.

Num raro momento psicanalítico, o "Lodo" tenta interpretar o gesto do nosso Premier ou, pelo menos, a pose de Luís Amado:

a) Não quis estragar Amado com mimos.
b) Sabia que Amado não lavara as mãos, depois de ir ao wc.
c) Estava com medo que o MNE se aproveitasse do seu prestígio.
d) Queria muito beijar Angela Merkle.
e) Tinha medo de não resistir ao charme de Amado.
f) Temia os estragos que Sarkozy causasse, se deixado à solta.
g) Guardara um beijinho para Amado.
h) Os outros tinham tirado a senha antes.
i) Guardara uma festinha para Amado.
j) O Gordon Brown tem uma mão mais macia.
k) É malcriado.
l) É tímido.
m) Tem saudades do Freitas do Amaral.
n) Tinha visto o Amado com os dedos no nariz.
o) Amado estava a jogar à estátua.
p) Amado estava a recordar o passado de arrumador.
q) Sócrates não tinha trocos.
r) Amado estava a ensaiar para o presépio do Governo, mas esqueceu-se do cajado.
s) A senhora com quem Amado estava a dançar tinha-se posto ao fresco, mas ninguém o avisou.
t) Sócrates preferia uma palmadinha nas costas.
u) Amado acabara de se coçar e o PM topou o esquema.
v) Sócrates não é de dar confiança aos empregados.
w) Amado, na verdade, estava a ensair um golpe de kung-fu.
x) Sócrates não cumprimenta tipos sem casaco.
y) Sócrates pensou que Amado estava a fingir que era um bengaleiro e não quis pendurar o casaco.
z) Estava tudo combinado para os estrangeiros se sentirem importantes.

De uma ou de outra, Luís Amado ficou de mão estendida, que é para não se pôr em bicos dos pés. Quem é que o tipo julga que é?!

Campanha de Inverno da Greenpeace


Winter
You'll miss it when it's gone

Sondagem: e você apertava a mão a este palhaço?

Estou a falar do rapaz da direita...

Andamos a brincar? *

A Cimeira UE–África, que decorrerá em Lisboa no próximo fim de semana e que contará com pelo menos 34 Chefes de Estado e 27 Primeiros Ministros dos dois continentes, não vai debater - para descanso de alguns e infortúnio de muitos - nem Darfur, nem Zimbabwe.

Num encontro em que o objectivo (consta!) é debater problemas que afectam os dois continentes, não está agendada - por pura cobardia, cabe relevar- uma discussão sobre aquelas duas tragédias que subsistem no continente africano.
Coincidência ou não, no mesmo espaço - Pavilhão Atlântico – decorrerá paredes-meias com a Cimeira o espectáculo do Noddy, que aguarda 25 mil pessoas.
Eu cá, a ter que escolher, preferia as histórias de encantar do boneco infantil criado por Enid Blyton. Sempre são mais didácticas e profícuas que qualquer das conversações que possam vir a ter os ditadores africanos com a conivente Presidência Portuguesa da UE.

* perdoem-me o tom popularucho do título... mas confesso que foi o que me ocorreu, mal me apercebi disto.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Amigalhaços

Nos últimos dias, Rússia e Venezuela ocuparam muito do espaço mediático, mercê, respectivamente, das eleições legislativas e de um referendo constitucional.

Em ambos os casos, a meu ver, se afirma a necessidade das escolas de ciência política que acrescentam à perspectiva algo estaticista do direito constitucional (que analisa em abstracto o funcionamento do sistema) a dinâmica funcional; ou seja, explica “como é que as coisas realmente se passam”. Neste capítulo e para os temas em causa, o último número do “Courrier Internacional” representa uma soberba iniciação.

Creio que o mais interessante, como tem feito a generalidade das publicações, por ora, é mesmo identificar linhas de junção entre um país euro-asiático e outro latino-americano que, à partida, nada teriam a uni-los, não fora a famigerada globalização e, sobretudo, o poder uniformizador da televisão, dentro de portas.

E começamos por aqui, pois em Caracas e em Moscovo os media “alternativos” ou já fecharam ou têm que andar na linha. Acresce que as televisões fiéis aos regimes difundem o país que os respectivos chefes de Estado acreditam que deve existir, já que, regra geral, “se vi na TV é porque existe”, diria o telespectador comum… Ou seja, o virtual – seja a Venezuela socialista e impoluta, seja a Rússia novamente poderosa – faz-se real, ora nas longas prédicas de Chaves no “Alô Presidente”, ora nos atractivos spots de campanha de Putin.

E é estribados neste potente meio de comunicação de massas que ambos ensaiam um simulacro de democracia directa, com toques de anti-elitismo, interno e externo. No primeiro caso, atacam-se as corruptas classes altas que foram incapazes de redistribuir a riqueza, seja na URSS, na era Ieltsin ou na miserável sociedade venezuelana. No segundo plano, questiona-se a supremacia norte-americana, denunciando tratados de controlo de tropas convencionais ou recolocando bombardeiros estratégicos no ar ou ainda acusando a oposição de servir Washington, no caso neo-czarista, ou mesmo chamando “diabo” a George W. Bush, como fez o tenente-coronel Hugo Chavez Frias, na ONU.

Na passada, nem é mau pensar em estender a influência à Bolívia ou a Cuba e apoiar separatismos na Geórgia ou na Moldávia.

Em ambos os casos fica a mensagem de que o líder providencial zelará pelo povo, ainda que, com o aplauso de muita gente, a troca seja a de dinheiro e emprego por liberdade; algo que, dada a carestia e face aos excessos liberais, até parece bom de pagar, tal qual como nos anúncios do crédito por telefone…

Mas não é disso que fala a legislação anti-terrorista dos EUA?!… E não é um regime de concentração de informação e decisão que se esboça com o PS, actualmente, em Portugal? E não foram as directas e a escolha dos candidatos pelas bases bandeiras do novo PSD?!... (em todos os casos, salvas as devidas distâncias, claro)

Ah! Não esqueçamos que, obviamente, os corruptos (ali a Norte, oligarcas russos, acolá a Sul, empresários ou militares golpistas) serão perseguidos a bem do povo. Já Collor de Melo prometera caçar Marajás, no Brasil, e viu-se que era farinha do mesmo saco. Berlusconi vinha para libertar a sociedade do Estado e está em apuros para a se libertar a si próprio… Que é como quem diz: “onde é que eu já vi este filme”?...

E a metodologia – já que ideologia é coisa em desuso - também não exigiria dois manuais distintos. Na Rússia recuperam-se para o Estado todas as concessões (energia incluída) que Boris Ieltsin desbaratou para se manter no poder e usa-se o petróleo (aposta efémera, como perceberão os desgraçados russos e os enganados venezuelanos, daqui a uns anos) para fazer alguma justiça social, sempre com a eternização do líder (que deslocará o centro de gravidade do poder da presidência para o governo) em linha de horizonte.

Na Venezuela a mesma receita, mas com falta de humildade… Chavez achou-se incontestável e, ao invés do sagaz Putin, perdeu a consulta popular (de salientar que ambos procuraram a legitimação democrática, ao menos no plano formal) a que se sujeitou. Não duvido que tenha apoio popular maioritário, mas a liberdade é muito mais cara aos seres humanos do que julgou (propunha, entre outras coisas, a recandidatura sem limite, a possibilidade de nacionalizar tudo e mais umas botas e o quase final da autonomia dos municípios – onde a oposição ainda “canta”).

Permanece a dúvida de saber se a democracia é exportável, portanto…

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

In Memoriam

19 Julho 1934 - 4 Dezembro 1980

Se por vezes cabe dizer que “só faz falta quem cá está”, quando se pensa em Francisco Sá Carneiro essa teoria não faz qualquer sentido.
O revolucionário Sá Carneiro, o fundador da direita democrática, o carismático líder, o herói romântico que desafiou os preconceitos da sociedade em que vivia, muitíssima falta faz na construção deste Portugal Maior.
Resta-nos continuar (ano após ano) a recordar o homem de fortes convicções que foi, e claro, tomar-lhe o exemplo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Porque não te calas… mesmo


Hoje acordamos com os resultados do referendo à alteração constitucional na Venezuela. Pela margem mínima, venceu o Não e perdeu Hugo Chávez.
O prenúncio de uma nova constituição com tolerância máxima às orientações socialistas de Chávez, fica assim na gaveta à espera de novo fôlego!!!
Fica pelo menos o consolo a Chávez, de que Miguel Sousa Tavares (1) prefere jantar com ele do que com o seu eterno inimigo George W. Bush - embora com a condição de que Chávez não fale muito… Não faz mal, pelo menos dessa vez Chávez poderá cantar…

(1) – Expresso – 26 Nov 2007
Fotografia do site RTP

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

"Caso Esmeralda"

“Caso Esmeralda”, é o título atribuído pela comunicação social à história sobre a disputa dos direitos adoptivos de uma menina de 6 anos, entre um sargento (pai adoptivo) e o seu pai biológico. Trata-se já de um assunto corriqueiro e do conhecimento geral, que voltou a ser noticia nos últimos dias:
O tribunal acaba por decidir pela entrega da criança ao seu pai biológico.

Embora não tenha conhecimento técnico sobre o assunto, o facto de ser um “telespectador” dá-me o direito à crítica e ao comentário: Que um senhor ao fim de 6 anos, ao fazer uma retrospectiva da sua “juventude rebelde”, se lembre que existe a possibilidade de ser pai de alguém, não me parece estranho… o que não faz sentido é que exista uma “lei” que deixe que um tipo assuma responsabilidades nos “anos de ouro” da sua vida, sem ser responsabilizado pelas más decisões do seu passado…

O mais grave é que, segundo o que ouvi, esta “passagem de testemunho” terá de ser até ao final do ano.

No mínimo e partindo do principio que esta decisão será definitivamente para acatar, o que se esperava era um “longo” período de transição para a adaptação da criança de 6 anos à nova realidade... e isso não está a acontecer!!!
... e no fim disto tudo, pergunto: e a Esmeralda?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Orgulho e Preconceito

Há uma semana atrás opinei aqui sobre a impertinente, insensata e indigna campanha publicitária da cerveja Tagus. Por essa blogosfera fora muitos outros (aqui, aqui, aqui e também aqui) se pronunciaram contra ou a favor da campanha “orgulho hetero”.
O objectivo primário da campanha foi, por isso, alcançado: “Falem bem ou falem mal, importante é que falem.”
Pergunto: há alguma necessidade de enveredar pela via do discriminatório, do ridículo, do preconceito e do polémico para vender mais umas grades que o habitual?
Ainda assim, a marca acabou por suspender a campanha.
Afinal, parece que nem a própria Tagus está muito convicta das suas orientações...

Dúvidas (Im)Pertinentes III

O que é feito dos colaboradores masculinos deste blog?

1 – Estão de Greve
2 - Emigraram
3 - Fugiram a sete pés do mulherio que se instalou por aqui ;)


PS – Tânia, desculpa ‘roubar-te’ a epígrafe, mas não resisti ;)

Migalhas

O debate sobre o Orçamento de Estado lembra-me o ditado popular: "Em casa onde não há pão, todos falam e ninguém tem razão".
Acho ridículo que se continue a discutir os míseros 14% das Receitas Públicas, enquanto os restantes 86% se mantêm alocados às reformas e salários da Função Pública. E pelo que vi, o Orçamento para 2008 é a antecâmara do de 2009, onde se descerão impostos para enfrentar o ciclo eleitoral, que em nada vai contribuir para um crescimento sustentável, mas que vai agravar o défice. Como diz Miguel Cadilhe: "Se um político fizer o que deve, perde eleições, se não fizer ganha-as, mas não resolve o problema".

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Lê-se

“(... ) os políticos que pertencem aos partidos são cada vez mais pessoas que percebem menos dos homens. É trágico. A política transformou-se numa aprendizagem do discurso, de argumentar e refutar a argumentação do outro. Transformou-se na arte da palavra, da gestão da palavra e não das coisas, muito menos dos homens. Os políticos deviam ler mais e viver mais para perceberem os homens.”

(Gonçalo M. Tavares in "Magazine Domingo do CM", 25.11.2007)

Susbcrevo inteiramente Gonçalo M. Tavares, que alerta para a tendência do político de hoje ser quase que autómato. Falta-lhe espontaneidade, e sobretudo, falta-lhe humildade para descer do pedestal do Poder e escutar os homens a quem serve.
Política não é só falar, é também escutar.
É certo que a política vive da retórica, mas mais importante que a gestão das palavras e dos discursos é a gestão das coisas e dos homens, como oportunamente relembra o escritor.

sábado, 24 de novembro de 2007

Rasteiras (ideo)lógicas II

Bonito projecto a meio, para minha tristeza:

Tendo acompanhado o desenvolvimento da revisão do programa PSD lançado na Universidade de Verão 2006 pelas camadas jovens do Partido, é com desalento que me deparo com a interrupção do processo e o desaparecimento de qualquer referência no site laranja.

Para quem não teve oportunidade de conhecer

Como acabei por intitular uma tese para a fac.: "Cisões Ideológicas ou capacidade de adaptação - Particularidades do PPD / PSD" ;

Hoje poria somente "Capacidade de dar tiros nos pés acertadamente"

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Dúvidas (Im)Pertinentes II

Independentemente de a alteração à lei sobre progressão na carreira dos magistrados respeitar ou não a Constituição, não cheira já a

(... pausa para reflectir... )

demasiada intromissão política junto de um dos três pilares fundamentais para um regime que se afirma democrático?

Não sei... mas quando os media batem acidentalmente no mesmo sector da vida pública mais de uma vez numa semana nunca me cheira bem. Tenho a impressão de que o verniz deverá estalar para os lados de S.Bento, e adivinhem porquê =D

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

24281

Foi este o número de chamadas falsas que o INEM recebeu no espaço de um ano.
Inacreditável.
Mas mais dificil de acreditar é que a maioria dos que ligam para o 112 não são crianças insensatas, mas adultos maquiavélicos (e dementes, cabe acrescentar...!) que chegam ao ponto de descrever ao pormenor situações que não ocorreram, simulando ansiedade e dificultando, desse modo, a tarefa de distinguir uma chamada real de uma falsa.
O "porquê" destes comportamentos, por muito que me tentem explicar, nunca vou conseguir perceber.
Preocupante, é que estas brincadeiras de muitíssimo mau gosto acabam por fazer accionar desnecessariamente dezenas de ambulâncias por dia, podendo provocar dificuldades no socorro a quem verdadeiramente dele necessita.
Simplificando: uma chamada falsa pode custar uma vida...
Vai daí, o Ministério da Saúde resolveu apelar à consciência dos cidadãos e lançar uma pergunta simples:
«E se precisasse de uma ambulância e esta estivesse ocupada numa chamada falsa?»

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sem pés, nem cabeça *

* Mas com muita virilidade..!

"Tu és hetero?"
Foi o que me ‘perguntou’ hoje o mupi com que me cruzei na rua.
Um tanto ou quanto atarantada, paro e perco o meu precioso tempo a observar tamanha impertinência.
Trata-se de uma campanha a uma cerveja, constato. Uma campanha cujo mote é, pasme-se, "Orgulho Hetero". Uma campanha que, a meu ver, não é mais que um golpe baixo da máquina publicitária que - sem olhar a meios - lança provocações e incita à discriminação quando impõe o heterossexismo. Tudo, em nome da tentativa de notoriedade de uma marca de cerveja reles (confirma-me um expert na matéria...).

Memorizo o site na vã esperança de descobrir que me equivoquei na interpretação da publicidade e, mal posso, acedo. À medida que navego no site vou ficando estupefacta.

“Este site é a porta de entrada para o mundo hetero” ???!!!
"Objectivo é promover o convívio de jovens do sexo oposto" ???!!!
“Descobrir novas verdades dedicadas ao orgulho hetero” ???!!!
“Comprar merchandising hetero” ???!!!
“Causa heterossexual” ???!!!


(...)

Indigna-me esta campanha.
Por razões que dispenso enumerar.
Idiossincrasias.... (ou não!)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

À atenção do sr. Jorge Nuno

Para o caso de não dar para ganhar nas quatro linhas e agora que o apito se calou, há sempre outras maneiras de conquistar o título...

domingo, 18 de novembro de 2007

Gajo de gabarito II

Hoje pela manhã, dei comigo, como tantas vezes antes, a ver um programa do Professor José Hermano Saraiva.
Veio-me à ideia o trabalho extraordinário deste homem pela História e pela Cultura portuguesas.
Em vez de coisas enfadonhas, como fazem os "intelectualóides" nacionais, José Hermano Saraiva percebeu que para que os "burros" (nós) comessem a "palha" (isto é, soubessem mais sobre a sua Pátria), havia que saber dar a dita.
Um soberbo comunicador, de facto... Fora ele de esquerda e mais respeito lhe teriam muitos dos historiadores de opereta e cinzentões (aqui cabe bem, por exemplo, Fernando Rosas) que raramente ensinam algo ao povo de quem se dizem arautos.
Foto de "O Primeiro de Janeiro".

Gajo de gabarito I

Para eu falar bem de um rei espanhól´é porque achei que esteve mesmo bem.

Falo da postura de D. Juan Carlos na Cimeira Ibero-Americana, ocorrida no Chile, há uns dias.
Mandar calar o Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, quando este enxovalhava o ex-Presidente do Governo, José Maria Aznar, e abandonar a sala durante os dislates do Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, sobre as empresas espanholas, foi de "homenzinho".
Alguém tem que fazer perceber a estes "grandes democratas" da América Latina que podemos discordar, respeitando, como bem sublinhou Rodriguez Zapatero.
Só por causa disso, farei menos um brinde no dia 1 de Dezembro (assim, serão apenas 999...).

Western para intelectuais


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Veni, Vidi, Vici

Os jornais gratuitos “chegaram, viram e venceram”.
Se antes a oferta se resumia a dois diários, volvidos três anos, o cenário mudou quantitativamente e, sem sombra de dúvida, qualitativamente. Logo pela manhã sou bombardeada com pelo menos três deles - “Global”, “Metro” e “Destak”, este último que me cativa pelo painel de opinião com que conta (João César das Neves, Isabel Stilwell, etc.). No local de trabalho, deparo-me com o “Meia Hora”, talvez o mais interessante de todos eles por dispensar as temáticas cor-de-rosa. À hora de almoço é a vez da edição de fim-de-semana do “Destak” e ao fim do dia já sei que me calha na rifa o semanário “Mundo à Sexta”. E ao que consta a oferta não parará de crescer, estando previstas novas publicações e novos locais de distribuição (Grande Porto; Madeira, etc.).
As vantagens destes jornais são inegáveis – os lisboetas têm agora maior facilidade em manterem-se informados do que se vai passando no Mundo, o que muitas vezes, por força do trabalho, compromissos familiares e afins, não se torna fácil.
Assim, de uma forma leve e clara os jornais gratuitos condensam informação, facilitando a vida a quem diariamente não tem tempo para se dedicar à leitura de um avolumado Público ou sequer de ver telejornais.
E depois, reconheça-se, fomentam a criação de hábitos de leitura. É inegável que a imprensa gratuita veio mudar o cenário nos transportes públicos da capital: afinal, os lisboetas sabem (e gostam de) ler...! Pelo menos, quando a isso são impelidos...

Mas o factor gratuitidade parece vir pôr em causa a imprensa convencional. Não foi por acaso que na vizinha Espanha os diários de referência hostilizaram os novatos, e que em França os sindicatos se manifestaram e tomaram medidas quando se viram ameaçados pela edição parisiense do “Metro”.

A pergunta que se impõe: Sobreviverá a imprensa tradicional?
Haverá, efectivamente, espaço para os dois tipos de imprensa num país em que os hábitos de leitura nunca nos mereceram elogios?
Na verdade, se a informação vem até nós sem que tenhamos que alterar um passo que seja do nosso percurso, e a isso acresce o facto de ser gratuita... torna-se inegável que a predisposição para nos mantermos fiéis aos periódicos pagos seja bem menor.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Youtube - mina de novos talentos?

O Youtube não é só o maior portal de partilha de vídeos. Actualmente, a par do Myspace e de outros espaços de partilha nesse imensurável universo cibernético, o Youtube é um espaço que serve de rampa de lançamento para novos talentos na área da Música.
Arctic Monkey’s e Mika são os dois exemplos mais flagrantes. Exemplos de que música nunca antes editada pode ser cantarolada por meio mundo num curto espaço de tempo. Os primeiros viram a sua popularidade crescer instantaneamente através da partilha de música na net e lograram tal êxito que hoje são já uma referência incontornável no universo rock.
O segundo, arrojado qb, foi rejeitado por várias editoras até que resolveu partilhar com os internautas a sua música. Depressa chegou ao número 1 do Top 40 Britânico de vendas, apenas através de download...! Depois do fenómeno, lança "Life in a Cartoon Motion" e o resultado está à vista – atinge e lidera muitos do top’s de vendas mundiais e não há por aí ninguém que não tenha já cantado e dançado um dos seus temas.

Mas a nova sensação no Youtube é a luso descendente Mia Rose, que com apenas 19 anos resolveu dar uso à sua webcam. Aliás, bom uso, já que graças ao à-vontade com que encara a câmara e à frescura com que canta, tem hoje milhares de fãs espalhados pelos quatro cantos do Mundo. (Atente-se ao número de visitas e de subscritores do seu channel...)

E assim vai nascendo uma nova geração de músicos. Uma geração que não se vê confinada à garagem. Uma geração que não tem que se sujeitar a concursos televisivos ou reality-shows para poder provar que tem valor. Uma geração que tem na mão o poder de partilhar com o Mundo aquilo que cria, sujeitar-se ao seu escrutínio, ter um feedback quase imediato e inclusive arranjar editora sem ter que sair de entre quatro paredes.

Foi exactamente isso que sucedeu com os Arctic Monkey´s, com o libanês Mika e com Mia Rose. Esta última, de comum adolescente caminha a passos largos para o estatuto de celebridade, estando já a gravar um CD. Tudo, porque cedo percebeu que não podemos ficar sentados à espera que o sucesso venha ao nosso encontro. Tudo, porque soube aproveitar de uma forma profícua (coisa rara nos adolescentes, sublinhe-se...) as potencialidades da Internet.

Se o Youtube já era um precioso tesouro pela imensa partilha de vídeos e música na internet, agora, pode vir a tornar-se um motor de (r)evolução musical, pelo menos, enquanto novo instrumento de caça talentos...

"Com tranquilidade"

Tendo sido intimado para tal (cfr. comentários ao texto sobre a Venezuela) e uma vez que cá estou, eis um pequeno comentário às eleições dinamarquesas, de ontem.
O essencial já se sabe: voltaram a ganhar os liberais (pela terceira vez), embora a maioria possa vir a ser composta com recurso a um partido anti-imigração, um partido formado por um imigrante sírio e por deputados eleitos pelas (muito) autónomas Ilhas Faroe.
Como notas de rodapé posso acrescentar, em primeiro lugar, que, ao que apurei junto de nativos, pouco separa os liberais dos sociais-democratas, com excepção mais sublinhada para a segurança social - ou não fora esta a casa da "flexi-segurança" (invenção bem nutrida por "apenas" 3,1% de desemprego e 3,5% de crescimento económico, em 2006).
Em segundo lugar, realço a afluência às urnas que ultrapassou os 86%, segundo sítios como os da BBC e do Internatinal Herald Tribune... Esta fica sem mais comentários...
Depois, vale a pena que pensemos sobre a mensagem que a União Europeia tem para os países mais ricos. Se a Noruega já rejeitou, por referendo, a adesão, na Dinamarca, assim que se começaram a ouvir as trombetas do federalismo, desde logo se rejeitou a moeda única. Acresce que a desconfiança face ao vizinho maior, não é exclusivo nosso; aqui o assunto fala alemão...
Por fim, a campanha: sóbria, com alguns panfletos informativos e com os candidatos nas rádios, televisões, nas praças, sempre disponíveis e sem circo. Aqui não há febras e batatas fritas, "trios eléctricos", sacos de plástico ou gritaria... Uma eleição à Paulo Bento...

Cheira mal, Cheira a Lisboa


Coincidências...
*foto TVI

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Leningrad Cowboys




Fantástica interpretação de Kalinka pelo Coro do Exército Vermelho.

Dúvidas Im(Pertinentes)

Se o aeroporto, ou a extensão Portela+1 for parar a Alcochete, como é que ficam os exercícios de voo da base aérea do Montijo?

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Ainda há lugar para patriotismo no "global play"


Regozijo-me com notícias assim:

Efacec lança bases nos EUA

O maior grupo electromecânico português investe 80 milhões de euros na Georgia, onde irá construir a sua base industrial nos Estados Unidos.

A Efacec assinou esta segunda-feira um contrato com as autoridades da Georgia, EUA, para construir uma fábrica de transformadores de grande potência, num investimento que ascende a 80 milhões de dólares.

Na cerimónia de assinatura do contrato, o Governador da Georgia, Sonny Perdue, disse estar "orgulhoso" pela escolha do "grupo global português", convicto de que "o projecto tecnológico" luso vai criar emprego (cerca de 600 postos de trabalho até 2015) e contribuir para o desenvolvimento económico da região.

O Secretário de Estado da Indústria e Inovação, Castro Guerra, considera que a consolidação da base industrial americana da Efacec "é um momento histórico" por mostrar que as empresas portuguesas "também têm capacidade de investir com sucesso e competir no mercado global".
"De país exportador de mão-de-obra e importador de capital, Portugal está a tornar-se um país importador de mão-de-obra e exportador de capital. Isso é um sintoma de que a realidade portuguesa está a mudar. É um sinal de maturidade económica", referiu o secretário de Estado, convicto de que outras unidades lusas, designadamente na área das energias renováveis, vão seguir a Efacec nos EUA. in Expresso Online

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cantas, mas não encantas...

Hugo Chávez até já editou um CD com música folclórica venezuelana, mas hoje a cantoria foi por terras chilenas, no âmbito da Cimeira Ibero-Americana.
Em resposta aos protestos de que tem vindo a ser alvo, a reacção de Chávez foi esta.

"Não sou moedinha de ouro,
para agradar a todos,
assim nasci e assim sou,
se não me querem, «ni modo»".

Nada mais, nada menos, que um excerto de uma música típica "ranchera" para apaziguar os ânimos. Mas não ocorrerá a Chávez que não é a entoando melodias que 'nos' convence? Caso para dizer, "Canta... mas não encanta".

Épico - Elizabeth, the Golden Age





Os gregos dizem que devemos caminhar de costas para o futuro, de forma a nunca esquecermos o nosso passado e a História. Recomendo este filme a todos os que gostam de Épicos e relembro uma parte de um dos melhores discursos de sempre:

"Sei que tenho o corpo de uma mulher fraca e frágil; mas tenho também o coração e o estômago de um rei - e de um rei de Inglaterra!"

Quanto ao filme, magnífica interpretação de Cate Blanchett.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_I_de_Inglaterra

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

CML de COSTAs voltadas à Juventude

Na ânsia de mostrar trabalho, poupança e transparência, a renovada CML empreendeu uma verdadeira «caça aos avençados».
Desconheço o real estado da CML e compreendo que em nome do plano de saneamento financeiro se leve a cabo determinadas medidas que, mais cedo ou mais tarde seriam inevitáveis.
Mas há que estipular critérios, avaliar caso-a-caso e reflectir sobre as repercussões que essas medidas possam ter.
De outro modo, acaba-se por - ao rescindir serviços de equipas inteirinhas... - condenar à morte projectos de interesse municipal, como é o caso do Portal LX Jovem, que neste momento tem os dias contados, dado que os responsáveis pela sua manutenção estão literalmente na corda-bamba.
'Contenção de despesas' é um argumento forte, mas não plausível quando estão em causa projectos de reconhecida relevância e de extrema utilidade aos munícipes, como é o caso do Lx Jovem.
E quando, por arrasto, se dirá 'adeus' às lojas LXjovem (que disponibilizam gratuitamente orientação profissional, planeamento familiar, etc... ) e iniciativas como a "Futurália", "Semana da Juventude", Festival "Tocabrir", etc.. o caso é grave.
Mais que grave, é sintomático do menosprezo que os senhores do poder têm pelos jovens deste país.

Foleiro


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Sábias Palavras


ou

Que não tem conseguido inspirar a equipa dos encarnados, já nós percebemos.
Mas bem podia poupar-nos às suas 'inspiradas' declarações...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

0-1

Gostava de dizer-vos que acho que Santana Lopes venceu José Sócrates, no debate do Orçamento de Estado para 2008, mas não consigo...

José Sócrates falou de um país maravilhoso que nem Lewis Carrol conseguiu imaginar com "Alice no País das Maravilhas".
Ora as "Alices" que nos governam dizem que caiu a despesa pública, que se reduziu a dívida pública, que saímos do défice excessivo sem receitas extraordinárias, que cresceram as exportações, etc, etc, etc...
E pergunto eu: por que é que os portugueses não sentem um aumento da sua qualidade de vida? Por que vivem as famílias afogadas em prestações (sem pedagogia política)? Por que aumenta o fosso entre ricos e pobres (Portugal tem números negros na Europa a 27)?

E, já agora, por que não perguntou Santana Lopes sobre isto?
Ou então, à semelhança de Paulo Portas, por que razão não atacou o Orçamento propriamente dito, nas suas medidas?
A minha opinião é que Pedro Santana Lopes caiu na mais previsível das armadilhas, quando respondeu ao truque de ilusionismo vulgar do Primeiro-Ministro, que o responsabilizou pelo passado para, com a sua arte e na resposta áquele, lhe lembrar que os portugueses o julgaram fragorosamente - com tempo ainda para satirizar a culpabilização que Santana faz dos inimigos do PSD, da oposição e do Presidente da República (à data, Jorge Sampaio). Como dizia, errou o ex-lider do PSD ao gastar grande parte do seu tempo a auto-justificar-se...
Sócrates teve ainda tempo, como previra noutro texto, para fazer intriga, explorando alegadas divergências entre Luís Filipe Menezes (questões concretas feitas ontem, via media) e o seu lider parlamentar que, segundo o Premier, não fez as perguntas sugeridas pelo presidente do PSD.
Sendo que, tirando uma ou outra boa medida, o discurso de Sócrates podia ser transformado em queijo suiço, fiquei com um grande melão...

Nota: foto DN

Momento de filosofia

Numa pastelaria do Estoril, pode constatar-se o seguinte, em matéria de "chupas": já quase não há do Benfica, comeram-se um ou dois do Sporting e nada se vendeu do Porto.

Embarcando na sociologia amadora, pergunto-me o que será verdade:
  1. O F.C.Porto é mesmo, como dizia esse homem isento que era Vale e Azevedo, um "clube regional".
  2. O Benfica tem mais sucesso.
  3. Os benfiquistas adoram chupar.
  4. Os portistas não sabem chupar.
  5. Os sportinguistas não são carne nem peixe.
  6. Bem faz a Académica que não se mete nestas parvoíces.

Escolha a sua explicação, cole num envelope e ganhe um "chupa" do clube que preferir (a ser atribuído na Grande Gala do Lodo).

Lê-se

“(...) O novo tratado deveria ser referendado no mesmo dia em todos os 27 países da União. Uma tal opção teria, a meu ver, três grandes vantagens: a de impedir a contaminação da consulta popular europeia por temas nacionais. A de atenuar o défice democrático cada vez mais fortemente sentido e denunciado pelos cidadãos europeus. E a de contribuir para a instituição política do "povo europeu".

(Manuel Maria Carrilho in DN – edição de hoje)

De uma forma objectiva e sucinta, Manuel Maria Carrilho trouxe aquele “bocadinho assim” que faltava para convencer-me que, numa Europa que apregoa democracia, a via referendária deveria ser consentida pelos seus líderes. Nos parâmetros indicados por Carrilho – referendo simultâneo em todos os 27- são claras, pelo menos, três vantagens. Tudo leva a crer que, não sendo aquele o desfecho provável, seria, sem dúvida, o mais desejável a esta Europa do séc. XXI.

domingo, 4 de novembro de 2007

Viva a burocracia

Há dias li um texto da Dulce sobre o SNS que, como verão, é incompleto.
Digo-o porque apenas fala da culpa dos políticos, esquecendo que, por muito que os políticos façam (nas autarquias, no Governo ou nas instâncias internacionais), nada resultará se o aparelho administrativo não sentir o bem-estar geral como uma missão de todos e de cada um.
Para ilustrar, uma história pessoal: na sequência de uma ida ao serviço de urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra, foi marcada uma consulta de especialidade.
Assim que recebi a marcação, concluí que o dia em causa coincidia com uma viagem de trabalho ao estrangeiro e, naquilo que julgava ser uma atitude cívica e com quase 20 dias de antecedência, passei cerca de 2 dias para que alguém me atendesse o telefone.
Tendo encontrado alguém que fizesse o obséquio de me atender, expliquei o meu problema, pedindo que me alterassem a data, assim libertando uma vaga para alguém que estivesse à espera (ao que sei e por experiência própria, há uma espera prolongada para quem, como eu, aguarde o curso normal dos acontecimentos).

Epílogo?! Fui informado de que nada se passa desta forma. A ideia é faltar à consulta e ligar depois para pedir uma nova consulta... Perco eu mais tempo à espera e folgam os profissionais, pelo menos por uma hora.
Não há ministério que aguente...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Afinal, quem manda?!?!?!

As guerras entre Jerónimo de Sousa e Luísa Mesquita , no PCP, estão, para mal dos “pecados” do primeiro, a tornar-se impiedosas para um partido que fala do povo e da liberdade, mas que, aparentemente, impõe regras demasiado rigorosas aos seus deputados.

O resultado das permanentes discórdias está à vista de todos:
com alteração do estatuto de Luísa Mesquita para “deputada não inscrita”, o grupo parlamentar que integra o PCP passará de 3ª para 4ª força politica mais representativa na AR.

Sem querer detalhar, até porque não sou conhecedor da vida interna do PCP (julgo que ninguém o é), este acontecimento suscita alguns problemas éticos sobre a vida parlamentar de todos os partidos políticos:

Os deputados, sendo militantes ou independentes, são eleitos em listas dos partidos políticos. O mínimo que se pode esperar é que algumas regras de gestão parlamentar lhes sejam impostas à partida pelas direcções desses mesmos partidos político. Só assim faz sentido a palavra “organização” e se pode construir uma alternativa ao governo, ou no caso actual do partido socialista, apoiar o governo.

Por outro lado, as listas são organizadas por distritos, regiões autónomas etc.. Quem vota nas listas, vota, em alguns casos, nas pessoas que as integram. Este facto dá, de certa forma, autonomia aos eleitos para defender os interesses de quem os elege, esquecendo deste modo que têm de “prestar serviço” à força politica “proprietária” da lista que integram…

Aqui é que está o verdadeiro problema do sistema político: afinal quem “manda” em quem???

Quando os interesses dos partidos colidem com os da região que elege, quem é que o deputado deve render?

Lembram-se do “deputado do queijo Limiano ”?
Além deste episódio, são vários os temas polémicos: portagens, maternidades, escolas, regionalização (boa dica Tânia) e tantos outros que certamente cada um de nós tem presente.

Na minha opinião (sem experiência parlamentar), para o sistema politico funcionar, o deputado deve dar (sempre) “voz” a quem o elege… só assim se pode considerar uma assembleia representativa.

Este é um assunto de pura ética politica, no entanto quer o analisemos de uma forma ou outra, temos sempre boas razões para apoiar qualquer um dos lados…

domingo, 28 de outubro de 2007

Rasteiras (ideo)lógicas

Sobre a regionalização (ou outros motes para ganhar votos):

Perante uma opinião pública mais ou menos esclarecida, e apesar das diferentes posições assumidas dentro da nossa estrutura, não esqueçamos o debate de há quase dez anos e o que então defendemos - nem tudo se faz pela simpatia dos cidadãos/voto.
Não devemos defender o Estado centralizado - não faz parte sequer do programa - mas fazer depender duma organização institucional o desenvolvimento do interior tem muito que se lhe diga.
Criar um novo mapa organizacional do território quando a tendência se pautou pela macrocefalia natural da capital... hmmm.

Antes de mais, os quadros devem conhecer o chão que pisam.

Caso para dizer: Olhe que não é bem assim, Sr Secretário... olhe que não é bem assim.

(é só de mim, ou a discussão da regionalização nos media trata de tudo menos da própria?)

Diz que é uma espécie de Evita


Cristina Kirchner parece ser, segundo as sondagens feitas à boca das urnas, a próxima presidente da Argentina.
Nas eleições de hoje e até à hora, a "peronista social democrata" (como se auto-intitula) é apontada como a sucessora do seu próprio marido, Nestor Kirchner.
Cristina Kirchner foi primeira dama da argentina, tal como a carismática Eva Perón.
De Evita, Kirchner parece ter "herdado" o carisma e também a elegância, a coragem e a garra que marcaram o curto percurso político de uma das mais importantes figuras femininas da História Política.
Outra figura com que Cristina é frequentemente comparada é a candidata à Casa Branca em 2008, Hillary Clinton. Com idades semelhantes, partilham da mesma formação (Direito) e têm um percurso político idêntico (ambas foram senadoras e primeiras-damas).
Mas Kirchner está longe de se deixar iludir ou influenciar por esses 'rótulos', prometendo deixar indelevelmente o seu cunho pessoal na Presidência do seu país.
Esperar para ver.
Certo, é que o Mundo está a assistir a uma desejada revolução nos protagonistas políticos. As mulheres teimam (e bem) em comprovar que podem fazer história na política nacional e internacional.
Angela Merkel, Sególene Royale, Michelle Bachelet, Yulia Tymoshenko, Cristina Kirchner e quiçá Hillary Clinton.
Aí estão elas a mudar o Mundo.
Sem medos, nem quotas.

To Russia without love

Creio que estarei livre da acusação de ser um daqueles "ex-jotas" que, prescrita a vida na JSD, passa a renegar as origens. Servi a Juventude Social-Democrata com honra, passei por lá momentos de antologia e, ainda hoje, sempre que me pedem, continuo disponível para ajudar as suas diversas estruturas.
Como se não bastasse, creio ter um relacionamento político e pessoal cordato com o seu actual Presidente.
Contudo, sendo a JSD uma organização política do nosso PSD, creio que deve sujeitar-se ao crivo analítico dos seus companheiros, algo que, no meu caso, surge a propósito de uma notícia que li na edição on-line do "Sol" :
"Cimeira UE/Rússia
JSD cancela iniciativa Sem Liberdade, não há Verdade
A JSD cancelou a iniciativa agendada para sexta-feira que previa a colocação de uma faixa em frente ao Convento de Mafra, onde decorrerá a Cimeira UE/Rússia, denunciando a violação da liberdade de imprensa na Rússia
".
Ora bem, vamos por partes:
  1. A liberdade de imprensa é essencial e deve ser defendida. Andou bem a JSD, na ideia.
  2. A cimeira UE - Rússia era algo que tinha de correr bem para Portugal, independentemente de partidos e credos. Se fossem avante (salvo-seja) não sei se tinham feito boa figura (duvido).
  3. Putin tirou da cartola a proposta de um Instituto euro-russo para monitorizar os direitos humanos, pelo que a coisa teria ficado um pouco "no ar". Ou seja, nestas cimeiras convém não sair antes do filme acabar.
  4. Mediatismo é fundamental, mas não apenas pela espectaculaidade. Recomenda-se algo que caia no raio de acção da força política que organiza o protesto. JSD e Moscovo?! Não ganha direitos ou votos por cá e nem se ouve, lá.
  5. E por que não algo sobre a mesma liberdade em Angola, quando vier cá o Presidente reunir com a União Europeia? Continuo a discordar do ruído durante a Presidência portuguesa da UE, mas sempre podem influenciar mais e é uma realidade que dirá mais aos portugueses e aos seus partidos. Ou então analisar a situação na Venezuela que não é muito mais branda e onde vivem quase 500.000 portugueses...
  6. Depois, entendo que é preciso compreender a Rússia (como outros países que não obedecem à nossa bitola; China, Venezuela, etc...) à luz da sua história passada e presente, não caíndo na grosseira categorização norte-americana que, todavia, ainda se estriba no proselitismo wilsoniano (ou seja, na exportação dos valores americanos como uma missão da nação).

A respeito deste último ponto, convirá que se repitam duas ou três coisas que já passaram pelo "lodo": a Rússia nunca foi e, arrisco a dizer, jamais será uma democracia do tipo ocidental; creio até que passa, hoje, pelo seu estado mais democrático de sempre.

Nunca os czares, muito menos o regime comunista e, dado do delapidar do erário público, Ieltsin consagraram o que, por cá, chamamos de democracia.

Já Gorbachev abriu o regime. Todavia, ao tirar o partido do seu lugar de "trave-mestra" (para usar a expressão de Adriano Moreira) do sistema, fez desabar a vida russa a um ponto que, ainda nos dias que correm, muitos habitantes (muitos mesmo!) da ex-URSS sentem saudades do "nível de vida" que, apesar de tudo, tinham.

Vladimir Putin recupera o lado idiossincrático da alma russa, sendo o "pai" que olha pelos russos, defende o Estado, fora de fronteiras, e combate os "glutões", dentro de casa.

Como disse, à Rússia falta a cultura democrática, no sentido que lhe damos por cá, e sobram diferenças étnicas (dezenas) e potenciais focos de conflito intra-muros (idem), de que a Tchechénia é apenas a mais colorida ilustração.

Diria que a JSD e, já agora, os demais portugueses poderão esperar uma semi-democracia ocidentalmente "adocicada" e desejar que a Rússia se mantenha íntegra e virada para este lado do Globo (a "asiatização" russa é possibilidade recorrente), por razões de segurança e pela questão energética.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Depois de Torres, defender a dama

Olhado o Congresso do PSD de há uns dias e ao invés da intriga barata que se tem feito, podemos concluir pelo domínio de Luís Filipe Menezes que pauta claramente a agenda, mesmo no que à indigitação de Santana Lopes para a liderança parlamentar diz respeito.


Desde logo, conseguiu que o conclave decorresse sem história e sem discursos tribunícios. Mesmo onde podia vislumbrar-se novidade – falo de Passos Coelho – cedo foi percebido que o tempo era ainda de consagração de um líder que fizera a sua “longa marcha” e que estava popular e claramente legitimado.


Por seu turno, aos chamados barões, muitos dos quais sem algo a perder, competia materializar o horror de Drácula que veiculavam em relação à cruz de Menezes. E, nada…


Por fim, justiça feita ao sempre corajoso discurso de Alberto João Jardim, que voltou a balizar a acção dos eleitos, é de antologia – tenha ou não havido acordo de cavalheiros – passar-se um congresso sem que o “menino guerreiro” arrebate a audiência. Certo que ganhou em poder, mas aceitou moderar a tendência para brilhar em palco. A meu ver, maturidade de saudar e a seguir.


Se erros ou menores êxitos existem nas opções do dr. Menezes, eles podem, a meu ver, cifrar-se em dois: por um lado, creio que a expectativa em relação à comissão política era maior. Subentende-se a preocupação de gerir o xadrez interno (equilíbrios em face dos apoios) e de apaziguar fantasmas (personalidades que serviram em vários governos). Todavia, esperava-se mais arrojo nas figuras convidadas; mais gente nova na idade e no envolvimento com os mecanismos partidários formais. À parte de José Manuel Canavarro, fica um certo sentimento de déjà vu, por muito estimáveis e sabedoras que sejam as pessoas do novel politburo.


Por outro lado, sendo a aliança de risco, veremos até que ponto foi acertado o protagonismo autorizado ao dr. Santana, conferindo-lhe a liderança parlamentar.


Como social-democrata parece-me bem, prevendo elevada dose de combatividade por parte do grupo parlamentar.


Depois, percebo que não só não convinha a Menezes enfrentar uma guerra com os deputados escolhidos ao tempo da liderança de Santana Lopes (o que importa ao novo premier é afirmar externamente a sua marca), como, assim, aliando-se ao santanismo, encosta às cordas (como se viu nas mudanças de presidências nas comissões parlamentares) a ala mais cerebral (afecta a Durão Barroso) que, até ver, paga o preço de ter procurado, durante algum tempo, passar entre os pingos da chuva. O paralelo 38 (zona desmilitarizada entre as duas Coreias) é sempre um mau sítio para ver os comboios passar, digo eu…


Todavia, o protagonismo em Santana Lopes não é algo que se modere institucionalmente. Para o bem e para o mal (e tanto mal lhe fez no Governo…), o talento é inato e dispensa estudos estratégicos, pelo que a luz que lhe for dirigida não é “desligável” por interruptor, da São Caetano à Lapa.


E acresce que, bem pensada a coisa, Sócrates poderá optar por entronizar Santana enciumando, mesmo que não o próprio, os mais acríticos menezistas.


Ou seja, fiel ao seu estilo, que me agrada, Menezes arrisca, tendo já ganho parte substancial da aposta e mostrando que não é “rapaz” de assobiar para o ar, quando as coisas correm mal; tal percebe-se quando atribui o seu sucesso futuro aos resultados a obter nas várias eleições de 2009.


Veremos no próximo conselho nacional até que ponto é que a glasnost menezista se traduz numa real abertura a um debate aberto. Até lá, voto em São Tomé: é ver para crer.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Não é Abril... mas não deixa de ser oportuno


A 22 de Outubro de 1945, surgia em Portugal a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), através do Decreto-Lei 35.046, que atribuía a este organismo as “funções administrativas e funções de repressão e de prevenção criminal”.
Na realidade, a polícia política do Estado Novo tinha como principal propósito reprimir qualquer tipo de oposição que fosse feita ao regime de Salazar, esse Grande Português.

Volvidos sessenta e dois anos sobre o nascimento da PIDE, muitos – como eu – não conseguem sequer imaginar a realidade brutal que se viveu entre esse período e a Revolução dos Cravos.
Ouvimos, desde novos, os nossos pais falar do clima de desconfiança e a repressão moral, política e social, sem no entanto, saber em que é que tudo isso se traduziu.
Nos manuais, surgem ao de leve as perseguições, os medos e as torturas perpetradas pela PIDE. Uns alunos ficam mais impressionados com as histórias da ditadura, outros limitam-se a pensar que “esse tempo já lá vai”. Consequentemente, a maioria dos jovens de hoje desconhece a gravidade da repressão levada a cabo durante o Estado Novo.
A um primeiro olhar, parece sensato evitar que as gerações do pós-25 de Abril se angustiem com as infelicidades de outrora. Contudo, a inconsequência e a leviandade com que muitos dos nossos jovens encaram o quotidiano, leva-me a crer que talvez não fosse descabido que estes mesmos jovens tivessem real consciência de que “direitos, liberdades e garantias” não são coisa do passado. São conquistas bem recentes.

Com efeito, talvez não seja má ideia recomendar aos mais jovens a visualização d’O Julgamento” de Leonel Vieira. O filme tem passagens terríficas q.b., a denunciar uma PIDE sem escrúpulos (isso já sabíamos…) e sem limites.
Ou vá lá, algo mais soft, mas que logre o mesmíssimo objectivo: sugerir "Conta-me como foi", a excelente série da RTP que retrata o quotidiano português dos anos 60, numa sociedade obscura e fechada sobre si.
Importante, é que as novas gerações saibam estimar a liberdade de que podem hoje usufruir. E que reconheçam as conquistas de Abril e valorizem o que daí se herdou.
Ainda assim, nem mesmo hoje se pode gritar liberdade com toda a veemência que aquele conceito exige.
Casos recentes no nosso pequeno Portugal, como o do prof. Charrua, o de Dalila Rodrigues no Museu de Arte Antiga e outros que tais… comprovam que ainda subsistem resquícios de opressão à pluralidade de ideias.
E já há mesmo quem ouse comparar o governo de Sócrates ao governo de Oliveira Salazar, através do acróstico que por aí circula: “Salazar Outrora Caiu e Regressou Agora Transformado Em Socialista”.
Descomedido... ou nem por isso?

Esperava mais. Maybe "Next" time