Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Repetição
Cada dia que passa, ora são mais impostos, ora é a notação financeira que desce, ora a Briosa faz mais um mau resultado para o campeonato…
Quase novecentos anos depois da independência, faz-me impressão que haja portugueses a entregar casas aos bancos, bancos a entregarem a alma ao criador, pessoas a chorarem por não terem dinheiro para o passe social ou para os medicamentos…
Deixámos o dinheiro mandar tanto que, hoje, creio que a maioria dos cidadãos ocidentais sobrevive apenas. Acho infame que já nem haja a perspectiva de gozar com a família ou com actividades lúdicas parte substancial e final da vida. Não fui eu que inventei o modelo social europeu, mas sou eu um dos que, compreendendo a utilidade, desconto para que os mais idosos possam fruir tranquilamente os seus anos avançados, depois de uma vida de trabalho.
Acho ainda perigoso se deixarmos que o mercado hierarquize e encareça a formação superior dos cidadãos. Queremos chegar ao ponto de certos países mais amantes do mercado desregulado nos quais só um empréstimo draconiano contraído pelos pais permite aos jovens irem para as melhores escolas e em que os jovens recorrem a danças “exóticas” e outros empregos que os deixam sem tempo de estudo? Sei bem que em Portugal estamos, felizmente, a anos-luz de tudo isto, mas a verdade é que a moda europeia de cortar tudo em todas as prestações públicas me faz temer o pior.
Mais longe iremos se falarmos de Cultura, por tradição, o parente pobre da governação. Se dissermos, durante um ano ou dois, às Forças Armadas que não há equipamento novo, creio que a operacionalidade não fica comprometida e estamos a falar, ainda assim, de um orçamento de muitos milhões. Contudo, num orçamento indigente como é, regra geral, o da Cultura, qualquer corte significa menos programação e menos criação.
Significa, portanto, que alguns portugueses “inventarão” ou representarão menos e que muitos outros terão menos momentos de fruição e de libertação espiritual.
Sei bem que esta linguagem merecerá escárnio por parte dos tipos de fato cinzento que mandam em sectores intermédios da sociedade. Todavia, se percebessem que falamos de um sector que não apenas complementa o sujeito como aumenta a boa disposição geral, talvez entendessem que o apoio continuado – e não apenas esporádico e pirotécnico, embora relevante, ao jeito de capitais da cultura – é a melhor maneira de um povo se não deixar tragar pelas forças uniformizadoras da globalização, que nos reduzem a riscos de uma dívida com que alguém quer enriquecer e que mais não é do que a venda de países a retalho…
Sei que já falei disto, mas a verdade é que vou continuar a falar…
Etiquetas:
Crise,
Economia,
Política,
Sociedade,
União Europeia
Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012
Não concordo com o Ricardo Cândido (vide infra) porque...
... acho que Di Caprio tem um desempenho notável criando, com rigor, uma personagem obcecada e fanática, como, ao que consta, terá sido Hoover.
De acordo que o filme é lento, mas creio que, deste modo, reproduz melhor a evolução da situação americana segundo a mente de um dos seus mais importantes autores do século XX.
Se quer acção, realmente, mude de sala. Mas se quiser ver o "porquê" de muitas coisas da história recente dos EUA, J. Edgar é o seu homem.
Etiquetas:
Cinema
Domingo, 19 de Fevereiro de 2012
O Ronaldo e o Messi também falham

Leonardo DiCaprio tem, na sua carreira, algumas das interpretações mais bem conseguidas em alguns dos melhores filmes que tive oportunidade de assistir.
O portfólio é filigrana pura: Titanic; Gangues de Nova York; Catch Me If You Can; O Aviador; Revolutionary Road; Shutter Island; A Origem… Sem esquecer, claro, Diamantes de Sangue, que é aquele tipo de filme para responder quando alguma revista ou jornal perder o juízo e resolver fazer uma entrevista sobre cinema a este vosso "criado".
O portfólio é filigrana pura: Titanic; Gangues de Nova York; Catch Me If You Can; O Aviador; Revolutionary Road; Shutter Island; A Origem… Sem esquecer, claro, Diamantes de Sangue, que é aquele tipo de filme para responder quando alguma revista ou jornal perder o juízo e resolver fazer uma entrevista sobre cinema a este vosso "criado".
Já o escrevi aqui no “Lodo”. Para mim, é o melhor actor da sua geração!
Por isso, sempre que vou ao cinema ver DiCaprio as expectativas são elevadíssimas.
Talvez seja por isso, mas este último, J. Edgar, sob a direcção de Clint Eastwood não esteve à "altura". É monótono, as personagens são chatas e as histórias maçadoras.
Mas não há problema, o Ronaldo e o Messi também falham penaltis e no entanto não deixam de ser os melhores.
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
POBRE GRECIA
O caos instalou-se na Grécia. Caos das instituições, caos do Estado, caos da economia, caos total da sociedade .
A Grécia vogou sem comandante durante anos, num mar calmo e com um vento favorável que soprava de Bruxelas, ou não fosse Eole o mais Grego dos deuses, deus dos ventos!
A tragédia que os Gregos vivem actualmente, parece bem confirmar a legenda segundo a qual, Ulisses , a quem Eole ofereceu um saco secreto para a sua viagem de regresso à ilha natal, navegou durante nove dias com um bom ritmo, até que a tripulação, ciumenta, abrisse o saco e libertasse assim os ventos contrários que o fizeram voltar para traz até à ilha de Eole.
Pobre Grécia, que já entre 1967 e 1974 sofreu a ditadura dos Coronéis, que quadruplicou a divida grega, por razoes que não beneficiaram o povo, mas sim o regime militar, despótico e repressivo.
E que dizer também da divida contraída aquando dos Jogos Olímpicos de 2004, que deviam custar , segundo o Comité Olímpico e o governo, “só” 1.300 milhões de dólares, e que ultrapassaram realmente 20 mil milhões !
E que dizer do escândalo dos submarinos alemães, fornecidos pela Thyssen ou dos contratos fabulosos passados com a Siemens à base de comissões ocultas e “sacos dourados” que serviram para alimentar os dois principais partidos gregos !
A Grécia foi vitima dos amigos ! A adesão à zona euro em 2001, graças à trafulhice contabilista da Goldman Sachs, validando contas falsas, estimulou entradas de capitais, sob forma de empréstimos ou/ e investimentos.
Os amigos ,ou sejam os bancos franceses, alemães, belgas, holandeses, britânicos, luxemburgueses e irlandeses, emprestaram maciçamente à Grécia., sem se preocuparem da solvência do pais.
No fim de contas, vinte anos de redistribuiçao não conseguiram melhorar definitivamente a economia dos beneficiários, mas antes permitiram-lhes de se habituar a este maná fácil.
Mas ninguém lhes disse que em vez de continuar a endividar-se era preciso controlar os orçamentos.
Foi preciso chegar a 2010 para constatar que o conjunto da zona Euro apresentava um endividamento de 85% do PIB ! A Grécia a 143%, A Irlanda a 96%, Portugal a 93%.
O total criminoso da divida grega chegou a 329 mil milhões , a Irlanda a 148 mil milhões e Portugal a 163 mil milhões!
Claro que agora, a Comissão Europeia encoraja planos de austeridade sucessivos, para salvar os capitais emprestados pelos ocidentais, sem controlo , sem nexo.
As consequências estão visíveis : o empobrecimento generalizado de milhões de cidadãos, um golpe severo às empresas, aos empregos e às rendas do trabalho, a perda de rendas fiscais para os Estados, levando à diminuição das prestações sociais, das reformas e dos salários.
O caos e a miséria generalizados. E , como de costume, são os “pequenos” sem defesa que pagam a incúria dos governantes, dos politicos.
Porque os planos de austeridade, como eles lhe chamam, são austeros só para as classes mais modestas, que trabalham e utilizam as ultimas forças para salvar os bancos.
Freitas Pereira
Os Cavaleiros do Apocalipse
A vida desfila vertiginosamente através dos acontecimentos que balizam o dia a dia, num mundo que segue uma trajectória preocupante.
E como o mundo se torna cada vez mais exíguo graças às tecnologias da comunicação e aos meios de transporte subsónicos, verifica-se instantaneamente que lá, como cá, as coisas evoluem da mesma maneira, nem melhor nem pior ! O mundo transformou-se numa aldeia planetária !
Os profetas demoníacos começaram a apregoar, que uma guerrazinha poderia salvar o mundo do caos económico que alastra por toda a parte. Não analisam as causas nem as soluções para este caos, e preferem considerar, já , que não tem concerto! São os profetas do infortúnio! São os Cavaleiros do Apocalipse.
A angustia e a esperança, as cicatrizes e os beijos, o exílio e o reino, o passado e o presente, o antigo e o novo mundo, eles ignoram-nos..
Saborear cada momento do presente como se fosse o melhor e o único, sem o comparar, sem o medir, eles não sabem fazer.
Embora as causas da situação que vivemos sejam bem conhecidas, eles não querem adoptar as soluções que se impõem. E tudo isso por causa duma doutrina !
A doutrina na qual eles se inspiram, herdada dos séculos XVIII e XIX era baseada no individualismo e no utilitarismo. Afim de combater os aristocratas do antigo regime e a moral rígida da Igreja, os Liberais lutaram primeiro, indistintamente, para melhorar a sociedade e estender as liberdades e a democracia política.
Nessa época, esta conotação “liberal” até era bem vista nos Estados Unidos, onde os Negros e os Trabalhadores eram privados de muitas liberdades.
Na década de 1970-80, eles viraram neo-liberais. O programa que impuseram ao mundo , em nome da luta contra a inflação, contra os défices públicos, contra a função publica, contra as subvenções do Estado, contra os direitos alfandegários, etc., e , duma maneira geral, a lei do Mercado e a Finança, prioritárias sobre a produção, puseram o mundo ao avesso.
Mais uma aceleração de Reagan e Thatcher na década de 80, e o resultado foi o Ultra Liberalismo ! Isto é, a solução do Capital contra o Trabalho, o Indivíduo sobre o Colectivo .
Os Direitos do Homem , que tinham uma significação no após guerra de 1945, de sinónimos de Direito ao Alojamento, à Educação, à Saúde, à Segurança, à Paz , à Justiça Social, esvaziam-se pouco a pouco de toda a essência.
E isto porque, nos anos 80, todos os cintos de segurança que impediam o capitalismo de descarrilar, foram desmantelados!
Maastricht , o dogma da economia de mercado , auto-regulàvel e auto –controlável, ( grande magia falaciosa ! ) , a não intervenção do Estado, a livre concorrência, transformaram tudo e todos em mercadorias! Mesmo a Saúde e a Educação !
A cavalgada final foi na década de 90. A civilização do após guerra foi destruída : privatizações, desemprego, deslocações de empresas, com o descalabro social que isso significa, substituíram o papel desempenhado até então pelo Estado, que era a locomotiva da economia, que abria ou fechava a torneira do crédito, controlava o valor da moeda, os preços e os salários.
Hoje, não somente assistimos à carga avassaladora do ultra-liberalismo conquistador, mas descobrimos que a social democracia se revela incapaz de opor uma resistência qualquer ao processo de globalização económica e aos seus efeitos perversos.
Quando o Estado for realmente incapaz de corrigir todos os desequilíbrios criados , podemos recear que um dia ou outro se acendam violências das quais ninguém é capaz de prever a amplitude.
O mundo assiste à queda inexorável do berço natal da Democracia. Quem será o próximo ?
Sem dúvida, o futuro, antes, era melhor que hoje.
J. de Freitas Pereira
Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
Necessidade
Tenho assistido nas últimas semanas a uma necessidade extrema de se incendiar as relações entre os portugueses. São jornalistas, fazedores de opinião, cavaquistas, extremistas, comunistas e outros istas sobre qualquer que seja o assunto. A "Luta" que tantos levantam nos estandartes deve corar de vergonha ao ver a sua evocação ser feita em blasfémia.
Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012
Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
Piegas
O Público, o Expresso, o Diário de Notícias, A Bola, o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã lançaram nas últimas horas o mais quente fait divers da política portuguesa da próxima semana.
Aqui fica a versão musical deste novo tipo de jornalismo.
Aqui fica a versão musical deste novo tipo de jornalismo.
Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
A esquerda que não se oriente
que não é preciso.
A primeira vez que reflecti sobre uma das maiores fraquezas da esquerda portuguesa foi há pouco mais de um ano, ao longo da campanha para as presidenciais. Há uma qualquer esquizofrenia e um sentido de exclusividade que impediram os partidos de cativar o seu eleitorado para uma candidatura que conseguisse fazer frente ao recandidato Cavaco Silva. Do processo em que foram apresentados 6 candidatos, três deles - os da esquerda - reuniram os votos de 41% dos portugueses. Incluem-se aqui Fernando Nobre, o centrista com maior simpatia no PS, Francisco Lopes, o incorruptível da kassete comunista e Manuel Alegre, que alegremente conseguiu esvaziar os apoios críticos do Bloco de Esquerda ao alinhar conjuntamente o partido do poder e a amálgama de trotskistas, maoístas outros istas e os rapazes do LGBT. Claro que há a tradição da reeleição do presidente em funções e o desempenho de Cavaco Silva se apresentou razoável em função do governo socialista já altamente desgastado. Mas a desagregação de forças na esquerda portuguesa (a dita fraqueza) resulta num qualquer impedimento moral para se apresente uma alternativa de fundo ao eleitorado na ocupação do mais alto cargo da Nação.
Aprofundando a retrospectiva, e de acordo com os naturais equilíbrios entre os candidatos vencedores nas últimas décadas a tendência deveria manter-se com a aparição de um forte candidato para 2016, o que não estou a ver bem como é que vai acontecer. E para mal dos nossos pecados. Feitas as especulações, deverá sair da ala socialista António Costa, que até ao momento se tem mantido bem escudado na Câmara de Lisboa, e desalinhado desde cedo com os governos de Sócrates. Do PCP, e foi esta a "outra" especulação que me fez repensar este assunto, deve sair Carvalho da Silva que trará a bagagem de luta na contra o actual governo enquanto dirigente da CGTP. Do Bloco, se ainda existir (tenho as minhas dúvidas), pode vir o tio Louçã no final da sua carreira política. E é precisamente esta equação que, verificando-se, arruína novamente as pretensões socialistas para Belém e me deixa intranquila face ao necessário debate democrático. Aquele que deve ser estimulante. Onde se confrontam as origens da organização da sociedade. A concepção do papel do Estado em função do indivíduo ou em função da comunidade.
A não ser que volte Guterres e consiga iluminar o caminho de alguns sebastianistas.
A primeira vez que reflecti sobre uma das maiores fraquezas da esquerda portuguesa foi há pouco mais de um ano, ao longo da campanha para as presidenciais. Há uma qualquer esquizofrenia e um sentido de exclusividade que impediram os partidos de cativar o seu eleitorado para uma candidatura que conseguisse fazer frente ao recandidato Cavaco Silva. Do processo em que foram apresentados 6 candidatos, três deles - os da esquerda - reuniram os votos de 41% dos portugueses. Incluem-se aqui Fernando Nobre, o centrista com maior simpatia no PS, Francisco Lopes, o incorruptível da kassete comunista e Manuel Alegre, que alegremente conseguiu esvaziar os apoios críticos do Bloco de Esquerda ao alinhar conjuntamente o partido do poder e a amálgama de trotskistas, maoístas outros istas e os rapazes do LGBT. Claro que há a tradição da reeleição do presidente em funções e o desempenho de Cavaco Silva se apresentou razoável em função do governo socialista já altamente desgastado. Mas a desagregação de forças na esquerda portuguesa (a dita fraqueza) resulta num qualquer impedimento moral para se apresente uma alternativa de fundo ao eleitorado na ocupação do mais alto cargo da Nação.
Aprofundando a retrospectiva, e de acordo com os naturais equilíbrios entre os candidatos vencedores nas últimas décadas a tendência deveria manter-se com a aparição de um forte candidato para 2016, o que não estou a ver bem como é que vai acontecer. E para mal dos nossos pecados. Feitas as especulações, deverá sair da ala socialista António Costa, que até ao momento se tem mantido bem escudado na Câmara de Lisboa, e desalinhado desde cedo com os governos de Sócrates. Do PCP, e foi esta a "outra" especulação que me fez repensar este assunto, deve sair Carvalho da Silva que trará a bagagem de luta na contra o actual governo enquanto dirigente da CGTP. Do Bloco, se ainda existir (tenho as minhas dúvidas), pode vir o tio Louçã no final da sua carreira política. E é precisamente esta equação que, verificando-se, arruína novamente as pretensões socialistas para Belém e me deixa intranquila face ao necessário debate democrático. Aquele que deve ser estimulante. Onde se confrontam as origens da organização da sociedade. A concepção do papel do Estado em função do indivíduo ou em função da comunidade.
A não ser que volte Guterres e consiga iluminar o caminho de alguns sebastianistas.
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Vou nas asas de um sonho
Volto ao vosso convívio com um título emprestado pelos Santamaria (não sei o que vem mais a calhar: se o título da música, se o nome do grupo), para descrever o sentimento com que encaro o meu encontro próximo com a Lufthansa.
De facto, quando entrar naquele “A380” mais do que Lisboa, só queria que ele me deixasse logo em Santa Maria da Feira, para que o jogo de dia 7 com a Oliveirense chegasse mais depressa. É uma vida a sonhar ver a Briosa no Jamor e, se possível, trazer a Taça de regresso a casa!... Já chega de andar por maus caminhos, desde 1939…
E quem puder, deve ir por muitas razões. Comecemos pela psicologia invertida: não serve de desculpa não se apreciar este ou aquele dirigente. Seguramente eu não faria as mesmas listas que o actual Presidente apresentou (mormente em um ou dos casos), mas a escolha é sempre do candidato e a eleição foi democrática. Estou, aliás, certo de que muitos associados jamais me teriam escolhido para a Direcção e, no entanto, sempre senti apoio do Eng. Simões e o maior respeito por parte dos associados.
A paixão pela Académica deve ser isso mesmo: uma paixão pela nossa Associação e pelo seu historial, acreditando sempre que o pior dos academistas é melhor que o mais excelso sócio de qualquer clube que se nos oponha. Relembrarei por isso o antigo amigo (daqueles com quem muito se viveu e de quem jamais se espera semelhante estupidez) que demorava em aceitar a minha amizade no “Facebook” e que, quando indaguei sobre aquilo que julgava ser uma distracção, me disse a relutância se devia ao facto de ter apoiado José Eduardo Simões. Em bom rigor, amizade desta não faz falta e associados assim não são verdadeiros academistas (parece que o dito cidadão entregou o cartão de associado). Para mim a Académica suplantará sempre qualquer pessoa que a sirva.
As razões positivas para estar em Santa Maria da Feira e, assim espero, no Jamor são mais e conhecidas. Desde logo, quem nasceu em Coimbra, por aí passou ou aí está sabe bem que temos na Académica uma bandeira de que podemos orgulhar-nos, a par dos nossos Hospitais e das nossas escolas e Universidade. Assim a Autarquia venha a juntar-se ao pelotão da frente da promoção da Cidade, tão cedo quanto possível.
Depois, para quem, como eu, andou pelos bancos de uma das nossas faculdades, por muito que os tempos mudem (mudam no futebol, como mudam na Universidade, sobretudo ao nível da tradição), será sempre clara e mais do que onomástica a ligação entre a Académica, a Academia e a Universidade (sendo que aqui, a primeira e a terceira instituições podiam fazer um pouco mais para estreitar laços).
Em terceiro lugar, quem vá a uma Assembleia-Geral da AAC/OAF cedo percebe a elevação de 99% dos participantes e a forma diferente que os seus associados têm de estar na vida e o “fair-play” com que encaram o desporto e a diversidade de opinião.
Em quarto lugar, a Académica tem uma claque com toques de genialidade, com raríssima propensão para o disparate e que tem uma lealdade que, por vezes, parece suplantar a de algumas pessoas que a deveriam ter por dever de ofício. Jamais ouvi a Mancha Negra vaiar os seus “rapazes”, ao invés de apoiantes de chamados grandes que, ao menor revés, enxovalham os atletas e ameaçam os dirigentes.
Por último, só me lembro de lhe recomendar a ida ao jogo pelo simples mas puro facto de adorar a Académica!...
Etiquetas:
Académica,
Associação Académica de Coimbra,
Briosa,
Desporto,
Futebol,
Taça de Portugal
Sábado, 28 de Janeiro de 2012
Descubra as diferenças
Os congressos do PCP encerram com o discurso do líder, seguido d' A Internacional e do hino de Portugal. Os congressos da CGTP encerram com o discurso do líder, seguido d' A Internacional e do hino de Portugal.
Bem unidos façamos esta luta final...
Bem unidos façamos esta luta final...
Etiquetas:
CGTP-IN,
Sindicalismo
«Os exploradores são eles, os explorados somos nós»
Se o discurso de Arménio Carlos desse um livro, não sei bem o que seria. Se um romance histórico, se um tratado sobre conspiração.
Etiquetas:
CGTP-IN,
Sindicalismo
Protocolo sindical
O líder da CTGP-IN iniciou o seu discurso com os habituais agradecimentos, salientando, de entre outras, as presenças dos embaixadores de Cuba e da Nigéria.
Etiquetas:
CGTP-IN,
Sindicalismo
Sábado, 21 de Janeiro de 2012
QUE MUNDO PARA AMANHÃ?
Sempre perguntei a mim mesmo como é que Tocqueville, num texto duma clareza e duma lucidez extraordinárias, mesmo proféticas, há 150 anos, tinha podido ver no futuro com uma tal precisão.
“Vejo uma multidão imensa de homens semelhantes e iguais que giram sem repouso sobre eles mesmos para se procurarem pequenos e vulgares prazeres, com os quais consolam a alma. Cada um deles, mantendo-se à parte, é estrangeiro ao destino de todos os outros: os filhos e os amigos particulares constituem para ele toda a espécie humana; quanto à existência dos seus concidadãos, ele está ao lado deles, mas não os vê; ele toca-os e não os sente; ele só existe que nele mesmo e para ele só, e se lhe resta ainda uma família pode dizer-se que ele já não tem pátria".
Quando escreve que “os vícios dos governantes e a imbecilidade dos governados dominam”, Tocqueville parece estar connosco hoje!
Ainda mais profético, quando escreve: “a espécie de opressão que ameaça os povos democráticos no futuro não se parece em nada com a que nos precedeu”. Que fotografia impiedosa da realidade contemporânea!
Vendo o que se passa hoje diante dos nossos olhos e constatando no que se transformou a nossa sociedade, esta corrida desenfreada atrás do deus DINHEIRO que justifica todas as turpitudes, todos os crimes, todas as injustiças, e que uma elite cada vez mais rica não parece inquietar-se que ao seu lado viva uma multidão ainda e sempre mais pobre, tudo isso assemelha-se a um suicídio colectivo programado.
Aliás, ao mesmo tempo que destrui o HOMEM, destrui-se também o PLANETA.
Isto veio-me ao espírito, após ter visto na televisão como os homens pescam industrialmente os tubarões, para se regalarem com as barbatanas, afrodisíacas, segundo dizem, lançando borda fora os corpos ainda vivos para irem morrer no fundo dos mares.
E quando queimam imensas florestas na Indonésia e no Brasil, para produzir óleo de palma e soja!
E o dinheiro, uma vez mais, está na origem destas acções de destruição e morte.
Um provérbio da Índia explica-nos como o homem destrui metodicamente o mundo onde vivemos;
“Quando o HOMEM terá pescado o ultimo peixe, matado o ultimo animal, abatido a ultima arvore, poluído a ultima gota de água, pode ser que ele enfim talvez aprenda que o dinheiro não é comestível”
.
Afinal nada mudou
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896
Etiquetas:
Freitas Pereira
Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Adeus Etta
De Los Angeles para os palcos do jazz e dos blues. Quase como parecendo já um requisito essencial para as grandes intérpretes, com uma história de vida conturbada. Mas que bem assim, fê-la transmitir toda a alma nas letras do que nos cantou com garra e a paixão das divas. Adeus Etta Jones, foi um prazer ter-te tido comigo tantas horas e em momentos tão especiais.
Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
"Lodo" a concurso
O "Lodo" está nomeado para blog do ano, num conclave promovido pelo Aventar.A categoria é: Actualidade Política (colectivos).
Agradece-se a amabilidade e esperamos contribuir para aumentar o share do concurso que, segundo os organizadores, visa "promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa e de língua portuguesa".
Aqui fica o link para quem quiser participar.
Naufragar é preciso? *
« Começa a ser penoso para mim ler a imprensa portuguesa. Não falo da qualidade dos textos. Falo da ortografia deles. Que português é esse?
Quem tomou de assalto a língua portuguesa (de Portugal) e a transformou numa versão abastardada da língua portuguesa (do Brasil)?
A sensação que tenho é que estive em coma profundo durante meses, ou anos. E, quando acordei, habitava já um planeta novo, onde as regras ortográficas que aprendi na escola foram destroçadas por vândalos extra-terrestres que decidiram unilateralmente como devem escrever os portugueses.
Eis o Acordo Ortográfico, plenamente em vigor. Não aderi a ele: nesta Folha, entendo que a ortografia deve obedecer aos critérios do Brasil.
Sou um convidado da casa e nenhum convidado começa a dar ordens aos seus anfitriões sobre o lugar das pratas e a moldura dos quadros.
Questão de educação.
Em Portugal é outra história. E não deixa de ser hilariante a quantidade de articulistas que, no final dos seus textos, fazem uma declaração de princípios: “Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia”.
A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras. As crônicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária.
A intenção dos pais do Acordo Ortográfico era unificar a língua.
Resultado: é o desacordo total com todo mundo a disparar para todos os lados. Como foi isso possível?
Foi possível por uma mistura de arrogância e analfabetismo. O Acordo Ortográfico começa como um típico produto da mentalidade racionalista, que sempre acreditou no poder de um decreto para alterar uma experiência histórica particular.
Acontece que a língua não se muda por decreto; ela é a decorrência de uma evolução cultural que confere aos seus falantes uma identidade própria e, mais importante, reconhecível para terceiros.
Respeito a grafia brasileira e a forma como o Brasil apagou as consoantes mudas de certas palavras (“ação”, “ótimo” etc.). E respeito porque gosto de as ler assim: quando encontro essas palavras, sinto o prazer cosmopolita de saber que a língua portuguesa navegou pelo Atlântico até chegar ao outro lado do mundo, onde vestiu bermuda e se apaixonou pela garota de Ipanema.
Não respeito quem me obriga a apagar essas consoantes porque acredita que a ortografia deve ser uma mera transcrição fonética. Isso não é apenas teoricamente discutível; é, sobretudo, uma aberração prática.
Tal como escrevi várias vezes, citando o poeta português Vasco Graça Moura, que tem estudado atentamente o problema, as consoantes mudas, para os portugueses, são uma pegada etimológica importante. Mas elas transportam também informação fonética, abrindo as vogais que as antecedem. O “c” de “acção” e o “p” de “óptimo” sinalizam uma correta pronúncia.
A unidade da língua não se faz por imposição de acordos ortográficos; faz-se, como muito bem perceberam os hispânicos e os anglo-saxônicos, pela partilha da sua diversidade. E a melhor forma de partilhar uma língua passa pela sua literatura.
Não conheço nenhum brasileiro alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Fernando Pessoa na ortografia portuguesa. E também não conheço nenhum português alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Nelson Rodrigues na ortografia brasileira.
Infelizmente, conheço vários brasileiros e vários portugueses alfabetizados que sentem “desconforto” por não poderem comprar, em São Paulo ou em Lisboa, as edições correntes da literatura dos dois países a preços civilizados.
Aliás, se dúvidas houvesse sobre a falta de inteligência estratégica que persiste dos dois lados do Atlântico, onde não existe um mercado livreiro comum, bastaria citar o encerramento anunciado da livraria Camões, no Rio, que durante anos vendeu livros portugueses a leitores brasileiros.
De que servem acordos ortográficos delirantes e autoritários quando a língua naufraga sempre no meio do oceano?»
* Crónica de João Pereira Coutinho, publicada na Folha de São Paulo a 10/01/2012, aqui
__
Já muita tinta correu por conta do Acordo Ortográfico, mas creio que esta opinião do cronista João Pereira Coutinho é muito certeira, pelo que resolvi transcrevê-la e partilhá-la convosco, tendo destacado as frases que considero mais relevantes.
Etiquetas:
Brasil,
Língua Portuguesa,
Portugal
Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
Diz que é para andar à pedrada
Conheço 1 maçon que combina almoços e jantares com maçons amigos para debater questões filosóficas;
Conheço outro maçon que junto de um maçon amigo arranjou um trabalho jeitoso para a filha mais velha.
Mas no fundo todos sabemos que uma esquisitice que mistura aventais com desenhos egípcios só pode ser uma seita maluca duns gajos que se uniram para fazer coisas feias ao Universo.
Todos temos um Dan Brown dentro de nós.
Conheço outro maçon que junto de um maçon amigo arranjou um trabalho jeitoso para a filha mais velha.
Mas no fundo todos sabemos que uma esquisitice que mistura aventais com desenhos egípcios só pode ser uma seita maluca duns gajos que se uniram para fazer coisas feias ao Universo.
Todos temos um Dan Brown dentro de nós.
Sábado, 7 de Janeiro de 2012
2012? Ano do Medo ou da Esperança?
Estamos actualmente numa corrida contra relógio! Uma grande parte da humanidade continua dominada pela lei do ego e pronta a todas as loucuras em nome da religião, do lucro, do poder ou para conservar o modo de vida egoísta e esbanjador ao qual se habituou, mesmo se isso conduz ao fim do mundo.
Por outro lado, outros procuram com sinceridade soluções para os problemas humanos, sociais, económicos e políticos do nosso planeta. Estes últimos incarnam a consciência superior do que é a Vida. Na medida em que um número cada vez maior de cidadãos integrará esta consciência, estaremos mais próximos da “massa crítica”.
Não esqueçamos que possuímos largamente, há já alguns anos, os meios para pôr fim a toda forma de vida sobre a Terra. A coexistência duma tecnologia avançada com uma consciência limitada constitui uma mistura instável e perigosa que arisca a todo o momento de desencadear uma reacção em cadeia.
Num mundo onde três quartos dos habitantes ainda são confrontados com problemas de sobrevivência quotidiana e a quase totalidade do restante quarto se mantém apegado aos seus próprios interesses e privilégios, será ilusório pensar, e isto antes que seja tarde de mais, que os problemas serão resolvidos sem uma «viragem» notável.
Porque existe uma “massa crítica” que comporta bem no seu interior, um patamar crítico a partir do qual tudo pode oscilar num sentido ou no outro: destruição a grande escala ou recuperação planetária.
Em 2012, este movimento de oscilação pode determinar o nosso futuro.
Vamos esperar que oscile do bom lado.
Bom Ano para todos.
Freitas Pereira
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
Feliz Natal
É corrente que na minha geração estejamos de costas voltadas para a Igreja e sejamos cépticos quanto às estórias relatadas na Bíblia. É difícil explicar aos meus amigos porque tenho um crucifixo em casa e um terço que anda sempre dentro da minha mala, porque a explicação de racional não tem nada e o pessoal é como S. Tomé.
O que queria dizer é que independentemente de tudo o que possa ser verdade ou lenda, existir uma crença de união que baseia a sua verdade na evidência do que o Homem tem de melhor é algo de maravilhoso. E ter transmitido os valores pelos quais o Homem deve reger o seu comportamento ao longo dos séculos, especialmente quando o analfabetismo era a normalidade foi um dos maiores contributos para o estabelecimento das sociedades em que hoje vivemos. Consolar as populações, prestar apoio social, fazer-nos acreditar que no matter what devemos agir sempre pelo Bem, ensinar o perdão é um dos maiores contributos para o progresso e estes são os motivos lógicos pelos quais assumo a lei cristã.
A fé faz o resto.
Um feliz Natal.
O que queria dizer é que independentemente de tudo o que possa ser verdade ou lenda, existir uma crença de união que baseia a sua verdade na evidência do que o Homem tem de melhor é algo de maravilhoso. E ter transmitido os valores pelos quais o Homem deve reger o seu comportamento ao longo dos séculos, especialmente quando o analfabetismo era a normalidade foi um dos maiores contributos para o estabelecimento das sociedades em que hoje vivemos. Consolar as populações, prestar apoio social, fazer-nos acreditar que no matter what devemos agir sempre pelo Bem, ensinar o perdão é um dos maiores contributos para o progresso e estes são os motivos lógicos pelos quais assumo a lei cristã.
A fé faz o resto.
Um feliz Natal.
Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
Modernamente antiquados
Em Portugal, a vida actual é feita de tudo menos de coisas brandas. Contudo, fico com a sensação de que os nossos professores de Direito, os nossos magistrados e os nossos legisladores ainda vivem com a ilusão de que leis brandas e castração do raio de acção das polícias farão com que os criminosos se recuperem para a sociedade.
Sabemos quase todos nós, todavia, que nada disso é assim. Relembro até que, há muitos anos, alertava o então Ministro Laborinho Lúcio (que fazia o favor de me aturar nos debates promovidos pelo PSD) para a necessidade de, sem cair no “olho por olho, dente por dente”, revermos as ideias ressocializadoras. Dizia-o não apenas por saber o que estudávamos na Faculdade (que a cadeia não recupera ninguém), mas também por sentir que conhecia a segunda parte da frase (a que políticos e académicos ocultavam): que não há possibilidade de, no mundo hodierno, encarregar a sociedade de reformatar sujeitos que entraram na via da prevaricação (a tal alternativa à cadeia).
De então até hoje, creio que as coisas pioraram imensamente! Multibancos rebentados com gás, assaltos a carrinhas de valores, assaltos a ourivesarias e outras lojas, furto de cobre das telecomunicações, agressões entre jovens filmadas para exibição pública, violações e outras malfeitorias multiplicam-se e com grau de violência e crueldade crescentes.
Amadoramente, creio que fui localizando algumas das causas … Desde logo, creio que caiu o que restava de um modelo de comportamento social fornecido pelos titulares de cargos públicos. Se o pós 25 de Abril trouxera o declínio da noção de dever (como correlato do direito) e a degradação da autoridade (não falo de autoritarismo, note-se!), os tempos mais recentes e alguns casos conhecidos propagaram-se na vox populi como razões para rejeitar o político como modelo.
Em segundo lugar, estou em crer que o crime se globalizou e que há redes que o tornam mais eficiente (mormente no escoamento dos produtos roubados ou furtados) e também mais avesso a contornos sociais portugueses (a tal brandura de costumes…), dados os compromissos transfronteiriços assumidos.
Depois, o próprio criminoso sendo também ele em número crescente proveniente de outros países trouxe atitudes mais violentas.
Em quarto lugar, as novas tecnologias – telemóveis e Internet – permitem “aprender” com o que se faz lá fora e banalizar a violência (algo em que o cinema e a televisão também ajudam).
Por fim e obviamente, a crise explica o acréscimo criminal que, todavia, não creio que diminua quando aquela se finar…
Este retrato pede leis exemplares e mais protecção e dignificação das forças policiais, que, ainda assim, se comportam magnificamente, sobretudo se comparadas a congéneres estrangeiras que tenho visto.
Resta-me terminar, desejando a todos um feliz Natal e um Ano Novo com (ainda) mais felicidade (e menos crise…).
Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
de Leitura Obrigatória [sobretudo para os membros do Governo]
"(...)As reformas estruturais nunca passaram de um chavão. É preciso uma coragem sem
limites para fazer a mudança de regime e criar uma sociedade nova em Portugal,
mais livre e independente, mais sujeita ao risco mas com mais oportunidades.
Talvez falte espessura intelectual no Governo. Talvez dois dos pilares da troika (finanças públicas e sistema financeiro) estejam a ensombrar o terceiro (as reformas). Mas se tudo isto, esta consumição, esta hiper-tributação, esta vergonha de sermos pedintes, esta pobreza crescente for apenas para manter o que sempre existiu, na política, na economia, na sociedade, então será como prenunciou Lampedusa, é preciso que algo mude para tudo fique na mesma.
Passos Coelho ainda precisa de provar que consegue fazer o que quis prometer. Tem a última chance agora. Porque se tudo isto for para ficar na mesma, então o primeiro-ministro tem razão: o melhor é emigrar."
Talvez falte espessura intelectual no Governo. Talvez dois dos pilares da troika (finanças públicas e sistema financeiro) estejam a ensombrar o terceiro (as reformas). Mas se tudo isto, esta consumição, esta hiper-tributação, esta vergonha de sermos pedintes, esta pobreza crescente for apenas para manter o que sempre existiu, na política, na economia, na sociedade, então será como prenunciou Lampedusa, é preciso que algo mude para tudo fique na mesma.
Passos Coelho ainda precisa de provar que consegue fazer o que quis prometer. Tem a última chance agora. Porque se tudo isto for para ficar na mesma, então o primeiro-ministro tem razão: o melhor é emigrar."
editorial da edição de hoje do Jornal de Negócios, por Pedro Santos Guerreiro, na íntegra AQUI
Sábado, 17 de Dezembro de 2011
Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)










