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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Opinião Isenta sobre Portugal

Um artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, professor na Universidade de Estrasburgo. 


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Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais. Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem-se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união. Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou

Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo. Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre

A política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário. 

Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores, assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas, tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso nos problemas do país. 

Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica, entre o PS (Partido Socialista) e o PSD (Partido Social Democrata), de direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder, que tem um suporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado. 

Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas com telhados de vidro e linguagem pública, diametralmente oposta ao que os seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade. 

À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. 

Mais à esquerda, o PC (Partido comunista) menosprezado pela comunicação social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais. 

Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democracia pré-fabricada não encontra novos instrumentos. 

Contudo, na génese deste beco sem aparente saída, está a impreparação, ou melhor, a ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação. 

Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas de vários países. Ora, é bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda. Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres. 

A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e TV oficiais, está dominada por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos sociais-democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória. 

Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, "non gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e à realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática da apregoada democracia. 

Só uma comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca, o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os seus desígnios.

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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Más notícias


Hoje em dia quase tenho receio de escutar noticiários. Um bom exemplo justificativo foi, numa destas manhãs, a escandalosa medida da agência de rating Moody’s que, coincidência do diabo, na véspera da contracção de um empréstimo por Portugal aumenta, desmesurada e acintosamente, o risco de incumprimentos por parte do nosso País.


A negociata é clara e creio que as declarações de Passos Coelho e Durão Barroso deveriam ter sido ainda mais duras: o que se passa é que, como ainda há gente (muita e muito rica) que dá ouvidos a estes vampiros das agências, subindo o juro cobrado a Portugal em função da nossa alegada falta de fiabilidade, ganham os amigalhaços especuladores que vivem disto. Que se dane o facto de se estar a atirar para o desemprego (mais juros é igual a mais dificuldades para o Estado, o que, por sua vez, vai levar a mais “tareia” sobre cada um de nós)! Pouco importa a falência de centenas de empresas! E que ninguém sinta remorsos por emporcalhar indevidamente o nome de uma Nação a caminho dos 900 anos de independência!... O que é relevante é que estas sanguessugas possam alimentar os parasitas especuladores que, por seu turno, gastarão boas maquias nestes Deus ex machina do rating.


Eu, que não sou ninguém, bem ando a escrever (aqui e noutras paragens) e a dizer (quando tinha actividade partidária), há anos, que estamos a deixar o mercado ir longe demais! O que faz de mim um social-democrata ou um reformista é precisamente o facto de acreditar no mercado temperado pelo papel regulador do Estado. Ora, numa economia globalizada será às instituições internacionais que cumprirá preservar algum poder e não deixar andar a matilha raivosa à solta.


Mais me choca o que se passa se pensar que este Governo tem agido de modo a conter a gula do Estado, pedindo, ao mesmo passo, sacrifícios adicionais e graúdos aos portugueses. Acresce que o próprio Povo Português tem dado uma lição de enorme compreensão e civismo, não se assistindo aos tumultos da Grécia e de Espanha, ou tão pouco aos de tantas outras cidades de outros países europeus, onde se vê violência a cada medida mais penalizadora.


Não nos iludamos: o que está em perigo não é só o futuro de países como Portugal ou sequer da União Europeia!... Se ninguém puser travão a esta sangria provocada pela especulação, o que as pessoas começarão a questionar (compreensivelmente) será a própria validade do regime democrático. Já tivemos na Europa os demagogos que hoje criticamos na América Latina, no Médio Oriente e na Ásia; a continuarmos assim, um dia destes voltaremos ao tema…


Por cá, convinha que Seguro e Assis não pusessem a campanha do PS à frente de Portugal, pois criticas ao imposto extraordinário como as que fizeram são gasolina no fogo. Talvez seja de deixarem o circo para extrema-esquerda, que é boa nisso.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quando o futebol eclipsa o resto

A única vantagem que vejo no FCP campeão é que hoje ainda não se ouviu falar em défice. Valha-nos isso.