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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Aula de Geografia precisa-se!!


A propósito da Cimeira do G20, que decorre em Cannes, a CNN parece estar um bocadinho 'perdida' na localização da Côte d'Azur... talvez uma aulinha de Geografia lhes desse jeito!...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ladra, mas não morde


Não acho normal que tenhamos um Bastonário da Ordem dos Advogados a comentar casos de justiça em programas de televisão matinais assim como quem vai ao café da esquina e acaba a trocar bitaites sobre as gordas do Correio da Manhã. O estado da Justiça portuguesa merece reflexão (e actuação), é certo, mas de uma forma séria e nos palcos apropriados. Não é lá muito deontológico, nem parece ser da sua competência, que o Bastonário da OA vá até aos estúdios de Queluz lançar alarvidades como - "há juízes que se calhar ainda são virgens mas estão a decidir sobre casos de família" ou "se você fosse internado gostaria de ser operado por um cirurgião estagiário?". A querer falar sobre a falta de maturidade de alguns magistrados, a abordagem está longe de ser a mais adequada. Porém, Marinho Pinto não se ficou por aqui.  Disse, de viva voz - e passo a citar - "que em Portugal há duas Justiças, uma clemente e obsequiosa que se aplica aos poderosos, outra impiedosa, cruel e rápidas que se aplica aos pobres". E logo a seguir comentou as recentes reviravoltas do caso Isaltino Morais, entretanto deu uma 'dentada' na suspeição que recai sobre Duarte Lima e terminou a debruçar-se sobre um homem que esteve preso cinco meses e que afinal está inocente - voilá, alguns casos que ajudam a corroborar aquela alegada dualidade de actuações da Justiça. Ela até pode existir, mas não é com este populismo, esta frontalidade que tantos lhe gabam, que o Sr. Bastonário ajuda a operar as mudanças necessárias. É fácil dizer, como disse no referido programa, que a culpa é da cobardia dos políticos. Mas apontar o dedo parece-me um fraco contributo para a melhoria do sistema judicial português. E é por estas e por outras que Marinho Pinto vai ficar na história da OA como um bastonário ávido de holofotes e microfones, que muito ladra... mas não morde.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Porqué no te callas?!


O americano Matt Richardson acaba de inventar um sistema que coloca o televisor em modo silencioso sempre que figuras indesejadas apareçam no ecrã. Isto claro, mediante indicação prévia das pessoas que não queremos gramar... O inventor lembrou-se disto quando já não suportava ouvir mais personalidades como Sarah Pallin, Kim Kardashian ou Donald Trump. Eu cá estou entusiasmada com esta invenção... não vejo a hora de ver mudo o Paulo Bento, o Manuel Serrão, a Fátima Lopes, a Ana Gomes, o Hugo Chávez (que o Rei de Espanha já mandou, e bem, calar), o Pinto da Costa e mais uns quantos. E vocês, que personalidades é que gostavam de ver caladinhas?

sábado, 7 de maio de 2011

Entrevistas, mulheres e suspensórios


Eu sou muito curioso...se um dia se sentarem ao meu lado num avião vão enlouquer. Quem o diz é Larry King, o jornalista norte-americano que aterrou esta quarta-feira nas Conferências do Estoril '11.

Autor de 50 mil entrevistas, Larry King afirma nunca ter preparado as suas perguntas. Pelo menos desde o tempo em que, estava Larry a trabalhar num restaurante da Flórida, e entrevistava os clientes de improviso.

Graças ao estatuto de que goza, pode ignorar a epígrafe da conferência, O futuro da democracia face aos desafios globais, optando por falar sobre a sua experiência de vida. Durante uma hora partilhou com a plateia alguns momentos mais interessantes da sua carreira e do que resta de 25 anos de Larry King Live. Hoje, lamenta não estar no ar, ao assistir às contendas do mundo árabe, à catástrofe do Japão, ou ao assassinato de Bin Laden. -

Mário Crespo, o anfitrião, também falou de si e do estado das coisas por cá. Referenciou mesmo as alegadas pressões do governo sobre o seu noticiário, difundindo, em tempo de campanha, a doméstica asfixia democrática. Larry respondeu: consta-me que é difícil ser jornalista em Portugal.

Ainda assim, o jornalista a quem Arnold Shwazneger atribuiu uma efeméride (o Larry King Day, na Califórnia), disse ter sido muito bem recebido e que era um orgulho estar numa conferência destas. Declarações do senhor 50 mil entrevistas, no momento mais mediático das Conferências do Estoril '11.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A farsa II

Já não bastava a areia movediça que o tema encerra, pelos vistos, precisávamos ainda que o ex-ministro Capoulas Santos viesse animar-nos com um colorido corso de carnavalescas asneiras. Diz o senhor que a oposição deveria apresentar uma moção de censura, tal a indignação mostrada em face do alegado esquema para, via PT, começar uma guerra relâmpago que culminaria no controlo governamental da comunicação social.

Desde logo, é bom que se diga que do dito esquema, para já, nada prova o envolvimento do Governo; creio até que o “carnaval” de notícias que nos soterram prova bem que o Governo não tem mão nos jornalistas. Porém, o que sabemos sobre dois administradores da Portugal Telecom já justificava uma ida para o olho da rua, que mais não seja, por conduta imprópria. Acresce que, deste modo, se manifestava a clara intenção de cavar um fosso para assuntos desta sorte, por parte do Executivo.

Mas voltando ao despautério de Capoulas Santos, creio que o dirigente socialista faria melhor em ajudar o PS a governar e a tirar-nos da crise, já que presumo que tenha sido essa a razão da vitória eleitoral que averbaram. Já bem bastam as miseráveis arbitragens do nosso futebol e o constante assinalar de pretensas faltas perante descaradas simulações, para vir agora um político com truques de algibeira pensar que a “malta” é parva. Dito isto interrogo-me genuína e, se calhar, ingenuamente: será que Capoulas Santos acha que não se percebe a desastrada tentativa de calar a oposição?! Sabendo, como sabe, que ninguém ficaria com o ónus de agravar a situação do País (por razões táctico-eleitorais, mas também por sincero patriotismo), a insinuação é a de que ou a oposição avança para xeque-mate ou abandona o jogo, calando-se.

Artimanha básica, meu caro senhor… Há, no mínimo, dois caminhos que passam pelo meio desse fantasioso “beco do tudo ou nada”: o primeiro é o Governo declarar, sem mais novidades à sexta-feira, que nada tem a ver com o assunto, pondo, na passada, os representantes sem mandato na ordem.

O outro passa por Belém... Nada me tira da cabeça que Cavaco Silva adoraria ter o País em boa situação económica, a reeleição garantida e um PSD que já constituísse uma alternativa credível (será que é desta???). Pois, mas eu também adorava ganhar o Euromilhões e que a Académica vencesse o campeonato. Esse não é, contudo, o Portugal que, de facto, existe. Cavaco Silva responderá em 2011 pela atitude (activa ou passiva) que agora tomar. Espero, sinceramente, que a razão lhe assista!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A farsa

Depois de termos pensado um pouco sobre o que quereria dizer o episódio de alegada censura em torno de um artigo de Mário Crespo, eis que o “Sol” – que me aparece como uma fusão de “Tal & Qual” com “Independente” – nos revela escutas “laterais” do processo “Face Oculta” (o tal das sucatas), nas quais Armando Vara, Paulo Penedos e um administrador da PT, supostamente, debatem um plano de José Sócrates para adquirir o grupo detentor da TVI (através daquela empresa de telecomunicações, onde o Estado detém uma posição privilegiada) e, assim, silenciar noticiários adversos.

Ora bem, a primeira coisa que se me oferece dizer é que estamos atolados em processos e suspeitas. Mal vai um país que, a mais de estar em mau estado no que ao nível de vida respeita, ainda vive sem respeito e sem sentido.

Depois, em sede de abordagem política, creio que os partidos da oposição só podem mesmo acreditar que todos “nascemos ontem”. Vale isto por dizer que só mesmo em delírio ou ataque agudo de toleima podem os demais partidos pensar que a coisa se resolve com uma declinação da tradicional dicotomia “céu versus inferno”... Seria assim estilo “o Sócrates é mau”, mas todos nós (leia-se, PSD, CDS, PCP, BE e o inútil PEV) “somos bons e redentores”. Como se diz na América: “for God’s sake” (em bom português podemos sempre bascular entre um salvífico “pelo amor de Deus” ou um zoófilo “vão dar banho ao cão…).

A verdade é, senhoras e senhores, meninas e meninos, que se poderá ter passado pelos corredores do PS a ideia de amainar as noites televisivas de sexta-feira (o que, sendo verdade, é assunto sério) não menos se poderá dizer que o súbito ataque de pudor da oposição e subsequentes projectos de audições em sede de Comissão Parlamentar de Ética (parece ter ficado de fora a ideia de uma comissão de inquérito) também são fruto da sede de exposição mediática; resta saber se a dita o medo de que depressa se acabe o pluralismo informativo ou mesmo a tradicional ideia de que “apareço, logo existo”. Vou pela última hipótese…

De uma ou de outra, que vos não resta dúvida de que os “auditados” vão repartir-se entre o “sim, fomos muito pressionados” e o “não, não sentimos nada disso”…

Se não acreditam na minha acidez analítica, a ver vamos se não serão as “vedetas” de cada grupo parlamentar a protagonizar as inquirições. Ou julgava que seriam os anónimos deputados que fazem quórum na Comissão que iriam ter a sua hipótese de mandar beijinhos lá para casa?! Nada disso! Já quando eu passei por São Bento, sempre que o assunto envolvia câmaras de televisão lá vinha o estado-maior (lembro-me, por exemplo, da demissão do Ministro Pedro Lynce). A única excepção que me ocorre ocorreu aquando da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI; aí, suponho eu que devido ao incómodo, não havia ninguém com vagar para questionar Pais do Amaral (então, patrão da TVI e restante grupo).

Nesta fase, o que se perde é a capacidade de separar o que é judicial (e que deve ter o seu curso nos tribunais, doa a quem doer) e o que é carnaval…

E continuamos entretidos pela saga justiceira dos partidos, rezando para que nos façam esquecer de que, lá para Março (creio eu), os juros do crédito à habitação voltam a subir. De todo o modo, os bancos não se esquecerão…

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Os Ídolos e o complexo da música portuguesa


Confesso que sigo os Ídolos. A fase inicial do programa prende-me porque, nas por vezes entediantes noites de domingo, nada me faz soltar tantas gargalhadas de ir às lágrimas – o ser humano sempre teve a estranha tendência de se entreter à conta das (cómico)tragédias dos outros, e eu não sou excepção. Já esta última fase cativa porque, num registo um bocadinho mais a sério, procura descobrir novos talentos em solo luso. E se é certo que algumas das estrelas que este tipo de concursos lança não são mais do que cadentes, outras há que se tornam referências musicais em Portugal para todos os gostos – recorde-se Sara Tavares, João Pedro Pais, Nuno Norte, etc.

Sucede que o que me leva a escrever estas linhas não é propriamente as actuações dos candidatos, antes as dos membros do júri, que às vezes parecem sentir mais necessidade de dar nas vistas que os próprios concorrentes. É o particular caso do “patrão” do júri, Manuel Moura dos Santos, sobejamente conhecido pela sua sobranceria. O senhor pode ser um expert na matéria, saber avaliar o valor (ou a falta dele) dos moços e das moças como ninguém, mas tem o grave problema de não resistir à maledicência. Sobretudo, quando se trata de música portuguesa. Se há quem no júri esteja constantemente a lamentar que se cante pouco em português (Pedro Boucherie Mendes), Manuel Moura dos Santos têm uma tendência patológica em criticar os artistas portugueses. Na semana passada a polémica surgiu quando apelidou a música dos Anjos de “pop foleiro e azeiteiro” - estou longe de ser fã dos rapazes, mas o que fazem é comparável a bandas famosas como Westlife, Boyzone, etc., a diferença reside apenas na projecção mundial que estes últimos têm, por cantar em inglês. Mas esta antipatia de Moura dos Santos pela música portuguesa, mais pop ou menos pop, mais foleira ou azeiteira, já não é novidade. Há uns tempos torceu o nariz porque o repertório de Rita Guerra foi cantado por meia dúzia de concorrentes. Goste-se mais ou menos, Rita Guerra é uma voz inconfundível e representou o país por várias vezes, razões de sobra para não subestimar a sua valia enquanto cantora. Mas o auge da pedantice daquele membro do júri foi quando atacou o projecto sensação do ano, os Amália Hoje, tendo dito que o seu arranjo para Gaivota é “lamentável, para não dizer pior”.

Lamentável, digo eu, é que um produtor de música em território português tenha em tão má conta o que por cá se produz. É certo que há uma imensidão de artistas portugueses que estão longe de ser motivo de orgulho, mas, reconheça-se, artistas de mau calibre há por todos os cantos. É certo que quantidade (de discos vendidos) não é sinónimo de qualidade, mas não creio que desdenhar a nossa música possa fazer-nos evoluir nesse campo. O que está aqui em causa é, quer-me parecer, este nosso velho complexo de que o que fazemos não presta, de que cantar em português não vende (já cantavam os Clã que “a língua inglesa fica sempre bem / e não atraiçoa ninguém”), de que a música só é vendável em inglês, mesmo que as letras sejam uma nulidade. É a ideia bacoca de que a música dita ligeira não é verdadeiramente música. É ignorar uma realidade inegável: música é o que cada um de nós quiser ouvir. E se há muita gente a ouvir sonoridades tão díspares como Anjos, Rita Guerra e Amália Hoje, é porque há muita gente a considerar que isto é música, boa música. Mesmo que um produtor esbraceje, barafuste e, no seu habitual tom jocoso (e inconsequente), diga que não é.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Abaixo de cão

Realmente, a TVI devia dedicar-se à escandaleira, aos programas de coscuvilhice e às novelas, algo em que parece ter sucesso.

Como disse, no desporto são absolutamente incompetentes!

Depois de um apuramento categórico, em vez de acompanharem os festejos portugueses e a reacção dos bósnios, a TVI conspurcou o momento com anúncios e mais anúncios. Uma vergonha...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Que porcaria!

Acabo de ver a vitória de Portugal sobre a Grécia, em selecções de sub-21, na TVI.

Se já tendo a não simpatizar com o canal, a coisa agudizou-se com os comentários ao jogo. Fernando Correia, que até é um jornalista prestigiado e experiente, passou o jogo sem ir mencionando idade, clube e outros dados dos jogadores (algo útil, sobretudo quando falamos em jogadores mais jovens e, logo, menos conhecidos) e optou, isso sim, por passar o jogo com graçolas palermas, algo em que foi acompanhado por Cláudia Lopes, a jornalista de campo.

E eu que julgava que José Augusto Marques, jornalista da SIC, fazia maus comentários...

Seja como for, o horror continua a ter Rui Santos (também da SIC) como sinónimo!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

David vs. Golias

Em Junho passado denunciei por aqui os repugnantes e preocupantes conteúdos da novela juvenil da SIC, "Rebelde Way", tendo depois disso optado por fazer queixa junto da ERC. Ao que parece, não fui a única a insurgir-me e ainda bem que assim foi.

Face às participações, aquele organismo visionou os episódios, analisou os quatro eixos problemáticos da série que foram expostos pelos denunciantes - Linguagem, Sexualidade, Consumo de Álcool e Violência - apreciou-os à luz da Lei da Televisão e considerou que "foram recolhidos elementos suficientes para sustentar que o denunciado ultrapassou os limites à liberdade de programação, por terem sido transmitidos conteúdos que são susceptíveis de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes".

O resultado? A 16 de Setembro passado, a ERC deliberou instar o terceiro canal a abster-se de promover representações da adolescência relativamente a questões fracturantes sem a devida problematização e enquadramento pedagógico e instaurou-lhe um processo contra-ordenacional, que pode culminar numa coima entre 20 mil a 150 mil euros.

Eis a prova de que pugnar por uma causa está ao alcance de qualquer um de nós. E a prova de que mesmo um grande operador de televisão não é grande o suficiente para poder esmagar os limites de programação, numa ânsia desenfreada por conquistar a audiência juvenil, sem que seja punido por isso.

Felizmente, tendem a proliferar organismos junto dos quais podemos recorrer quando nos deparamos com situações que nos indignam, mesmo quando não nos tocam directamente, como era o caso. É, sobretudo, uma questão de consciência. Uma opção entre encolher os ombros e conformarmo-nos com o que nos impingem ou usar dos meios que temos à disposição - à semelhança de David e da sua fisga - para pôr na ordem os gigantes que julgamos invencíveis.

*Ler Deliberação 28-CONT-TV/2009 na íntegra, na Secção "Conteúdos";

terça-feira, 23 de junho de 2009

Onde pára a ERC?

Uma tarde destas dei-me ao luxo de consumir lixo televisivo, sem dó nem piedade. Das tertúlias cor de rosa às madrugadoras televendas e dos talk shows deprimentes aos concursos fora de horas, em que umas moças curvílineas instam os noctívagos a telefonar para linhas de valor acrescentado, derretendo a mísera pensão em menos de nada... Porém, se pensam que isto é o pior que passa na televisão portuguesa, desenganem-se. Experimentem sintonizar na SIC às cinco da tarde. Vi um episódio da telenovela "Rebelde Way" e, neste preciso momento, ainda me encontro em estado de choque.

Para quem desconhece, faço o enquadramento: trata-se de uma novela juvenil que passa à hora do lanche, horário ideal (leia-se aqui ironia), já que a esta hora a criançada já chegou a casa e pode deliciar-se com a tv, enquanto os progenitores ainda não estão por perto. A trama desenrola-se num colégio interno que se vangloria de ter um enorme prestígio. No episódio que visionei, o número 181, a coisa começava com um adolescente imberbe a envolver-se sexualmente com a sua professora de Química numa bancada do laboratório, com direito a algemas e outros acessórios equiparados. Até um tipo com um coeficiente inferior a 20 percebeu o que se passou a seguir, mas os argumentistas não acharam suficiente. Mais tarde, o rapaz passeava-se feliz pelo colégio e, quando abordado pelos colegas, não teve papas na língua - "Dei uma queca na professora Irene" (ipsis verbis).

Entretanto, situação idêntica desenrolava-se entre um docente e uma aluna que conduziu aquele até ao seu quarto, onde dois colegas espreitavam e fotografavam o momento, com o expresso consentimento da menina. Se acham que a coisa ficou por aqui, atentem ao que se segue: numa outra cena, um grupo preparava-se para dar uma festa com álcool e tudo o mais a que julgam ter direito, até que chegam as atracções principais: duas strippers contratadas que, afinal, acabam por não actuar (deu-lhes - aos argumentistas - um repentino rasgo de bom senso!).

Mas se aqui não houve strip, o mesmo não pode dizer-se quanto a um outro quarto, onde uma aluna festejava a sua despedida de solteira com um stripper masculino, numa cena que só parou quando a tanga voou direitinha à sua face... Enfim, para terminar estes sessenta minutos de conteúdos pedagógicos, dois jovens do sexo masculino beijam-se e de seguida discutem entre si. Um deles sai do quarto e resolve (não alcançei a ligação...) fazer uma aluna refém, barricando-se numa sala de aula, onde lhe encosta uma navalha ao pescoço, ao mesmo tempo que recita mórbidas passagens biblícas. E pronto, amanhã há mais... Sendo que, entretanto, as criancinhas ainda podem deglutir os resumos dos episódios na página oficial dedicada à novela - aqui, onde podem confirmar o episódio que acima relatei.

Sim, já fui adolescente e sei como são os adolescente de hoje. Tenho noção de que, para muitos deles, alguns dos comportamentos acima descritos são encarados com relativa normalidade. Contudo, numa telenovela, tolero cenas de envolvimento entre jovens, desde que não explícitas e desde que o recurso às mesma tenha uma razão pedagógica - por exemplo, uma cena em que os intervenientes fomentem o uso de preservativo e de alguma forma passem a mensagem de incentivo a uma vida sexual saudável.

Sucede que, além da leviandade com recorrem a cenas de sexo (ou a circunstâncias que a elas se reportam, como o é a contratação de profissionais da área...), é incompreensível que em momento algum haja o mais leve sinal de pedagogia... No caso do envolvimento entre docentes e alunos, sabemos que haverá casos reais, mas o que ali é por demais reprovável é que não se tenha mostrado uma pontinha de sentimento de erro por parte dos personagens, passando-se assim uma mensagem de que este tipo de envolvimento é permissível e até natural.

A isto acresce a linguagem usada, o álcool sempre presente (ao menos punham os míudos a beber umas cervejas sem álcool, ou isso já não é cool?!), a referência a seitas religiosas, o fomento ao voyerismo, a violência como meio para atingir fins, as constantes cenas de índole sexual, enfim, tudo vale para tornar a série mais cativante ao olhar ingénuo das crianças e néscio dos adolescentes.

Pergunto-me onde raio pára a Entidade Reguladora para a Comunicação, a tal que "figura como um dos garantes do respeito e protecção do público, em particular o mais jovem e sensível, dos direitos, liberdades e garantias pessoais", como pomposamente anuncia na sua página de internet. Que se saiba, este mecanismo tem funções de fiscalização que não dependem de queixa apresentada pelo telespectador (embora este sempre o possa fazer e eu muito tentada me sinto a fazê-lo). Pelo menos da leitura aos Estatutos daquela entidade não vislumbrei que a sua actividade esteja circunscrita a esse ponto, i.e., que em face de conteúdos televisivos chocantes - mormente, para o público-alvo em apreço - e na ausência de queixa contra eles, a ERC não possa actuar...

Compreende-se que os trejeitos de Manuela Moura Guedes e o jornalismo a que nos habituou sejam alvo de crítica e levem à reprovação da ERC ao Jornal da Noite das sexta-feiras, mas convenhamos: aí, sempre podemos mudar de canal e "calar" a senhora. No presente caso, não só a maioria dos pais está (física ou mentalmente) ausente quando as crianças visionam estes programas - que os pais julgam vocacionados para aquele target - como muitos deles desconhecem os meios de que dispõem para alertar quem de direito.

Precisamente por isso e, sobretudo, porque não quero nem imaginar que a minha sobrinha algum dia possa vir a absorver conteúdos desta espécie, deixo aqui a minha indignação. A televisão está a passar dos limites e nós... nós continuamos a fingir que isso não é connosco.

domingo, 5 de abril de 2009

Fazer da morte um espectáculo


Foi ontem a enterrar Jade Goody, a britânica que esteve nas bocas do mundo por ter vendido a órgãos de comunicação social os direitos de transmissão dos últimos dias da sua vida, em plena luta contra um cancro.

E foi precisamente ontem que a SIC exibiu as imagens que resultaram desse negócio que Jade garantiu ter sido celebrado para poder garantir o futuro dos seus filhos.

Por mero acaso, mercê de um zapping, dei de caras com o programa (adormeci, felizmente, ao intervalo...), no qual vi uma mulher doente a sorrir disparatadamente para as câmaras, a impingir sessões fotográficas aos filhos, a dissertar sobre a orientação sexual da mãe, a mentir aos pequenos sobre o paradeiro do companheiro, a garantir que venceria o cancro (mesmo quando já sabia que era fatal) porque "o Mundo precisa de Jade Goody".

Tudo aquilo me pareceu um espectáculo deprimente, cujo consumo só nos pode tornar desumanos. Não pude, pelo exposto, simpatizar com a senhora. Não posso, por tudo o resto, deixar de me enojar pela mórbida mediatização da sua doença e da sua morte. Por muito que me tentem convencer de que aqui os fins justificam os meios...

Aliás, toda a história de vida da senhora é deprimente. Vivia apenas e só da sua exposição mediática, à sombra de Big Brothers, tendo-se revelado xenófoba, pouco dada à inteligência, insolente e exibicionista. E não se bastando com isso, mediatiza a sua doença, a sua dor, a sua luta, os seus últimos dias em troca de uns trocos para os tablóides sensacionalistas que levam pelo mundo foram imagens da mulher que, vá-se lá entender, casava às portas da morte com um moço detido por crime e aumentava a sua presença mediática à medida que o cancro a fulminava.

Já não bastava isto e acresce que, à boleia destas celebridades toscas e foscas há políticos que aproveitam para agradar à populaça, como o fez Gordon Brown, enaltecendo a nobreza de Jade e condicionando o funeral desta por razões de agenda.

Pior, a tal nobreza da jovem concedeu-lhe o cognome de "nova princesa do povo", uma usurpação pela qual os britânicos deveriam ter vergonha.

Por tudo o exposto e por mais que tente, não consigo compreender esta fixação do Mundo - e em especial da Grã-Bretanha - pela vida e pela morte de Jane Goody, que eu julgava - chamem-me insensível - que a qualquer um dos nós só poderia inspirar dó...

quinta-feira, 26 de março de 2009

A novela e a vida real

O que é que as telenovelas tem a ver com fertilidade e natalidade? E com divórcios? Enganam-se aqueles que responderam "nada". A penúltima edição da The Economist traz um resumo de um estudo recente que concluiu que no Brasil as novelas tiveram relevante influência no comportamento dos brasileiros. Se foi influência positiva ou negativa, isso já depende dos pontos de vista...

Segundo o estudo, a taxa de fertilidade no Brasil caiu, ao longo das últimas décadas, de 6,3 filhos por mulher para 2,3 no ano 2000. O impacto nos divórcios pode ser menos relevante, mas não deixa de ser espantoso. Se em 1984 ocorriam 3,3 divórcios por cada 100 casamentos, em 2002 essa taxa rondava os 17,7.

Claro que não se pode fazer da Rede Globo o bode expiatório do decréscimo da fertilidade e um considerável aumento nos divórcios, mas o facto é que as telenovelas difundiram estilos de vida mais apetecíveis(ou não...). Em 115 novelas analisadas, 62% das personagens femininas principais não tinham filhos, sendo que 26% eram infiéis. E foi assim que as mulheres emancipadas, as famílias monoparentais, a crítica aos papéis e valores tradicionais, a aspiração à classe média e determinados padrões sociais difundidos nas novelas deram uma "mãozinha" nas mudanças sociológicas.

Isto dá que pensar sobretudo quando atentamos à TV portuguesa que, bem sei, não é pior que as vizinhas espanhola e italiana. Deste lado do Oceano também consumimos muita Rede Globo, e não nos contentando com isso, lançamo-nos em ficção sem qualidade, programas medíocres, violência televisiva, programação que desinforma, que deseduca, que foge aos seus fins.

Há honrosas excepções e sim, há quem faça esforços, veja-se a televisão pública e o trabalho que tem feito com o seu Provedor. Também o quarto canal melhorou a olhos vistos quando desistiu de nos impingir reality shows, fiéis e infiéis e outros tipos de lixo televisivo. Mas, feitas as contas, isso não chega. As novelas e os ocos talk show's ocupam as tardes e as noites das tv's e os portugueses consomem fraco alimento.

Sendo incerto que isso afecte a taxa de natalidade ou os divórcios por cá, certo é que continuamos a menosprozar a influência que a televisão tem em nós, pior, insistimos em não aproveitar as potencialidades da caixinha mágica para educar e (in)formar o nosso povo.

terça-feira, 10 de março de 2009

TVI põe realidade a nu!

Paradoxo matinal... A notícia é trágica, mas o cenário convida a apreciá-la!... Por um momento, quem madruga naquela manhã de Março deseja saber mais e mais e mais sobre a tragédia da Leitãolândia...

É macabro?! Sim!... E no entanto a só a nossa TVI consegue preparar-nos para o pior, despindo-nos de ilusões.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Prioridades...

Depois de abrir telejornais e de ter um "Prós & Contras" exclusivamente dedicado à sua pessoa, o périplo de Cristiano Ronaldo pelos programas da RTP não estaria completo não fosse o menino d'oiro convidado de Judite de Sousa na edição de ontem da Grande Entrevista. Eu cá não tive oportunidade de ver o programa, mas a julgar pelo blá blá blá aqui do local de trabalho, o programa teria sido melhor se se tratasse de uma "entrevista-relâmpago". É que o Cristiano é bom à bola mas não deve muito à língua portuguesa e por aí fora, pelo que a entrevista foi demolhada em lugares-comuns.
Não esqueço que se trata de um miúdo que tendo tido uma infância pobre, lutou e saltou da Madeira para o Mundo, singrou no futebol e tornou-se no melhor de todos. Louvável, bem sei. Mas, caramba, tantos milhões em ferraris novinhos para a sucata, bentleys a reluzir, vivendas e férias de luxo... e não vai nada, nada, nada para enriquecer o seu discurso e a sua postura em público?! ...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

E por que não a do Estrela da Amadora?!

Que a SIC Notícias queira dar conta das eleições na Ucrânia eu entendo... Agora o que já percebo com mais dificuldade é que o faça e os seus profissionais (?!) usem para o efeito a bandeira da Geórgia... É o que temos...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Diz que é uma espécie de Oposição


Inauguraram um novo estilo de intervenção social e tornaram os portugueses viciados no seu humor. Depois, fizeram um interregno e todos sentimos a sua falta. Agora estão de volta e não se fala de outra coisa.

Falo dos Gato Fedorento, um grupo de amigos que a fazer (bom) humor se tornou num fenómeno televisivo (e não só), pese embora haja muito quem esteja cheio de vontade de lhes ver as sete vidas esgotadas. É que a brincar, a brincar, há quem não ache muita piada às caricaturas que aqueles quatro ousam fazer, mormente os sujeitos alvo da sátira...

Ontem, numa entrevista ao programa Dia D, os quatro humoristas revelaram alguns dados interessantes sobre o percurso do clã fedorento. Entre o tom jocoso e a conversa séria, falaram do vai-vém entre a estação pública e o terceiro canal, dos instrumentos e métodos de trabalho, de processos judiciais a decorrer contra o grupo, das ambições futuras e do novo desafio que se inicia no próximo domingo.

O registo, garantiram, «não muda muito porque o país não muda nada». Espera-se por isso uma missa dominical a denunciar os pecados da classe política, dos dirigentes desportivos, celebridades (de)cadentes e outros que tais. Embora aleguem que não fazem política, a verdade é que os sketchs dos fedorentos que ainda retemos na memória visavam quem? Figuras políticas, na sua maioria. E qual das suas acções foi mais polémica? A do cartaz do Marquês, de que falei aqui e que satirizava o conteúdo de um cartaz precedente colocado por um movimento partidário.

Com ou sem vontade de fazer política, certo é que gozam de mais destaque que as elites, provocam merecidos terremotos no palco político deste país e deixam a um cantinho a nossa Oposição.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Zapping, para quê?!



À estreia da novela juvenil da SIC "Rebelde Way", responde a TVI com seis horas (seis!) de "Morangada". Assim vai a televisão portuguesa.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Comando na mão e... guerra à televisão!


Há bem pouco tempo denunciámos por aqui (e também aqui) a falta de ética e a irresponsabilidade social da nossa televisão, perita em aproveitar-se da miséria alheia para, sob a palavra de ordem 'informar', comover e deprimir os portugueses. À data, dávamos por finda essa decadente época de ouro dos reality-shows e pugnávamos por uma televisão mais comedida, mais rigorosa e de maior qualidade. Uma verdadeira utopia, é facto: a nossa televisão vai de mal a pior.

Um dia destes, num bem intencionado zapping entre os canais ditos domésticos, acabei por ficar pelo quarto canal. Aqui, já sei de antemão que não posso contar com qualidade, mas os tipos da TVI conseguem sempre superar-se, sendo que desta vez o que vi deixou-me algures entre o boquiaberta e o indignada:

"Factos em Directo" é uma espécie de programa semanal, que se arroga pertencer à categoria de "Informação" e que recorrendo ao uso do polígrafo (vulgo 'detector de mentiras') devassa e explora casos reais (se bem que aquilo mais me pareceu um teatrinho de actores de 2a categoria...), sujeitando o convidado (actor?) àquele teste, bem como à opinião dos presentes, contando com uma espécie de marcha fúnebre em fundo.

A condução do programa cabe à multifacetada Júlia Pinheiro que promete a infalibilidade da máquina e vai bombardeando o sujeito com perguntas, entremeando com frívolas considerações às quais se junta o douto manuseador da máquina, um espanhol que ajuda à fiesta...

E com tão indispensáveis ingredientes, vai-se fazendo uma espécie de justiça televisiva - descredibilizando o poder judicial - com o pormenor gravoso dos responsáveis pelo canal considerarem que se trata de um serviço de informação...

Pior é impossível. Quando achamos que em matéria de telelixo já vimos tudo, lá está a TVI a surpreender-nos com formatos destes em horário nobre. O que é que se seguirá?..

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mário Soares conversa com Hugo Chavez

Há quem se sinta muito incomodado cada vez que vê Mário Soares em programas de televisão. A mim também sempre me aborreceram As Tardes da Júlia… o dr. Soares, que muitos dizem já não aturar, séra sempre um nome central da democracia neste país e, ideologia à parte, concordando ou não com o que diz, considero que posso aprender qualquer coisa ouvindo-o (admitindo desde já que o distanciamento geracional ajude...). O anterior programa em que Soares participou na RTP – O Caminho Faz-se Caminhando, de Clara Ferreira Alves – onde sobressaia o discurso informal do ex-Presidente, a primar pela riqueza das histórias partilhadas, foi seguramente um testemunho interessante sobre o antes e o após-Democracia para o conhecimento das novas gerações.

Esta é uma posição de princípio.

Na estreia da segunda temporada de Conversas de Mário Soares (quarta-feira passada), foi Hugo Chavez o entrevistado.

Chavez precisa da Europa. Diz que "a Europa é uma das mães da América Latina" e apela, como tal, à intensificação das relações entre as duas regiões continentais.

Gostaria de dizer que Chavez está com algum azar, numa Europa em que os partidos da esquerda andam a sofrer de doença crónica.

Mas não há dúvida de que Portugal - e o PS - parece(m) dar-lhe amparo...

E, chegados ao fim, Chavez termina o programa a dizer que é contra às FARC. Apetece perguntar, como sugere uma amiga, se os malandros já não lhe passam recibos, sr. Presidente!

PS.: Lula da Silva e Santiago Carrilho são os homens que se seguem.