segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

26 anos depois


Vinte seis anos depois, duas teses contraditórias, muitas comissões de inquérito pelo meio e até um filme... as dúvidas e as suspeitas quanto ao caso "Camarate" continuam por esclarecer.
Nos últimos tempos, confissões inesperadas, a injustiça da prescrição do processo (em Setembro último) e até a possibilidade de criar um regime especial face a essa prescrição voltaram a mediatizar este caso.
Volvidos todos estes anos, uma só conclusão da minha parte: quão lamentável é constatar que este caso representa o paradigma de um sistema judicial português ineficiente e burocrático...

Não sou contemporânea de Francisco Sá Carneiro, nem vivi o 4 de Dezembro de 1980, mas desde muito cedo que este trágico acontecimento histórico e a morte de um dos mais marcantes políticos portugueses do séc.XX me despertaram à atenção.
Do que li e do que ouvi, constatei que Sá Carneiro tinha aquilo que falta a muitos dos políticos de hoje: carisma, inteligência, ousadia, determinação, sentido de Estado...
Enfim, o rol de qualidades era, indiscutivelmente, vasto. Talvez por isso, e ainda que fosse respeitado pelos políticos contemporâneos, o seu percurso político terminou mais cedo do que seria de esperar. Afinal, a grandeza de Sá Carneiro ofuscava e incomodava os "demais".
Como (bem) disse Marques Mendes a propósito da data de hoje... "mais do que recordar Sá Carneiro, é importante seguir o seu exemplo".

4 comentários:

Luis Cirilo disse...

Inteiramente de acordo com o que escreveu sobre Francisco sá Carneiro.Mais ainda,se possivel,com o que escreveu sobre Marques Mendes.
"mais do que recordar Sá Carneiro, é importante seguir o seu exemplo".
De facto bem gostaria de ver Marques Mendes seguir o exemplo de Sá Carneiro.
No respeito pela diversidade de opiniões,na assumpção de uma verdadeira democraticidade interna,na valoração de que é mais aquilo que nos une(dentro do PSD) DO QUE AQUILO QUE NOS SEPARA.
Mas infelizmente entre Francisco Sá Carneiro e Marques Mendes a unica semelhança é a estatura fisica.
Porque o segundo é muito mais adepto do "olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço".
É a vida...

Gonçalo Capitão disse...

Sabes que de Sá Carneiro, ao seu tempo, só me lembro da sua efígie que, a par com as do dr. Cunhal e a de Leonid Brezhnev (ex-Secretário Geral do PCUS), muito impressionava a criança que eu era, e de ouvir o meu avô paterno dizer o quanto o apreciava.

Mais tarde li bastantes coisas escritas por Sá Carneiro e percebi o quão avançado era.

Mas, ainda que o não fosse, sempre seria um Primeiro Ministro assassinado, com um escandoloso encobrimento por omissão.

Dito isto, fica, todavia, algum cepticismo para com a proposta do PSD de arranjar maneira de julgar o caso Camarate. Se me dissessem que queriam punir os responsáveis pelo estado a que isto chegou, ainda vá, mas retroactividade em lei penal (a única fórmula que antevejo) pode constituir um precedente perigoso.

aireberyan disse...

»Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz não faças o que ele faz...»

Comentário ao último parágrafo do post.

Rosa Moreto disse...

Nasci em 1981, 3 meses depois do trágico "acontecimento" de Camarate que vitimou Sá Carneiro. No entanto sempre me fascinou a sua figura mítica. Desde pequena observava com curiosidade o busto de Sá Carneiro que lhe presta homenagem em Fermentelos na margem da Pateira. Concordo contigo Gonçalo e tenho esperança que haja mais pessoas como ele no panorama político Português. Infelizmente não são por norma essas pessoas que chegam à liderança do nosso país. Fica uma frase de Sá Carneiro bem lembrada pela minha amiga Dulce na UV e que diz muito a todos os jovens que se preocupam e não gostam de cruzar os braços: "A juventude é inconformada, irreverente e até incómoda. Mas é precisamente isso que se espera dela."