domingo, 18 de novembro de 2007

Gajo de gabarito I

Para eu falar bem de um rei espanhól´é porque achei que esteve mesmo bem.

Falo da postura de D. Juan Carlos na Cimeira Ibero-Americana, ocorrida no Chile, há uns dias.
Mandar calar o Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, quando este enxovalhava o ex-Presidente do Governo, José Maria Aznar, e abandonar a sala durante os dislates do Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, sobre as empresas espanholas, foi de "homenzinho".
Alguém tem que fazer perceber a estes "grandes democratas" da América Latina que podemos discordar, respeitando, como bem sublinhou Rodriguez Zapatero.
Só por causa disso, farei menos um brinde no dia 1 de Dezembro (assim, serão apenas 999...).

8 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

O Rei ao mandar calar o ditador Venezuelano (que vem a Portugal na próxima terça feira, depois d tudo isto.....má performance por parte de José Socrates..acho eu.....) defendeu não só Aznar, mas a Espanha e principalmente o Mundo!
Tiro-lhe o chapeu.

P-s: Tenho um artigo sobre este assunto no meu blogue www.olhardireito.blogspot.com . Caso esteja interessado em ler mais! (nao venho aqui fazer publicidade)

Abraços

Gonçalo Capitão disse...

Francisco

Sugiro-te que não sejas tão peremptório, pois temos 500.000 compatriotas (aproximadamente) na terra de Bolívar. Temos mesmo que receber e tratar bem Chavez, pois, com os novos ventos nacionalizadores, não sei se quererias justificar as consequências de uma diplomacia de confrontação, a posteriori.

luis cirilo disse...

Gonçalo,Gonçalo,mas que é isso ?
Tratar e receber bem Chavez ?
Porquê ?
Isso é realpolitik ?
Ou será que,não comparando tempos e personagens,não estaremos perante este palhaço como Chamberlain e Daladier estiveram perante um palhaço bem mais perigoso e que usava um bigodinho ridiculo ?
Nem parece teu.
P.S: se o rogério Matias for para a Briosa estou finalmenter vingado do...Dario

Gonçalo Capitão disse...

Luís

Mas é claro que é realpolitik!...

De que julgas tu que se trata no sistema de relações internacionais actual?

Entendes que deveriamos tratar mal o Chavez?! Eu não sou fã do senhor, mas tens de pensar que os nossos emigrantes podem, num ápice, ficar sem nada. A mais da tragédia humana de cada um deles, terias "País" para acolher meio milhão de "fugitivos"?

Acresce que as alternativas ao pragmatismo levam o seu tempo. Galileu não abdicou do que pensava, mas abjurou, na fogueira...

Quanto ao Rogério Matias... É melhor estar calado...

Dulce Alves disse...

Como li algures, inverteu-se a história: ‘foi o Rei a mostrar ao povo que o bobo vai nu.’
A ver vamos como se comporta hoje o ‘bobo’ no Palácio de S. Bento.... se se limita a entreter os presentes ou se se lembra de atacar ex-governantes desta ou de outras democracias por esse mundo fora...

Vítor Ramalho disse...

Hugo Chavez não mentiu Aznar tem as mão sujas de sangue.
Como tem Blair, como tem O Durão e o chefão mor O Sr. Danger Bush.
A Europa está refém do imperialismo sionista americano.
O ditador Chavez vai por uma alteração à Constituição a referendo os “democratas” do sistema vão entregar Portugal à Europa sem consultar o povo.

freitaspereira disse...

Caro Gonçalo : Espero passe bem.Uma vista de olhos sobre « O Lodo » permitiu-me descobrir que o « caso » Chavez que discutimos muito no passado voltou à actualidade devido à sua visita a Portugal.
As coisas evoluíram entretanto mas parece-me que há certos factos que confirmam as thèses iniciais.
Claro que a personagem de Hugo Chavez deixa perplexo, mas ele ganhou todas as eleições e vemos bem que não se pode julgar da maneira habitual , com os nossos critérios, numa situação tão particular , esta muito curiosa revolução bolivariana.
Isso torna evidente também que não se pode ter uma visão idealizada da política, que é um “raport” de forças ; uma revolução tendo sempre maus lados, trata-se unicamente de escolher o “bom” lado, que é frequentemente o menos pior.

Mas Hugo Chavez é realmente espantoso e para o momento ele mereceria só elogios mesmo se se pode legitimamente duvidar que este período revolucionário baseado na mobilização dos pobres dure ainda muito tempo.
Ele reformou a Constituição, distribuiu as terras , escolarizou 80% das crianças, levou a assistência médica aos “barrios” pobres e ao campo, instituiu um mínimo de subsistência, e criou as condições de acesso à alimentação ao preço mínimo, entre outras medidas. Era o que era preciso fazer., e o que os seus predecessores não fizeram e deviam.

Pode –se lhe censurar o seu caracter imprevisível e provocador que assusta alguns e perturba o jogo, mas é graças a isso que ele pôde alterar o jogo diplomático e voltar a dar uma impulsão ao movimento revolucionário que Lula falhou.

Eu não apostaria um Kopeck no futuro dele, mas é a ilustração que a historia é feita de encontros improváveis.
Talvez seja problemático de apoiar um homem providencial, que para mais é um militar. O mito Chavez, mas temos de reconhecer que ele procura ser o intérprete de um povo que o acompanha como muitos outros revolucionários no inicio.
Talvez não devamos sonhar demais mas devemos pelo menos ter em conta os progressos e o contexto.

Enfim, a política é inevitavelmente cheia de compromissos e compromissoes, longe da pureza duma bela alma puramente espectadora que não é razão suficiente para renunciar a fazer melhor, mesmo a través dum homem como Chavez. (Se a CIA o deixar viver !)

Cumprimentos

freitaspereira disse...

Ainda sobre o assunto precedente - Chavez - , a reacção deste na cimeira ibérica do Chile e a reacção do Rei de Espanha e de Zapatero, merecem talvez uma pequena explicação.
O que estava em causa foi a participação conhecida da Espanha, a través Aznar, na preparação do golpe de Estado de Abril 2002.
Basta saber-se que logo após o internamento de Chavez numa ilha ao largo da costa da Venezuela pelos militares "putchistas", os dois primeiros Embaixadores que visitaram ,no mesmo dia, Carmona, foram os da Espanha e dos USA.
Muito rapidamente, de Madrid, Aznar, que era presidente da Europa na altura, informou o mundo ocidental da necessidade de reconhecer o novo governo de Carmona, e reconheceu-o ele mesmo imediatamente. Ora devido ao fuso horário ele reconheceu-o antes mesmo deste ter sido constituído!
Mais apressado ainda que os USA que só o reconheceram no fim da tarde do mesmo dia só depois de ele ter sido realmente constituído.

No dia seguinte, o homem de Madrid, Cisneros, já se encontrava em Caracas para discutir o plano de renacionalizarão do Petróleo da Venezuela, na qual Madrid estava mais que interessado, através da Repsol.

Todos conhecemos o que se passou depois: Os putchistas que tinham anunciado que Chavez havia demissionado, não puderam evitar que se saiba que não era verdade, e o retorno de Chavez devido à pressão do povo nas ruas de Caracas e a volte-face das Forças
Armadas verificou-se nas horas seguintes. Entretanto, a cadeia de Televisão RCTV que tinha incitado à marcha contra o Palácio Presidencial para provocar o golpe de Estado, difundia o "Livro da Selva" e não cobria os acontecimentos ,ao ter constatado que as coisas deram para mal!

Chavez foi portanto a vitima da acção de Aznar e não lhe perdoa.

A linguagem agressiva da cimeira é o resultado dessa intervenção da Espanha, que é o maior investidor na Venezuela e que se arrisca a perder muito devido a esta intervenção.

Mandela recebeu aquela película de verniz que lhe permitiu de vencer o Apartheid e de fazer a sua revolução na África do Sul com uma certa classe. Ele era advogado, conhecia as regras mínimas da diplomacia das nações ocidentais.

Chavez é um militar, um oficial subalterno, saído daquela camada popular colorida , mantida desde sempre numa posição de inferioridade um pouco racista, que caracteriza a maioria do povo da Venezuela, do qual ele se sente próximo, e que ele pretende defender antes de mais nada. Muito longe portanto da minoria de origem europeia e da classe média Venezuelana, que esteve representada no poder durante 60 anos pelo dois partidos democratas que se passaram o poder alternativamente, e que a maioria popular considera que defenderam melhor os interesses estrangeiros que os do povo da Venezuela.

Acho que se a Venezuela não fosse o terceiro produtor mundial e terceiro fornecedor de petróleo dos USA, já há muito que um embargozito teria sido decretado por alguém . Mas se o dólar já está a 1,50 para 1 euro, imaginemos o que seria se a tensão internacional levasse a um embargo da Venezuela!
Por outro lado, acho que analisou muito bem a posição delicada de Portugal neste assunto, tendo em conta o tal meio milhão de Portugueses que lá vivem. A "real politik" vista do lado do interesse nacional.