segunda-feira, 19 de abril de 2010

Os doze passos de Coelho - parte II

Volto ao tema dos doze passos/trabalhos de Pedro Passos Coelho, já depois do congresso da sua consagração, que, a meu ver, mostrou já sinais bem positivos, designadamente naqueles que baptizei como 5º e 6º passos: o novo líder laranja soube constituir uma equipa equilibrada e rejuvenescida e foi conciliatório.

No meu modesto modo de ver, falta ainda:

7º Definir claramente prioridades políticas que passem por tornar a nação portuguesa instruída, culta e, logo, qualificada. Tal consegue-se com uma afinação de prioridades na Educação, com o fim da sub-orçamentação do ensino superior, com um investimento permanente na Ciência e, sobretudo, com uma aposta muito mais relevante na Cultura e na definição da sua essencialidade para a completa formação dos seres humanos.

8º - Programar com cuidado a aplicação do modelo de Estado defendido. Se é certo que o Estado Providência, que a tudo e a todos procura acudir, está relativamente esgotado, a mudança brusca para um paradigma liberal pode ser desastrosa. Digo-o não apenas por entender que é preciso um relevante lapso de tempo para vencer o costume assistencialista de cuja obrigatoriedade se convenceram as pessoas singulares e colectivas, mas também porque falta ao povo português a cultura cívica que é sine qua non para essa mudança.

9º - Cumpre, de uma vez por todas, estudar o sistema político e tomar decisões. Por exemplo: é ou não conveniente um sistema eleitoral que combine as vertentes maioritárias com as proporcionais (círculos uninominais com uma lista nacional, por outras palavras)? É que se, por um lado, a representatividade era o fito do pós-25 de Abril, por outro lado, a governabilidade (típica dos sistemas maioritários) já foi alcançada por três vezes, sem alterar o sistema. Acrescem os perigos de se entronizarem campeões do populismo, ainda que a possibilidade de responsabilizar os eleitos seja atractiva em teoria.

10º - Passos Coelho deve procurar recuperar a ideia de políticos que dêem exemplos de boas práticas. Prestigiar a política é essencial para desenvolver o País com o envolvimento de todos. O conselho de escrutínio de nomeações que propôs em sede de futura revisão constitucional parece uma boa ideia.

11º - Se as eleições presidenciais parecem ganhas, estancar o recuo autárquico do PSD é urgente, pois esse sempre foi o tabuleiro que proporcionou ao partido a sua mais fidedigna forma de contacto com os eleitores.

12º - Creio, por fim, que Passos Coelho deve almejar a maioria absoluta, não apenas em face do desgaste do Governo actual, mas sobretudo porque as mudanças que propõe dificilmente terão vencimento se o PSD, com ou sem o CDS, não tiver maioria. Ademais, esse é o remédio para a crónica instabilidade política e mediática de Portugal.

domingo, 18 de abril de 2010

Vê-se bem

Expliquem lá isso melhor...

Recebi esta semana na minha caixa de correio postal uma carta do Diário de Coimbra no mínimo invulgar, para não dizer outra coisa.

Para fazer o devido enquadramento, abaixo transcrevo os dois primeiros parágrafos:

“ O Diário de Coimbra tem vindo, de algum tempo a esta parte, a oferecer-lhe, sem qualquer custo, para si, a edição diária do nosso jornal.

Infelizmente, devido ao aumento das matérias-primas e à diminuição da comparticipação estatal em termos de porte-pago, é-nos de todo impossível continuar com esta oferta por mais tempo.”

Permitam-me que realce a minha estupefacção sobre a simpática missiva! É que não faço ideia do que é que para ali escreveram e gostaria que me informassem quais as edições com que me presentearam?

Sinceramente, receio ter cometido uma indelicadeza. Pois como nunca as recebi, também nunca pude agradecer a oferta.

sábado, 17 de abril de 2010

i: fim à vista


O jornal que ainda nem perfez um ano de vida parece ter o fim à vista. Em Maio de 2009 o "jornal i" surpreendeu no seio da imprensa nacional, num formato inovador e bastante apelativo. Goste-se mais, ou menos, dos conteúdos, certo é que foi até considerado o "jornal europeu do ano". Mas se até a imprensa com raízes já fixadas enfrenta a crise e a supremacia da informação em rede, não seria previsível este desfecho? À data da sua comercialização, eu mesma, por aqui havia vaticinado o futuro da publicação. Nem um anos depois, a "fraquissíma capacidade de gerar receitas" conduziu a uma espécie de ultimato ao director Martim Avillez Figueiredo que, por sua vez, se sentiu «defraudado» com as limitações ora impostas e decidiu-se pela demissão. Agora é esperar para ver se o projecto está mesmo condenado à morte ou se há fé que sustente este empecilho do Grupo Lena.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A infância está em vias de extinção


Não dá para acreditar, mas uma famosa cadeia irlandesa, a Primark, lembrou-se de lançar uma linha de bikinis com enchimento na zona do peito, dirigida a... crianças de 7 anos! Felizmente houve gente sensata que deu por isso e denunciou às autoridades, o que acabou por determinar a suspensão da comercialização de tais peças.

Mas se é de exigir o sentido de responsabilidade das empresas quanto a estas matérias, que dizer da responsabilidade dos pais? A pequena da foto acima, de seu nome, Suri, filha de Katie Holmes e Tom Cruise, apresenta-se frequentemente nestes trajes. Tem 3 anos e orgulha-se de ter um guarda roupa avaliado em dois milhões de euros. Não só é ridículo como, dada a fama dos progenitores, dá um péssimo exemplo de uma vivência prematura, extemporânea e artificial de uma miúda que é suposto viver como uma criança e não um como um adulto. Eu cá, muito temo os efeitos que estes comportamentos possam vir a ter nas crianças, hoje já votadas a prescindir da infância.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Embuste à escala global, by George W.


No fim do filme perguntamos como foi possível o Mundo ter ido atrás da mentira de Bush, com a suposta existência de armas de destruição maciça no Iraque?
Fica o consolo de sabermos que, mesmo com os erros inerentes, uma democracia é sempre melhor que uma ditadura ou qualquer movimento terrorista. Além de que a abstenção não honra a nossa história.
Convém também não esquecer que ali vivia (e ainda permanece) o horror do terrorismo e o cinismo do radicalismo islâmico.

By the way, o filme é muito bom.

"Quem és tu Francisco?"

Afinal que tipo de político é Francisco Louçã?
No jornal da noite de domingo ouvi Louçã a discursar sobre o novo programa do PSD (pelo menos foi assim que o jornalista apresentou a peça). Primeiro, ainda pensei que fosse brincadeira. Mas não. Era mesmo verdade. Louçã dizia que o PSD se preparava para sugerir a redução dos salários dos funcionários públicos e das reformas para combater a crise.
Naturalmente que não se estava a referir ao programa do eleito PPC, que é quem naturalmente neste momento dá voz às intenções do PSD. Estava sim a referir-se a um deputado que tinha apresentado essa ideia ao congresso (académica e lógica do ponto de vista económico e financeiro), mas que na realidade a sua execução conduziria a consequências graves na confiança das pessoas e no dia-a-dia dos portugueses…
De certeza que Louçã sabia disto. Mesmo assim, toca a lançar a confusão!!!
Afinal que tipo de pessoa (do ponto de vista político, claro) é o Francisco Louçã?
Pois bem, num exercício, de igual forma académico, vou imaginar que sou uma Dona de Casa. Arrumo a minha casa como sei. Faço-o com carinho, pois quero servir da melhor forma as pessoas que partilham comigo o mesmo tecto.
De repente a minha visita bate à porta para me pedir “sal”. De repente olha para mim de uma forma altiva e ameaçadora e diz: “é assim que arrumas a casa?...”. Fica um silencia assustador e ela continua: “As cortinas têm de ser engomadas da esquerda para a direita. O chão não pode ser barrido mas sim passado com um pano húmido… e o pó não pode ser limpo com esse produto…”
Já com muita vergonha, pergunto à minha vizinha: “é assim que fazer na tua casa?”
Ela responde: “não. Eu tenho empregada… nem sei bem como se faz pois nunca fiz, mas tu fazes mal…”
O Francisco Louçã é como esta vizinha. Nunca irá governar. Nem quer. Mas está sempre prontinho para criticar…
Talvez um dia as donas de casa deste país percebam que existe um Francisco Louçã na casa ao lado e afinal de contas até nem gostam lá muito dele!!!

Freudiano - Para apreciadores


sábado, 10 de abril de 2010

"Mudar"... também por cá...


Pedro Passos Coelho dá um sinal interno de como se deve fazer política após actos eleitorais. O convite a Rangel e Aguiar Branco, cai bem aos portugueses. Embora possam existir militantes defraudados nas suas expectativas em progredir politicamente com a nova direcção apenas pelo simples facto de que apoiaram o “cavalo certo”, a realidade é que assim é que deve de ser… “ruptura interna” nunca será o melhor caminho!

Agora falta apenas que nos núcleos, secções, distritais do PSD adoptem esta prática. O convite de opositores internos derrotados para colaborar em gabinetes de estudos e grupos de trabalho, pode ser uma via extremamente importante para a estabilidade futura interna do PSD.

É assim que se prepara um grupo para governar.


NOTA: Parabéns ao Manuel R. e bom trabalho…
* Fotografia retirada do JN online

Lodo, S.A.D. aumenta a sua "cadeia de valor"

Ajuda a MUDAR, Manuel Rodrigues.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gajo de Gabarito VII

Que se trata de um cavalheiro pudera já constatar pessoalmente numa audição parlamentar, na qual usei da palavra em nome do PSD.

Que é um empresário de mão cheia afere-se pelo seu sucesso.

Porém, faltava uma declaração de tomo. Ora, chega-nos a dita, hoje, pela comunicação social.

Diz Miguel Pais do Amaral que José Eduardo Moniz tinha como agenda derrubar Santana Lopes e o seu Góverno; pena é, aliás, que não tenha reconhecido outra evidência (talvez por ter ocorrido depois ter vendido a Media Capital à Prisa), que é o facto de a raiva predadora se ter mantido com José Sócrates.

O que estava em jogo era, a meu ver e para desgraça da democracia, uma cada vez mais comum tentativa de afirmação dos órgãos de comunicação social e dos jornalistas como contra-poder, algo que me parece deontologicamente errado e politicamente sinistro.

Mais diz Pais do Amaral que Manuela Moura Guedes tinha que ser substituída para que a TVI passasse a ter informação séria e de referência.

Veio tarde, mas é sempre bem-vindo.

Respire "ar fresco" com as palavras do 2º Conde de Alferrarede, citadas pelo Público *:
  • "A TVI funcionou como plataforma para derrube do Governo".
  • "Houve um período de tempo em que a TVI tomou um conjunto de decisões que se desviaram de uma linha de isenção e de credibilidade durante o Governo de Santana Lopes".
  • (Dito a José Eduardo Moniz) "Uma televisão não existe para derrubar governos mas para informar o público".
  • (Sobre Manuela Moura Guedes) "Era um excelente intérprete do estilo tablóide, mas não se podia reconverter. Havia que mudar o pivot para mudar o estilo de informação".
  • "Uma TV líder com informação séria vale muito mais que uma TV com informação tablóide".

* A pontuação nas citações é da responsabilidade da subscritora da notícia e de quem lha publicou. A fotografia foi "emprestada" por A Bola.

Oportuno

É de aplaudir, esta iniciativa de um senador norte-americano que montou uma campanha na tentativa de melhorar a apresentação e preceito dos jovens americanos, que nos últimos tempos adoptaram o sagging (em bom português, «calças arriadas»!). Por cá a moda também pegou e à falta de cartazes, eu diria que um bom puxão de orelhas à antiga surte bons resultados. Pais, toca a experimentar!

Contudo, a "causa" não é de agora. Nos estados do Louisianna e Georgia já haviam sido aprovadas leis a proibir a exposição do traseiro que, contudo, acabariam por cair por terra. A esse propósito até Barack Obama, antes de ser eleito, já se havia pronunciado: “(...) brothers should pull up their pants. You are walking by your mother, your grandmother, your underwear is showing. What’s wrong with that? Come on. Some people might not want to see your underwear. I’m one of them.”

terça-feira, 6 de abril de 2010

Vão e não voltem!

Considero-me um democrata e creio que a liberdade de expressão é crucial para "o pior de todos os regimes com excepção de todos os outros", como diria Churchill.

Creio, todavia, que, por muita razão e ira que os cidadãos de Valença possam ter em virtude do encerramento do serviço nocturno do centro de saúde local, nada justifica o hastear de bandeiras espanholas, no centro da localidade, mesmo perante o auxílio médico disponibilizado pelo alcaide de Tuy.

É obsceno, é um insulto à memória dos que, em várias épocas, deram a vida pela nossa Pátria e é, indirectamente, o enxovalho do mais "sagrado" dos símbolos da nossa soberania: a nossa bandeira.

Nenhum político ou decisão, por mais medíocres que sejam, autorizam o hastear de uma bandeira estrangeira e muito menos da espanhola, dados os cuidados que até o direito diplomático mantém, ainda que devamos cultivar relações amistosas com o povo espanhol.

Vai e não voltes!


"Alegre valoriza mais cátedra com o seu nome que a possibilidade de ser eleito Presidente"

Título do jornal (pág. 7) "Público", hoje


Confesso que sempre me exasperou a arrogância do poeta de Águeda, mas este desrespeito pela mais alta magistratura da Nação (preferindo a cátedra na Universidade de Pádua) é demasiado para qualquer português que se preze.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Os doze passos de Coelho

Depois da sua categórica vitória e usando a deixa de Asterix, creio que Pedro Passos Coelho tem que encontrar a sua poção para tornar o PSD numa alternativa credível e em que também o imenso eleitorado flutuante possa rever-se. Por simpatia de arrumação lógica, eis os seus doze trabalhos ou passos:

1.º - Persuadir o eleitorado de que, agora sim, alguém tem um projecto que resolve (e não remedeia apenas) os problemas de Portugal. É uma sensação que já não percorre os eleitores desde a primeira eleição de José Sócrates, em 2005. A diferença cifra-se em conquistar o poder e a disponibilidade da sociedade para a mudança ou esperar que o PS perca as eleições, recebendo o poder por “K.O. técnico” do adversário, sem entusiasmo do eleitorado.

2.º - Definir um modelo ideológico e, logo, um ideal social. Temos que explicar às pessoas o que queremos fazer com o seu voto, antes de lho pedirmos; esta foi uma máxima que escutei a Passos Coelho, em 1991, e que creio fazer todo o sentido, mormente quando a falta de clarificação ideológica do PSD tem dado margem de crescimento a um CDS que, não descurando alguns traços conservadores, se assenhoreou do espaço liberal clássico.

3.º - Para isso, entendo que deve repensar o Instituto Sá Carneiro, convertendo-o num gabinete de estudos que, mais do que ser chique e mediático, elabore doutrina e planos de acção para o partido, mas sem se metamorfosear num feudo de jovens “cientologistas” (uso o termo deliberadamente) da política, que o transformem numa célula de propaganda e de emprego para os amigos ou num Cavalo de Tróia, onde se acoitam reservistas para um domínio perpétuo do PSD. Deve tratar-se de uma estrutura com método, mas aberta ao caos próprio do pensamento criador, e aberta a todos sem excepção (quem avisa… ).

4.º - Olhar criteriosamente para os estatutos do partido, clarificando sem margem para dúvida quais as suas opções em matérias cruciais como a eleição directa do presidente e a disciplina, entre outras.

5.º Constituir uma equipa dirigente que faça o equilíbrio entre os capatazes e os arquitectos; ou seja, premiando quem arregimentou votos, mas não desprezando os que gostam de pensar a política sem que tenham, por razões variadas, militantes a toque de caixa (vale a pena fingir que os não há?!).

6.º Concomitantemente, terá Passos Coelho que domar os ímpetos pós-revolucionários. Quero eu dizer que não será fácil conter alguns generais e coronéis do seu exército, que terão vontade de fazer rolar cabeças. Há gente importante para o PSD e para Portugal no terço de militantes que não votou novo premier laranja, havendo que resistir à medíocre tentação do tiro à elite, que alguma rapaziada distrital (não, que saiba e felizmente, em Coimbra) nutre. O tempo é de conciliar, mesmo que, no mandato anterior, os ditos barões (também em Coimbra) tenham visto o PSD como uma coutada pessoal.

Para a semana, terminaremos a saga.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O último erro do SCP!

Eu acredito que ele vai ser campeão em breve… mas infelizmente, não no SCP...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Declarações de voto de alguns dos accionistas da Lodo, SAD


GONÇALO CAPITÃO

“Apoio Pedro Passos Coelho, como fiz na última eleição. Creio que a sua juventude, o bom uso que faz da imagem e da comunicação e, sobretudo, uma agenda nova podem trazer uma esperança a Portugal.

Claro que partilho alguns receios sussurrados… Parece-me que defende um programa de cunho um pouco liberal, mas logo penso que as receitas mais sociais-democratas somente nos têm apenas mantido à tona, o que me parece pouco ambicioso.

Temo ainda uma nova geração de apparatchiks que aí vem. No entanto, a sua hora sempre chegaria e Pedro Passos Coelho talvez consiga moderá-los.

Como dizem os teóricos, a vantagem da democracia é que podemos sempre despedir os governantes, pelo que voto com confiança num amigo.”


DIOGO NOGUEIRA GASPAR

“Não sou militante do PSD mas, se o fosse, votaria em Paulo Rangel. Foi o único que conseguiu criar uma mensagem inovadora e séria para os principais desafios do país distinguindo-se, desde logo, dos seus adversários Passos Coelho e Aguiar-Branco (de Castanheira Barros espero muito menos!).

Não conheço de nenhum quadro do PSD, propostas políticas na área da Educação, que revelem tanto entendimento como o seu, e que a assuma como o verdadeiro instrumento da mobilidade social, contra um sistema em que, como ele descreve, «ou se é doutor, ou não se é nada» (com consciência do valor da escola pública e, sobretudo, dos erros do PS nesta matéria). Assume a prioridade estratégica da agricultura, quando chama um novo D. Dinis, e propõe medias para aquele que é o sector económico mais desprezado em Portugal. Tem consciência das assimetrias regionais no desenvolvimento do território, optando por reforçar os poderes dos órgãos existentes, sem se converter à regionalização. Conhece por inteiro os problemas de uma Justiça em que tribunais e juízes, se encontram cada vez mais instrumentalizados pelo poder político e reféns de algazarras mediáticas, prometendo-lhes mais soberania, e defendendo responsabilidades do o Presidente da República.

É cauteloso quando fala do Estado, assumindo como prioridade o combate à partidarização e promiscuidade dos interesses e definindo novos modelos de regulação. Evita uma revisão liberal – ele, a quem alguns apelidam de católico progressista, sabe que o PSD nunca foi, nem estatizante, nem liberal, mas antes o Partido da sociedade. Dito isto, é de referir ainda: também Paulo Rangel é um candidato jovem e, do seu perfil, há a reter acima de tudo que já provou que é possível ser um político ganhador, sem que para isso tenha reduzido a sua vida à sobrevivência partidária, sem que para isso seja o produto de um «exército alinhado».”


DULCE ALVES

“A pouco mais de 24 horas da eleição do próximo líder do PSD devo confessar que ainda não sei sobre quem recairá o meu voto, sendo que desconfio que o meu boletim vai mesmo parar à urna tal qual chegará às minhas mãos: em branco. Tudo porque do leque de candidatos não há um que me convença que tem capacidade para rejuvenescer o partido, e digo rejuvenescer não no sentido de renovar caras, mas antes de renovar ideias e de readquirir o vigor que o partido já teve e que outrora imprimiu à sociedade portuguesa.

Pedro Passos Coelho é aquele que mais me cativa, quer pela capacidade retórica, quer pela serenidade com que sempre se apresenta, enfim, pelo embrulho, reconheço. Mas é, porventura, aquele com que menos me identifico no plano ideológico, mormente, com o modelo liberal que defende (e então no que toca à Saúde...). Acresce a isto que muito temo o fiel exército que o acompanha, polvilhado de gente que não faz falta nenhuma ao partido, cumpre dizer. Contudo, acredito que por ser aquele que recolhe maior capital de simpatia fora do partido é, naturalmente, aquele que parte em posição mais favorável para um combate eleitoral próximo.

Por seu lado, Paulo Rangel até agrada pelo conteúdo, mas deixa muito a desejar pelo invólucro. Desde os laivos de arrogância à súbita sede de poder - rompeu o compromisso "Europa" que fizera com os eleitores, arrogando-se o Messias do Partido e isso, por si só, é lamentável. Já Aguiar Branco e Castanheira Barros, embora não se possa pô-los no mesmo saco, diria que pura e simplesmente não têm perfil, por razões notórias.

Em suma, não me sinto plenamente representada por nenhuma das candidaturas, motivo que me leva a votar em branco, esperando, contudo, que o eleito um dia destes me dê motivos para arrependimento. Seria bom sinal.”


JOÃO PEDRO CRUZ

“Eleições à presidência do PSD: eu acho acima de tudo que o PSD tem 3 bons candidatos. Podia dizer já que apoio um qualquer, apenas porque é o melhor… mas estaria a ser injusto para com os outros 2. Acho mesmo que existem bons e diferentes argumentos para apoiar um dos 3.

Confesso que não foi uma decisão fácil de tomar. Tive de pensar. Pensar bem… mas para ter a certeza que iria apoiar a pessoa certa analisei 3 pontos que considero fundamentais no panorama político actual:

1) Se as eleições legislativas fossem hoje, qual dos 3 candidatos melhor disputaria uma campanha eleitoral contra José Sócrates?

2) Sem focar o espectacularidade do discurso polido, qual dos 3 candidatos tem as ideias melhor arrumadas para definir estrategicamente um novo rumo para o nosso país – principalmente em termos económicos?

3) Qual dos 3 candidatos tem a capacidade de implementar as reformas necessárias no PSD… isto é, mandar uma série de pessoas para a reforma...?

Pois bem, acho que agora já ninguém tem dúvidas que vou apoiar o Pedro Passos Coelho.

Eu até não me considero uma pessoa com o pensamento extraordinariamente liberal. Não. Mas por outro lado, também não acho que as linhas conservadoras (por vezes de forma excessiva) nos levem, como nação, pelo melhor caminho.

Acreditem que a leitura do livro do PPC ajudou qualquer coisinha na minha decisão. Afinal de contas, é de mudanças que estamos a falar…”


RICARDO CÂNDIDO

“Sou daqueles que consideram que o PSD não se soube afirmar como alternativa ao PS nos últimos anos. Mais do que votar num candidato que poderá ser afecto à concelhia X ou à Distrital Y, é imperativo que dia 26 se vote no candidato que consideremos estar em melhores condições para levar o PSD ao governo de Portugal. E aí, valendo o valem, todos os estudos de opinião têm sido claros em colocar Pedro Passos Coelho (PPC) na linha da frente.

Numa altura em que o descrédito na classe política atingiu indicadores impressionantes, penso ser imperativo o PSD dar o exemplo, promovendo uma mudança geracional que represente uma nova forma de estar e de fazer política, assente na capacidade técnica, académica e cívica dos seus actores.

As regras actuais da arena política exigem visão de futuro nas ideias, empreendedorismo nos actos, discurso pedagógico com capacidade de mobilização, juventude que demonstre garra em querer fazer.

Entre as opções disponíveis creio que PPC é quem melhor representa a alternativa que o PSD necessita e que o País anseia. Encaro as cenas dos próximos capítulos com PPC como Primeiro-Ministro. E serão seguramente bons capítulos.”


ROSA MORETO

Nas últimas eleições o meu voto foi para Manuela Ferreira Leite, pelas razões que na altura apresentei. Também nessa altura considerei que Pedro Passos Coelho seria um bom candidato para vencer as eleições seguintes, embora não conhecesse ainda muito bem as ideias que defendia. Agora chegamos a novas eleições e tudo corria bem até que de repente os candidatos se multiplicaram e vieram de novo trazer a ideia de divisão do partido. Quatro candidatos pareceu-me um exagero numa altura em que o PSD precisa é de união e mudança. Como muitos militantes e simpatizantes do PSD, penso que a disputa se faz entre Coelho e Rangel, não estando aqui a querer desvalorizar o esforço e empenho de Aguiar Branco e Castanheira Barros. Penso que duas candidaturas eram suficientes, e até Paulo Rangel entrar na corrida o meu voto tendia para Passos Coelho. Depois fiquei na dúvida e lá fui ao congresso a ver se me decidia...e vim de lá ainda mais baralhada. Da dúvida entre Coelho e Rangel passei à dúvida entre um dos dois ou voto em branco. Depois vieram as conversas com colegas de JSD, cada um a puxar a brasa à sua sardinha...e eu continuava baralhada. Depois o meu voto começou a tender mais para P. Coelho (talvez porque a Páscoa está a chegar). Ontem até o fui ouvir aqui em Aveiro e não esteve mal...mas continuo baralhada.

Ok, basta! É que estou farta de escrever e não só estou eu baralhada como devem estar os curiosos que se deram ao trabalho de ler a minha confusa opinião. Tudo isto para dizer que ainda não sei como vou votar. Acredito que tanto Paulo Rangel como Passos Coelho têm qualidades importantes para liderarem o partido, mas também têm características que não me convencem e me deixam de pé atrás. Como não conheço nenhum dos dois pessoalmente, e as palavras... leva-as o vento, a minha dúvida agora é entre dar um voto de confiança a um dos candidatos ou votar em branco. No final de contas, o que espero é que a partir de sábado a mudança que o PSD precisa realmente aconteça!


RICARDO BAPTISTA LEITE

“Considero que é fundamental unir o Partido em torno de uma liderança que possa finalmente concretizar um projecto social democrata em Portugal... Só assim sairemos do marasmo político, económico e social em que o País está mergulhado. Nestes últimos anos, Pedro Passos Coelho rodeou-se dos melhores de cada sector da sociedade, organizou uma equipa e metodologias de trabalho, e apresentou um projecto concreto para Portugal. Desde a saúde à educação, da justiça à economia, da segurança social à cultura, a sua visão é clara e revejo-me na sua estratégia. Foi aquele que apresentou atempadamente e de forma estruturada o seu plano para o país, é independente da política, é intrinsecamente um social democrata e já demonstrou que possui a capacidade de liderança necessária para agregar e unir o partido e para enfrentar os desafios que nos esperam. Eu acredito que estamos a tempo de colocar Portugal no rumo do desenvolvimento, progresso e do crescimento sustentados. O fomento da criação de riqueza e a racionalização do papel do estado na sociedade terão que ser os pilares fundamentais da estratégia política que será, arrisco-me a dizer, de salvação nacional. Por tudo isto, urge MUDAR! Por Portugal, com convicção, EU APOIO e VOTO PEDRO PASSOS COELHO!”


MANUEL RODRIGUES

"Desde 74 que Portugal não atravessa condições económicas tão adversas. É fundamental termos uma liderança no PSD que dê coesão ao partido e que seja dinâmica e sóbria, capaz de ajudar a re-credebilizar o país junto das instituições internacionais (agências de rating entre outros) e simultâneamente ajudar a criar um clima propício ao relançamento económico. Acredito que Pedro Passos Coelho tem a melhor Equipa capaz de enfrentar os grandes desafios do país e do partido!"

Notícia: "Justiça italiana quer ouvir Berlusconi sobre fim de programa televisivo"

Se fosse em Portugal, era tudo muito "lamentável" e não acontecia nada.
Vamos ter mesmo de "Mudar"!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pontapé... no provérbio.

Acabo de ouvir o jogador Filipe Oliveira, do Sporting de Braga, dizendo, a propósito da suspensão do seu colega Vandinho, que ignorar a sua importância "é tapar o Sol com uma pena"...

Ainda bem que o jogador não dorme com um edredão ou um colchão de peneiras...

A hora do Coelho

Na próxima sexta-feira, os militantes do PSD com quotas pagas (no meu caso, orgulhosamente, por mim próprio) poderão (deverão?) escolher o presidente do partido, levando em linha de conta não os rancores idiotas que introduziram um cisma do tipo claque (cá estou eu a sonhar acordado…), mas sim o perfil que consideram desejável para levar o PSD a uma vitória muito possível, se não mesmo provável.

Desta vez, mesmo engolindo sapos (com ele está o PSD da “folha de Excel” – ou seja, o aparelho puro e duro) os meus passos vão, de novo, para o Coelho que parece poder saltar da cartola social-democrata.

Desde logo, trata-se de um candidato que, sem alardear rupturas (resta saber com que passado rompe um neófito como Rangel, mas isso deve ser um preciosismo lógico da minha parte…), não espera que o PS perca eleições (coisa que o seu Líder não concede de barato, como pôde constatar Manuela Ferreira Leite), propondo-se ganhá-las de modo afirmativa e com um projecto que, corajosamente, publicou em livro, assim selando o seu compromisso político.

Depois, quando há opinião unânime dizendo que José Sócrates é um mestre da comunicação política, seria errado não acautelar esse aspecto. Todavia, o resultado, a curto e médio prazo não se alcança com uma saturante retórica ao estilo da I República, nem espetando o indicador a troco de tudo e de nada, antes se recomendando um discurso claro e uma postura imaculada, como tem Passos Coelho.

Em terceiro lugar, gosto da frontalidade de Pedro Passos Coelho. Não sei se concordo com ele na sua posição sobre a Lei das Finanças Regionais (creio que não), mas sublinho-lhe a coragem de contrariar um senador do PSD, como é Alberto João Jardim. Aliás, o “caminho das pedras” não lhe é estranho, pois já nos seus tempos de JSD dizia a Cavaco Silva o que outros não ousavam sequer pensar (lembro que a “sua” JSD teve um projecto de revisão constitucional autónomo).

Realço ainda que a maturidade das suas posições é notória; lembro o pedido de demissão do Procurador-Geral da República, que acho excessivo, mas ainda assim mais inócuo do que denegrir o País numa instância europeia (de novo, Paulo Rangel). Trago, por fim, à colação a categoria com que foi apoiar Manuela Ferreira Leite no comício de Vila Real, depois de esta o ter excluído da lista de candidatos do distrito.

Claro que, como disse, há um “mas”. Com excepções como a do concelho de Coimbra (onde conta com o apoio de gente prestigiada), a necessidade de angariar votos levou-o a incorporar muita gente de “listagem no bolso” e computador portátil nas reuniões e alguns jovens turcos ávidos de poder e parcos em tolerância; assim a sua mestria os venha a domar, depois de vencer…

Em todo o caso, é a escolha mais interessante.

Limpar Portugal

No dia 20 de Março cerca de 100 mil voluntários ajudaram a limpar Portugal, distribuídos um pouco por todo o país, recolhendo assim milhares de toneladas de lixo. Já devem ter ouvido nas notícias. Mas queria apenas salientar que iniciativas como esta dão um novo alento, mesmo numa altura em que não olho para o meu país com muita esperança. Afinal os Portugueses não se unem só na desgraça (como aconteceu recentemente para ajudar a Madeira) ou no futebol (como aconteceu no Euro2004). Também há Portugueses que se unem para pôr mãos à obra e limpar o lixo que outros Portugueses depositam indevidamente por tantas matas e florestas das suas freguesias. Se por um lado senti orgulho por ver tantos voluntários empenhados, por outro lado fiquei indignada com a falta de civismo de todos aqueles que se livraram dos seus lixos sem qualquer problema de consciência. Já agora partilho a minha experiência. Em Fermentelos foi assim:

quinta-feira, 18 de março de 2010

Como faltam mais de sessenta dias...

Como faltam mais de sessenta dias para o próximo acto eleitoral, creio que posso escrever este artigo…

Com base nessa premissa, começo por dizer que há lições que o PSD não aprende. Desde logo, quem, como eu, tenha seguido com atenção o Congresso de Mafra, no último fim-de-semana, terá visto a razão de os conclaves do PSD continuarem a ser um acepipe para a avidez da comunicação social, pela razão de que a gestão dos trabalhos, seja qual for o elenco que compõe a Mesa, conseguir a proeza de alinhar a horas decentes todos os notáveis e detentores de cargos, ao passo que o militante desconhecido tem sempre o “azar dos Távoras” de falar a altas horas da madrugada e para meia dúzia de gatos pingados… Eis a primeira pérola da democracia laranja.

A segunda tem a ver com a aprovação da medida já denominada como “lei da rolha”, que penaliza como infracção grave a crítica a orientações da direcção, nos sessenta dias anteriores a um acto eleitoral. E nem vale a pena perder muito tempo com a medida em si, por duas ordens de razão: por um lado, a crítica é legítima, constitucional e sempre fez parte do acervo histórico do PSD (Sá Carneiro viveu com ela, se bem li os relatos históricos). Por outro lado, é certo que um “clube” tem a possibilidade de estabelecer as suas regras, mesmo que os que as votam se estejam nas tintas para o que estão, na realidade, a aprovar, que aposto ser o que se passou.

A medida em causa é penhor, por isso e em minha opinião, de mais engulhos do ponto de vista da sua aplicabilidade, oportunidade e necessidade. Quanto à aplicabilidade, creio que serão mais os problemas do que as vantagens quando procurar averiguar-se o que é uma crítica grave e quando se pensar na disparidade potencial das consequências para um militante que critique o “politburo” a 61 dias de eleições e outro que o faça a 60… Acresce que fica por perceber qual a razão do prazo; por que não 120, 45 ou 30 dias ou mesmo 36 horas e 45 minutos?!...

Aliás, quando é tida por necessária uma expulsão, mesmo em massa, estão aí os dirigentes do PSD de Coimbra para atestar que já não eram precisas mais normas, pois, ao que sei, várias pessoas que terão concorrido contra as listas do partido enfrentaram ou enfrentarão esse destino.

O que contesto é, em conclusão, a oportunidade de uma norma destas, numa altura em que o PSD (mesmo em Coimbra) deveria procurara a reconciliação (mantendo os debates no campo da argumentação pura, sem purgas) e não oferecer o flanco a um PS que, ferido, aproveitará qualquer oportunidade para aliviar a pressão.

Acresce que tanto me faz que os estatutos do PS vão pelo mesmo caminho, pois com o mal dos outros posso eu bem...

Tenho pena que a sugestão partisse de Pedro Santana Lopes, que sempre beneficiou de tolerância e respeito por parte da generalidade do PSD, assim como lamento que tenha dito que, ao invés das palavras que lhe haviam sido atribuídas, não mudara de ideia quanto à eleição directa do presidente do partido.

terça-feira, 16 de março de 2010

Mafra 2010: MFL

Manuela Ferreira Leite falou apenas uma vez ao congresso… mas falou bem.

De uma forma extremamente calma e clara (como lhe é costume), montou o seu discurso palavra após palavra descrevendo um Portugal no caminho errado nas mãos do governo socialista.

Dos diferentes pontos que abordou recordo-me das descrições que fez relativamente: ao caminho desastroso que o governo está a seguir nas finanças públicas; ao excesso de confiança que Sócrates transmite aos portugueses com a decisões do tipo aeroporto e TGV; ao mais que provável crescimento acentuado do desemprego; à asfixia democrática; à tendência da movimentação de pessoas da classe média para a classe pobre do país, com a permanente perda de poder de compra…

Quem a ouviu, poderia pensar que MFL estaria a fazer este discurso pela primeira vez, pois foi dramaticamente actual. Mas não. Conforme a própria confessou, tratava-se de um discurso que fez em 2008!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Mafra 2010: “É esta a boa moeda…???


Pedro Santana Lopes começou o 32º congresso do PSD em grande. Inicialmente divagou pelo pouco tempo que esteve como presidente do PSD, a sua curta experiência como primeiro-ministro e as dúvidas que teve em 2005 relativamente à seriedade do candidato José Sócrates a primeiro-ministro.

Sobre o último, recordou ao congresso um outdoor da JSD, onde se perguntava ao país se conhecia José Sócrates.

No desenvolvimento do seu discurso foi fuzilando a prestação de José Sócrates como primeiro-ministro. Desde as últimas medidas governamentais mais polémicas até à última lamentação do Sócrates relativamente à limitação da liberdade de expressão dos órgãos de comunicação social. Assuntos que oportunamente ia interrompendo com comparações aos 4 meses do seu governo.

Relativamente à prestação do governo socialista e a José Sócrates, PSL perguntou ao congresso:
“é esta a boa moeda?”

E é assim que Aníbal Cavaco Silva entra no discurso de PSL. A meu ver, entra da pior forma para o primeiro, até porque a sala do congresso aplaudiu efusivamente a provocação de PSL.
Mas, ainda bem para Cavaco que PSL não é como Cavaco. Após o recado estar dado, PSL tentou demonstrar que Cavaco foi apenas mais um a ser enganado e que muito provavelmente hoje não escreveria aquele artigo tão polémico que ditou os últimos dias do seu governo.
Afinal de contas, a próxima luta eleitoral é para Cavaco… e PSL demonstrou que não pretende pagar com a mesma moeda.

sábado, 6 de março de 2010

Passos Coelho à R. de São Caetano

Continuando a saga da semana passada em que avivei a necessidade do PSD Mudar de vida, agora deixo aqui a minha preferência para líder do partido.

E é sem grandes notas introdutórias que vos digo que votarei novamente em Pedro Passos Coelho (PPC). Já o fiz há dois anos, fá-lo-ei novamente, mas desta vez ainda com maior determinação.

PPC soube-se preparar para a imensidão da empreitada que o aguarda. Melhorou o discurso, trabalhou o partido, preparou os dossiês, definiu claramente a sua declaração de missão e sabe explicar com clareza a sua visão para o País. Creio que tem um futuro enorme à sua frente.

Revejo-me nas suas ideias sobre o papel do Estado: “Menos Estado, Melhor Estado”. No reforço da iniciativa privada. Na necessidade de diminuir a ditadura fiscal que asfixia as nossas empresas e no imperativo de as tornar mais competitivas nos mercados hipercompetitivos como aqueles onde hoje actuam.

A candidatura de PPC representa uma perspectiva de união para o PSD e de estabilidade para o País. Não será um líder de facção nem temporário. Será sim uma verdadeira alternativa ao PS e ao Eng.º Sócrates, ou seja, aquilo que o País realmente necessita.

Mas a motivação inerente ao voto em PPC não se fica por aqui. Há ainda o “cardápio” de candidatos disponíveis. Não tenhamos dúvidas que entre as opções, o pior que poderá suceder ao PSD é escolher Paulo Rangel (PR) para líder e não são necessários mais debates para se perceber que não tem o perfil nem a preparação necessária para importância da “guitarra”. Ou seja, há claramente falta de unhas...

Se o PSD decidir ir por aí, veremos um líder com traços populistas nunca vistos. Será o discurso do show e a política do espectáculo no seu esplendor máximo. E não deixa de ser irónico que é precisamente esse tipo discurso e de espectáculo que MFL acerrimamente combateu durante anos. Face a este dilema, não espantaram os empurrões a Marcelo Rebelo de Sousa.

Para os apoiantes de PR, há dois anos PPC era muito novo para a empreitada. Agora que PR é mais novo que PPC, tem a vantagem de parecer mais velho. Ou seja, os argumentos oscilam consoante as necessidades. Tudo em prol da manutenção do poder.

O PSD é um partido com a tradição de bem receber e PR foi bem recebido. Foram-lhe dadas oportunidades de participação cívica. A ex-filiação centrista não foi entrave ao acolhimento. Agora, escusava de cair no esquecimento do próprio. É essencial àqueles que querem ser eleitos (diria até que têm o dever) explicar aos que têm o "poder" de os eleger as suas ideias e também, claro, o seu percurso.

Do CDS prefiro o exemplo de Lucas Pires. General de um pequeno partido que não se importou de ser sargento de um grande partido. O percurso de Rangel é diferente, soldado de um pequeno partido que se quer tornar general de um grande partido.

Sem esquecer que apesar do segmento populista não estar na natureza do PSD, os poucos votos de direita que ainda se poderiam alcançar já se encontram ocupados por Paulo Portas e pelo seu PP. O encostar ao PP seria fatal para o PSD. Sejamos francos, Portas é muito superior a Rangel no discurso, no populismo e no fazer passar a mensagem.

José Pedro Aguiar Branco é um gentleman. Foi um bom Ministro, é um bom líder da bancada parlamentar e tem o CV e a carga histórica necessária para a tarefa. Todavia, penso que falta o carisma necessário aos políticos de hoje com as novas formas de comunicação. Fala bem, direitinho, mas não encanta.

A traição de PR aumentou a sua popularidade. Creio que os portugueses têm especial apreço por vítimas de “sacanagem” política. Mas JPAB vem da alta burguesia nortenha. É uma imagem que não passa no País e eu quero um líder do partido que venha a ser Primeiro-Ministro em 2011.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Choque tecnológico

E, finalmente, lá fui ver "Avatar", na segunda-feira. Ficou-me a sensação de ter visto um filme tecnologicamente bonito e com uma mensagem que pode motivar adolescentes para causas justas. Contudo, é filme que dificilmente verei outra vez.

terça-feira, 2 de março de 2010

Entre a política e o teatro está uma cidade pequena*


A Cidade, exibida durante o mês passado, no palco lisboeta do São Luiz, é uma peça baseada em textos de Aristófanes (Os Acarnenses, Lisíastra, Paz, Pluto, As Mulheres no Parlamento, As Nuvens, entre outros). A criação é do Teatro da Cornucópia, uma companhia para a intelligentsia. A sinopse descreve o espectáculo como uma proposta crítica de abordagem da democracia ateniense e dos seus vícios, sugerindo que são esses os mesmos vícios que minam a política dos nossos dias.

Sucede que não foi preciso assistir a uma hora de espectáculo para percebermos que estávamos diante de uma peça que assenta numa trapalhada de sequências narrativas, que algumas boas interpretações não chegam para salvar. 

Fica aqui o nosso registo...

São ao todo cerca de quatro horas de duração, cuja primeira parte procura ter Lisíastra como ponto alto. No texto que conta a história das mulheres que se entregam à abstinência sexual como forma de exigir a paz com Esparta, centraliza-se a cena num Exército que sofre com a impertinência dos seus impulsos sexuais, numa caracterização bacoca, com diálogos brejeiros e sem piada. E nisto vão quase duas horas.

Chega Nuno Lopes. Nesta peça, a sua participação, longe de ser um atestado da sua versatilidade, é sofrível. Talvez a sua inclusão nesta peça procure uma aproximação ao grande público, como quando Nuno Lopes fazia rábulas junto de Herman José, há uma década atrás. Infelizmente atribuíram-lhe o guião errado. Quase pelo mesmo caminho vai a desperdiçada Maria Rueff.

Quem sabe se em alusão às quotas, segue-se a adaptação de As Mulheres no Parlamento, onde se sugere que o seu talento para o debate não é o mesmo do que para os ofícios do lar. As cenas seguem uma via sinuosa até à cidade igualitária, em que mulheres feias terão o mesmo acesso à alcova que as mais bonitas.

E eis que, perto do fim, Luís Miguel Cintra não sabe da mulher e aparece na rua. Aflito que está, resolve encostar-se a uma casa e aliviar-se. Em dificuldades por causa de uma pêra, não sabe onde, depois de comer novamente, irá «voltar a pôr a merda toda». A sequência ditaria a entrada em cena das moscas, mas serão os pássaros, que papagaiam como os tribunos nos hemiciclos, que nos oferecem mais uns minutos agonia, à espera do fim.

A tirada final de Luís Miguel Cintra, num monólogo de estilo pedagógico sobre a Democracia é uma carta fora deste baralho, e por isso um dos trechos candidatos a salvamento da exibição, juntamente com o episódio de Pluto...

Mais haveria a dizer, mas por ora fica o pedido a Fernando Mendes (o do Preço Certo) que, caso venha a ler estas singelas palavras, conte connosco no seu próximo espectáculo. Os dele não recebem subsídio público e têm muito mais nível do que isto.

* com a colaboração de Dulce Alves e Gonçalo Capitão
[fotografia de Cristina Reis]

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mudar de vida

O PSD tem de pensar seriamente na vida, para seu próprio bem como da democracia em que vivemos e queremos continuar a viver. Se não há democracia sem organizações democráticas, em particular partidos políticos, há aqueles que tendo esse propósito não têm sabido enquadrar-se, não podendo assim ser suportes de uma verdadeira democracia. Acrescente-se, como todos sabemos, que estas vivem de alternativa, criada entre os partidos existentes.

Dito isto e fazendo uma análise aos partidos com assento parlamentar vemos que apenas o PSD é alternativa ao PS. Miramos um PCP fiel à sua doutrina, não reparando que o mundo de hoje é diferente dos tempos do apogeu soviético, tornando-se no “tumor” democrático mais difícil de combater, que teima no itinerário que o mundo está todo errado e que só eles é que estão certos, apesar dos sucessivos exemplos que contrariam essa forma de estar e de pensar.

Como se não bastasse o PCP, temos também o upgrade Comunista, vulgo Bloco que Esquerda, que tende a esconder-se atrás de blocos para fazer demagogia política, que gosta de gozar os luxos da vida ocidental – a começar na liberdade de expressão, que o BE usa para dizer os mais inimagináveis disparates – sem assumir a obrigação de defender o conjunto de valores que permite essa maneira livre de olhar o mundo. Também estão contra tudo o que seja governo e tenha poder. Todavia, apesar de não usarem gravata, são mais finos que o PCP. Falam melhor e são mais instruídos. É uma nossa classe da extrema-esquerda. Cobardes, como muitos que por aí andam, que se refugiam no facto de nunca terem tido poder e dele fugirem como o diabo foge da cruz. Apenas lhes interessa a maledicência, o escárnio, o mal dizer. Quanto pior melhor, mais votos, mais hipocrisia, mais despautérios.

Temos um CDS-PP que, apesar da responsabilidade com que tem assumido algumas matérias da governação tem o problema de sempre, é um partido pequeno, e esses não ganham eleições. Para aspirar a mais altos voos precisa de se aproximar ao PSD, seja pré ou pós eleições. Tem um líder inteligente, que aproveita muito bem o espectáculo pirotécnico que o maior partido da oposição tem protagonizado nos últimos anos para subir nas intenções de voto.

Ou seja, e em jeito de remate, o PS poderá continuar a fazer os disparates que anda a fazer que enquanto o PSD não se assumir como alternativa continuará no poder. Isto é, até Sócrates e o partido que o segue de forma cega continuarão a ganhar eleições se o PSD não tiver juízo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Boa escolha

Para quem ainda tenha dúvidas sobre a delícia que é ver Diogo Infante representar, ir ver o "Rei Édipo" ao Teatro Nacional D. Maria II é uma boa ocasião para as dissipar.

Com encenação de Jorge Silva Melo e com as participações de Lia Gama e Virgílio Castelo, entre outros, assistimos ao desenrolar da tragédia de Sófocles, que daria origem à denominação do "complexo" homónimo.

A opção pelo cenário e pelos figurinos contemporâneo não choca, já que, a mais do dito problema psicológico, muitos oráculos e muitas fontes de poder ainda se pautam pela descrição do velho texto...

Um pequeno contratempo (que creio que será corrigido em futuras representações) foi a actuação do personagem que trouxe a notícia da morte da Rainha Jocasta (mãe e mulher de Édipo); trôpego e pouco emotivo, recomendam-se mais ensaios e melhores presenças em tão distinto palco.

Quanto ao mais, vale a pena conhecer ou rever o episódio da Esfinge, para que o enquadramento com os dizeres do Infante Rei seja total.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cabular é que está a dar

Há uns tempos li aqui que por terras de nuestros hermanos havia sido consagrado um novo direito, no mínimo sui generis: o direito a cabular. Isso mesmo, os estudantes apanhados em flagrante com a mão na cábula ou até mesmo a olhar para o exame do vizinho não podem ser reprovados ou expulsos pelo professor, devendo a situação ser posteriormente submetida a uma comissão composta por alunos e docentes que decidirá, então, se houve ou não copianço.

Quem não teve direito a uma comissão avaliadora nesses termos, tendo sido fortemente criticada por ter recorrido a auxiliares de memória foi Sarah Palin, a governadora do Alasca que não pára de nos surpreender (imagine-se se tivesse chegado à vice-presidência dos EUA!!). Desta feita, numa Convenção do Tea Party em Nashville, Palin recorreu às palmas das mãos nas quais havia delineado o seu discurso, qualquer coisa entre «Impostos» (Tax), «Energia» (Energy) e, isto sim é genial, «levantar o ânimo aos americanos» (lift american Spirits). Pelo meio ainda havia uma alusão a «cortes orçamentais» (budget cuts), embora rasurada.

Dá vontade de rir, não só pela asneira básica da Sr.ª Palin (uns post-it amarelos colados no púlpito passariam mais despercebidos), mas sobretudo porque é sabido que governadora muito troçou da dependência de Obama dos telepontos. Uma espécie de "feitiço que se virou contra o feiticeiro" e que deveria servir de lição a Palin.

O que já não dá assim tanta vontade de rir é pensar que esta mulher pode um dia chegar à presidência. A julgar pelo seu discurso, que recolheu muitas salvas de palmas de pé e arrancou vários "Run Sarah Run" em uníssono, não falta quem a apoie nesse sentido...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

2º aniversário de um erro imenso

Como bem lembra o Diário de Notícias, faz hoje dois anos a declaração unilateral de independência do Kosovo. Tal como o autor do editorial do DN, eu discordo, como disse por várias vezes. Até lhes perco a conta...

Bem realizado

A farsa II

Já não bastava a areia movediça que o tema encerra, pelos vistos, precisávamos ainda que o ex-ministro Capoulas Santos viesse animar-nos com um colorido corso de carnavalescas asneiras. Diz o senhor que a oposição deveria apresentar uma moção de censura, tal a indignação mostrada em face do alegado esquema para, via PT, começar uma guerra relâmpago que culminaria no controlo governamental da comunicação social.

Desde logo, é bom que se diga que do dito esquema, para já, nada prova o envolvimento do Governo; creio até que o “carnaval” de notícias que nos soterram prova bem que o Governo não tem mão nos jornalistas. Porém, o que sabemos sobre dois administradores da Portugal Telecom já justificava uma ida para o olho da rua, que mais não seja, por conduta imprópria. Acresce que, deste modo, se manifestava a clara intenção de cavar um fosso para assuntos desta sorte, por parte do Executivo.

Mas voltando ao despautério de Capoulas Santos, creio que o dirigente socialista faria melhor em ajudar o PS a governar e a tirar-nos da crise, já que presumo que tenha sido essa a razão da vitória eleitoral que averbaram. Já bem bastam as miseráveis arbitragens do nosso futebol e o constante assinalar de pretensas faltas perante descaradas simulações, para vir agora um político com truques de algibeira pensar que a “malta” é parva. Dito isto interrogo-me genuína e, se calhar, ingenuamente: será que Capoulas Santos acha que não se percebe a desastrada tentativa de calar a oposição?! Sabendo, como sabe, que ninguém ficaria com o ónus de agravar a situação do País (por razões táctico-eleitorais, mas também por sincero patriotismo), a insinuação é a de que ou a oposição avança para xeque-mate ou abandona o jogo, calando-se.

Artimanha básica, meu caro senhor… Há, no mínimo, dois caminhos que passam pelo meio desse fantasioso “beco do tudo ou nada”: o primeiro é o Governo declarar, sem mais novidades à sexta-feira, que nada tem a ver com o assunto, pondo, na passada, os representantes sem mandato na ordem.

O outro passa por Belém... Nada me tira da cabeça que Cavaco Silva adoraria ter o País em boa situação económica, a reeleição garantida e um PSD que já constituísse uma alternativa credível (será que é desta???). Pois, mas eu também adorava ganhar o Euromilhões e que a Académica vencesse o campeonato. Esse não é, contudo, o Portugal que, de facto, existe. Cavaco Silva responderá em 2011 pela atitude (activa ou passiva) que agora tomar. Espero, sinceramente, que a razão lhe assista!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Morte ao Sol (música dos GNR)

Os mais pequeninos lembram-se de quando os pais falavam da censura no país?
Pois, já não precisam de ouvir histórias, essa “coisa” pelo que percebo está de volta…

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A farsa

Depois de termos pensado um pouco sobre o que quereria dizer o episódio de alegada censura em torno de um artigo de Mário Crespo, eis que o “Sol” – que me aparece como uma fusão de “Tal & Qual” com “Independente” – nos revela escutas “laterais” do processo “Face Oculta” (o tal das sucatas), nas quais Armando Vara, Paulo Penedos e um administrador da PT, supostamente, debatem um plano de José Sócrates para adquirir o grupo detentor da TVI (através daquela empresa de telecomunicações, onde o Estado detém uma posição privilegiada) e, assim, silenciar noticiários adversos.

Ora bem, a primeira coisa que se me oferece dizer é que estamos atolados em processos e suspeitas. Mal vai um país que, a mais de estar em mau estado no que ao nível de vida respeita, ainda vive sem respeito e sem sentido.

Depois, em sede de abordagem política, creio que os partidos da oposição só podem mesmo acreditar que todos “nascemos ontem”. Vale isto por dizer que só mesmo em delírio ou ataque agudo de toleima podem os demais partidos pensar que a coisa se resolve com uma declinação da tradicional dicotomia “céu versus inferno”... Seria assim estilo “o Sócrates é mau”, mas todos nós (leia-se, PSD, CDS, PCP, BE e o inútil PEV) “somos bons e redentores”. Como se diz na América: “for God’s sake” (em bom português podemos sempre bascular entre um salvífico “pelo amor de Deus” ou um zoófilo “vão dar banho ao cão…).

A verdade é, senhoras e senhores, meninas e meninos, que se poderá ter passado pelos corredores do PS a ideia de amainar as noites televisivas de sexta-feira (o que, sendo verdade, é assunto sério) não menos se poderá dizer que o súbito ataque de pudor da oposição e subsequentes projectos de audições em sede de Comissão Parlamentar de Ética (parece ter ficado de fora a ideia de uma comissão de inquérito) também são fruto da sede de exposição mediática; resta saber se a dita o medo de que depressa se acabe o pluralismo informativo ou mesmo a tradicional ideia de que “apareço, logo existo”. Vou pela última hipótese…

De uma ou de outra, que vos não resta dúvida de que os “auditados” vão repartir-se entre o “sim, fomos muito pressionados” e o “não, não sentimos nada disso”…

Se não acreditam na minha acidez analítica, a ver vamos se não serão as “vedetas” de cada grupo parlamentar a protagonizar as inquirições. Ou julgava que seriam os anónimos deputados que fazem quórum na Comissão que iriam ter a sua hipótese de mandar beijinhos lá para casa?! Nada disso! Já quando eu passei por São Bento, sempre que o assunto envolvia câmaras de televisão lá vinha o estado-maior (lembro-me, por exemplo, da demissão do Ministro Pedro Lynce). A única excepção que me ocorre ocorreu aquando da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI; aí, suponho eu que devido ao incómodo, não havia ninguém com vagar para questionar Pais do Amaral (então, patrão da TVI e restante grupo).

Nesta fase, o que se perde é a capacidade de separar o que é judicial (e que deve ter o seu curso nos tribunais, doa a quem doer) e o que é carnaval…

E continuamos entretidos pela saga justiceira dos partidos, rezando para que nos façam esquecer de que, lá para Março (creio eu), os juros do crédito à habitação voltam a subir. De todo o modo, os bancos não se esquecerão…

Nice



Não podia deixar de partilhar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mares encrespados

Um dos assuntos do dia (a não publicação de um artigo de Mário Crespo, no Jornal de Notícias), em si mesmo, não é novo… Estou seguro de que o Amigo Leitor já se lembrou de mais duas ou três situações desta sorte (como, por exemplo, a que lançou para a ribalta um discreto assessor presidencial), sendo altura de passar aos corolários de que me julgo capaz…

Em primeiro lugar - parece óbvio, mas vale a pena recordá-lo – tal turbulência mostra, cristalinamente, a força e a relevância dos media. Não são ingénuas as vozes que começaram a falar, de há anos a esta parte, num novo poder quase insindicável, que faz e desfaz vidas e carreiras (isto sem falar dos blogues, onde se desgraçam reputações, sem fundamento).

Depois, é preciso não esquecer que as próprias vedetas mediáticas estão bem cônscias da sua relevância e que estamos no país em que qualquer avançado (no futebol ou na vida pública) sabe que atirando-se para o chão ao menor “bafo” do adversário, haverá, com certeza, penálti.

No entanto, seria simplista subsumir o caso do artigo de Mário Crespo (disponível, designadamente, no sítio do Instituto Sá Carneiro) a estes comentários genéricos. A meu ver (visto que a minha Avó me proibiu de escrever “na minha óptica”…), a análise requer duas passadas: a primeira para sublinhar que o Director do JN invocou, como razão da não publicação, o facto de tratar-se de um artigo baseado em conversas escutadas num restaurante (que dariam azo a contraditório; seria um caso de “diz que disse”) e relatadas via correio electrónico (fonte rejeitada, pelos vistos).

Ora bem, cumpre dizer que muito me espantaria se o JN (o segundo diário mais lido em Portugal) se atemorizasse com a ira eventual do Primeiro-Ministro, embora já tenha visto de tudo... Por um lado, são várias as crónicas contundentes de Mário Crespo que já publicara naquele jornal (muitas visando José Sócrates) e, por outro lado, creio que haveria, caso assim fosse, um caso de temor reverencial patológico da parte do Director do JN, Pereira Leite.

Contudo, se, ao invés do que fica dito, algo se demonstrar, não apenas seria o regime democrático que estaria em causa, como existe uma instituição a quem incumbiria o dever de agir: o Presidente da República. Na minha opinião, por bem menos, o Presidente Sampaio ofereceu “um bilhete de ida” ao Dr. Santana Lopes.

O segundo aspecto do “caso” Mário Crespo que gostaria de olhar tem a ver com o facto de me parecer que mencionar “gente que ouviu o Primeiro-Ministro” como fonte é um eufemismo, sobretudo se considerarmos que, alegadamente, José Sócrates terá proferido os irados comentários em conversa com o director de programas da SIC, onde trabalha Mário Crespo. A grande questão é separar o desabafo da pressão, algo que só o interlocutor poderá fazer (isto deixando de lado aquilo que pode ter sido uma imprudência do Primeiro-Ministro, mormente tendo em conta os casos mais recentes, como o de Manuela Moura Guedes e outros).

Concluindo, uma certeza tenho eu: esta permanente torrente de suspeições e de confusões envolvendo media, partidos e Governo não deve ajudar nem à participação dos cidadãos, nem aos ratings da República e coisas do género. Torna-se cansativo e desanimador ver a vida a piorar e os políticos e jornalistas a servirem-nos intrigas como alimento!...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Em bom português


Quando a polémica estala, há sempre um sacrificado no Governo que vem à praça pública dar o corpo ao manifesto, numa tentiva de poupar o PM à lapidação. No mais recente "Caso Mário Crespo", Jorge Lacão veio a público não para recriminar a atitude do jornalista, não para refutar veementemente as acusações feitas por aquele ao PM e membros do Governo presentes no fatal repasto, mas tão-só para declarar que o Governo não se ocupa com calhandrices. O esclarecimento foi tão claro e conciso que os portugueses tiveram que recorrer ao dicionário. Veja-se, na imagem acima, qual a palavra mais procurada nos últimos dias no ciber-dicionário Priberam.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Shindelle

Imagine um país cujos recursos trouxeram mais sangue que desenvolvimento, imagine um país desorganizado ao ponto de a fibra óptica chegar antes do saneamento básico, imagine um país cujas desigualdades chocariam o mais insensível dos homens, imagine um país que apesar de tudo isto é pura e simplesmente fantástico. Não encontraria melhor forma de descrever Angola que conheci em Agosto passado, juntamente com o Diogo Gaspar e outros dez jovens, quando estive neste país pela primeira vez numa missão de voluntariado.

O mês que passei em Angola foi sem sombra de dúvida a melhor e mais marcante experiência dos meus curtos 19 anos. Angola marcou-me de diferentes formas, marcou-me pela coexistência de bairros de lata com imponentes mansões, de esgostos a céu aberto com carros blindados em Luanda, marcou-me pela beleza natural da foz do rio Kuanza, das cascatas de Calandula e das suas imensas planícies mas marcou-me sobretudo pelas pessoas conheci no Luau. Uma pequena cidade fronteiriça onde durante três semanas ajudei a montar uma biblioteca, a única no raio de centenas de quilómetros e a melhorar, dentro do possível, a formação dos professores primários da região.

Os angolanos que conheci ali não me ensinaram os grandes tratados da física ou da química, não me explicaram a infinitude do universo e muito menos as razões da minha existência mas mostraram-me uma forma completamente diferente de viver a vida e olhar o mundo. O sofrimento e as privações a que estas pessoas estão sujeitas vê-se nas expressões das mulheres mais velhas, no olhar das crianças ou mesmo nos cânticos que entoam nas missas. O que é surpreendente é que mesmo depois de terem sido discriminadas durante o colonialismo, de terem passado por uma terrível guerra civil e de se verem sujeitas às imposições de um estado profundamente manipulador e corrupto, estas pessoas conseguem sorrir e exteriorizar uma alegria sem paralelo, como que marginalizando todas as aspirações que aos olhos de um ocidental parecem indispensáveis, sejam elas uma carreira de sucesso ou um bom ordenado.

Nunca me esquecerei do respeito e da gratidão que estas pessoas demonstraram por mim de uma forma completamente espontânea, revogando qualquer sentimento de rancor ou raiva que julgava existir face aos portugueses. Da mesma forma que guardarei sempre na memória, a abertura com que os padres da missão católica do Luau me receberam mesmo sabendo do meu agnosticismo e o empenho e dedicação ímpares que colocam no trabalho que fazem para melhorar as condições de vida daquela comunidade.

Angola, não obstante todos os seus recursos e potencialidades, é um país que necessita de ser ajudado para que o desenvolvimento chegue a quem realmente necessita dele. No entanto, as missões de voluntariado não podem constituir a única forma de canalizar esta ajuda, é imprescindível que os nossos empresários e governantes colaborem não compactuando com os vícios do estado angolano, exigindo mudanças para que de uma forma gradual haja uma efectiva democratização quer do sistema político quer da distribuição da riqueza e do desenvolvimento.

p.s. shindelle quer dizer “branco” em tchokwe, a língua falada na província do Mochico, onde se insere a cidade do Luau. A foto foi tirada durante a viagem.

Momentos afortunados

No último sábado, tive a felicidade de assistir, no Teatro Nacional de São João, ao monólogo "O Ano do Pensamento Mágico" interpretado pela imensa Eunice Muñoz e encenado por Diogo Infante.

A mais do interesse do assunto, a rendição ao talento da maior actriz portuguesa é incondicional!

Agrado e interesse


Mesmo bom