quinta-feira, 18 de março de 2010

Como faltam mais de sessenta dias...

Como faltam mais de sessenta dias para o próximo acto eleitoral, creio que posso escrever este artigo…

Com base nessa premissa, começo por dizer que há lições que o PSD não aprende. Desde logo, quem, como eu, tenha seguido com atenção o Congresso de Mafra, no último fim-de-semana, terá visto a razão de os conclaves do PSD continuarem a ser um acepipe para a avidez da comunicação social, pela razão de que a gestão dos trabalhos, seja qual for o elenco que compõe a Mesa, conseguir a proeza de alinhar a horas decentes todos os notáveis e detentores de cargos, ao passo que o militante desconhecido tem sempre o “azar dos Távoras” de falar a altas horas da madrugada e para meia dúzia de gatos pingados… Eis a primeira pérola da democracia laranja.

A segunda tem a ver com a aprovação da medida já denominada como “lei da rolha”, que penaliza como infracção grave a crítica a orientações da direcção, nos sessenta dias anteriores a um acto eleitoral. E nem vale a pena perder muito tempo com a medida em si, por duas ordens de razão: por um lado, a crítica é legítima, constitucional e sempre fez parte do acervo histórico do PSD (Sá Carneiro viveu com ela, se bem li os relatos históricos). Por outro lado, é certo que um “clube” tem a possibilidade de estabelecer as suas regras, mesmo que os que as votam se estejam nas tintas para o que estão, na realidade, a aprovar, que aposto ser o que se passou.

A medida em causa é penhor, por isso e em minha opinião, de mais engulhos do ponto de vista da sua aplicabilidade, oportunidade e necessidade. Quanto à aplicabilidade, creio que serão mais os problemas do que as vantagens quando procurar averiguar-se o que é uma crítica grave e quando se pensar na disparidade potencial das consequências para um militante que critique o “politburo” a 61 dias de eleições e outro que o faça a 60… Acresce que fica por perceber qual a razão do prazo; por que não 120, 45 ou 30 dias ou mesmo 36 horas e 45 minutos?!...

Aliás, quando é tida por necessária uma expulsão, mesmo em massa, estão aí os dirigentes do PSD de Coimbra para atestar que já não eram precisas mais normas, pois, ao que sei, várias pessoas que terão concorrido contra as listas do partido enfrentaram ou enfrentarão esse destino.

O que contesto é, em conclusão, a oportunidade de uma norma destas, numa altura em que o PSD (mesmo em Coimbra) deveria procurara a reconciliação (mantendo os debates no campo da argumentação pura, sem purgas) e não oferecer o flanco a um PS que, ferido, aproveitará qualquer oportunidade para aliviar a pressão.

Acresce que tanto me faz que os estatutos do PS vão pelo mesmo caminho, pois com o mal dos outros posso eu bem...

Tenho pena que a sugestão partisse de Pedro Santana Lopes, que sempre beneficiou de tolerância e respeito por parte da generalidade do PSD, assim como lamento que tenha dito que, ao invés das palavras que lhe haviam sido atribuídas, não mudara de ideia quanto à eleição directa do presidente do partido.

1 comentário:

Ricardo Cândido disse...

Vamos criar aqui um cenário seguido de uma dúvida que gostaria de esclarecer...
Supomos que os resultados da "nossa sondagem" (Lodo) não reflectem o que se irá passar ainda este ano e irão mesmo realizar-se eleições em 2010! Imaginemos ainda que serão daqui a 59 dias!
Pedro Passos Coelho poderá ser expulso do partido se criticar a direcção de MFL durante o tempo que falta da campanha interna?