quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Jornalismo de "opinião"



São já várias as notícias vindas de Inglaterra e que entram nas nossas casas via RTP, da jornalista Sandra Felgueiras sobre o caso do desaparecimento da menina Madeleine McCann .

Independentemente do desfecho deste caso, ou a Sandra Felgueiras sabe alguma coisa e que me escapa, ou, na minha opinião, é de muito mau gosto a insistente tentativa de chacinar na praça pública os pais da menina "desaparecida".


Para uma vez mais influenciar mentalidades e atitudes em Portugal, o Lodo apela ao bom senso jornalístico da Sandra...

"Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti!!!"
"Inocente até ser considerado culpado!!!"
Lembra-te de nossas senhora de fátima de Felgueiras...

sábado, 8 de setembro de 2007

Videotas

Sempre evitei pronunciar-me sobre o triste desaparecimento de Madeleine McCann e continuarei a não o fazer. É um caso de polícia e, como tal, não me parece que possa especular-se com senso.
Há, todavia, dois aspectos que não posso deixar escapar, pois já assim actuara em 2002 (defesa da minha tese de mestrado) , 2004 (edição do livro a que aquela deu origem) e passim em diversas intervenções: falo da cultura mediática e da mediocridade intelectual que, à míngua de uma escola moderna e de uma classe política capaz de pedagogia (saindo de entre os eleitores, os políticos estão, de igual modo, em versão pop), se foram instalando.
A televisão é causa de adormecimento do pensamento (Sartori fala em "Homo Videns" e João de Almeida Santos do "Homo Zappiens") e a Internet fracciona-nos, podendo levar-nos, já que não há uma ética concebida à dimensão da pós-modernidade em que vivêmos, a ignorar problemas ou até a nutrir perversões.
Além disso, ao mesmo tempo que dão informação, causam sobre-informação (estima-se que uma edição de domingo do New York Times forneça mais informação do que a que estaria acessível a um homem culto do século XVIII, durante toda a sua vida*), levando-nos a, na impossibilidade de escolher o certo e o errado, vogar ao sabor de empresas que, além de informar, gostam de lucrar, nem que seja manipulando as emoções para o indulto, num dia, e para a condenação, no outro, fazendo com habitemos um mundo em que um sujeito que esteja debaixo dos holofotes se encontre perante a discricionaridade a que estavam submetidos os gladiadores de Roma, embora, agora, perante um "César mediatico".
Se mais provas fossem necessárias, bastou ver a triste figura que, ontem, dezenas de populares fizeram, apupando a mãe de Maddy, pelo simples facto de os media anunciarem que podia ser constituída arguida, como veio, aliás, a suceder com ambos os progenitores.
Independentemente do desfecho do caso, se sempre achei exageradas as manifestações de solidariedade nas missas, acho estúpida a vaia de ontem. Mostra a pobreza de espírito dos consumidores da nova (in)cultura mediática e prova a irresponsabilidade das empresas de comunicação social e dos políticos e a ineficácia, neste domínio, das universidades.
*Cito, com tradução nossa, não a Wikipédia :))) , mas sim Donald Wood ("Post-Intellectualism and the Decline of Democracy (The Future of Reason and Responsability in the Tweentieh Century)", Westport, Connecticut, Londres, Praeger Publishers, 1996).

Nunca me deu tanto gosto bater na boca

Receava eu que o caso "Somague" se arrastasse e servisse para enlamear a já desprestigiada classe política e a Procuradoria-Geral da República pôs fim à especulação, afastando (como sempre admiti) vestígios de crime.

Resta esperar que o mesmo suceda nos casos em que não haja um Presidente de Comissão Europeia em jogo!

Enquanto a malta brinca às directas...

José Sócrates anunciou a abertura, até 2009, de quase 400 creches.
É uma medida essencial, no quadro de um imperioso estímulo à natalidade, esperando eu que os horários de funcionamento tenham alguma coisa a ver com os horários de trabalho dos pais, mormente nas grandes cidades.
A boa política não tem cor partidária.

Carga ligeira

Está prestes a começar a histórica e inédita presença de uma selecção amadora de rugby na fase final de um campeonato mundial.
Bem vistas as coisas e repetindo o espírito aventureiro do costume português, a equipa é a nossa; os nossos "lobos"!...
Por muito que voltem a uivar para casa (espero que haja seguro contra hecatombes para o desafio com os encorpados moços da Oceania - leia-se, Nova Zelândia), já nos encheram de orgulho, como fizeram os companheiros do basquete.
Fica o repto aos políticos: por que é que os nossos é que têm de ser amadores? Por que é que Nélson Évora, depois de se sagrar campeão mundial de triplo salto, tem que ir treinar para Madrid (aqui já não se arrepiam os "patrioteiros" do costume?!) porque nos falta uma mísera pista coberta com condições para treino de alta competição?
Será que os balofos do PS e PSD que adoram mandar no desporto não podem dispensar atenção e uns cobres para resolver algo que nos torna campeões do improviso (mérito aos atletas) e pedinchas da alta competição (vergonha da política desportiva)?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Página Web do dr. Manuel Pinho

Ontem e por motivos profissionais, visitei o site do Ministérios da Economia e Inovação.

Como qualquer página Web de um ministério do nosso país, esta apresenta no topo a designação/título/denominação à qual se refere. Sem margem para dúvidas, Ministério da Economia e Inovação.
De igual modo, como qualquer página Web, esta apresenta a barra do índice do site com as diferentes secções para visitar.
O que torna esta página Web de um ministério diferente das outras, é a fotografia em tamanho de “destaque” do seu ministro: doutor Manuel Pinho (drMP)...
Nesta, o drMP aparece a discursar num sitio qualquer, que até deve ser um local interessante do ponto de vista do estado, só não se fica a saber bem onde!!!
Pensei eu cá para mim: “Ok!!! É o ministro!!! Estranho, parece mais novo… deve ter sido tirada há já algum tempo!!!” e outro pensamento que não este seria absurdo, pois o conteúdo da fotografia é demasiadamente vago e não acrescenta conhecimento a ninguém, que só lá esta para mostrar este “ilustre” membro do governo rosa!!!
Ainda não tinham passado 10 segundos e aparece outra fotografia com o drMP ao lado do famosíssimo Lula da Silva.

O formato da fotografia é do tipo Tony Carreira, onde normalmente aparece com um ar esbaforido no fim de um concerto e acompanhado por uma fã… aproveito para mandar um abraço ao “nosso” músico Tony e pedir-lhe desculpa pela comparação… no que respeita à fã, o facto de ser uma pessoa anónima não me traz problemas futuros pela comparação com o drMP…

“Bem, talvez seja interessante para Portugal ter na página Web do ministério da economia e inovação uma fotografia que prova que o nosso ministro conhece (e é fã) o Presidente Brasileiro…” foi o que eu pensei!!!

Mais 10 segundos e já estava a aparecer a terceira fotografia… depois dessa, apareceram mais sete (uma com o drMP e o “nosso” Scolari)… no total são 10, todas com o drMP ao lado de alguém ou sozinho…
Assim pensei com os meus botões:
Será que é mesmo a página Web do Ministério da Economia e Inovação?
Não será a página pessoal do drMP?
e esta, hein!!!

Frutos do mesmo ramo?



O jornalista Pedro Correia, levou a cabo - no DN do passado dia 5 - uma comparação exaustiva entre Mendes e Sócrates.
Embora as origens, gostos pessoais e percurso curricular e profissional diferenciem os dois líderes, é justo concluir que em muitos pontos são mais parecidos do que [queremos e] cremos.
Desde percursos políticos semelhantes, características comuns (workaholics, moderados, prevenidos….), paixões e até vícios, Mendes e Sócrates quase nos fazem crer que são frutos do mesmo ramo. Confiram aqui.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Para mais tarde recordar...

Soube-se hoje que o governo sul-coreano terá cedido às exigências dos taliban, comprometendo-se a cessar o envio de missionários para o Afeganistão e a retirar as suas tropas daquele sempre conturbado canto do mundo.


Creio que estamos impedidos de julgar moralmente a atitude dos responsáveis de Seul. Há reféns e familiares em inimaginável sofrimento.


Porém, salta logo à vista o facto de haver gente, designadamente os fundamentalistas que distorcem e instrumentalizam o Islão e têm uma consideração nula pela vida de gente inocente. Se o sublinho é porque, muitas vezes, esta noção perde-se na torrente informativa e é descurada por alguns comentadores "in" que justificam o recibo "por ir ao telejornal" dizendo alarvidades que se pautam pela masoquista atribuição de culpas ao mundo ocidental e seus aliados.


Depois, há que notar que esta mesma facção planetária está em processo de auto-castração. As democracias mediáticas fazem com que a morte de um soldado ou de um civil seja notícia que choca as opiniões públicas e abala o apoio aos governos, ao passo que em nações fundamentalistas (ou, melhor dizendo, controladas por esses energúmenos) o suicídio é encorajado, a morte dos seus nacionais é martírio e o massacre de inocentes ocidentais ou pró-ocidentais é motivo de celebração.


Assim, o que a Coreia do Sul decidiu fazer estabelece, a meu ver, um grave precedente, por muito ponderosos que sejam os motivos. A mensagem que passa é a de que, quando tocar a dar vidas, a permanência de uma tirania religiosa é um mal menor, que vale a pena sequestrar civis de países democráticos (porque os seus governos não podem dar-se ao luxo de pagar com sangue dos seus) e que basta apontar uma arma a 19 pessoas para que contingentes militares bem mais vastos batam em retirada.


A ser assim, creio que a derrota é certinha e para durar. O que não creio é que a China e a Rússia alinhem por aqui, com o que isso poderá significar de reequilíbrios estratégicos internacionais, mormente se a América "regressar a casa" e a União Europeia continuar com discursos balofos e pouca força...


* A ilustração é do curioso www.britishwars.com

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Rússia - que liberdade de expressão?

Quase um ano após a morte de Anna Politkovskaia - e quando todos já tinham deixado de acreditar na justiça - eis que surge a notícia da detenção de dez suspeitos pelo homicídio da jornalista russa.
Politkovskaia foi morta em Moscovo, a 25 de Outubro 2006 e tudo leva a crer que o seu assassínio está relacionado com o seu trabalho enquanto jornalista. Conhecida pelos seus escritos e investigações sobre a Tchetchenia e a defesa dos direitos humanos no seu país, tornou-se ao longo dos tempos a jornalista mais crítica com a política de Putin. "Atreveu-se" demasiadas vezes a investigar temas incómodos como o abuso de poder e outros crimes políticos cometidos na Rússia, facto que a converteu em persona non grata.
Daí a suspeita de que o seu trabalho de denúncia a condenou à morte.
A provar-se que o seu intenso e premiado trabalho foi o motivo do seu assassinato, estamos perante um gravíssimo golpe à imprensa livre e independente, e consequentemente, um golpe à democracia.
Se assim for, o que se passa na Rússia é um grave problema que deve ser preocupação de todos, particularmente dos Estados e organizações internacionais. Trata-se de uma grave violação dos direitos humanos, de um incrível retrocesso da liberdade de expressão que os demais países não se podem dar ao luxo de ignorar. Até porque, coincidência ou não, desde que Putin passeia pelo Kremlin, já foram assassinados doze jornalistas russos...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Mas este gajo não tinha que ir para o Brasil, por causa do filho???

"França: Anderson apresentado no Lyon esta tarde
Anderson vai ser apresentado oficialmente como jogador do Lyon na tarde desta quinta-feira pelas 17h30, hora portuguesa, mais uma em França.
Depois do processo disciplinar de que foi alvo no Benfica, o defesa-central brasileiro vê assim o impasse resolvido e vai jogar na ex-equipa de Tiago nas próximas épocas.
" (fonte: Maisfutebol).

O sujeito recusou-se a ficar no Dínamo, digo no Benfica, por motivos de doença do filho, que o obrigavam a voltar a terras de Vera Cruz. Pelos vistos, França vai dar no mesmo.


Perdeu-se um bom reforço para a nossa política...

"Ponha na conta"

O caso de alegado (e reconhecido) pagamento por uma construtora (Somague) de facturas de serviços prestados por outra empresa (Novodesign) ao PSD é um daqueles que, sendo eventualmente sintomático em termos de vox populi, pode bem dar no costume: nadinha.


Ora porque o ilícito é meramente administrativo (o financiamento irregular dos partidos era-o, em 2002, data do sucedido), ora porque prescreveu algo, ora porque não há elementos de prova suficientes, ora porque pode nem ser interessante, ora porque a memória é curta, nas democracias meditizadas, ora... Ora, bolas!!!
Vamos aos factos:

1 - A empresa de construção civil em causa tem ligações a obras públicas e ao futebol.

2 - José Luís Vieira de Castro (então, Secretário-Geral Adjunto do PSD com o pelouro financeiro, à data, a quem desejo rápidas melhoras) é um gentleman que, acredito, terá agido de forma que atendeu de admitir e José Luís Arnaut cumpriu, assumindo a responsabilidade objectiva (a que decorre de ser, então, o Secretário-Geral).


3 - É popular a convicção de que há promiscuidade no financiamento partidário e de que existe o chamado "bloco central de interesses" (que proporcionaria, a existir, cobertura a membros de ambos os lados do arco de governação, que ostentariam ou mandariam parentes ostentar, ainda a ser verdade, fortunas sediadas em Portugal e não só, que dificilmente se explicariam por rendimento, herança ou qualquer jackpot.

E que fazer dos factos? Se for como habitualmente, esperar sentados até que o assunto se apague da agenda mediática. No caso até desejo que nada de grave se passe - é o meu partido e são figuras que aprecio - mas começa a tomar tons latino-americanos o pulsar do mercado político paralelo.

Judas, Morais, Loureiro, Felgueiras, Carmona e por aí fora são nomes que enchem jornais e passam-se anos, com danos irreversíveis para quem prova a sua inocência, até que saibamos que o arguido era inocente ou que o processo deu em nada por motivos menos nobres.

O que quero não é uma fúria condenatória! Deve ser ilibado aquele que não vê provadas as acusações contra si esgrimidas, desejando eu que se chegue aos 100% de arquivamentos ou absolvições.

Mas acredita mesmo que somos o único País do mundo com 100% de rapaziada honesta?

O caso em análise (PSD-Somague) nem é do mesmo estilo. Em 2002, os factos descritos não preenchiam qualquer tipo legal de crime. Mais e como disse, espero que se prove que se tratou de algo meramente operacional e não de um pagamento de qualquer favorecimento (não acredito que Vieira de Castro e Arnaut alinhassem nisso)!

Porém, mesmo fumo sem fogo intoxica a credibilidade do nosso já doente sistema de partidos. Por que não se chega ao ponto de credibilidade em que as meras suspeitas não cheguem a fazer sentido?...

E não é que, se calhar, a "miúda" tinha razão?!...

Lê-se, hoje, na edição on-line do Jornal de Negócios que:
"Accionistas do BCP aceitam eleger quatro novos conselheiros
Ainda não há um acordo fechado entre as duas facções de accionistas do BCP, mas já há um entendimento relativamente a alguns pontos. Consenso que deverá resultar na apresentação de uma lista conjunta de nomes a eleger para o conselho geral e de supervisão (CGS), o único ponto que deverá ser votado na assembleia geral da próxima segunda-feira.
"

E não é que a nossa Dulce já o previra?! Quem disse que não marcamos a actualidade?!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Crónica dos bons tarados


Não aquecer nem arrefecer


Hilariante


Perturbador, mas com jeitinho


Regresso às aulas

Os supermercados já estão cheios de cadernos e a minha caixa de correio (a real, não a virtual) repleta de folhetos a anunciar as mochilas mais baratas. Este ambiente de regresso às aulas, ligeiramente antecipado fruto do hiperconsumismo, suscitou-me uma breve reflexão que partilho aqui.

O nosso sistema educativo constrói-se sobre a obrigatoriedade de frequentar a escola, aprender os programas definidos ao nível nacional e ser avaliado segundo parâmetros o mais paralelos possível.

Quando uma criança falta à escola durante uns dias sem aviso, a escola tem o dever/ obrigação de procurar entrar em contacto com os pais e quando tal não é exequível, é função da polícia fazer as devidas averiguações. Todos já ouvimos histórias onde a polícia vai a casa buscar as crianças que pelos mais variados motivos não comparecem às aulas.

Contudo existem no nosso país comunidades dedicadas a uma vida mais próxima da mãe natureza, que professam ideais ecológicos e defendem um mundo mais saudável. De tempos a tempos surgem na comunicação social, através da qual ficamos a saber que do estilo de vida mente sana em corpo são em que vivem faz parte uma educação "tradicional" praticada dentro da comunidade.

No nosso país existem crianças que não vão à escola, a escola provavelmente não sabe que elas existem, a assistência social idem idem aspas aspas e a comunicação social quando fala no assunto é no sentido de valorizar este comportamento.

Pergunto-me se estas crianças não têm o direito de aprender o mesmo que as outras, pergunto-me o que é feito da igualdade de oportunidades e denuncio aquilo que julgo ser uma discriminação positiva.

Positiva porque a sociedade vê nestas comunidades uma tentativa de regresso às origens, e isto combina muito bem com uma ideia preconcebida e muito difundida de que antigamente é que era bom e que por consequência as crianças educadas no seio da família são priveligiadas.

Mas isto são mitos porque na realidade ninguém sabe o que é que estas crianças aprendem nem o que sabem. E ninguém na realidade se preocupa em saber.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A História dos 5 Macacos

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, e no meio, uma escada, e sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada com o intuito de chegar às bananas, os cientistas jogavam um jacto de água fria aos que estavam no chão. Passado algum tempo, quando um macaco tentava subir a escada, os outros pegavam-no e enchiam-no de pancada.
O que se veio a assistir posteriormente é que nenhum macaco tentava subir mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas resolveram introduzir variáveis no estudo: substituíram um dos macacos por outro novo. Chegado à jaula, a primeira coisa que ele fez foi subir a escada, sendo no entanto dela retirado pelos outros, que o surraram.
Passadas algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo experimentado o banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar nas bananas.

Moral da história: se fosse possível perguntar a algum deles porque é que eles batiam em quem tentava subir a escada, quase de certeza que a resposta seria: "não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui".

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Menos um

Recebi uma simpática mensagem no telefone, da parte do meu amigo José Barroca, informando que desistira da candidatura a favor de Luís Filipe Menezes.
Restam Mendes, Menezes e... Barros.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Em suma

Depois de muito me irritar, sumario uma visão o mais branda possível do que se passa na Cultura.
O episódio da ausência de membros do Governo, especialmente da Ministra da Cultura, nas comemorações do centenário do nascimento de Miguel Torga é apenas mais um, embora grotesco, episódio no percurso desta lamentável equipa ministerial.
E escusam os idiotas de serviço de vir dizer que o Governo se fez representar pelo Director Regional da Cultura. Salvo o devido respeito pela função e pelo titular, se existe protocolo é porque as funções e os eventos obedecem a uma escala de dignidade. O que poderia concluir-se – mas não creio que esta equipa tenha sequer arte para coisa tão subtil – é que Torga não é um autor benquisto pelo regime. Na verdade, creio que é mesmo terceiro-mundismo e arrogância própria de uma visão elitista que já nem o PS moderno (leia-se, ala Sócrates; os verdadeiros, porque agora devem ser todos…) perfilha.
Mas de falta de coerência ninguém pode acusar Isabel Pires de Lima, que tem feito o possível por, constantemente, juntar o pior das suas origens marxistas com a má aprendizagem da vida cultural nos regimes demo-liberais.
Pelo primeiro lado da frase, quero dizer que escolheu centralizar as decisões e afastar quem pode ganhar “vida própria”. Falo designadamente do cepticismo que tenho em relação à fusão da Companhia Nacional de Bailado com o Teatro Nacional de São Carlos na Opart, sobretudo porque, como é hábito, tal servirá para disfarçar misérias e não para criar um “império” de cultura.
Acresce que se sucedem as dispensas polémicas. Depois de Paolo Pinamonti (que voltou a colocar o São Carlos no devido lugar de destaque) foi Dalila Rodrigues, do Museu Nacional de Arte Antiga. E, no último caso, até entendo que quem discorda das linhas da tutela deverá renunciar, mas jamais aceito que se saneie alguém, a pouco tempo do fim da sua comissão de serviço e na sequência de uma opinião divergente. Os casos de Fernando Charrua (professor “corrido” da Direcção Regional de Educação do Norte, em virtude de uma anedota sobre Sócrates) e da ex-Directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho (demitida por, alegadamente, não ter sido lesta a retirar uma sátira ao Ministro da Saúde) deveriam ter sido marcas infelizes e isoladas, mas, pelos vistos, são tiques doutrinais.
Mais ainda, entendo que, dado o soberbo trabalho de Dalila Rodrigues no MNAA, deveria ter sido procurada uma solução diplomática que permitisse a sua continuidade. Todavia, com os preconceitos próprios da ideologia com que formatou o seu modo de pensar, Isabel Pires de Lima preferiu o “Gulag” (leia-se, o desterro) …
E, já que trouxe tantos “vícios de postura” do lado de lá da sua própria cortina de ferro, valeria a pena que também tivesse sido capaz de impor o fortíssimo investimento que a URSS fazia em cultura, embora nem sempre com os melhores propósitos…
Mas a coisa não melhora se virmos o seu desempenho mais encostado aos regimes capitalistas. Apesar de ter necessitado da intervenção do Primeiro-Ministro, andou bem a Ministra quando segurou entre nós a colecção Berardo, que é um acervo muito importante em matéria de arte contemporânea. Todavia, ao contrário do que faria um Governo que realmente apostasse no desenvolvimento intelectual das gerações futuras, varreu-se o problema para debaixo do tapete. Quero com isto dizer que, em vez de começar a amortizar o preço da colecção, adiou a decisão para daqui a dez anos e por um preço colossal, assim manietando um Executivo em que, aposto, já não será Ministra.
Acresce que, numa democracia como a nossa, o sector da Cultura terá sempre de lutar o dobro para ter um orçamento condigno: A irrelevância de Pires de Lima também se mostra nisto, estando eu em crer que passa por aqui a explicação para José Sócrates a manter no lugar: é quase inexistente, não desviando grandes recursos de projectos mais vistosos e que, tradicionalmente, PS e PSD preferem.
Pena é que tal cause danos de monta num país como Portugal, que tem na cultura a chave da subsistência da sua identidade.

domingo, 12 de agosto de 2007

Calhaus

Não há muito tempo, criticara a Ministra da Cultura.
A sua não comparência nas cerimónias de evocação do centenário do nascimento de Miguel Torga, acompanhada da ausência do Secretário de Estado (é estranho, tendo em conta o vício de centralismo de estilo soviético que costuma mostrar...), prova bem a vergonha que é o actual elenco da Cultura.
O Governo esteve representado pelo Director Regional da Cultura que, salvo o devido respeito, estaria à altura de proceder à entrega de prémios de uma exposição média, mas nunca terá estatuto (é da função e não da pessoa) para fazer, em nome do Executivo, a devida vénia a um dos expoentes máximos das nossas Letras.
Engº Sócrates: nem sempre intransigência dá com inteligência. Demita-os por favor.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

"Lodo" decisivo na corrida pelo PSD

Mesmo em slow motion (prometo mais actividade para breve), conseguimos que o "Lodo" fosse interpelado por um dos candidatos à liderança do PSD (cfr. os comentários ao texto).
Recomenda-se calma aos candidatos e aceitam-se utensílios de cozinha, ecrãs de plasma e outros confortos do género, embora se registo o plágio da estratégia de campanha do Major Velentim Loureiro.

Assina: o Capitão.

domingo, 5 de agosto de 2007

So the story goes...

Nos últimos dias, e depois de o Teatro Nacional de São Carlos ter perdido o director que lhe devolveu o prestígio (Paolo Pinamonti), o naipe de servidores públicos distintos ficou mais pobre: Paulo Macedo deixou a Direcção-Geral dos Impostos e Dalila Rodrigues o Museu Nacional de Arte Antiga.
Vejamos o que nos murmuram as situações em causa... Em primeiro lugar, embora não haja insubstituíveis, Paulo Macedo deveria ter sido reconduzido. Em equipa que ganha não se mexe e a calmaria em relação aos nossos elevadíssimos e castradores impostos pode dever-se ao fim da sensação de impunidade que, ainda na década de 90, era tema de debate. Porém, a memória é curta...
Mas, Macedo toca num ponto crucial: não era ele que ganhava muito, mas o Presidente da República e o Primeiro-Ministro que ganham pouco (o salário dos servidores públicos não pode, de algum tempo a esta parte, suplantar esses mealheiros). Verdade! E nem me chocaria que os nossos "empregados" mais ilustres fossem aumentados se, atrás disso, não viesse uma chusma de incompetentes a esfregar as mãos, por via da indexação de salários.
Por exemplo, se há deputados que valem o seu peso em ouro, outros há que deviam pagar pelos tapetes e cadeiras que gastam.
De igual modo, em casos de comissão de serviço (como o de Paulo Macedo), bem podia fazer-se o que se fez (pagar o que ganhava no seu local de trabalho), com a norma cautelar de reportar o vencimento a um ano antes da requisição (para evitar aumentos de última hora, na iniciativa privada). O problema do PR e do PM seria suplantado pela enorme vontade que quaiquer titulares desses cargos sempre terão em trocar dinheiro eventual por real e reconhecido serviço à Pátria.
Já no caso da ex-Directora do MNAA tudo muda. Tirando a cegueira política da Ministra da Cultura - a maior aselha do Governo, se querem a minha opinião - que podia ter deixado o mandato expirar (Novembro), creio que quem manifestamente discorda das orientações políticas da tutela deve pôr-se a andar...
O seu trabalho foi bom? Excelente! Porém, isto não legitima um governo de técnicos.
Deveria a Ministra ter procurado o diálogo, mantendo Dalila Rodrigues? Sim! Todavia, a asneira e a irrelevância políticas são imagens de marca de Isabel Pires de Lima que até para segurar a "Colecção Berardo" precisou de José Sócrates, ainda assim optando por uma solução cobarde para o próximo ciclo de governação: deixando uma monstruosa cláusula de opção de compra para daqui a dez anos, a Ministra cala-se com o seu orçamento de miséria e passa a batata quente.
Em suma: pobres na carteira e pobres de espírito. So the story goes...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Amigos, como antes?


Paulo Teixeira Pinto falou ontem em entrevista à SIC Notícias, sobre Jardim Gonçalves.
"Não concebo o Millennium BCP sem ele", garantiu.

Ai a tola

Julguei que a oarvoíce tivésse limites, mas a RTP surpreende-me.

Não vi a entrevista, mas li na imprensa de hoje que a jornalista Márcia Rodrigues entrevistou o Embaixador do Irão com véu e luvas.
Ora bem, mesmo que a entrevista haja decorrido na embaixada (território iraniano, portanto) jamais uma televisão pública portuguesa pode rasgar a Constituição, ofendendo a laicidade do nosso sistema político e sendo cúmplice no tratamento de cão (ou pior) que os regimes islâmicos dão às mulheres.
O PS, que tão histericamente defendeu as quotas, devia pedir responsabilidades ao operador do serviço público de televisão. Eu não pago impostos para andar de cócoras (perdoem-me o vernáculo) perante regimes fundamentalistas.
Já bem basta a humilhação para a gloriosa civilização persa que o regime religioso impóe!
Bem andou o CDS que reagiu. Os candidatos todos do PSD, que eu visse, a dormir...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

PGR arquiva... sr. "eng". Sousa suspira!!!


Escusando qualquer comentário à decisão da PGR e porque também (assumo) não estou habilitado para tal, o arquivo do processo relativo à falsificação de documentos sobre a licenciatura do primeiro-ministro, vem dar alguma tranquilidade para as férias de Verão lá para os lados do Largo do Rato.
Não sei se é coincidência, mas que dá tranquilidade, dá!!!
NOTA: Independentemente do "resultado", importa nunca esquecer a "causa"...
"Credibilidade senhor primeiro-ministro, credibilidade..."

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Os deuses devem estar loucos

Para espanto de alguns, surge uma nova candidatura ao conclave social democrata…
O “personagem” é José Maria Barroca, presidente da Junta de Freguesia de Taveiro, em Coimbra, que diz “avançar em nome dos «militantes descontentes”…
Uma coisa é certa, de Coimbra, o PSD não se pode queixar da falta de alternativas…

No entanto, importa referir o seguinte:

Muitos até poderão achar piada a estas candidaturas, sendo um direito que estes têm, enquanto militantes. No entanto, estas não contribuem em nada para uma imagem pública positiva do partido como não acrescentam nada de relevante... Apenas demonstram a situação de fragilidade política e de afirmação que vive actualmente o PSD...

quinta-feira, 26 de julho de 2007

E esta, hein?

Por esta não esperava eu...
Provavelmente porque sou novata nestas andanças.

Há coisas fantásticas, não há?!


Pelo menos, é o que dizem as três meninas do anúncio da Netcabo.
A Joana, a Teresinha e a Rita garantem. E nós não ousamos discordar...
Queira o leitor, a propósito, espreitar isto.
É longo, mas garanto que vale a pena ler até ao fim!
Há coisas assombrosamente fantásticas... não haja dúvida.
Eis a verdadeira prova de que a publicidade nem sempre é enganosa...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Estrelas Cadentes

Sete anos depois de terem invadido a TV, os reality shows já não logram o êxito que em tempos atingiram, mas ainda dão que falar.
Nos últimos dias, muito se fala da relação entre os protagonistas destes e a decadência moral.
Depois deste e daquele, agora foi a vez deste.
De famosos a foras-de-lei.
Dá que pensar.

Momento "Ricardo Cândido"

Deixe aqui a sua mensagem de apoio ou o seu slogan para a candidatura de Castanheira Barros à liderança do PSD.

O "Lodo" faz bem ao pluralismo!!!
Ele anda por aí...

Não se arranjam trocos para uns foguetes?



Luís Filipe Menezes lá se decidiu pelo óbvio.

Provavelmente, granjeará mais apoios provenientes do descontentamento face a Marques Mendes do que propriamente da atractividade da sua candidatura.

No entanto, candidatos a candidatos que não seduziam e que depois foram bons líderes e bons primeiros-ministros, tem o partido exemplos. Vamos ver…

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Venha o próximo…


Tendo já sido candidato a candidato a inúmeros cargos (desde que tenham notoriedade pública, claro!), o conhecido advogado de Coimbra, provavelmente inspirado pelo fenómeno Zé Beto, resolve agora apontar armas à liderança do PSD…

Felizmente, a falta de assinaturas resolverá o intento comercial…

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Eleitores ingratos!!!

António Costa só elegeu 6 vereadores!!! Assim ficou de fora a sua talentosa nº 7 que, por certo, muita credibilidade ofereceria ao executivo.
Há dias em que nos sentimos incompreendidos, não é, dr. Costa?
P.S. (irra!): a oportuna fotografia é de António Pedro Ferreira (como pode ler-se) e foi publicada na edição de 13 de Julho do Expresso.

Obrigatório!


domingo, 15 de julho de 2007

Pobre política...

Para um militante do PSD, como eu, confirmaram-se os piores receios; o PSD ficou em 3º lugar nas fulcrais eleições para a Câmara Municipal de Lisboa (um "mini-governo", como dizem muitos).
A propósito de tudo isto, oferecem-se-me alguns apontamentos:
1. Marques Mendes, como já afirmei, errou ao judicializar algumas das suas decisões (arguidos dispensados de concorrer ou com apoio retirado);
* A Lei prevê a inocência até condenação por sentença transitada em julgado. O PSD não o presumiu.
* É penumbroso fazer coincidir momentos judiciais iniciais com juízos políticos.
* Nem todos os autarcas do PSD arguidos foram igualmente estigmatizados.
* Mesmo politicamente a decisão foi errada; para além da condição processual, custa perceber a linha que une Carmona, Valentim e Isaltino.

2. Não creio que possam dar-se graças na oposição interna. O PSD está mesmo mal e continuo a achar que o problema é geracional. As alternativas têm que seduzir e não apenas espremer Mendes.

3. Embora Helena Roseta tenha sido militante dos dois maiores partidos e Carmona governante e autarca pelo PSD, os movimentos independentes (ou até anti-partidários) colheram muita da repulsa que se sente no eleitorado em relação ao sistema partidário. Nasce a política alternativa, se não mesmo a anti-política (vide o BE e, quiçá, o PNR).

Quando políticos consagrados reconhecem nos corredores que o poder não se ganha, antes sendo perdido por quem o detém (a tal lógica "mansa" da rotatividade e dos ciclos máximos de dez anos), estão a dizer-nos que não conquistam as emoções nem convencem as razões. Esperam que o poder apodreça.

Os poucos lisboetas que votaram já viram tudo.

4. A fortíssima abstenção diz que a malta já deu e que é tudo a mesma fruta (até eu já tive mais certezas do contrário...).

5. O centro-direita saem de rastos. O CDS não elege um só vereador, num claro chumbo ao remake (geralmente o primeiro filme tem mais sucesso do que as sequelas...) de Portas. Tanto calculismo e mediatismo acaba por cansar, como, em parte, prova a lição de Santana Lopes. Afinal, se calhar (e por muito que tenha muitos e bons amigos na actual nomenklatura centrista) o problema não era (só) Ribeiro e Castro.
Manuel Monteiro ainda não percebeu a figura rídicula que vem fazendo e o descrédito que traz à política. A ideia de se fazer acompanhar, permanentemente, de um comediante e de organizar números de circo como uma gincana num passeio, entre supostos dejectos de cão, é "apalhaçar" o problema e não fica bem em que se afirma como paladino da política séria. Alguém o "desligue da máquina", por favor.
O PPM, sendo uma organização familiar (que apesar de tudo, mercê da visão estratégica de Santana Lopes, tem 2 deputados à boleia do PSD), também resolveu entrar na tenda e fazer circo. Desde afirmações do candidato a dizer que estivera nos assuntos agrícolas, por não ter tempo para a campanha, à entrega de papel higiénico nos serviços da câmara, tudo serviu para que muitos achassem que votar seria uma perda de tempo (e Deus sabe como aprecio a associação da política ao humor, dentro de certos limites...).
A extrema-direita (PNR), não obstante o gozo de ficar à frente de Manuel Monteiro, bem faria em não embandeirar em arco. Parece-me que menos de 2000 votos não traduzem uma adesão popular às propostas de fim de apoio para gays, imigração e manifestações culturais marxistas. O "mercado" eleitoral existe, mas o score actual mostra que o produto quase não vende.
6. Sendo que o partido que ocupa o Governo, regra geral, é açoitado em autárquicas, e mesmo não esquecendo que o PSD vinha com má folha de serviços na gestão da Câmara e da sua queda, fica clara a vitória do PS. Bem pode Sócrates rir ao ver o PS eleger o dobro dos vereadores do 2º classificado. Não fora Costa a maior ameaça eventual à sua liderança e a risada até podia ter sido mais sincera...
7. De todo o modo, cai muito mal a encenação festivaleira que o PS fez no Altis!... Gente da Covilhã, Famalicão, Mirandela e Alandroal (estas terras contei eu, via tv), confessando não saber que excursões a Fátima e a Mafra haveriam de acabar de bandeira em punho, em Lisboa, dá um ar artificial e ensaiado à política. É algo que ainda causa mais rejeição nos milhares que já nem aos noticiários prestam atenção. A geração que domina a actual classe política afasta os portugueses, assim se perpetuando (são os mesmos há "n" anos). Mais valia terem reservado uma sala pequena e terem feito uma conferência de imprensa mais sóbria e com mais ideias.
8. Fernando Negrão foi um gentleman, como sempre: generoso, sério, inteligente e trabalhador. Já Marques Mendes fez o que devia (pedir eleições internas antecipadas) e com justa proporção; é politicamente legítimo que se recandidate, já que, apesar de eu entender que o PSD perde Lisboa sobretudo por erros daquele, não está em jogo uma derrota em eleições legistalativas que, efectivamente, foram a razão primeira de uma liderança que, apesar de tudo, conta já com algumas vitórias.
9. Temo, porém, que o PSD, mais uma vez, faça uma eleição em que os interesses das "tribos" e o protagonismo pessoal (sempre desejado pelos actores secundários) vençam a ideologia e a visão institucional.
10. Reafirmo a minha ideia de que os partidos não são eternos e o PSD, dadas as suas origens exlusivamente nacionais, menos ainda (disse-o no último congresso).

Quem é que vais "roubar" a seguir, Zé..."quinha"?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O Sr. Presidente disse?!?!?


O Sr. Presidente da República (PR) está atento às "brincadeiras" com a democracia...

Esta quarta-feira o PR sugeriu, mais e melhor qualidade no exercício da democracia para «alguns agentes dos poderes públicos»... segundo o PR, estes devem ter «cuidado com as suas atitudes»...

«Todos nós temos que ter cuidado com as nossas atitudes para que a nossa democracia tenha mais qualidade», referindo-se às acusações da oposição ao governo de autoritarismo e clima de intimidação...

Para rematar o PR disse que ia «assegurar aos portugueses que as instituições funcionam de acordo com as regras da democracia»*…
Parece-me que o PR concorda com as acusações da oposição... não acham?!?!?

No entanto, já tardava este primeiro puxão de orelhas do PR ao governo socialista...
Assim, talvez eu não emigre...

NOTA: a propósito deste assunto, considero simplesmente brilhante o post “Vou emigrar” da Rita de Matos Oliveira...

(*) – citações retiradas do site de um canal de TV independente…

terça-feira, 10 de julho de 2007

Quem é que vais desgraçar a seguir, Zé?

Depois de "enterrar" os Sub-21, os Sub-20 desaprendem de jogar à bola, com José Couceiro.

Mesmo que sejam campeões do mundo (assim espero), será pelo mérito de não ouvirem o treinador e pelo talento de cada um.

E a seguir, "assassinará" ele os Sub-17? Precatem-se, jogadores do meu País!...

terça-feira, 3 de julho de 2007

Pridnestrovskaia Moldavskaia Respublica

Se, no seguimento da canção homónima dos GNR, já achava que “Tirana é um lugar difícil de encontrar”, nem sei que vos diga de Tiraspol, a capital da auto-proclamada Pridnestrovskaia Moldavskaia Respublica, também dita Pridnestrovie ou, em português, Transnístria…
Começo pela curiosidade do tema e termino pela questão política.

Falamos de um faixa de terra situada a Este do rio Dniestre (Nistru, em romeno), povoado por pouco mais de 660.000 almas, sendo que um terço é de origem russa, um terço de origem ucraniana e os demais de raízes moldavas.

Apesar de não ser reconhecido por Estado algum, o território declarou a sua independência após o colapso da União Soviética, sendo para muitos um museu da mesma, já que conserva algumas das suas características.

Desde logo, mercê de um desses sortilégios que a Internet nos proporciona, consegui um precioso apoio para entrar no território, mas, aí chegado, logo fiquei a saber que, a mais de ter que apresentar às autoridades de uma das suas cidades (escolhi Bendery ou Tighina, em moldavo) para me “registar”, a minha “carta convite” fora sujeita a um escrutínio que envolvera perguntas do tipo “o que vem ele cá fazer?” e “como e onde o conheceu?”.
Depoimentos do sítio da “Lonely Planet” (empresa especializada em guias para turismo “independente”) e de visitantes acrescentavam que, hoje em dia, fotografar certos lugares públicos (e nem sequer falamos, obviamente, de posições militares) se vem tornando algo impopular. Não sei se por estar devidamente “escoltado”, confesso que foi saborzinho que não senti, tendo dado ao botão da máquina tanto quanto me deu na gana…

Voltando, porém, à nossa Transnístria, sublinho que a dita independência em relação à Moldávia (cujo parlamento tentou em vão amenizar com um estatuto autonómico) se baseou em razões históricas que não pude verificar e, estou em crer, no receio de uma aproximação/união da Moldávia com a Roménia (algo que já aconteceu, formalmente, no passado, tendo a, então, Bessarábia celebrado um Tratado de União).

Como está bem de ver, a rapaziada russa e ucraniana (a “República” é circundada pela Moldávia e pela Ucrânia) não esteve pelos ajustes e ergueu fronteiras, formou exército e polícia, criou uma bandeira e cunhou moeda (o rublo da Transnístria), algo que viria a dar mau resultado, em 1992, quando as tropas moldavas entraram na sua Tighina e, abrindo fogo, foram corridas pelas congéneres transnístrianas que defendiam a “sua” Bendery, com esse sempre precioso auxílio do exército russo, que ainda hoje por lá pára, em locais estratégicos da cidade.

Se politicamente a bipartidária república tem eleições presidenciais com resultados de 80% contra 7% (sendo que o “Cristo” convidado a ir votos contra o Presidente foi o “independentíssimo” administrador de Bendery), economicamente padece dos males de quem dependia do dínamo soviético, embora a banca e o consumo pareçam querer espevitar.

Depois, é passear em Bendery e Tiraspol e ver (ainda) a Casa dos Sovietes, estátuas de Lenine (pois claro), uma locomotiva/museu de 1917, uma fortaleza turca e outras coisas que configuram uma experiência única de ciência política. Isto se conseguir superar a barreira da língua (só se “vende” em russo), as duas barreiras da “fronteira” (não são brinquedo, aviso) e a barreira do medo, que pode advir da leitura do sítio do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros que diz: “Este regime não é reconhecido pela comunidade internacional. Não existindo relações diplomáticas com o mesmo regime, as autoridades portuguesas não podem proteger os seus cidadãos que se desloquem a este território. Neste sentido, e na situação actual, PORTUGAL DESACONSELHA QUALQUER VIAGEM À TRANSNÍSTRIA”.

A questão política com que vos ameacei é esta: anda a comunidade internacional empertigada com as questões da autodeterminação, designadamente, para o Kosovo. Ora bem, sendo que na Transnístria há vontade (se dúvidas houver, faça-se o referendo da ordem) e estruturas de poder que se auto-governam, por que é que ninguém afina pelo mesmo diapasão neste caso? Porque não interessa? Porque é assunto russo? E o Kosovo é o quê (se nos lembrarmos de que Moscovo apoia Belgrado)?

Não me choca qualquer solução pacífica, mas sim a dualidade de critérios…

domingo, 1 de julho de 2007

Vou emigrar..

  • Para um país onde professores com provas dadas não sejam suspensos por fazerem piadas sobre governantes.
  • Para um país onde uma directora de centro de saúde não seja exonerada por não ter retirado da parede do centro que dirige um cartaz que critica o Ministro da Saúde.
  • Para um país que não aprove leis que estimulam a denúncia em assuntos fiscais.
  • Para um país que não despronuncie arguidos, que são figuras públicas, sem explicações bem dadas e investigações transparentes.
  • Para um país verdadeiramente democrático.

Considero revoltante este estado de sítio a que Portugal chegou, um país de impunidades e vigarices, fossos sociais e económicos, onde escasseia a igualdade de oportunidades e onde se desperdiça todos os dias potencial humano e intelectual de milhares de pessoas que são sobrequalificados para aquilo que fazem.


Frusta-me que um ministro defenda que os utentes devem pagar 25 euro por uma consulta médica se ultrapassarem as três consultas por trimestre e ainda seja ministro. Baralha-me o facto de ser filiado num partido socialista!


Entristece-me profundamente que, num país que vê a sua taxa de natalidade baixar progressivamente, seja sugerido que as interrupções da gravidez não paguem taxas moderadoras nos hospitais.

Para terminar, causa-me indignação ver a apatia da maior parte das pessoas. Desde que as deixem ir à bola, à praia e aos petiscos está tudo bem. A história mostra que é em climas como este de algum descontentamento e muita apatia que nascem ditaduras, totalitarismos e outras manifestações sinistras do pior do ser humano.

No melhor pano

Eu cliente da FNAC me confesso (já por lá tendo deixado milhares de euros, ao longo dos anos).
Creio mesmo que, por vezes, a instituição em causa, dada o propósito democratizador da cultura com que foi criada, faz mais pela divulgação do que se vai criando do que algumas equipas ministeriais do sector, por cá.
Porém, ontem (30 de Junho), constatei que no melhor pano pode cair a nódoa.
Desloquei-me à FNAC com uma pessoa amiga que me facultou um vale de desconto de 5€, oferecido no âmbito de uma campanha que, vigorando de 21 de Junho a 1 de Julho, se destinava a fomentar a compra de música, nos mais diversos formatos.
No acto de pagar perguntei se não me dariam um outro vale, registando com estupefacção que não porque "a campanha termina amanhã" (hoje)...
Ora bem, sendo que, ontem, "amanhã" não é "hoje", também cedo percebi, pelo surrealismo da resposta, por ali não faria farinha, dada a peremptoriedade da asneira dita.
No serviço de apoio ao cliente, o mesmo resultado com partitura diferente: "já não há mais vales"...
Assim, e como nada nos cartazes publicitários ou nos vales limitava a data de atribuição dos descontos a um dia prévio ou ao "stock existente" pedi a apresentação do livro de reclamações, não pelo valor em causa, mas porque entendo que, cada vez mais, os consumidores devem acautelar os seus direitos, mormente quando, como é o meu caso, a sua formação académica os obrigue a conhecê-los.
Devo dizer que a gerente da loja não só trouxe o livro como conseguiu desencantar um vale sobrevivente, sendo de uma educação exemplar, embora manifestando ignorância em relação aos trâmites publicitários da campanha, pelo que o livro não foi rabiscado.
Todavia, três apontamentos permanecem válidos:

1 - Fica mal a uma instuição que tanto faz pela cultura incorrer em publicidade enganosa.
2 - Suspeito que muito boa gente foi vítima desta má prática comercial, ontem, e o será, hoje.
3 - Há alturas em que tenho pena de que não tenhamos um pouco do civismo britânico, alemão ou nórdico ou da filosofia norte-americana de protecção dos direitos individuais, já que a pessoa que me acompanhava, ao descontar o ressuscitado vale, teve de ouvir as uma das funcionárias da caixa, devidamente "envenenada" pela colega da caixa contígua (a primeira funcionária que se me dirigiu) comentar com desdém que era "o assunto do vale" e dar o troco em moedas (pode ser o meu espírito conspirativo, mas...).
Não sei que salário régio têm as senhoras em causa, ao ponto de desprezarem um desconto de mais de 25% num cd, nem que burrice as leva a não estimar quem exerce os seus direitos, mas é por causa desta mesquinhez e desta falta de consciência e solidariedade cívicas que nos tornámos num dos mais pobres e taciturnos povos europeus...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

O «Portuga» de A a Z

Porque temos que aprender a rir de nós próprios... fica aqui um retrato do verdadeiro "tuga".
Elaborado por alunos da Universidade do Porto, trata-se de uma breve enciclopédia sobre algumas características indissociáveis dos portugueses.
Umas de pouca gravidade, algumas possidónias qb, outras mais reprováveis... mas todas elas a comprovar a autenticidade e peculiaridade do nosso povo.
Está genial, apesar de alguns crassos erros de português - quiçá, a fazer jus a outra característica do português, que é a de escrever incorrectamente a sua língua mãe...
Ainda assim, vale a pena 'desfolhar' este trabalho que transborda de bom-humor e cujo grafismo/apresentação é excelente!
[NOTA: a enciclopédia exige alguma interactividade, pelo que é necessário "dar uso" ao rato nas imagens que vão surgindo]

terça-feira, 19 de junho de 2007

União Europeia "all night long"


Tive o prazer de assistir ontem, in loco, ao programa Prós e Contras, indubitavelmente um dos melhores espaços de debate da televisão portuguesa.

No plateau, Durão Barroso esteve frente-a-frente com Mota Amaral, Jorge Sampaio e Carlos Carvalhas, num programa em que Fátima Campos Ferreira resolveu abandonar o seu papel de simples moderadora para se fazer marcar pela acutilância que não lhe é habitual.

Até à uma e meia da manhã, discutiu-se a União Europeia, os desafios que se lhe adivinham, os rumos que tomará. Conversa (a)fiada, debate pouco acesso mas nem por isso menos interessante, e Durão Barroso concluiu que “Portugal é o único país que discute a UE à uma e tal da manhã. Somos os mais europeístas”. Será…?

Do debate, as minhas modestas ilações:

  • Durão Barroso é um optimista. Vê o futuro da UE com bons olhos, diz não temer uma qualquer crise (justificou com “a Europa já viveu crises de relevante gravidade e sempre conseguiu sobrevivê-las”), acredita que haverá união para a tal Constituição (ou Tratado Constitucional, como lhe queiram chamar…) e está convicto de que o resolver desta questão institucional trará a Eficácia, Transparência e Coerência necessárias à estabilidade e desenvolvimento do Velho Continente.
  • Subscrevo Barroso quando alerta para o facto da “União Europeia ser o bode expiatório de muitos políticos por essa Europa fora, que se gabam do seu trabalho quando as coisas correm bem e quando assim não se passa, a culpa é remetida para Bruxelas”.

  • Mota Amaral é uma figura que, por muito que preze, se revelou estranhamente instável: ora agitado, ora enfastiado com o debate. Defendeu, e bem, com unhas e dentes a necessidade de auscultar os parlamentos nacionais nestas questões da UE, mas provocou-lhe sonolência ouvir os demais.

  • Carlos Carvalhas esteve morno, como lhe é apanágio. Debitou números cuja importância é nula, focou todo o seu discurso do contra para a questão da coesão económico-social, sem que se lhe tenha ocorrido que há muito mais a discutir para além disso.
  • Jorge Sampaio está preocupado com a via de ratificação do Tratado. Barroso sossegou-o, relembrando que seja via referendária, seja via Parlamento, o Tratado, a ser ratificado, não ficará ferido de qualquer legitimidade.
  • Luís Amado revelou-se preparadíssimo para o que aí vem. A Presidência portuguesa da União Europeia será um momento de extrema importância pelos motivos que dispenso anunciar, mas sobretudo pela excelente oportunidade de afirmação da nossa nação no seio da União Europeia. Que os responsáveis portugueses logrem êxito nesta missão, é o desejo de todos aqueles que ainda sentem que a velha Europa ainda tem muito sumo para espremer.

Onde há fumo, há Parlamento

À guisa de declaração de interesses confesso (quase envergonhado, dada a violência das recentes pressões dos fumadores…) que nunca fumei e que me incomoda que o façam perto de mim, designadamente às refeições.

Aborrece-me o odor fétido que se entranha na roupa e no cabelo, nos estabelecimentos de diversão nocturna. Parece que se me tolhe o gosto, à mesa.

Acresce que ainda não li notícia ou estudo que dissesse que fumar não prejudica a saúde. E, dito isto, ocorre-me que o Estado obriga a que os maços de cigarros exibam mensagens alertando para os riscos de cancro, impotência e outras catástrofes do género.

Ou seja, a comunidade científica e o Estado entendem que não há volta a dar-lhe: fumar é mesmo uma forma de prejudicar seriamente o bem-estar de quem fuma e dos que têm que, inapelavelmente, conviver com os suicidas esfumaçantes.

É por isto que me desaponta ler as notícias que relatam o cumprimento da mais recente tendência do nosso Parlamento para a irrelevância legislativa, querendo com isto significar o velho hábito de produzir muito e mal, em matéria de papel com força de lei.

Efectivamente, leio que o melhorzinho que pode aguardar-se em matéria da chamada “lei do tabaco” vem do Bloco Central, visto que PS e PSD propõem alterações à Proposta de Lei (creio que é esta a forma do diploma em debate) do Governo que caminham para que os estabelecimentos com menos de cem metros quadrados possam optar por ser espaços abertos a fumadores (com exaustão) e os maiores possam consagrar uma área fechada para matar o vício, algo (neste último caso) que nem choca...

Do CDS, PCP e BE só se ouvem coisas piores. Da liberdade de opção do proprietário a uma moratória de longos cinco anos e até à distinção entre a restauração e a diversão nocturna, o juízo não impera no “Portugal dos Pequenitos”.

Entendamo-nos: há que, desde logo, saber se o Estado Português, no caso representado pelo Governo e pela Assembleia da República, entende ou não que é negativo fumar.
Se a resposta for dizer que não é nefasto, não se entende porque persiste na fantochada de fazer filmes de terror no invólucro dos maços de tabaco e patrocina campanhas publicitárias para combater aquele hábito.

Porém, se é entendido que o combate é imperioso, dada a evolução permanente da consciência social (veja-se a agitação cívica em torno das questões ambientais, que não existia há poucos anos), então não se percebe por que hão-de os nossos representantes baixar os braços, abandonando os que tiveram a lata de adoptar hábitos saudáveis, pelo menos, neste capítulo.
E nem venham os fumadores, cheios da arrogância que assiste a quem tem comportamentos totalitários, dizer que o que está em causa na permanência dos seus gostos é a liberdade. Isso é, no mínimo, cruel, já que jamais esse valor crucial pode afirmar-se à custa do direito essencial dos demais a erradicar da sua esfera existencial um comportamento que, não sendo essencial a uma vida bem vivida, claramente aumenta os riscos de doença de quem o não nutre.

E mesmo de um ponto de vista económico, não creio que um só fumador deixe, ao menos a médio prazo, de frequentar um pequeno restaurante que aprecie, apenas porque não pode fumar. Já nos casos de estabelecimentos de diversão nocturna pouco amplos admito que os hábitos sejam mais difíceis de contrariar. Mas nem neste último caso adiro à lógica diferenciadora do BE; no limite, entre o lucro dos empresários e o gozo dos fumadores, de um lado, e a saúde de todos estes e dos atrevidos e bandidos não fumadores, creio que deve prevalecer a última parte.

Bem sei que também quem não fuma não deixará de almoçar ou de sair à noite, mas, aqui regressados, recupero o argumento de que uma lei permissiva e destinada a ser ridicularizada (sendo opção, creio que maioria dos empresários não mexerá em “equipa que ganha”) colocará Estado na posição de hipócrita, em face das serôdias ameaças em maços e anúncios. Acresce que com mais restrições todos ganhariam em bem-estar. Com a opção prometida só de males podemos falar, incluindo o sinal de indiferença perante a dependência de muitos dos nossos fumegantes concidadãos.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Dêem-lhe os lápis de cor

Alguém devia explicar a George W. Bush que a política internacional não é nem um atlas para colorir nem o mesmo que jogar “Socom” (basicamente, um jogo em que tropas especiais americanas desempenham missões de intervenção não autorizada em países soberanos), na PlayStation.

Confesso sem problemas que fui dos que acreditou que a intervenção no Iraque fora suficientemente estudada, algo que o pós-guerra veio desmentir fragorosa e dramaticamente. Não que com isto haja aderido ao pacóvio e cínico pacifismo da extrema-esquerda, mas serviu-me, com certeza, para começar a olhar com cautela a actual liderança do “mundo livre”.

Se de confirmação precisasse o meu cepticismo, a deslocação do Presidente dos EUA à Albânia deu-me motivos para me fazer recear mais asneiras, mormente no que às declarações sobre o Kosovo diz respeito.

Bush disse aos albaneses que deviam olhar a província Sérvia de maioria étnica albanesa como independente.

Perguntará: e daí?!

Pois bem, vamos a isso. Em primeiro lugar, sublinho, como já fiz noutra ocasião que falamos de uma terra que os sérvios consideram o berço da sua Nação, com todo o drama que uma eventual secessão pode acarretar para a idiossincrasia do orgulhoso povo sérvio. E ainda que circunstancialmente seja ocupada por uma maioria não sérvia, imaginemos que uma comunidade determinada ganhava maioria na Amadora ou, pior, que um surto de imigração tornava Guimarães numa terra de português “adocicado” ou de sons de Leste. Sem que haja na hipótese ponta de xenofobia (garanto que vejo com bons olhos as comunidades estrangeiras que tanto ajudam a nossa Economia), como lhe tocaria a ideia de aplicar a estas terras o princípio da autodeterminação, sem mais debate?

Por outro lado, cumpre pensar se haveria tanto interesse de Washington, se a defesa da independência do território kosovar não servisse para humilhar um ex-adversário de guerra e um país de inclinação a Leste, que tem nos russos bons amigos. Por que não defende com a mesma veemência uma intervenção no Darfur, em Taipe, no Tibete, em Aceh ou mesmo na Palestina? Pragmatismo e arrogância, digo eu.

Porém, em terceiro lugar, nem sequer creio que, mesmo usando do pragmatismo e do cinismo tão típicos das relações internacionais, Bush esteja certo, já que deveria ter estudado as lições da cruzada no Afeganistão (ridícula mas também eloquentemente ilustrada pelo filme “Rambo III”), na qual os americanos não descansaram enquanto não expulsaram a URSS, assim pondo fim à laicização do território, que é hoje um alfobre de tráfico de droga e de fundamentalismo. Implantar no seio da Europa mais uma bandeira islâmica, na mesma altura em que o número de excluídos da globalização aumenta, pode ser uma “barraca” que cumprirá à União Europeia resolver.

Para os que tenham dúvidas sobre o que pode acontecer, recomendo uma viagem não organizada por uma agência de viagens à Albânia que, recordo, oferece a maioria que habita o Kosovo. Não que não seja boa gente, mas convirá que se “perca” pelo País das Águias e perceba o seu complicado mosaico social (o eufemismo é deliberado).

Por fim, convirá que reconheçamos que os sérvios estão a pagar o preço dos seus excessos nos conflitos que se sucederam ao fim da Jugoslávia, embora com mais juros dos que os que castigam croatas e muçulmanos, sem que haja santos neste “filme”. Mas, mesmo admitindo que a Sérvia possa ter sido a parte mais abusadora, terá o seu povo que perder o seu centro de identidade nacional?

Não tendo remédio imediato para o caso, entendo que comícios de George W. em Tirana não acrescentam nada de positivo. Vale que a inteligência de Putin vai permitindo ganhar tempo até que os americanos elejam alguém que retire àquele os comandos da consola de jogos, pela qual parece ter tomado a política que se faz a partir da Sala Oval.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Em Rabat

Lapsos são de admitir, mas é de supor que eles não ocorrem no Jornal da Tarde, pois a partir daí a percentagem de portugueses disponíveis para saber o que se passa no País e no Mundo extraem a maioria da informação que absorvem (sabe-se que a leitura de jornais, por exemplo, é bem mais reduzida).
Vem isto a propósito de uma notícia sobre comissões pagas em negócios de armamento entre o Reino Unido e a Arábia Saudita, na qual o jornalista que assegurava a locução terminou referindo o que se passava na capital do reino árabe, Rabat.
Ora bem, da última vez que vi Rabat era a capital de Marrocos e Riad a da Arábia Saudita.
Que se segue? Lomé como capital britânica?
Se o erro é de admitir, pense o que diriam os media se um advogado famoso (para criar o paralelo com a divulgação mediática da asneira) se enganasse no nome do cliente ou se um deputado, numa intervenção, atribuísse um projecto de lei ao partido errado...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

He is whatching You

Sabes que podes ser demitido em função do conteúdo das tuas mensagens de correio electrónico ?

Já pensaste que a tua empresa pode saber exactamente o local onde te encontras?

Sabias que a tua empresa pode controlar o número de vezes que vais, e o tempo que ficas, na casa de banho ?

Nota: sai post dentro de dias sobre o tema...
Os caros visitantes do “lodo” que não me conhecem de lado nenhum perdoarão o trato intimista…

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Ainda bem

Em homenagem ao recato que pede a minha posição institucional, costumo evitar (e evitarei até fim do mandato) comentários sobre a vida da Académica.

Porém, como amigo e admirador do Pedro Roma, por tudo o que ele guarda da Briosa (muito mais do que as redes), fico contente por ver que chegou a acordo com a Direcção.
Disse.