terça-feira, 24 de julho de 2007

Estrelas Cadentes

Sete anos depois de terem invadido a TV, os reality shows já não logram o êxito que em tempos atingiram, mas ainda dão que falar.
Nos últimos dias, muito se fala da relação entre os protagonistas destes e a decadência moral.
Depois deste e daquele, agora foi a vez deste.
De famosos a foras-de-lei.
Dá que pensar.

6 comentários:

Ricardo Cândido disse...

Dulce…

O sucesso destes enquanto personagens dos tais reality shows não me surpreende. A queda, também não...

O princípio do livro de George Orwell, "1984", em que chegaria o dia em que seríamos sempre vigiados, por um Big Brother, foi a inspiração para os tais programas.

Espiar, olhar, espreitar, vigiar, assistir, são termos que expressam a curiosidade humana. A vontade de saltar muros, escancarar janelas e abrir portas é algo que sempre acompanhou o ser humano. Faz parte, há muito, de nosso imaginário saber como é a vida do vizinho. O sucesso do Zé Maria, amigos e "TV’s" foi consequência disso.

Importa também não ter a memória curta. As "TV’s" ganharam muito com estes personagens. Talvez não esteja enganado se disser que o Zé Maria conseguiu o maior share da história da TV em Portugal, aquando do épico final do BB1. O tal pontapé do mister Kung Fu também foi o que se sabe em termos de audiências televisivas…

Ou seja, Dulce, houve quem ganhasse com estes personagens… No entanto, seria também injusto se não o reconhecêssemos, que também muitas destas personagens ganharam com a sua passagem por estes concursos. Resumindo, serviu muita gente, houvesse é juizinho quando a "vaca" deixasse de dar leite…

Não tenhamos é dúvidas que na passagem por um concurso destes, há um preço potencialmente elevado a pagar…

rei dolce disse...

são fruto da falta de valores morais e culturais da sociedades modernas, quer antes/durante e depois dos BB e outros que tais.

Dulce Alves disse...

Caro Ricardo,

Bem sei que houve muito quem lucrasse com a participação neste género de programas. Muitas das caras com que “esbarramos” diariamente em publicidade, capas de revista ou programas de tv, eram anónimas até ao dia em que participaram em reality shows. A título de exemplo, a apresentadora e manequim Isabel Figueira, que hoje co-apresenta o histórico 'Top+' ou ainda Diana Chaves, uma actriz em clara ascensão.

A conclusão é a de que se houve quem soubesse aproveitar a projecção dada pelos reality shows, houve quem tivesse passado ao seu lado e pior, quem tivesse ensandecido com ela. E tendo em conta os três casos que referi, poder-se-á quase dizer que a via da criminalidade parece sintomática da passagem por tais programas...

Concordo quando referes que quem ganhou ( e muito) com os reality shows foram as tv’s, mas elas não têm qualquer tipo de responsabilidade pelos caminhos trilhados pelos ex-concorrentes. Se bem que, se assegurassem acompanhamento psicológico permanente a muitos dos que por lá passaram , não seria de todo má ideia....

Ricardo Cândido disse...

Dulce…

Totalmente de acordo:))

Mas se as televisões não têm qualquer responsabilidade no caminho trilhado pelos "famosos", o mesmo já não podemos dizer relativamente à qualidade da oferta. Estes programas foram do pior que já se viu em televisão…

Gonçalo Capitão disse...

Estes programas estimulam o mais básico e reflectem o facto de, sem condições de afectividade, muita gente viver a vida dos outros. É assim nas revistas, no "Second Life" e nestes programas...

Gera-se acriticismo, voyeurismo e banalização de comportamentos anti-éticos ou mesmo criminosos, sobretudo entre jovens cada vez menos acompanhados por pais, que não podem ou já não sabem fazê-lo.

Quanto aos envolvidos nestes casos, é um clássico: pessoas de formação débil expostas a demasiada pressão. Isso é a única coisa que não é de hoje.

João Pedro Cruz disse...

Dulce,
este era um fim (quase) previsível!!!
Lamento muito, mas acho que o pior ainda está para vir, com as "estrelas cadentes" resultantes de séries do tipo "Morangos com Açúcar" e afins...