sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Processo


Não é kafkiano, mas casapiano, o processo que marcou indelevelmente a nossa sociedade e que tudo leva a crer que, oito anos volvidos, ainda não tem fim à vista, apesar do significativo avanço que hoje se aguarda. O seu impacto deve-se sobretudo ao conjugar de dois factores: crime hediondo e repugnante (presumivelmente) praticado por figuras de relevo social. A fórmula não é de hoje, nem se restringe às nossas fronteiras, mas por cá despontou um interesse nos media como nunca antes tínhamos assistido.

Se por um lado esse interesse se traduziu em coragem - a dos órgãos de comunicação social que denunciaram o caso -, por outro, esse mérito foi ligeiramente ‘apagado’ pela sede dos que preteriram noticiar os factos a explorar, sem dó nem piedade, os aspectos puramente emocionais, causando profunda comoção na opinião pública.

Ora, se é certo que a denúncia pública é o papel essencial da comunicação social, certo é também que a ela não deve estar associada uma atitude sensacionalista, que adultere o bom serviço público até aí prestado. Porém, o processo Casa Pia não escapou a isso. Nunca antes a justiça portuguesa se vira transformada num reality-show, metáfora que alguns oportunamente usaram. Nunca antes se vira tantas conferências de imprensa improvisadas à porta dos tribunais. Nunca antes se assistira a tanta crítica ao modus operandi dos nossos tribunais, pondo em causa actuações e decisões.

“Quais são os melhores espectáculos contemporâneos, desportivos à parte?” questionou o jornalista francês Alain Minc. O próprio encontrou a infeliz resposta: “As grandes comoções colectivas? Não foram nem o genocídio ruandês, nem a guerra na Bósnia, nem a criação do euro. Mas sim o fantasma pedófilo, que percorreu de um extremo ao outro o continente”.

Note-se que este protagonismo e esta visibilidade social dos tribunais junto da opinião pública são relativamente recentes. Devem-se, sobretudo, ao chamados «novos tipos de criminalidade» com forte repercussão social e política, como é o caso da pedofilia mas também do crime económico organizado e da corrupção. Naturalmente que esse interesse intensifica-se consoante o grau de notoriedade dos cidadãos neles envolvidos.

E assim a justiça tomou de assalto as redacções e monopolizou os noticiários, o que se por um lado conduziu a uma maior consciência social dos portugueses, por outro, a avidez da comunicação social tem levado a que, com frequência, se excedam os limites da legalidade e da liberdade.

Mas é precisamente na base do desentendimento entre um poder constitucionalmente consagrado – o poder judicial – e um poder atípico, o chamado “quarto poder”, que se encontra a maior virtude deste processo. É que as opostas lógicas de funcionamento e os diferentes universos de regras, princípios e interesses ofereceram, e oferecem, matéria-prima bastante para que a justiça portuguesa repensasse questões como o segredo de justiça, prisão preventiva, as escutas telefónicas, a competência e a habilidade dos defensores, entre muitas outras problemáticas, abrindo caminho a reformas legislativas.

Quanto à comunicação social, estou em crer que, no exercício da sua actividade, tem agora uma percepção mais nítida e rigorosa da fronteira entre a liberdade de imprensa e o, não menos fundamental, interesse punitivo do Estado e da eficácia da investigação criminal.
Independentemente do desfecho deste processo, uma coisa é certa: ele definiu um antes e um depois na justiça e na sociedade portuguesa.
*Foto da revista Visão

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Assim andamos

O País arde e o que me espanta é que todos os anos ainda haja mais qualquer coisa para queimar. Nisto, todos os verões se prometem cadastros e limpezas coercivas de matas e quem se mata é a natureza… Acresce que adoro (sublinhe-se a ironia que a tinta não traduz) quando os responsáveis políticos dizem que “não foi o ano pior” e ainda mais quando o dito “ano pior” cai no consulado de outro partido… Soluções reais é que “tá quieto!”…

No meio de tanto ruído, endurecer as penas e acabar, em geral, com uma legislação penal e processual penal com complexos de esquerda e brandura digna de um retiro budista também parecem tarefas para alguém que ainda não nasceu.

Por outro lado e deixando de parte outras tragédias, a imagem que os portugueses que estão longe vão colhendo é a de um País que, a mais de arder, ocupa tempo incomensurável com um guarda-redes. Sim, mesmo a RTPi e a SIC-Internacional têm cumprido o serviço público (ria-se, pois é melhor do que chorar) de informar a diáspora sobre os “frangos” de Roberto e as alegadas intenções do Benfica de o despachar. O que ainda ninguém explicou à rapaziada é como se pagaram oito milhões de euros por um guarda-redes que não é da elite mundial ou sequer europeia… Depois e por muito que ache que o rapaz não há-de ser tão mau como o pintam, não querem que se pense que há coisas e fortunas estranhas no futebol…

Por fim, recupero um tema que me arrepia desde o início da silly season, pelo muito que tem de silly ou tolice: a polémica em torno da Constituição e da sua revisão. Sou amigo do Professor Calvão da Silva, com quem muito aprendi, mas parece-me que dizer que a proposta de revisão é aberta, depois do também meu amigo e líder parlamentar Miguel Macedo ter dado sinais do contrário, parece-me que só vem complicar os dados de uma equação que já me parecia inoportuna por oferecer ao PS, em momento de crise, a oportunidade de fazer a figura de defensor do serviço público.

Dir-me-ão os autores da proposta que o que escreveram e disseram foi distorcido. Até pode ser, mas há quantos anos andam na política? Um auto-golo não é golo do adversário?!

A meu ver mais valia preocuparem-se com estado de indigência cultural do país (o orçamento da Cultura, que já é ridículo, parece que não escapará às cativações das Finanças!...) ou com o pagode que rodeia os criminosos que não vêem incentivo legal para mudarem de vida… De todo o modo, como tenho dito, havia tiros mais certeiros para disparar nesta altura, estou certo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

I'm Lovin' It

Nos seus primórdios, a MacDonald’s posicionou-se no mercado como uma empresa que disponibilizada “refeições rápidas e acessíveis”. O seu negócio era assim definido e essa era a mensagem que transmitia ao mercado.

Isto vem a propósito de um estudo de Peter Drucker que reli há pouco tempo e que explica a importância dos gestores colocarem a si mesmos um conjunto de questões que, dada a sua importância, influenciam o curso de uma estratégia. Uma dessas questões é: “Qual o seu negócio?”

A avançar pela teoria de Drucker, será que se a MacDonald’s tivesse definido na altura o seu negócio como uma empresa que comercializava hambúrgueres, saberíamos hoje o que era o BigMac?

Não há pachorra

Não há forma e/ou vontade de dar a volta a um cancro que assola o centro das cidades portuguesas. Refiro-me aos malditos “arrumadores de carros”.


Como se já não bastasse, por vezes, ter de engolir sapos e dar moedas a esta cambada de parasitas da sociedade (sob pena de me riscarem o carro outra vez!), ainda tenho de ouvir os desabafos dos Srs.


Hoje, em Coimbra, após estacionar e dar os 0,50€ ao "Sr. Arrumador" devidamente credenciado, estaciona de seguida outro carro cujo condutor não deu nada, justificando (ainda temos de justificar!) que não trazia moedas consigo.


Ora, imagine-se o desplante do "Sr. Arrumador", ao virar-se para mim e dizer que aquela era a “desculpa de mau pagador”!


Ou seja, parece que os tipos já são donos dos estacionamentos e que a malta que não dá a moeda, fica a dever...

Não deslumbra, mas vê-se

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Proíbido a "intelectuais"

Ganha em recursos tecnológicos o que perde no carisma dos actores da velhinha série de televisão, que deliciou os moços da minha idade.

domingo, 29 de agosto de 2010

Muito estrangeiro em Aveiro

Vou seguindo o jogo da Académica com as mensagens dos amigos e o auxílio da Internet... Está 1 a 1, em Aveiro...

A primeira coisa que vem à cabeça, além do desejo de vitória, é o facto da Briosa estar com apenas 4 ou 5 portugueses em campo contra os 8 com que chegou a alinhar na última época!

Nem me venham falar dos outros! A Académica não é "os outros"! Espero eu...

sábado, 28 de agosto de 2010

Uma queda valente

Este texto pode, à primeira vista, parecer versar ainda o delicioso trambolhão do Benfica ante a nossa Briosa. Todavia, festejos distantes e, por isso, mais efusivos à parte, do que quero falar-vos é mesmo de uma queda de água: as Victoria Falls, partilhadas pelo Zimbabué e pela Zâmbia, com a parte de leão a caber ao país de Mugabe.
Por vezes, na Europa, mesmo quando a bolsa permite outras aventuras, tendemos a ignorar as paragens africanas, mormente quando fogem aos destinos óbvios como o Egipto, Marrocos, Tunísia, Zanzibar (Tanzânia) e Quénia.
Pois bem, um bom programa, a duas horas de voo de Joanesburgo, é uma estadia em Victoria Falls, localidade do Zimbabué que adquiriu o nome das cataratas descobertas por David Livingstone, que, por seu turno, viria a dar nome à localidade fronteiriça do lado zambiano.

Aí chegado, não hesite: o Victoria Falls Hotel, construído em 1905 no melhor estilo eduardiano, é o seu destino. Serviço clássico, salões majestosos ornamentados com troféus de caça, bem ao estilo colonial, um High Tea que continua a mostrar as melhorias cerimoniais que os britânicos introduziram no costume de beber chá exportado pela nossa D. Catarina de Bragança (uma delícia e um banquete, asseguro-vos) e uma ocasião de jantar ao som de piano e com talhares de prata no L.ivingstone Room. Enfim, vive-se história, como viveram Agatha Christie e Peter Sellers por lá.

Para os que, por esta altura, já estão a chamar-me burguês ou abastado, aconselho prudência, pois a festa sai bem mais barata que um fim-de-semana no Algarve (à excepção dos parques de campismo e similares, bem entendido).

A fazer: a mais de gozar luxuriantes vistas das cataratas e da centenária ponte que liga os dois países, a partir dos terraços de pequeno-almoço e do chá das cinco, as actividades são mais que muitas e vão das mais radicais(bungee jumping – salto da ponte com elástico amarrado aos pés – e rafting – canoagem a alta velocidade) às que lembram mais o National Geographic.

O vosso cronista foi pelas últimas e pode sugerir um passeio de helicóptero sobre as Falls,


...o óbvio passeio junto das mesmas (o lado do Zimbabué é o essencial e chapéu-de-chuva e capa impermeável são obrigatórios), um cruzeiro, com ou sem jantar, no Zambezi (o quarto maior rio africano e autor da famosa queda), para avistar o pôr-do-sol e alguns animais,



...uma caminhada com leões (assim mesmo, à solta)

...e um safari às costas de um elefante.

Um dia em Livingstone (Zâmbia) também não é mal passado, sobretudo se gostar de arquitectura do início do século XX, visto tratar-se uma “cidade” que, entre 1907 e 1935, foi capital da North-Western Rhodesia (Rodésia do Norte). O museu com haveres do explorador também vale a visita.

A segurança é garantida, o artesanato acessível e a comida boa. Atreva-se!

Obrigatório

Infelizmente, em Portugal creio que já saiu do cartaz. Resta o DVD, que valerá cada cêntimo...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Carta a Marta

Marta:

Antes de mais, não imaginas a alegria de te ver de volta.

Depois, não tens ideia da preocupação que o teu texto causa e aproveito (em nome de todos, creio) para desejar que o teu pai se ponha em forma, rapidamente.

Para pormos as coisas en su sitio, no ano passado, também eu tive um problema de saúde que pediu uma semana de hospital e devo dizer que a minha experiência nos Hospitais da Universidade de Coimbra terá sido oposta à que viveu a tua família. O atendimento, os exames e o permanente cuidado de uma equipa liderada pelo Prof. Pedro Monteiro e assistida pelo Dr. Rui Martins, entre muitos outros médicos, enfermeiros e auxiliares dedicados, pôs-me, para desgosto de alguns (poucos, felizmente), em forma para os próximos anos...

Ou seja, a mais de sorte, há que introduzir mecanismos que premeiem e avaliem a qualidade dos desempenhos, mas sem quotas estúpidas, sem compadrios e assédios imbecis e sem a mediocridade bem portuguesa que leva os de cima a temer a sombra de baixo (passo o paradoxo).

Acredita porém que a solução não é a privatização pura ou, simplesmente, o "quem pode paga". Claro que têm que ser revistos os custos! Eu podia ter pago dez vezes mais aquilo que o Serviço Nacional de Saúde me cobrou! E, para evitar justificar da maneira tradicional os "milhares de assessores" do Ministérios das Finanças, podia até ser simples: três escalões de preços, que os hospitais afeririam por mero acesso a um portal daquele Ministério, onde um filtro impediria o funcionário hospitalar de ver mais do que necessitaria.

Quanto às ideias do PSD... Seriam óptimas (não adiro ao acordo ortográfico e pronto!!!) se não se traduzissem num desinvestimento na Saúde e antes resultassem numa canalização do mesmo bolo para melhorias; isto é, acresceria ao Orçamento do Estado os montantes que os menos carenciados pagassem. Porém, sendo Portugal e tendo a (falta de) classe política que temos, não acredito, antes temendo que se verificasse o mesmo que se passou com as propinas, que passaram a maquilhar o desinvestimento no ensino superior.

Como exemplo, dou-te a África do Sul, onde o sistema público era óptimo, mas onde uma mera mudança de gestão levou a que as pessoas tenham medo de acabar num hospital público e onde quem pode paga colossais seguros de saúde, que mais não seja, para pôr um autocolante no vidro do carro, para os socorristas saberem, em caso de sinistro, que pode ir para uma clínica privada...

Aceita um abraço do teu amigo
GC

Denso e complicado, mas interessante e bem representado

Tem algo de Matrix...

Coitado de quem cai numa cama de hospital...

No seu 2.ºdia de férias, o meu pai sentiu-se mal, no 4.ºdia deu entrada no Hospital de Guimarães (Alto Ave) e começaram as 3semanas mais longas da minha vida.

Capitulo I - Os cirurgiões e a equipa da medicina não estavam de acordo sobre o diagnóstico e o meu pai é sujeito a uma cirurgia de exploração, da qual resultou uma colcistite aguda e apendicite. A equipa da medicina tinha razão.
Apesar de ser um doente cardíaco, tem alta 3dias depois.

Capítulo II - No dia em que recebe a alta, a sutura começa a infectar. 2 dias depois o meu pai vai ao hospital fazer o penso e a sutura continua infectada, apesar do gelo e do antibiótico. Feito o penso, é mandado para casa pálido e febril. Na viagem volta a sentir-se mal, no dia seguinte melhora, dois dias depois volta ao hospital para fazer novo penso. A minha mãe reclama que ele tem febre, que lhe parece muito cansado e depois de muito insistir acedem a fazer-lhe exames e
descobrem que teve um enfarte do miocárdio no dia em que veio de fazer o penso. Fica internado novamente.

Capítulo III - No dia seguinte vai para Vila Nova de Gaia fazer cateterisma, corrigem duas artérias obstruídas a 100% e fica uma obstruída em 99% para fazer noutro dia. Nesse dia não lhe fizeram o penso, no dia seguinte já exausta de tanto reclamar e desesperada com a febre e o mau aspecto da cicatriz, a minha mãe volta a pedir que seja examinada a sutura. Depois de muito reclamar fizeram-lhe a vontade e enviam o meu pai para a ecografia. A técnica diz que existe uma mancha estranha e pede tomografia para clarificar. O cirurgião discorda e diz que a técnica está errada e não existe nada e que vai ter alta no dia seguinte.
Mais uma vez a minha mãe volta a insistir e pede a uma segunda equipa de cirurgia uma segunda opinião. A segunda opinião revela-se acertada: um abcesso resultante da infecção. Levou duas unidades de sangue, porque estava muito debilitado e quando retiraram o abcesso saiu cerca de 60cm3 de lixo que estavam a destruir tudo por dentro. Isto significa apenas que se a minha mãe não fosse uma enfermeira competente o meu pai teria morrido de septicémia!!!

Considerações finais - durante estas semanas no hospital assisti a incompetência, negligência, arrogância e falta de consideração por um doente, quer da parte médica, quer da parte de enfermagem, até das funcionárias da limpeza e da segurança. Sei de facto que o meu pai teve azar, mas alguma sorte no meio deste azar. Sei de facto que a minha mãe lhe salvou a vida porque era a única pessoa que se importava com ele, porque é da área e os conhecimentos que tem lhe permitiram ver mais que um cirurgião e uma equipa inteira de cirurgia.
O que é mais estranho é que o meu pai é médico, trabalhou a vida inteira neste hospital acreditado e no momento em que ficou doente teve um tratamento superior ao de qualquer outra pessoa. Qualquer outra pessoa certamente teria morrido.
É assim o sistema de saúde, poupança a qualquer custo, o que contam são os números de cirurgias que se fazem (mas para isso o doente tem de ter alta rapidamente) e alguns bons profissionais que até esquecemos que existem por tantos negligentes e incompetentes que se cruzam no nosso caminho. Quem está doente não se queixa, porque precisa e porque sabe que se houver um processo todos se encobrem. Felizmente ainda temos liberdade de expressão e Blogs amigos onde manifestar a nossa indignação.
Coitado de quem cai numa cama do Hospital do Alto Ave, acreditado pela sua qualidade...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Liga Orangina


É só de mim ou o nome com que baptizaram a Liga de Honra para a época 2010/2011 é um tanto ou quanto sensaborão?... Liga Vitalis já não impunha muito respeito, mas... Orangina?! Tanta marca de bebidas no mercado com um nome mais viril - Sumol, Lipton, Frutis, Compal, Bongo, Frisumo, sei lá... até Bussaco servia! - e foram logo perder-se pela laranjada.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Os diamantes nem sempre são os melhores amigos...


Como a maioria das celebridades tolas, Naomi Campbell acha que ser estrela lhe confere um estatuto de inimputável. Depois de esgotadas as oportunidades na passerelle, a modelo procurou pisar outros terrenos, bastante mais movediços. A sua proximidade com vultos internacionais é constante, desde a amizade com Hugo Chávez à relação com oligarcas russos e até empresários italianos. Desde sempre envolta em polémica, com um registo criminal recheado de agressões a empregadas, polícias e até amigas..., Campbell tem agora em mãos um caso bem mais sério.

A ex-modelo está a testemunhar no Tribunal Especial de Haia para a Serra Leoa, onde acabou por reconhecer - depois de antes o ter desmentido - que recebeu diamantes brutos de Charles Taylor, ex-presidente da Libéria. A denúncia foi feita pela actriz Mia Farrow, que estaria no mesmo evento em que Campell foi presenteada e teve conhecimento do facto. Campbell alega, contudo, que doou as pedras ao Fundo Nelson Mandela. A Instituição veio negar, mas um seu director acabou por reconhecer que teve em sua posse três diamantes e que já os entregou às autoridades.

Um caso com contormos estranhos que podia ter conduzido Campbell a sete anos de prisão caso se recusasse a testemunhar. A ver vamos se com o seu depoimento a modelo se redime e acrescenta provas para incriminar Taylor, acusado de onze crimes, de entre os quais, assassinato, violações e recrutamento de crianças-soldados, durante a Guerra Civil na Serra Leoa, que resultou em 120 mil mortes.
A este propósito, recomenda-se «Blood Diamond», um filme que mostra bem o que foi a extracção de diamantes em zona de guerra, na Serra Leoa, entre 1991 e 2001.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Assustador

Em mil anos de existência, a nação russa não se recorda de alguma vez ter passado por Inferno igual. A desmesurada onda de calor já resultou em 26 mil fogos que destruiram uma área florestal equivalente ao dobro do território português. Os 160 mil bombeiros vêm deflagrar mais fogos do que aqueles que conseguem apagar. Mas o problema não se fica por aí. O fumo alastrou até à zona urbana e um smog cobriu as cidades, com níveis alarmantes de dióxido de carbono. Moscovo é uma nuvem de cinza e de cinza se cobrem as coloridas cúpulas das catedrais, como se vê na imagem acima.

domingo, 8 de agosto de 2010

Mudar de palco

Wyclef Jean (ex-Fugees), desconhecido para alguns, ícone do hip-hop para muitos, é candidato à presidência do Haiti, que vai a eleições a 28 de Novembro próximo. O país que desmoronou recentemente e que viu então agravada a sua situação económico-social, bem precisa de um novo rumo. Mas estávamos longe de nos lembrar de um músico para desempenhar tão penosa tarefa.

Há quem diga que Wyclef Jean impulsionou várias iniciativas para angariar fundos no pós-catástrofe e isso acabou por empurrá-lo até uma candidatura. Todavia, vozes contrárias também se fazem ouvir. O actor Sean Penn, por exemplo, veio acusar o cantor de oportunismo, alegando que aquele não participou nos esforços feitos para ajudar as vítimas do terramoto e, mais grave, acusou-o de ter desviado donativos na ordem dos 300 mil euros. A questão não é de agora, já que em tempos a organização a que presidia foi acusada de corrupção e o cantor acabou por reconhecer que houve «erros», embora afirme que deles não beneficiou. A isto acresce uma duvidosa situação fiscal de Wyclef junto das autoridades haitianas. Outros relembram que o cantor, embora nascido no Haiti, não vive ali há 30 anos e tampouco fala o idioma local.

Certo é que a candidatura da celebridade ainda vai dar muito que falar. E, mais certo ainda, é que para erguer um país da miséria e mudar-lhe esse rótulo de há muito, não basta música para os ouvidos. A ver vamos no que dá a partitura. Isto é, a candidatura.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Estes país não é para gente séria

E por falar em playstations, parece que não são só os futebolistas que as exigem..! Por estes dias o Estabelecimento Prisional de Sintra vive uma greve de fome, mercê da não satisfação, por parte do estabelecimento, de necessidades «básicas» dos reclusos. É que estes, não contentes por poderem gozar já da utilização de meios de entretenimento como o são as playstations (duas por cada cela de 3!!), agoram exigem o modelo e tudo. É isso que acabam de ler, a PS2, a par de melhorias nas refeições, é o móbil desta greve. Definitivamente, este país não é para gente séria. Nem lúcida.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ressaca

Passados alguns dias sobre o fim do Mundial de 2010, vive-se na África do Sul um misto de orgulho pelo inequívoco sucesso da organização e de ressaca pela falta da euforia, da festa e da ocupação vespertina e nocturna.

Voltemos, no entanto, atrás e vejamos alguns factos curiosos que foi possível apurar a partir da comunicação social sul-africana (com destaque para o Sunday Times): em primeiro lugar, foram vários os caprichos dos argentinos, a começar pelo facto de os dois quartos de banho reservados para Maradona terem sido completamente remodelados, com particular destaque para a instalação de uma sanita de último grito, com jacto de três modos de aspersão incluído. Dir-se-ia que os pés de ouro e a “mão de Deus” (a tal do golo marcado à Inglaterra) se encontraram a meio caminho, dourando o terminus da espinha de “El Pibe”.

Ainda no que à rapaziada das pampas diz respeito, o Centro de Alta Performance de Pretoria teve que mandar pintar os quartos de branco e encomendar seis PlayStations, provavelmente para os craques fazerem o que não saía bem em campo; acredito mesmo que tenham conseguido vencer a Alemanha na consola da Sony.

Fazendo jus à fama de bons garfos, os argentinos não esqueceram a mesa, pelo que houve que providenciar: dez pratos quentes por dia, catorze saladas por refeição, três molhos para massa e três pudins igualmente por reunião gastronómica, um churrasco a cada três dias e gelado disponível vinte e quatro horas.

E enquanto uns cuidavam do corpo, os outros, por sinal rivais, cuidavam da alma: os mexicanos trouxeram o seu próprio padre! Pelos vistos, depois do jogo com os argentinos terá sido útil para a extrema-unção…

E ainda pelas Américas, os nossos irmãos brasileiros quedaram-se pelo café quente e biscoitos e pelo embargo ao chocolate no hotel. Quente era também a piscina, que tinha que estar a 32º e ser coberta.

Com estatuto de campeã, a Itália trouxe equipamento de ginásio e massas transalpinas e pediu fibra óptica para ver os canais do “país da bota”.

Também viradas para o desporto as selecções da Nova Zelândia e da Eslováquia pediram, respectivamente, lições de golfe e duas mesas de ping-pong e um quadro electrónico de dardos.
Voltando à mesa, os rapazes do Leste europeu trouxeram farinha para bolinhos com sabor caseiro, ao passo que os norte-coreanos se ficaram pelo arroz coreano, em todos os momentos de nutrição.

Sobre os portugueses é o que se sabe… Pouco futebol e muito vedetismo na bagagem…

Creio, porém, que são devidos cumprimentos à África do Sul por um Mundial que correu bem e em que as fronteiras do país registaram um milhão de entradas e os seus estádios três milhões e duzentas mil assistências, número só batido pelo campeonato mundial norte-americano.

A economia sentiu, por sua vez, a massagem de doze mil milhões de rands e a TV nacional teve a maior audiência de sempre para um evento desportivo: sete milhões e setecentos mil espectadores no jogo que opôs os locais aos mexicanos.

A incógnita é sobre os dias seguintes. Permanecerão os avanços na segurança? Continuarão a nascer infra-estruturas? Veremos…

Nada acrescenta à versão original

Lento, mas intenso

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Constituição (muito) física

Agitam-se os mares com a eminente revisão constitucional.

Mais concretamente, aviva-se o debate com os poderes do Presidente da República e com a previsão da possibilidade deste demitir o Governo.

Vamos por partes: a opção por um sistema de governo misto combinado com o actual sistema eleitoral tem muito a ver com a circunstância pós-25 de Abril, procurando-se um equilíbrio delicado de poderes e sobretudo um Governo com rédea curta. Aparentemente os portugueses estavam cansados da “governabilidade” que caracterizou o Estado Novo…

O mesmo pode dizer-se das afinações que o sistema foi recebendo, designadamente no que concerne à extinção do Conselho da Revolução e à diminuição dos poderes discricionários do Presidente da República. Eram outros os tempos, outra a maioria parlamentar e menores os receios.

Vem agora o PSD, sob a liderança de Pedro Passos Coelho, propor uma ousada revisão constitucional em que, entre outras coisas, se prevê a possibilidade de o Chefe de Estado demitir o Governo.

Levantam-se as virgens ofendidas do costume, dizendo que se trata de um retrocesso e de uma consagração do presidencialismo.

Errado! – diz este vosso criado…

Na realidade, creio que há assuntos bem mais merecedores dos neurónios laranjas do que a revisão do sistema político. Sou mesmo da opinião de que, enquanto não aliviarmos a pressão do garrote da crise e dos ataques especulativos (se me perguntarem, digo que acho isto das empresas de notação financeira ou rating uma vigarice pegada), mais valia concentrar energias nesses alvos.

No entanto, em face do passatempo ora criado, creio que é preciso que os críticos internos do PSD se lembrem de que já no passado o partido da Lapa apresentara um diploma na Assembleia da República com o intuito de tipificar as circunstâncias em que o Presidente podia demitir o Governo.

E cumpre que os inquisidores socialistas se lembrem de que a aprovação desta proposta do PSD (que não me aquece nem me arrefece, como sói dizer-se) permitiria evitar leituras “às três tabelas” da Constituição, como aquela que fez Jorge Sampaio; tendo um “problema” a resolver com o Governo de Santana Lopes, dissolveu um órgão de soberania diferente (a Assembleia da República), que funcionava em plena normalidade. Estivera em vigor esta medida e evitava-se um golpe constitucional, que reputo de possível, mas injusto e arbitrário.

Em conclusão, mais do que dar mais poderes ao Presidente, atendendo ao passado recente, estar-se-ia a “pôr preto no branco” os limites da sua “criatividade”.

Para quem prefira ver aqui a emergência de uma figura tutelar, deixo duas notas finais: em primeiro lugar, o assunto é idiossincrático e tem a ver com o modo de ser dos portugueses (rebeldes, mas sempre olhando para o “pai”). Em segundo lugar, é de lembrar que nem sempre o Presidente será do PSD (embora o “Poeta de Águeda” possa “tirar o cavalinho da chuva”), sendo mesquinho dizer-se que a alteração é pensada para Cavaco Silva.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Muito bom

Época baixa

Svetlogorsk, Kaliningrado (Rússia), 2010

Gaivotas em terra

Svetlogorsk, Kaliningrado (Rússia), 2010

“Quando o feitiço se vira contra o feiticeiro”

Já toda a gente percebeu que o bloco de esquerda (BE) não anda na política para se chatear.
Basicamente tudo o que se diz e se faz em politica, para o BE está sempre “mal feito”!!!

Com muita ou pouca argumentação, o BE utiliza sempre a metáfora para criar factos políticos, voando rasteiro sobre o ético e o razoável em debate com os outros partidos!
O “cúmulo” desta forma de fazer política, é a reacção de um deputado do BE quando é alvo dos métodos preferenciais do seu próprio partido… ora vejam
aqui!
NOTA: fotografia do site do DN

domingo, 18 de julho de 2010

A previsão do polvo Paul

Que se desenganem aqueles que pensam que o polvo mais famoso do Mundo já se reformou!
Alheio à cobiça dos mercados financeiros, nomeadamente de Wall Street que já quis "comprar" as suas previsões, Paul resolve agora surpreender a nação futebolística ao prever que o próximo campeão nacional para a época de 2010/2011 será... a Académica.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Valha-nos o Ciclismo...

Este é o senhor que rivaliza com José Sócrates as capas da imprensa de hoje. E não é para menos, já que fez história ao vencer a décima etapa do aclamado Tour de France. Feito que só quatro conterrâneos terão logrado até à data - Joaquim Agostinho, Paulo Ferreira, Acácio Silva e José Azevedo. Já que o desporto-rei não nos tem dado muitas alegrias... valha-nos o ciclismo!
___
Adenda 1 - acabam de me alertar (e bem) que a comunicação social não é unívoca quanto aos ciclistas que, além de Sérgio Paulinho, já conquistaram este feito: aqui diz-se que foram quatro, já aqui apenas indicam três, excluindo José Azevedo;
Adenda 2 - com uma pontinha de orgulho dou nota que Sérgio Paulinho é quase meu conterrâneo, já que correu por Alcobaça durante muito tempo e era presença habitual nos «circuitos locais»;

terça-feira, 13 de julho de 2010

O jeito que isto nos dava


Há pouco estava a ver as ruas de Madrid em directo e... arrepiei-me. Mais de 500 mil encheram a Cibeles e a Calle Alcalá para brindar com La Roja o título arrecadado pela primeira vez na história de nuestros hermanos. A festa que ali se faz é impressionante e deixa a nu a força do futebol e o seu impacto nos povos e nações. E na economia, por supuesto. Consta que o impacto emocional desta vitória pode traduzir-se num crescimento económico real. O ABN Amro, banco holandês de primeira água, analisou o fenómeno e garante que o PIB do país vencedor cresce, em média, 0,7%. Caso para dizer: o jeito que a taça nos dava!!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Finlândia na crista da onda

A Constituição da Finlândia acabou de consagrar o acesso à banda larga como direito essencial dos seus cidadãos. O país compromete-se a conectar todos os finlandeses a uma velocidade mínima de 1 MB por segundo e, até 2015, de 100 MB por segundo. Fasquias que só fazem sentido num país que já saciou todas as suas necessidades básicas, desde saúde a educação e igualdade social.

Posto isso, as metas são outras e, por que não, sonhar alcançar uma sociedade plenamente informatizada, estipulando o acesso à informação como um direito basilar. A Finlândia faz assim história, obrigando todas as empresas do país a oferecer o serviço a preço simbólico, para que todos tenham acesso à informação. Para já, embora acabadinha de promulgar, a medida já abrange 96% da população. Notável.

Humano e interessante


Filme chileno, de 2009. Ganhou diversos prémios. O título original é "La nana" e não sei se já foi exibido em Portugal (provavelmente foi, no circuito alternativo).

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Em Portugal, “Líder” só em conserva

E, mais uma vez, saímos sem glória de um grande torneio de futebol.

Se quisermos consolar-nos, podemos buscar torpe conforto no facto de as selecções de Inglaterra, França e Itália (as duas finalistas de 2006) também terem recolhido cedo. Podemos até pensar que o facto de nos qualificarmos consecutivamente para os torneios europeus e mundiais é uma novidade no nosso historial futebolístico.

Porém, não só podemos bem com o mal dos outros, como o facto de termo tido uma década consecutiva no galarim do futebol não justifica retrocessos; ninguém gosta de andar de cavalo para burro, como sói dizer-se…

Importa afirmar que não jogámos bem. Aquando do massacre dos norte-coreanos por épicos sete a zero disse que assim como o empate com a Costa do Marfim não era justa causa de depressão, a rechonchuda vitória contra os rapazes de Kim Jong-il também não deveria alavancar orgulhos desmesurados. A Coreia do Norte tinha uma selecção muito fraca e, naquela tarde, tudo correra bem aos nossos embaixadores do “pontapé na bola”.

O jogo com o Brasil, por seu turno, foi ditado por um Brasil que assegurara previamente a qualificação e que, como veio a constatar-se, também já conheceu melhores dias.

Chegámos, assim, algo anestesiados ao embate com os espanhóis (o jogo que mais detesto perder, nem que seja num campeonato de caricas!!!) no qual, apesar de termos coleccionado algumas oportunidades no primeiro tempo, soçobrámos ao meio campo adversário, muito apoiado no tremendo Barcelona. Para tal contribuíram, em não parca medida, os equívocos de Carlos Queiroz, desde a escolha dos jogadores que seleccionou até à escandalosa e idiota substituição de Hugo Almeida, que fora, até aí, o único jogador que assustara e fixara os defesas espanhóis. Elucidativas são as palavras de Cristiano Ronaldo (também ele em “recessão técnica”), captadas por um canal televisivo do país vizinho, no qual prognostica que “assim não ganhamos, Carlos!”.

Não sendo uma autoridade na matéria, creio que Carlos Queiroz é um excelente teórico do futebol – veja-se os esquemas integrados que giza para os escalões de formação – mas tem falta de carisma e de perfil de liderança. As novas gerações – sejam ou não jogadores de futebol – cresceram num mundo mediático em que a emoção e a ambição mandam mais do que a razão, mormente em ambientes de alto índice de exposição pública e de competitividade, pelo que, mais do que professores, importa descobrir lideres. Mesmo não percebendo, digo eu, patavina de táctica, quando comparado com o “mister” português, Diego Armando Maradona empolgou a sua equipa e arrastou a sua nação, oferecendo ao Mundo futebol bem jogado e apenas tombando ante uma “Mannschaft” que fez Ângela Merkel e os adeptos de futebol saltar da cadeira, em quase todos os jogos (a Espanha tem andado longe de tamanha força de demolição).

Não explicando tudo, o sucesso passaria por uma remodelação governamental na nossa selecção (confesso que estou a imaginar os acrescentos que farão alguns leitores…). Para já, “Líder” só o atum…

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Descubra as diferenças

Na denominada Zona Mista, ainda a quente, é certo, um sobranceiro jogador saiu-se com um "O que é que eu explico? Perguntem ao Carlos Queiroz!". Esse jogador foi Cristiano Ronaldo que, por sinal, é o Capitão de equipa.

Na mesma Zona Mista, um outro dizia "Não é só quando ganhamos que temos de mostrar união. Quando perdemos, perdemos todos". Palavras de Eduardo, gigante em campo e igualmente grande fora dele.

Boa pergunta...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Homem do Jogo

Eduardo Mãos de Tesouro

O Mundial dos Árbitros

Jorge Larrionda [Alemanha vs. Inglaterra]

Roberto Resetti (Argentina vs. México)

Hector Baldassi (Espanha vs. Portugal)

Neste Mundial, os protagonistas não têm sido tanto os craques da bola, mas sim os senhores do apito. Errar é humano, mas resistir à ajuda das tecnologias permitindo estas fantochadas é lamentável.

À atenção da Rede Globo

Quando o futebol acabar para Capdevilla, espera-lhe uma promissora carreira de actor.

Adiós, Adieu...

Nuestros hermanos, é assim que eu vos quero ver:

fotografia do jornal Record

A Imprensa está de Luto [ou não..!]

Musa inspiradora do dia

Brites de Almeida, a padeira de Aljubarrota
foto d'aqui

Muito difícil, mas não custa tentar!...