sexta-feira, 13 de abril de 2007

Estavas a ir tão bem...

O dr. Marques Mendes costumava dizer, com amizade e por graça, que eu sou do "contra".
Talvez por me ter criado uma dúvida existencial, tenho olhado com a benevolência de que sou capaz o seu mandato à frente do PSD (por exemplo, depois de no Congresso ter sido acusado de "traidor" e outras coisas por um dos seus servidores mais próximos, embora não directamente, pois a coragem não dá para tanto, remeti-me a um silêncio reflexivo nos Conselhos Nacionais seguintes, para ver se o problema era mesmo meu).

Porém, quando até parecia ir "benzinho" - parece-me que estava a cavalgar bem a onda da OTA - esta de pedir um inquérito ao currículo académico de José Sócrates soa, salvo o devido respeito, a aselhice e falta de jeitinho...

Podemos entender que o Primeiro-Ministro não se explicou convenientemente. Podemos até pensar que a licenciatura levanta dúvidas. Mas, no fim do dia, nem um só dos problemas do País será resolvido, mesmo que se apure que Sócrates prestou declarações incorrectas.

É com pena que digo que a posição mais equilibrada, quanto a este caso, foi a do PCP, que foi exactamente neste sentido: dizer que não se acha esclarecido, mas sublinhar que "bater mais no ceguinho" distrai dos problemas essenciais.

10 comentários:

Ricardo Cândido disse...

Primeiro:
Marques Mendes não me parece a pessoa indicada, por força da função que ocupa, para vir mandar bitaites sobre questões de carácter do seu principal adversário político.
Não é que não possa, apenas politicamente não me parece inteligente. Mas se calhar sou eu que estou analisar mal a situação. Também convenhamos, isto é matéria que não ensinam nos bancos de universidades privadas.

Segundo:
O timing de Mendes. Só comparável ao timing que entendeu ser o mais indicado para criticar o menino guerreiro.
Será que não consegue aguentar 48 horas?

No entanto, não se pense que estou a desculpar o pseudo Engenheiro e o seu usufruto, há altura, de algo que não tinha...

Alertado pelo blog Depois Falamos, por muito custe, a mim incluído, há algo que Mendes teve e que não há portal nenhum na Internet que o consiga desmentir, que foi um líder do partido com o nome de Pedro Santana Lopes.
Infelizmente, compreendo… Mas chegar ao ponto de o apagar do registo electrónico no portal do PSD...

Dulce Alves disse...

Também sou da opinião de que esta never-ending-story do pseudo Eng. já está na altura de ter um final...
O dito Sr. não me convenceu, nem de longe nem de perto, com as suas habilidades retóricas na entrevista de 4a feira.
Mas já se percebeu que 'martelar' mais neste assunto não nos levará muito longe.

No entanto, não me pareceu de todo descabida a sugestão do Dr. Marques Mendes... Tal como ele disse, "quem não deve, não teme".

Considero, por isso, que o apuramento da verdade é o desejável para todos os portugueses.
E ainda mais para o próprio Sócrates, que só teria a ganhar se se viesse a apurar que o seu percurso académico foi regular e transparente... ou que não sendo, esse facto não lhe pode ser imputável, mas sim à administração da Independente.

E se o próprio garantiu que esta novela não o afectou no trabalho governamental, nem corremos o tal risco de "distracção dos problemas essenciais"... certo? ...

Luis Cirilo disse...

A minha opinião sobre a liderança de M.Mendes é conhecida e portanto não vale a pena estar a repisar o assunto.
É um tremendo erro de casting,parágrafo.
Apenas duas notas:
Em primeiro lugar para dizer que não é caso virgem esta atitude de Mendes lançar suspeitas sobre o carácter de adversários politicos.
Já em 2000/2001,no ambito de lutas internas no PSD,tinha feito desagradibilissimas declaraçoes sobre Durão Barroso.
Guardo religiosamente alguns recortes de jornais desses tempo.
Claro que em relação a Sócrates a posição que tomou foi um monumental erro politico.
Como o fórum TSF do dia seguinte exuberantemente provou.
Em segundo lugar também não estou nada convencido pelas declarações de Sócrates.
Continuo a a char que há muita incongruência,muita coisa mal explicada,muita explicação que não bate certo.
Mas como disseram Luis Filipe Menezes,Dias Loureiro,Duarte Lima ou Santana Lopes é tempo de se deixar de falar deste caso a nivel de agentes ´politicos.Porque enquanto se fala disto não se questiona a governação,distrai-se a atenção dos erros do governo e,em ultima analise,está-se a fazer o jogo do PS.
Vamos discutir politica.
Porque da investigação se encarregarão,seguramente,os meios de comunicação social acicatados pela inabilidade dos assessores de imprensa de Sócrates.
E se aparecerem novos dados,o que me parece inevitável,´haverá sempre tempo de os politocs voltarem ao assunto.

Sara Brito disse...

Só para reforçar, ou talvez não :p, pergunto-me: o PM anuncia, após a polémica, uma comparticipação aos velhotes, coitadinhos, de cobaia à propaganda, nos óculos e próteses dentárias que estes precisem.
Vai-se lá saber porquê é anunciada esta medida e a oposição nada diz, nada opõe: mau! Em vez de andarmos a falar do diploma (ou não) do dito engenheiro, a questão do apoio à 3ª idade é bem mais importante. Já alguém viu os "MAS" que a comparticipação tem? os velhotes acabam por morrer sem nada receberem e ao invés, somente o PM esfrega as mãos porque, no final das contas, andam os outros a tentar tirar-lhe credibilidade e ele preocupado a resolver os problemas dos velhinhos :s

Gonçalo Capitão disse...

Luis

O problema do PSD é que, por alguma razão, as alternativas não "colam à estrada".

Sei que há problemas com quotas, mas não sei se explicam tudo.

Como vês a permanência do mendismo?
Segurar lugares? Fazer dinheiro, enquanto se não volta ao Governo?

A grande questão é que, como sabes (invocaste mesmo Deng Xiaoping), o próprio dr. Menezes terá que aliar-se a alguns dos responsáveis pela débacle de 2005 e pelo mendismo...

Só assim interpreto (espero estar certo) a tua simpatia para com o percurso do dr. Santana, pelo menos, em certa medida...

Tudo isto te digo com respeitosa amizade.

Rui Miguel Ribeiro disse...

1- Sócrates terá melhorado a situação, mas não convenceu. O timing foi muito tardio e a explicação descabida. O seu trajecto académico é tudo menos exemplar e ainda menos transparente.
2- É óbvio que, enquanto não houver dados novos, uma oposição inteligente e avisada assiste de palanque ao desgaste do PM, sem meter as mãos na porcaria.
3- Na minha modesta opinião, um dos problemas estruturais do PSD, é que muda o líder, altera-se o "ismo", mas grande parte da "tralha" permanece.
4- Isto não significa fazer algum progrom, nem excluir ninguém. Significa que não se pode ser o nº 3 de Deus um dia e ser o nº 2 ou nº 4 do diabo no dia seguinte. Enquanto não houver um líder que tenha a coragem de romper o cancro dos cromos repetidos, o partido vai ser e vai ser encarado fundamentalmente como more of the same com uma cara diferente.

Luis Cirilo disse...

Caro Gonçalo:
Os comentários ao teu post dariam,por si só,uma enorme postagem.Mas vou tentar ser sintéctico.
Começo por te dizer que não sei o que é o "mendismo" para além da meia dúzia de fieis que acompanharam Mendes nos ultimos anos.
Vejo com ele,isso sim,gente que apoiou entusiasticamente todos os lideres desde,pelo menos,Cavaco Silva.
Ainda que isso significasse combater ferozmente Marques Mendes como alguns deles fizeram.
Se olhares para as CPN de Barroso e Santana perceberás bem o que te estou a dizer.
Por isso uma liderança assente em apoios de ocasião e não de convicção não me parece particularmente sólida,agregadora e entusiasmante para quêm vê de fora.
Por outro lado,Mendes ganhou em Pombal por curta diferença e o mais elementar bom senso,para além do próprio interesse do partido,pressuporia uma aproximação á outra parte e a construção de sinergias que permitissem fortalecer a unidade interna e credibilizar a imagem externa.
A opção,óbviamente legitima,foi precisamente o contrário.
Fracturar e impedir que existissem condições para a tal unidade.
Sei do que falo !
Alternativas ?
O caminho faz-se andando e em relação á "alternativa" que conheço (aliás unica fora da espuma noticiosa)garanto-te que se tem andado muito.
Não há impaciência pelos resultados porque os jogos ganham-se no fim,não na pré temporada.
Ai adquire-se a forma,a resistência,os automatismos,ensaiam-se lances de bola parada e de jogo corrido e tudo isso está a ser feito.
Claro que as cotas são um problema,claro que o absurdo regulamento financeiro é outro problema,claro que quando se transfere para a secretaria o jogo que devia ser disputado no terreno,é outro problema ainda.
Porque os partidos fizeram-se para intervir politicamente não jurisdicionalmente ou administrativamente.
E isto é mais um sinal de fraqueza da actual liderança.
Quem está seguro do caminho trilhado não vai pela via das cotas tentar influenciar o resultado final.
Quanto ás alianças: as directas,em boa parte,permitem uma relação proxima entre candidatos e militantes ultrapassando os sindicatos de vo tipicos dos congressos.
O Dr Menezes deu a cara pelos nossos governos,foi cabeça de lista em Braga numa candidatura dificil,não tem problemas de convivência com aqueles que acima de tudo sempre puseram o PSD.
Ainda que pensando de forma diferente da dele.
Sabes bem que nunca fui santanista,nem virei a ser seguramente,mas sei,como tu,que Santana foi eleito lider do PSD com uma enorme maioria (e sem adversário,onde andava Mendes na altura ? ) e com reduzidissimas vozes dissonantes.
Respondo á questão anterior dizendo que o próprio Mendes se calou muito caladinho a a partir de certa altura para garantir que voltava aser deputado por Aveiro e estar em posição para,se aconrtecesse o que aconteceu,poder fazer o que fez !
Por isso termino,porque o comentario ja vai longo,dizendo o seguinte:
No tempo de Barroso usamos um slogan "Somos todos Portugal" que me pareceu particularmente feliz.
Penso que depois de terminado este hiato,devemos adoptar um "Somos Todos PSD" para tentarmos evitar,com uma nova liderança,aquilo que muitos apontam como inevitável e que é a vitória do PS em 2009.
Sem ingenuidades,mas com a abragência possivel.

Gonçalo Capitão disse...

Acho a expressão do Rui Miguel - "cromos repetidos" - genial e eloquente...

O meu problema é perceber como se romperá com este anátema...

Quanto à ideia de Marques Mendes se ter calado na contestação a Santana Lopes para renovar o lugar de deputado por Aveiro, confesso que também já me tinha ocorrido. Mas pergunto-te, Luís: a responsabilidade não é de Pedro Santana Lopes? Sendo corajoso, e se achasse que Mendes é tão banal assim, deveria ter assumido que não o convidava.

Bem sei que não tenho a notoriedade ou a capacidade de Marques Mendes, mas o dr. Santana correu comigo sem remorsos (relembro que, inicialmente, nem na lista estava), escusando os seus defensores de insinuar que foi por não ter tido apoio da concelhia... Sabemos que não foi por nada disso.
Aliás, tu e o Rui Miguel também acabaram fora do plantel, injustamente, na minha opinião.

O que quero dizer era que, se tivesse coragem, Santana podia ter clarificado águas. Ou será tudo a mesma "fruta"?

Rui Miguel Ribeiro disse...

Gonçalo: Relativamente às listas de 2005, Santana Lopes cometeu um erro crasso e, algo que não esperaria nele, uma deslealdade: não retribuiu a solidariedade e apoio inexcedíveis que recebeu do Grupo Parlamentar do PSD e que ele próprio reconheceu e agradeceu na Ceia de Natal na AR. Mas na hora de demonstrar essa gratidão e de retribuir a lealdade, falhou em toda a linha e só perdeu com isso.
Não obstante, acho que ele e o Mendes estão longe de ser a amesma coisa.

Luis Cirilo disse...

Penso que o ultimo post do Rui Miguel responde bem á tua pergunta sobre as responsabilidades do Santana nas listas de deputados.
Embora o "pecado original" tenha sido de Barroso com a mania da abrangência total !
A ele deu-lhe gozo,nao duvido,mas comprometeu os que fizeram guerras por ele.
Por exemplo no distrito de Braga.
Santana incorreu no mesmo erro.
Por falta de coragem seguramente,mas também fruto de alguns maus conselheiros que o rodeavam.
Também essa história se fará um dia.Desde a dissolução do Parlamento até ao congresso de Pombal.
E veja-se o que fez Mendes com Santana para perceber que são de facto bem diferentes.