quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Coitado de quem cai numa cama de hospital...

No seu 2.ºdia de férias, o meu pai sentiu-se mal, no 4.ºdia deu entrada no Hospital de Guimarães (Alto Ave) e começaram as 3semanas mais longas da minha vida.

Capitulo I - Os cirurgiões e a equipa da medicina não estavam de acordo sobre o diagnóstico e o meu pai é sujeito a uma cirurgia de exploração, da qual resultou uma colcistite aguda e apendicite. A equipa da medicina tinha razão.
Apesar de ser um doente cardíaco, tem alta 3dias depois.

Capítulo II - No dia em que recebe a alta, a sutura começa a infectar. 2 dias depois o meu pai vai ao hospital fazer o penso e a sutura continua infectada, apesar do gelo e do antibiótico. Feito o penso, é mandado para casa pálido e febril. Na viagem volta a sentir-se mal, no dia seguinte melhora, dois dias depois volta ao hospital para fazer novo penso. A minha mãe reclama que ele tem febre, que lhe parece muito cansado e depois de muito insistir acedem a fazer-lhe exames e
descobrem que teve um enfarte do miocárdio no dia em que veio de fazer o penso. Fica internado novamente.

Capítulo III - No dia seguinte vai para Vila Nova de Gaia fazer cateterisma, corrigem duas artérias obstruídas a 100% e fica uma obstruída em 99% para fazer noutro dia. Nesse dia não lhe fizeram o penso, no dia seguinte já exausta de tanto reclamar e desesperada com a febre e o mau aspecto da cicatriz, a minha mãe volta a pedir que seja examinada a sutura. Depois de muito reclamar fizeram-lhe a vontade e enviam o meu pai para a ecografia. A técnica diz que existe uma mancha estranha e pede tomografia para clarificar. O cirurgião discorda e diz que a técnica está errada e não existe nada e que vai ter alta no dia seguinte.
Mais uma vez a minha mãe volta a insistir e pede a uma segunda equipa de cirurgia uma segunda opinião. A segunda opinião revela-se acertada: um abcesso resultante da infecção. Levou duas unidades de sangue, porque estava muito debilitado e quando retiraram o abcesso saiu cerca de 60cm3 de lixo que estavam a destruir tudo por dentro. Isto significa apenas que se a minha mãe não fosse uma enfermeira competente o meu pai teria morrido de septicémia!!!

Considerações finais - durante estas semanas no hospital assisti a incompetência, negligência, arrogância e falta de consideração por um doente, quer da parte médica, quer da parte de enfermagem, até das funcionárias da limpeza e da segurança. Sei de facto que o meu pai teve azar, mas alguma sorte no meio deste azar. Sei de facto que a minha mãe lhe salvou a vida porque era a única pessoa que se importava com ele, porque é da área e os conhecimentos que tem lhe permitiram ver mais que um cirurgião e uma equipa inteira de cirurgia.
O que é mais estranho é que o meu pai é médico, trabalhou a vida inteira neste hospital acreditado e no momento em que ficou doente teve um tratamento superior ao de qualquer outra pessoa. Qualquer outra pessoa certamente teria morrido.
É assim o sistema de saúde, poupança a qualquer custo, o que contam são os números de cirurgias que se fazem (mas para isso o doente tem de ter alta rapidamente) e alguns bons profissionais que até esquecemos que existem por tantos negligentes e incompetentes que se cruzam no nosso caminho. Quem está doente não se queixa, porque precisa e porque sabe que se houver um processo todos se encobrem. Felizmente ainda temos liberdade de expressão e Blogs amigos onde manifestar a nossa indignação.
Coitado de quem cai numa cama do Hospital do Alto Ave, acreditado pela sua qualidade...

4 comentários:

Ricardo Cândido disse...

Relato alarmante este, Marta.
Força e um Abraço de melhoras ao teu Pai.
Bjs

Rachie disse...

As melhoras do seu Pai.
A minha avó n teve tanta sorte.
Ficou internada e teve de remover mto do tecido morto sem anestesia, todos os dias durante um mês.
Os diabetes subiram, e muito, e isso trouxe implicações para o sistema nervoso central, afectando-lhe as pernas...
E tudo devida a uma cambada de incompetentes no reputado IPO de Lisboa.

Rachie disse...

Votos de rápidas melhoras!

Marta Rocha disse...

Obrigada Ricardo e Rachie. A saga continua, mas cansada que estou de pensar e remoer esta série de incidentes, não consigo escrever sobre o assunto. Espero que esteja a terminar e que a alta seja célere e acertada.
Concluo apenas isto: há médicos que estudaram, estudam e se aperfeiçoam e há outros que se limitaram a copiar... Dos que estudaram e exercem com mérito a profissão destaco dois, cardiologistas do meu pai: Dr. Vitor Sanfins e Drª.Filipa. Certamente haverá muitos mais, inclusive o nosso Dr. Milk. :)

Mas temo que se não partir dos próprios médicos exigir competência dos colegas, todos continuarão a pagar pelos erros de muitos.