segunda-feira, 23 de maio de 2011

As coisas que eu não entendo

Numa altura em que o Mundo, em geral, e o País, em particular, parecem esvair-se em desgraças e pessimismo, assumo a minha incapacidade cognitiva global e tento, pelo menos, compreender partes do triste fado que nos envolve. Mesmo assim, creio que sou mal sucedido…


Desde logo, fala-se na nossa campanha (algo que gostaria de poder comentar com outro detalhe) de aumento de impostos do IVA ao IMI (o que nos restará, ao fim do mês?!), há algo que nunca entendi: por que é que os gestores das grandes empresas – mormente as de capitais maioritariamente públicos ou onde haja a famigerada golden share – ganham prémios colossais, no fim de cada exercício??? Não é o vencimento a justa compensação pelo seu empenho?!


O argumento mais clássico é: “se não são bem remunerados, vão para o sector privado ou mesmo para o estrangeiro”.


Apetece dizer: boa viagem! As nossas universidade injectam no mercado, anualmente, jovens licenciados e mestres bem mais actualizados e até qualificados do que muitos dos gestores que, há anos, pulam de cadeira em cadeira e de empresa em empresa. Não há homens providenciais!...


Depois, há outra coisa que me tolda a inteligência; não entendo a razão pela qual se fala de perigo para a subsistência de, por exemplo, o Sistema Nacional de Saúde. Ou me deu ataque de lirismo, ou me parou o cérebro, mas diria que muito se conseguiria com uma articulação com o fisco que permitisse escalonar o pagamento nos nossos excelentes hospitais públicos (quem viva fora de Portugal, em muitos países, aprende a tirar o chapéu ao nosso serviço público). É impensável que uma semana de internamento continue a custar sessenta euros para o pobre, o remediado, o desafogado ou o rico.


Por fim, uma interrogação mais filosófica: todos os partidos oscilam entre mais e menos impostos, renegociar ou não renegociar a dívida, mais ou menos Estado e daí por diante... Quase quarenta anos depois da Revolução que o próprio Otelo (esse mesmo, o amnistiado!) admitiu poder renegar, fica por perceber o que queremos ser enquanto pátria e enquanto Nação. A cada acto eleitoral discutimos remendos e desvios de dez ou quinze graus (diferenças mínimas, portanto), mas não aparece uma liderança disposta não apenas a dizer a (sua) verdade, mas também a emocionar, motivar e conduzir o povo português para uma mudança de idiossincrasia, apontando o exemplo de outros povos que não precisaram de poços de petróleo para ter níveis de conforto elevados, e que não estão sempre de mão estendida para o Estado.


Admito que o defeito seja meu…

Economia de mercado

Pelos vistos, não é só a dívida soberana que oscila com o estado da economia...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Debate: PPC e JS - a conclusão

Acredito que muitos dos textos dos comentadores que analisarão o debate entre Sócrates e Passos Coelho de hoje à noite, já estão escritos.

Sem dúvidas, que são escritos por encomenda.

Se o PS ganhar as eleições (continua incrivelmente ainda hoje a ser uma hipótese), Sócrates tem de agradecer a muitos comentadores políticos aparentemente imparciais, mas que na realidade são mais tendenciosos para o PS que o Pinto da Costa para o FCP.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

Debate PPC e FL VI

FL também já lê teleponto??? O mundo está perdido.

Debate PPC e FL V

O Xico diz que a contribuição de 3 tardes de trabalho pela sociedade "desmotiva os desempregados". Pois é precisamente isso.

Debate PPC e FL IV

Louçã fala no seu radicalismo e associa a palavra sensatez na mesma frase. Falta um bocadinho assim para se reconciliar com o seu Querido Líder.

Debate PPC e FL III

PPC: "Segundo aspecto em que estamos de acordo..." Então pá?

Debate PPC e FL II

Tenho para mim que Judite de Sousa encolheu a barriga e fez beicinho quando disse "gorduras do Estado". E a gravata do Pedrocas faz pandam com o cenário. Estamos a melhorar na comunicação.

Debate PPC e FL

Já se abordou a Madeira. Agora é que o Tio Jardim vai arrasar as eleições. (note-se que a última sondagem Intercampos, que deu ontem vantagem de 0.7% ao PSD face ao PS abordava apenas Portugal Continental).

domingo, 8 de maio de 2011

No país do Fado

Que o país está em “estado de sítio” social e económico já se percebeu. Que as pessoas hoje vivem muito pior do que há 6 anos também já se notou. Que o Estado mesmo que queira não tem dinheiro para mandar cantar um cego ou para dar uma "moedinha" a um arrumador também. Que os políticos de hoje não geram confiança, creio que até os próprios já não têm grandes dúvidas!

E já toda a gente também percebeu que o nosso Primeiro é mitómano (inclusive os cerca de 35% que as sondagens dizem votar PS)! Só que, vá-se lá entender porquê, os portugueses têm a “triste” mania, qual Fado, de serem tolerantes para com aqueles que julgam estarem a ser aviltados publicamente.

O caso não é novo e temos histórico bem recente. Se virmos bem, apesar de várias negas pelo PSD em sucessivos congressos e da parte dos seus principais “notáveis”, o anterior Primeiro-Ministro também gozou dessa condescendência por parte de alguma imprensa e de parte significativa do eleitorado. Enquanto meio mundo se preocupava em dizer o pior do “menino guerreiro”, o outro meio idolatrava-o. Enquanto isso ele lá foi ganhando as Câmaras da Figueira da Foz, de Lisboa e seguiu-se a indigitação para S. Bento, até Jorge Sampaio resolver entregar os destinos da nação aos camaradas, dissolvendo uma AR com maioria parlamentar afecta ao Governo de então.

O nosso Primeiro não é um “fenómeno político”. Sá Carneiro foi, é e será; Soares é; Cavaco também; Cunhal vá-se lá entender, também teve o seu tempo e os seus seguidores. J. Sócrates é um espécime diferente, está na categoria dos “fenómenos de marketing”.

Os “fenómenos de marketing” sabem melhor do que ninguém aproveitar os erros dos adversários. Cheiram as oportunidades. Sabem repetir as mensagens e conseguem imprimi-las, nem que seja pela exaustão.

Veja-se por exemplo o repisar na inexperiência de Passos Coelho! Não há Socialista que não o tenha dito e/ou insinuado publicamente, falando nos riscos de colocar alguém inexperiente em S. Bento. Mas isto é puro “marketing político” e é uma imitação barata do que sucedeu, por exemplo nos Estados Unidos, com John MacCain e o seu estado-maior a tentaram passar a mesma mensagem sobre Obama (mas aqui não tiveram grande sucesso porque Obama e a sua máquina não brincavam em serviço).

Os tiros nos pés que o PSD tem dado também ajudam mas não explicam tudo. É certo que os marketeers do PSD (se é que eles existem) deviam ter alertado quem de direito há muito (e aqui não falo de PPC nem dos tão badalados notáveis, mas sim das segundas linhas) que todos falam a uma só voz e a mensagem é una.

Também não vai lá com o discurso dos independentes. Podem ser excelentes académicos, mas pelo que vi percebem muito pouco de política. Por muito interessante que seja colocá-los a discutir o estado do Estado, sempre que vieram para a praça pública fazerem-se aos Ministérios ou às Secretarias de Estado só fizeram com que o PSD perdesse votos. Acabaram por fazer pior a Passos Coelho que o próprio PS e Sócrates.

Convém também não esquecer a experiência política e comunicacional de Paulo Portas, que tem subido nas sondagens e não é à custa do BE nem do PCP.

Mas a comunicação social e alguns opinion makers também não estão incólumes. Não se pense que muita da aversão que há da parte de alguma imprensa e seus jornalistas a Sócrates ajuda a derrubá-lo, bem pelo contrário, apenas o vitimizam ainda mais.

Mas o que importa é perceber o que está em causa nas próximas eleições legislativas. É que a “malta” brinca às sondagens e aos votos e depois queixa-se do cinismo inerente a muita da actividade política e ao exacerbar da argumentação política e mediática. E aqui a culpa não é só dos políticos, mas sim da dimensão real do País.

"Como estamos, à distância de 30 dias das eleições ?"

"Copy Paste" de parte da súmula do Programa Eleitoral do PSD (pág. 2)

- O pior crescimento económico médio dos últimos 90 anos com divergência dos níveis de vida com a média europeia.

- A maior taxa de desemprego dos últimos 90 anos com quase 700.000 desempregados e mais de 300.000 desempregados de longa duração.

- O crescimento acelerado da despesa pública e do avolumar de encargos sobre as gerações futuras.

- A maior dívida pública, directa e indirecta, dos últimos 160 anos, tendo duplicado nos últimos 6 anos.

- A maior divida externa dos últimos 120 anos, tendo igualmente quase duplicado nos últimos 6 anos e sendo hoje quase 8 vezes maior do que as nossas exportações.

- As dívidas das famílias atingem cerca de 100% do PIB e 135% do Rendimento Disponível.

- As dívidas das empresas são equivalentes a 150% do PIB.

- Cerca de 50% do nosso endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado.

- Portugal está hoje no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis.

- A mais baixa taxa de poupança nacional bruta (privada e pública) dos últimos 50 anos, em queda continuada e muito afectada pelos défices públicos dos últimos 6 anos.

- A segunda maior vaga emigratória dos últimos 160 anos, saindo nesta fase do país pessoas qualificadas (a maior fuga de cérebros na zona da OCDE).

- O acentuar das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, pondo em causa a coesão nacional.

- Sistema de justiça num caos com 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis (em 1995, havia 630 mil).

- A pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia).

Votar PS, PSD, CDS ou mesmo BE e PCP é com cada um.
Agora, se resolverem brincar aos votos depois não se venham queixar.

sábado, 7 de maio de 2011

Entrevistas, mulheres e suspensórios


Eu sou muito curioso...se um dia se sentarem ao meu lado num avião vão enlouquer. Quem o diz é Larry King, o jornalista norte-americano que aterrou esta quarta-feira nas Conferências do Estoril '11.

Autor de 50 mil entrevistas, Larry King afirma nunca ter preparado as suas perguntas. Pelo menos desde o tempo em que, estava Larry a trabalhar num restaurante da Flórida, e entrevistava os clientes de improviso.

Graças ao estatuto de que goza, pode ignorar a epígrafe da conferência, O futuro da democracia face aos desafios globais, optando por falar sobre a sua experiência de vida. Durante uma hora partilhou com a plateia alguns momentos mais interessantes da sua carreira e do que resta de 25 anos de Larry King Live. Hoje, lamenta não estar no ar, ao assistir às contendas do mundo árabe, à catástrofe do Japão, ou ao assassinato de Bin Laden. -

Mário Crespo, o anfitrião, também falou de si e do estado das coisas por cá. Referenciou mesmo as alegadas pressões do governo sobre o seu noticiário, difundindo, em tempo de campanha, a doméstica asfixia democrática. Larry respondeu: consta-me que é difícil ser jornalista em Portugal.

Ainda assim, o jornalista a quem Arnold Shwazneger atribuiu uma efeméride (o Larry King Day, na Califórnia), disse ter sido muito bem recebido e que era um orgulho estar numa conferência destas. Declarações do senhor 50 mil entrevistas, no momento mais mediático das Conferências do Estoril '11.

Das Conferências do Estoril para o Mundo

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Aumento do IMI

Há muito que defendo uma alteração do modelo fiscal das autarquias locais.

O que hoje temos é uma elevada dependência das receitas por parte da construção e do imobiliário.

Em Coimbra, por exemplo, só o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e o IMT (Imposto Municipal Sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) representam cerca de 40% da receita efectiva! O que convenhamos, é uma enormidade.

Vem isto a propósito do Memorando de Entendimento com a Troika prever um aumento do IMI a partir de 2012.

Como a malta não é inocente nem ingénua, é fácil perceber que este aumento implicará uma nova diminuição das transferências do Orçamento de Estado.

Mas isto tem impactos que importa ter em conta, nomeadamente:

- É mais que provável que os bancos fiquem com mais "casinhas" nas mãos; ie, aumento do crédito mal parado;
- A cada vez maior dependência das autarquias locais com as receitas provenientes da construção e do imobiliário, que já representam a "fatia" maior do bolo;
- As assimetrias que isto irá causar nos concelhos onde haja pouca população e/ou construção. Diminuem as transferências mas não há a devida compensação do lado do imposto municipal.

Em teoria, concordo com o desincentivo para a compra de habitação própria de forma a reduzir o endividamento externo, mas tenhamos é noção do tudo isto implica.

Rodapés políticos

Ao voltar de uma breve incursão pela Índia “portuguesa” (Goa, Damão e Diu), ligo a televisão, leio as notícias na Internet, e assaltam-me a ideia algumas considerações dispersas que partilho com os leitores:

1 – O PSD fez uma excelente escolha em Coimbra. José Manuel Canavarro é um excelente cabeça de lista; tem experiência profissional, académica e política e é um homem de inegável craveira política. Não conhecendo o processo, atrevo-me a ver aqui uma vitória do PSD de Coimbra e de Marcelo Nuno, em particular. A manutenção de Pedro Saraiva é também de saudar, sendo mais um político daqueles que “valem a pena”, como também o é a de Paulo Mota Pinto, embora como “emigrante” (algo que também me sucedeu).

2 – Em condições de normalidade política, creio que nem os militantes do PS esperariam sondagens tão equilibradas. O desgaste normal do Governo e a crise que vivemos apontariam para uma valente “cabazada”. Todavia, as sondagens – cada vez mais exactas, tal qual os boletins metereológicos… - mostram um “xis” no totobola destas legislativas. Oxalá me engane, mas temo que o PSD venha a pagar o excesso de “aparelho” e do seu peso nas esferas dominantes.
Saí do Conselho Nacional do partido há já alguns anos, mas lembro-me do contraste entre as primeiras presenças (com pouco mais de 18 anos, pela JSD) e as últimas. Nas primeiras ouvia debates ideológicos entre figuras com pergaminhos; nas derradeiras tinha a sensação de estar numa homilia, ouvindo um coro de “ámen”, já sem algo que justificasse o título de “conselho”.
Creio que será um mal dos partidos portugueses e não antevejo melhoras. Espero bem é que não haja já “cientistas” e grupos da política laranja entretidos a conjecturar sobre um eventual insucesso de Passos Coelho.

3 – Goste-se ou não, José Sócrates é um caso de estudo da nossa política. Em situação que muito diriam complicada, dadas as situações pessoais e políticas com que se foi deparando, eis que aparece a disputar a eleição com uma força anímica e uma capacidade de comunicação que – repito, goste-se ou não – são notáveis.

4 - Enquanto os portugueses se distraem com a Liga Europa e se animam com o facto de os sacrifícios impostos pelo trio EU-FMI-BCE não serem os piores que se temeram, eu é que temo que nada aprendamos, enquanto povo, com esta crise…

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Ego!

Hoje fiquei estupefacto com o ego do nosso primeiro-ministro ao anunciar o acordo que fez com a Troika. Basicamente o que ele disse foi “depois de 3 semanas de reuniões e análises financeiras, a troika conclui que vamos aplicar o PEC IV”. Claro que esta foi a pior notícia da noite. Depois disso só se ouviram boas noticias:


“Ninguém será despedido. O 13º e o 14º mês são garantidos. Não se mexe na idade da reforma e nada será privatizado!” Enfim, tudo igual…


Para quem conhece José Sócrates já percebeu que o que ele diz hoje é muito provável que seja mentira amanhã (mesmo que seja dito em televisão).
Não percebo onde pára a austeridade. Sócrates sempre disse que com o FMI seria tudo muito pior.


Contas feitas, e na boca do nosso PM a tendência com a Troika é melhorar e sem grande esforço… ou seja, com o esforço previsto pelo governo socialista – o PEC IV!


Se assim é, então porque razão o FMI não entrou em Portugal mais cedo? Não teríamos poupado uns trocos valentes em juros?

NOTA: estou curioso para saber se hoje à noite por volta das 19:55h os testes de posicionamento do PM na sala da conferência de imprensa e das câmaras de televisão, foram feitos com o Teixeira dos Santos. Tenho quase a certeza que não foram, pois não encontro outro motivo para ele não ter testado uma “carita” melhor durante o discurso do seu grande amigo fiel Sócrates… “Oh Luis, desta vez falhaste pá!”


fotografia do site do expresso

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Big Telmo e a escolha democrática

Vá-se lá entender porquê, costumo acompanhar a elaboração das listas de candidatos a deputados pelos partidos em alturas de conclave legislativo, na expectativa de que é desta que tomaram juízo e que os méritos de competência e excelência irão finalmente impor-se.

Isto porque o assunto é sério e o que está em causa é tão só os representantes das comunidades locais (distritos) num palco de excelência e de decisão como é a AR, com implicações directas na vida das pessoas.

Como um tipo até gosta de sonhar, acredita-se no fim das chamadas "folhas de excel", compadrios ou então, como diz Pedro Passos Coelho no seu livro "Mudar", no término das "listas forjadas pelas direcções dos partidos, onde ascendem os mais consonantes com elas, escolhidos muitas vezes em grande dissonância com as comunidades locais e, depois de eleitos, distantes ou mesmo alheios aos seus interesses mais candentes".

Já nos habituámos também aos epítetos típicos da época, ao “"filho de..."; "amigo de..."; "marido ou mulher de..."; "tem os votos de..." e congéneres!

Mas estas eleições ficam marcadas por um novo cognome. Infelizmente não é o de “deputado, o desejado ou o venturoso” mas sim, dado que o mundo efectivamente mudou, o de “ex-concorrente de um reality show”.

A denominação aqui dada é abrangente e não restrita. Digo "reality show" e não "bigbrother”. Isto porque não se admirem que comecemos a assistir à luta partidária pelos “passes” dos "mediáticos": ex-acorrentados; ex-peso pesados; ex-belas e mestres, ex-ídolos ou afins, transformando a nossa AR no circo das celebridades ou num grande casamento de sonho.

Mas uma coisa parece para já ser certa e desenganem-se aqueles que pensam que o candidato Telmo não percebe de política! Já nos tempos de concorrente do famigerado concurso ele demonstrava conhecimentos sólidos sobre ciência política, basta atentar sobre esta frase que o imortalizou mediaticamente: "Uma pessoa vira-se para um lado e se for preciso desvira-se".

Pena que perante tamanha erudição não vá em lugar elegível, senão ainda víamos a TVI em apuros e o Canal Parlamento a liderar audiências.
Como podem ver, nem tudo é assim tão mau...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Transiberiano VI – Yekaterinburg

Chegou hoje a altura de partilhar algumas notas de viagem sobre Yekaterinburgo, terra mais conhecida, nos dias que correm, por ter sido aquela que assistiu ao encarceramento e assassinato do último Czar, Nicolau II, e sua família.


Antes de irmos ao tema, comecemos, porém, por dizer que falamos da capital da região dos Urais que, dada a indústria ligada à Defesa aí situada, foi considerada “cidade fechada” pelos dirigentes soviéticos, até 1991. Aliás, os mesmos camaradas, mudaram o seu nome, de 1924 até 1991, para Sverdlovsk (de Yakov Sverdlov, homem de confiança de Lenine).


A partir de 1970, com a ascenção de Boris Ieltsin a chefe regional do Partido Comunista, muito do que era a cidade foi arrasado, incluindo a Casa Ipatyeva (onde os Romanov estiveram detidos e em cuja cave foram fuzilados, incluindo a Princesa Anastasia, ao contrário de mitos que circularam), por receio de que se tornasse local de culto. Acrescente-se, no entanto, que as teses mais benignas dizem que a ordem para a demolição veio, directamente, de Moscovo…


Como distracções, para além de, por exemplo, um excelente Museu de Artes (onde pontifica o magnífico pavilhão oriental em aço produzido pela industria local, e que foi galardoado na Exposição Universal de Paris, em 1900),




a Ópera da cidade providencia excelentes espectáculos de ópera, música clássica e ballet (foi a um destes que pudémos assistir).








Todavia, como seria de esperar, a cidade, que, no seu todo, é desfigurada por muitas chaminés de fábricas



e por excessos próprios do construtivismo, gira em torno da família imperial. Assim, no local onde se situava a famigerada casa, ergue-se um imponente igreja (Igreja do Sangue),





que a mais de uma estátua e duas cruzes evocativas do assassinato,




presta tributo aos novos santos da Rússia com aquele que se diz ser o mais caro ícone do País.




De relevo é também o Mosteiro dos Mártires Sagrados, em Ganina Yama, erigido pela Igreja Ortodoxa, no sítio para onde os corpos dos Romanov foram transportados.




O poço de mina onde os mesmos foram depositados e incinerados é hoje um lugar sagrado, assinalado com uma cruz, à volta da qual se circula (tal qual como no mausoléu de Lenine, numa estranha coincidência…).





Mas há mais!... Vários obeliscos assinalam a fronteira entre a Europa e a Ásia. O mais recente (e mais turístico) fica a 17 km da cidade, junto à auto-estrada,



e o mais antigo (século XIX) a cerca de 40km.




A visita combinada tem a sua graça, havendo agências turísticas que providenciam diplomas certificadores da sua presença.



A própria estação ferroviária tem duas enormes salas de espera, que vale a pena visitar pelos murais que ilustram a história da cidade e redondezas,




com destaque para o que mostra o piloto americano Gary Powers a descer de pára-quedas, depois de o seu avião ter sido abatido por um míssil soviético, em 1960. Se me não engano, são pedaços deste avião que pode ver no Museu Militar local e no de Moscovo...



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Corajoso!

Numa altura em que muito se diz que a classe política cada vez mais de afasta daqueles que representa, António Costa foge a essa tendência e tomou medidas no sentido de se aproximar da população lisboeta, transferindo o seu recatado gabinete dos Paços do Concelho para a problemática zona do Intendente. Uma atitude louvável (e corajosa!), tendo em conta que a degradação do bairro e os seus conhecidos problemas de droga, crime e prostituição, que finalmente merecem uma dedicação especial. O objectivo, segundo o edil alfacinha, é a proximidade com o trabalho social de fundo que quer levar a cabo para pôr ponto final à má fama de que goza o bairro e revitalizar a sua imagem. Oxalá tenha sucesso!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quiseram tocar o Fado por nós


PORTUGAL’S plea for help with its debts from the International Monetary Fund and the European Union last week should be a warning to democracies everywhere. The crisis that began with the bailouts of Greece and Ireland last year has taken an ugly turn. However, this third national request for a bailout is not really about debt. (...)

A ler, aqui

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Nobre no PSD


Continua a causar polémica a candidatura de Fernando Nobre à Assembleia da República, como cabeça de lista do PSD no Círculo de Lisboa. Ao contrário do que muitos possam pensar, a aceitação do ex-candidato presidencial não é assim tão surpreendente. Em mais que um acto eleitoral anterior, Nobre demonstrou que, sob o rótulo moralista de independente, é possível apoiar partidos da esquerda à direita (entenda-se o BE, o PS e o PSD).

Com isto, Pedro Passos Coelho contraria as críticas que pairam sobre a sua direcção, alegadamente escrava do aparelho - Nobre não participou no processo de angariação de votos interno, nem acompanhou o actual líder do PSD no roteiro da carne assada; além disso é um homem dedicado à causa da ajuda humanitária e este espírito aberto do PSD só lhe fica bem.

Vejamos: não haveria mal nenhum em que o ex-candidato presidencial aceitasse integrar a lista, mas fazê-lo depois de ter jurado que nunca aceitaria um ingresso partidário (ao mesmo tempo que protagonizava violentas críticas à partidocracia portuguesa) e sem consultar nenhum dos seus apoiantes mais próximos a Belém, revela uma lamentável falta de carácter.

Dito isto, o anúncio de que Nobre será investido na segunda figura da Nação, caso o PSD tenha a maioria, também significa correr um risco. O ex-candidato a Belém poderá aprender com facilidade as figuras regimentais de que dispõe o Presidente da Assembleia da República, mesmo sem nunca ter sido Deputado; pelo contrário, dificilmente limpará a nódoa do seu contorcionismo político.

À atenção dos contribuintes checos

Será que não lhe ocorreu a hipótese de estar a ser filmado?

terça-feira, 12 de abril de 2011

Iuri Gagarin e os 50 anos da Conquista do Espaço




[clicar sobre as imagens para ampliar]

Hoje as notícias dão-nos conta da efeméride que se assinala - os 50 anos do primeiro voo espacial, com Iuri Gagarin ao comando - e nem o motor de busca Google se esqueceu da data, assinalando-a com uma imagem animada alusiva ao acontecimento. E se esta celebração faz sentido em qualquer parte do Mundo, imagine-se a importância que não tem para o povo que o viu como um herói da União Soviética. Claro está que quando pisámos o solo russo em Janeiro passado nos deparámos com várias alusões ao ano comemorativo dessa viagem histórica. Uma das formas de assinalar a data foi através das esculturas de gelo, uma atracção em todas as cidades russas na época natalícia, que atrai miúdos e graúdos. A cidade de Yekaterinburg não foi excepção e por lá deparámos-nos com várias estátuas a lembrar Yuri Gagarin e o seu feito.

Estou senil...

Realmente, devo ser muito estúpido ou cada vez mais, ao contrário, confirmo a ideia de um tio meu que me disse que não tenho jeito para a política...
Vem isto a propósito de ainda se discutir se o encontro entre Sócrates e Passos Coelho foi telefónico ou presencial (parece que prevalece esta opção); embora compreendendo a questão subjacente, falha-me a inteligência para perceber por que discutimos isto, quando somos o único país da UE cuja economia vai regredir em 2012...
Bendito exílio!...