quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Falar em grande

"O Diabo passou ontem por aqui, este lugar ainda cheira a enxofre".
Hugo Chavez sobre George W. Bush, na Assembleia Geral da ONU.
Fonte: edição on-line do DN (hoje).

16 comentários:

Rui Miguel Ribeiro disse...

Mais um que devia estar internado e metido numa camisa de forças. Não lhe auguro (nem lhe desejo) grande fim.

Rui Miguel Ribeiro disse...

Também poderia estar a falar do Ahmadinejad!!!
E se alguém disser algo de semelhante amanhã, estará a referir-se a:
a) Hugo Chávez
b) José Sócrates
c) ao Demo propriamente dito?

Helder Baptista disse...

Bem... Penso que Hugo Chávez é um ditador à maneira antiga, e que pretende combater a todo o custo George Bush. É pena que estes conflitos de poderosos entre América do Norte e América do Sul não terminem de uma forma pacífica...
Sou adepto convicto da Cultura Americana, e apesar de constantemente a criticarem... todo o mundo ocidental é influenciado e vai comungar nas políticas económicas deste país.
Quanto ao facto do Rui colocar numa mesma hipótese o nosso PM (José Sócrates) não concordo, uma vez que têm sido apresentadas boas políticas em Portugal... sei que poderia ser melhor, mas ele tomou a iniciativa. Tenho pena que tenha andado um grupo de pessoas a lutar pela vitória de um grande partido (PSD)para depois ser utilizado para servir a vontade de um homem.
Vejam as sondagens que pela primeira vez na história não subimos a barreira dos 25% numa altura em que o governo esta a tomar as medidas mais impopulares!!!

Luis Cirilo disse...

Eu já não tinha grande opinião deste sujeito,mas depois dos elogios que Mario Soares lhe fez recentemente no "Prós e Contras " percebi que era um caso perdido.
Hoje do mais vulgar idiota ao presidente de uma grande nação como a Venezuela (também ele um idiota) dizer mal da América e de George W Bush é o que está a dar.
Na Europa,embora com outra sofisticação,também há muito disso.
Claro que quando as castanhas chegam ao lume,como em 14-18 ou 39-45,tem de ser os americanos a virem apagar os incêndios.`´E a velha questão do combate ao terrorismo: com palavras todos o combatem,onde tem de haver perda de vidas lá vão os americanos eo singleses á cabeça.
São as hipocrisias dos tempos que correm.
Por isso fui,sou e serei sempre pró americano.
Com w.Bush,com Clinton,com bush,com Reagan,com Carter,Com ford,com Nixon,com Johnson,com Kennedy,com Eisenhower.
Ou seja com todos os presidentes desde o actual até ao que presidia no tempo remoto em que nasci.
Porque gostando mais de um ou de outro,como é normal,todos encarnam os valores profundos da democracia americana.
De que gosto muito !

Helder Baptista disse...

Caro Luis,

Partilho na integra da sua posição para com os EUA... fico contente por em Portugal mais pessoas deixarem a hipocrisia de lado e realmente estejam do lado da razão, da história e dos bons argumentos.
Como diz, foi a América que foi apagar o fogona Europa, nomeadamente na Alemanha que passou perante uma grande humilhação perante os franceses (devido as pesadas indemizações que tiveram de pagar, e depois ainda existem "iluminados" que diziam que a Alemanha estaria contra os EUA.

Rui Miguel Ribeiro disse...

Hélder: o meu 2º post era uma piada. Nunca colocaria o José Sócrates no mesmo saco que o Chávez ou ou o Ahmadinejad.
Quanto aos EUA e ao Reino Unido, subscrevo o Luís a 100%.
Só uma nota quanto às humilhações: a Alemanha pode ter sido humilhada em Versailles, mas a vingança serve-se fria - veio a 14 de Junho de 1940 quando a Wehrmacht marchou pelos Champs Elysées e passou sob o Arco do Triunfo. Isto não significa, como é óbvio, que o regime alemão da época não fosse abominável.

Luis Cirilo disse...

Caros Helder e Rui (Desculpa la Gonçalo mas tomamos de assalto, numa autentica "blitzkrieg", o vosso blog): pelo que leio parece que partilhamos de uma "simpatia" comum pelo mais "abjecto" dos povos da Europa que são os franceses !
Desde Napoleão (e curiosamente não gostavam dele,era o ..."corso") que não ganham uma unica guerra.
As duas guerras mundiais,a indochina,a argélia,sempre a levarem no corpo e sempre com umas peneiras do tamanho do mundo.
Narra a história a birra do francês mais tipico de França (Charles de Gaulle) a proposito da entrada dos Aliados em Paris em 1944.
Os americanos e ingleses tinham desembarcado na Normandia,avançaram até Paris a duras penas,com uma participação quase simbólica dos franceses,mas na hora dos louros,qual Laurentino Dias ,lá apareceram de fato novo e cabelinho bem penteado a exigirem lugar na primeira fila.
É por isso que não deixo de achar alguma piada a todos estes incidentes ,nos suburbios de Paris, com arabes e descenfdentes de arabes.
Os franceses,reis do politicamente correcto e desde De Gaulle (vá-se lá saber porque) lideres do anti americanismo na Europa Ocidental,vão ser os primeiros a ter de resolver o problema do fundamentalismo islâmico dentro de portas.
E como não imagino Chirac a resolver o problema ,á "Zidane" ,frente a Ahmadinejad,haverá sempre uma 82ª divisão aerotransportada para lhes vir tirar as castanhas do lume quando for preciso.
E vai ser preciso !

Gonçalo Capitão disse...

Luís, Rui e Helder:

Antes de mais, agradeço o interessantíssimo debate que geraram neste post, que, já em si, é uma homenagem ao espírito que queriamos no "lodo".

Depois, uma anotação: não sei se repararam, mas, um dia depois, Chavez foi dar dinheiro dos lucros do petróleo aos pobres de Nova Iorque. Na altura, comparou Bush a John Wayne e chamou-lhe "alcóolico" e "doente" (mental).

Chavez sabe bem o que está a fazer com a sua "revolução bolivariana", mas (contra a sua vontade, acredito)acabou por provar o inverso do que pretende: demonstrou a superioridade da democracia e da cultura da liberdade.

Que aconteceria se um presidente de um Estado menos poderoso decidisse enxovalhar o chefe de estado da Venezuela, em casa deste?

É inspirador ver a sobriedade com que os americanos acolhem, mesmo fora do edifício da ONU, quem os preza e quem os odeia.

É nestas alturas que reconfirmo a noção de que há aliados que, mesmo quando erram, não podem ser abandonados...

Cunilingus disse...

Meus amigos ninguém faz, ou fez, favores a ninguém. Os americanos enriqueceram com a segunda guerra, defenderam e continuam a defender os seus interesses estratégicos, económicos, políticos e militares (coloquei aqui os políticos e os militares só para disfarçar). A mesma coisa acontece com qualquer outro povo que não passe a vida a olhar para os pés e que tenha capacidade para o fazer. Os ingleses não fazem favores aos Americanos, os alemães também não os fazem aos franceses e até aposto que se o Hugo (chávez) tivesse no lugar do George (bush) faria pior...(eu sei, é preciso alguma imaginação). A grande questão é: Se todos ganham, o que é que Portugal pode ganhar? É que nestas coisas não há inocentes, ninguém quer ouvir o que é correcto, apenas querem convencer o resto do mundo que a maneira que defendem para enriquecer o seu país é a mais justa.
Eu sei que pode ser politicamente incorrecto dizer que a preocupação que o Governo deve ter é pensar nos interesses económicos de Portugal e só depois nos gajos que estão presos em Guantanamo, ou em quem tem razão na guerra do Líbano. Até entendo a cruzada do Carlos Coelho por causa dos aviões da CIA se o objectivo for o de exigir uma compensação financeira monstruosa, pelos danos morais que isso provoca no Sr. João Barnabé que guarda cabras em Pedrogão Grande.
Decidam o que decidirem, apoiem quem apoiarem, não podem é deixar de trazer algo em troca, seja investimento, ou uns pocitos de petróleo. Façam como os ingleses nos fizeram em 1808, “Epá, nós mandamos tropas e bebemos o vosso vinho, mas vocês compram-nos botas de patinagem no gelo para venderem no Brasil”. Meus caros esta é um história muito antiga em que perde quem se esquece de defender os seus!

Gonçalo Capitão disse...

Mesmo com a consistente argumentação anterior, continuo a não perfilhar o relativismo ético e o pragmatismo exacerbado.

Luis Cirilo disse...

Acho a argumentação de cunilingus muito interessante,do ponto de vista retórico é certo,mas a que falta a finalização.
Um pouco como á Briosa,ao Vitória,ao SLB e a outros.
E é precisamente pela questão da II Guerra Mundial que entendo que falha a finalização.
Porque sendo certo que na "realpolitik" ninguém faz favores a ninguém,e que os objectivos estratégicos comadam as decisoes politicas,a verdade é que não fora a intervenção america (á custa de milhares de vidas convém não esquecer)e Hitler provavelmente teria ganho a II guerra mundial e estendido a toda a Europa o seu cotejo de horrores.
Abençoados interesses estratégicoa americanos quando comparados com a alternativa !
Aliás,e para concluir,se quisermos comparar a Europa salva pelos americanos com a Europa "salva" pela Uniao Soviética...

Gonçalo Capitão disse...

É bem verdade, Luís.
Aliás, desde o presidente Woodrow Wilson que os EUA acreditam mesmo na cultura da liberdade e nas vantagens da democracia como algo de exportável.
Um pouco de estudo da História mostrará que, muito para além da retórica e dos interesses económicos, há algo de doutrinário em muitas das acções geopolíticas norte-americanas.
Mesmo quando sai asneira, a ideia base, regra geral, existe e é aceitável.

Cunilingus disse...

Só para finalizar:
Não se coloca em cima da mesa a opção entre os americanos e os alemães. Não se trata de defender se uma estratégia é melhor que a outra. Não nos confundamos, aquilo que é essencial é termos a noção que nenhum deles está preocupado com o nosso bem-estar, ou por outra, quando está é para garantirem o bem deles.
Eu fui um defensor da tomada de posição de Portugal ao lado dos Estados Unidos na guerra do Iraque, quando na altura houve uma divisão grande na Europa com os franceses e os alemães a oporem-se devido aos interesses económicos que já lá tinham.
Neste caso Portugal, como não tinha lá interesses, não tinha que comprar as dores dos meninos da Europa central que iam perder o brinquedo, tinha é que estar ao lado de quem podia garantir que passaríamos a ter (por mais pequenos que seja) … Ao que parece continuamos a não ter nada, supostamente iríamos ganhar a adjudicação de umas obras, assim umas coisas … (pelo menos que se saiba, não sei se a moeda de troca não terá sido termos o Presidente da Comissão europeia….) … Bem, não sei….Bibós Americanos, mas passem para cá as portagens de entrada dos abions da CIA!!!!

Gonçalo Capitão disse...

Caro Amigo

Continuo a dizer que tem razão na frieza analítica que aplica ao sistema de relações internacionais.
No entanto, mantenho a ideia de que, mesmo com o risco de ser acusado de lirismo, há que manter algum idealismo. Não o fazer instrumentalizará de vez as relações entre as nações, mesmo entre as que proclamam princípios.

Sara Brito disse...

Um bem haja ao Lodo.
Eu só consegui concluir uma coisa: grande golpe de "paleio"! Atira com esta frase e consegue a atenção não só da sua "plateia" como de todo o mundo...

Gonçalo Capitão disse...

Sábias palavras, Sara...