quarta-feira, 16 de setembro de 2009

2º direito

Que a vida contemporânea é conflituosa, já o sabia... Basta andar na estrada ou em certos estádios de futebol.

Porém, sempre cultivei a cortesia entre vizinhos. Pois sucede que, no prédio de Lisboa onde passo a semana, há tempos, o 2º andar direito ganhou uma nova inquilina (e família, presumo).

Algum tempo volvido, a mesma recebeu a administração do pequeno condomínio (rés-do-chão e três andares), em mais uma reunião em que não pude estar, visto que ocorrem ao fim-de-semana, quando me desloco para Coimbra, como faço desde que vim trabalhar para a metrópole. Aliás, sou dos que acredita que, em certas circunstâncias, a abstenção em um sinal de satisfação com o estado das coisas.

Ora bem, na semana passada, apercebo-me de que a parte inferior da minha varanda (ou seja, a que faz parte da fachada exterior) tem o revestimento a cair em dois pontos, à semelhança do que sucede no 3º andar e do que, mais mês menos mês, sucederá no 2º; é o decurso do tempo num prédio com quase 40 anos e que há muitos não vê obra de conservação.

Com diplomacia, subo ao 2º andar, sendo que a própria diligente administradora já deixara recado na vizinha do lado, afirmando peremptoriamente que a responsabilidade era minha... Esquecera-se de ler o Regime Geral das Edificações Urbanas que, salvo melhor opinião, impede que retalhemos as fachadas, seja para pôr antenas parabólicas, seja para colorir cada varanda de uma cor ou tom diferente...

O meu propósito era apenas o de solicitar uma reunião, recebendo como resposta que qualquer um pode fazê-lo e eu que tratasse disso. Com a mesma falta de educação, a dita senhora (com quem nunca falara e a quem não dei confiança alguma) ainda se achou no direito de me admoestar por não ir a reuniões, assim lhe causando a maçada de repetir discussões, alegadamente, já havidas... Respirei fundo e continuei cortês... Mas, guardado estava o bocado: sendo a conversa à sua porta, ainda me disse que, naquele momento, tinha mais que fazer!...

Resultado, vou "remendar" o problema, pois pago para não me reunir com cavalgaduras assim!... Havia necessidade?! Não creio...

3 comentários:

Dulce Alves disse...

Eu cá odeio - como é que tu dizes? ah - «confraternizar» com a vizinhança. Ora são intrometidos, ora são conflituosos, mal humorados,mal educados... enfim!
Ainda gostava de saber quem é que se lembrou de inventar o Dia Europeu dos Vizinhos..!

PQ disse...

Por isso mesmo (infelizmente a minha opinião e experiência é coincidente, relativamente ao "convívio" dos condóminos ) cada povo tem os governos (sublinho o plural) que vai merecendo. É um país de converseta fácil mas de difíceis diálogos. Ora os poderes, como terá sido o caso, se esquecem que só o são na medida em que contribuam para o bem comum, ora os governados se põem a jeito para merecerem os poderes que os vão governando.

Ricardo Cândido disse...

Eu se fosse a ti punha-me ao fresco. Se descobrem a tua vasta esperiência associativa ainda te convidam para administrador do prédio:)))

PS: eu sei que é chato, mas não consigo parar de rir:))) Estou a imaginar-te a levar o correctivo verbal da senhora. Lolllll

Já agora, era hora da telenovela?