sábado, 24 de maio de 2008

"Pega um pega geral, também vai pegar você"

Tendo tido a oportunidade de assistir à ante-estreia daquele que me dizem ser o mais visto e o mais pirateado filme da história do cinema brasileiro, não resisto a dizer o que penso de tão polémica película.
Em primeiro lugar, creio que o filme - que aborda a actividade do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) do Rio de Janeiro - está muito bem realizado e representado.
Depois, creio que a violência que percorre todo o enredo e que pode chocar os mais susceptíveis é fruto da proximidade do guião à realidade do combate ao crime no Rio de Janeiro.
Porém, onde podemos entornar o caldo é quando vos disser que acho louvável o que vi e o que investiguei sobre a acção dos "Caveiras".
Poderá dizer-se: violência puxa violência e há vítimas inocentes. Pois sim... A verdade é que os políticos tardam em apostar nas soluções menos bélicas, como se fez, por exemplo, em São Paulo, onde a criminalidade se encontra contida. Ao que sei, nesta sedutora cidade, a mais de forte policiamento (bem notório), houve um esforço de eliminação das favelas e sua substituição por habitação social.
Estas medidas, a par de aposta na escolarização e num sistema de assistência social universal e de uma política de emprego eficaz podem ser a óbvia chave da solução para um país que transborda de recursos naturais e, logo, de riqueza.
Enquanto nada disso acontece, como combater o reinado de bandos terroristas que se apoderam de favelas do tamanho de cidades portuguesas? A solução é esperar que a droga e as armas se cansem dos donos? Ou será deixar que os corpos de polícia regular, minados que estão pela corrupção, façam da derrota destes impérios do mal o seu voto de ano novo para 2058?
É claro que há excessos, como só poderia haver quando legiões de cobardes se escondem entre civis e os usam como fantoches... É certo que são homens que têm que fechar o coração a certo tipo de sensibilidade, quando lhes pedem que entrem em mundos labirínticos onde a morte os espreita a cada dobrar de esquina... Mas de tal maneira a sua acção é meritória que grupos de operações especiais de todo o mundo pedem para aprender as tácticas de combate ao crime urbano do BOPE.
Sei que, mais uma vez. a opinião da esquerda a soldo dirá que isto é terrorismo de Estado, sem olhar ao elo mais fraco - os milhares de brasileiros governados pela lei de terror dos "comandos" - e ao risco que correm os "bopes" desse mundo para que mesmo os palhaços libertários e anarquistas que lhes cospem na honra possam dormir em paz...
Não obstante, com os meus ou com os seus "óculos", veja o filme!

1 comentário:

Dulce Alves disse...

Ao contrário do (muito) que se disse, considero que o filme não toma partido, limita-se a expor uma cruel realidade e incita à reflexão – coisa que só os bons filmes conseguem.

Mas “Tropa de Elite" é muito mais para lá do cruzar de fogo na guerra aberta entre polícia e criminosos. E além das realidades abordadas sobre as quais bem discorreste, foco outras duas:

No campo da ONG’s, o filme dá um claro alerta para a sua actividade nem sempre transparente e para os laços com a política – o quartel da ONG na favela é uma espécie de sede de candidatura de um senador... – que, ademais, serve para actividades que eu não qualificaria de “trabalho social” e que vão muito para lá da conivência com o tráfico...

Igualmente de sublinhar é o dedo na ferida quanto à atitude de uma certa classe média/alta que consome drogas e, desse modo, alimenta aquele mundo do crime. Isto, ao mesmo tempo que condena o BOPE, apregoa paz e milita em ONG’s. É de uma hipocrisia tal que revolta bem mais que as práticas a que o BOPE tem que recorrer...

PS – O filme arrecadou mais um prémio – Melhor filme no Festival de Cinema Ibero-Americano “Hola Lisboa” - a juntar aos muitos que tem recebido pelo Mundo fora, com destaque para o Urso de Berlim.