quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O que sobrou do Partido

Pela primeira vez no meu já longo percurso partidário decidi não revelar o meu sentido de voto nas eleições para a presidência do PSD.

Faço-o por dois motivos axiais: por um lado, porque, genuinamente, ponderarei, até ao momento de pousar a caneta no boletim de voto, se votarei num dos “Luíses” (só um deles é hipótese) ou em branco.


Por outro lado, porque tenho dificuldade em distinguir entre a escuridão que faz à meia-noite e aquela que se sente às três da manhã…


A meu ver, como tenho dito, não saem isentos de culpas os chamados “barões”, que indicando implicitamente que fazem uma escolha do tipo “do mal, o Mendes”, não se fizerem ao caminho para encontrar uma solução entusiasmante, sussurrando a desculpa táctica de que o não faziam para evitar dividir o eleitorado de Marques Mendes, assim matando esperanças acrescidas a Menezes.


Na hora de balanço e contas, se a favor do actual premier laranja abonam o bom currículo parlamentar e governativo e, apesar da relutância, o apoio do friso de notáveis do partido, sobre ele paira a sombra da continuidade de uma oposição cinzenta e triste, bem como a grilheta da nebulosa a que comummente se chama “aparelho”.


Já Luís Filipe Menezes podemos abonar com o soberbo trabalho na Câmara de Gaia e com um estilo mais “colorido”. Mas é também este último que podemos arrolar como incógnita, dado que o PSD ainda sofre com o “excesso de cor” do estilo de Santana Lopes. Em segundo lugar, causa apreensão, para quem conheça, parte da comitiva que, entre outros, inclui alguns dos estrategas do naufrágio de 2005 e respectiva metodologia.


Juntemos a isto as lamentáveis novelas em torno do pagamento de quotas por Multibanco e vales postais e o episódio do “vota e não vota” dos militantes dos Açores e temos que o PSD, na genial frase de um amigo, está entregue “ao que sobrou do partido” (descontadas as figuras de proa que, evidentemente, têm reconhecidos méritos, quer causem mais ou menos entusiasmo).
E nem custa reconhecer que ambos os candidatos falam com propriedade do peso do Estado na economia e na sociedade, do défice, da saúde, das pequenas e médias empresas e dos grandes investimentos que, por exemplo, são o grande trunfo da governação de Gaia.


Porém, como no ilusionismo, importante é a mão que o mágico esconde… Que sociedade teremos daqui a vinte anos, se cada um deles concretizar o seu ideal social (aceitando como premissa de partida que o têm)? Que medidas têm, a mais daquelas de gestão corrente, para que Portugal cresça mais do que o resto da União Europeia e, assim, mostre que lemos as lições da Irlanda? Que ética propõe para os tempos da novas tecnologias, do consumismo exacerbado, do terrorismo, do relativismo moral e da criação de direitos de propriedade sobre seres humanos?


Sei que este é um daqueles textos que mais valia não escrever, se me norteasse pelo calculismo, já que não agrada a qualquer dos beligerantes. Porém, prometo que até amanhã (dia da votação) estarei atento. E também prometo que estarei atento às soluções que venham a desenhar-se para o PSD, mas sobretudo para Portugal…

4 comentários:

Rosa disse...

Peço desculpa pela franqueza mas isto já começa a cheirar a laranjas "podres". De facto, a novela que se vem arrastando a propósito destas eleições ganhava audiências em qualquer canal televisivo ao estilo TVI. "Luises", deixem-se de tretas e pensem seriamente no que realmente interessa para o partido e, acima de tudo, para o país (não é isso que está em causa?)É que eu amanhã até quero ir votar, mas cada vez mais me apetece votar em branco (do mal o branco)!

Ricardo Cândido disse...

Vou votar daqui a pouco e não levo caneta... Se bem que há sempre uma na mesa de voto presa com um cordel.

João Pedro Cruz disse...

Ricardo, como eu te percebo! Só espero que com as últimas do PPD-PSD, alguns militantes não tentem utilizar o “cordel” da caneta na mesa de voto para se enforcarem... A ver vamos!!!

Ricardo Cândido disse...

eheheh...
João Pedro, também não é caso para tanto.