quinta-feira, 31 de maio de 2007

E quem é que mexe os bonecos?

Confesso que eu próprio andava com complexos por achar que podia estar com uma anti-mendite obsessiva, pois, nos últimos tempos, creio que o dr. Marques Mendes anda pouco feliz na condução do PSD...

Todavia, ao ler a "Visão", de hoje, acabo por perceber que, bem vistas as coisas, eu sou um "querido" para o Premier do meu partido.

Efectivamente, a revista decidiu ouvir vários psicólogos e psiquiatras sobre as figuras de proa da nossa política. Sem comentários meus, eis excertos do que se diz sobre Luís Marques Mendes, a começar pelo título: "Marques Mendes - A necessidade de afirmação; O líder laranja revela-se 'pouco firme'".

Mais adiante: "Coimbra de Matos diz que Marques Mendes lhe parece 'um boneco dos matraquilhos'.'A ideia que dá é que se deixa manipular ora por uns ora por outros. Não parece muito firme na sua liderança', justifica. João Cabral Fernandes tem uma opinião semelhante. Vê-o como um 'saguim que vai trepando a todos os galhos que escolhe ou que lhe indicam' ".´

A coisa piora, se lermos a opinião de José Carlos Coelho Rosa: " '(...) Está cego por uma doutrina e cego, sobretudo, pelo ódio e pela raiva. Mas é inconsequente, roda a espada no ar, em vez de a usar para lutar', acrescenta".
Com a advertência de que, provavelmente, haverá sanções disciplinares para quem leve uma bola ou amendoins para o conselho nacional, espero, do fundo do coração, que a superficialidade destas análises as leve a provarem-se erradas.

16 comentários:

Marta disse...

"The hardest freedom to maintain is the freedom of making mistakes" Morris West

Gonçalo Capitão disse...

"The problem is when the mistakes don't seem to have an end".
Gonçalo Capitão ;)

Marta disse...

A liberdade mitigada, nem sempre é prejudicial não é?

Gonçalo Capitão disse...

Ou seja, liberdade e ordem devem conjugar-se...

freitaspereira disse...

Liberdade e ordem são antagónicos, em principio.Quando a ordem prima sobre a liberdade, há que definir de qual ordem se trata. Galileo, foi obrigado a negar uma lei fundamental para respeitar a ordem estabelecida . Modigliani, Picasso, Cézanne, Miro, e tantos outros artistas de génio nunca teriam feito evoluir a arte se tivessem sido obrigados a respeitar a ordem clássica.
O próprio Cristo agindo em nome da liberdade dos homens agiu contra a ordem religiosa estabelecida.
Em suma, a ordem é necessária quando aplicada na liberdade e que esta é bem ensinada.

Gonçalo Capitão disse...

Como sempre, sábias palavras, Monsieur Freitas Pereira.
Permito-me apenas dizer que, não esquecendo a ontologia (algo que passou ao lado de Marx, a meu ver), a ordem é, desde logo, condição da liberdade alheia.

Sara Gonçalves Brito disse...

Galileo negou a ciência à ordem mas não deixou de trespassar o fundamental no tempo, deixando o fundamental no tempo, deixando a dúvida pairar que, houvesse liberdade, e estaria certo.
Não vejo trespasse algum de réstia de dúvida de que é esta a doutrina que queremos implementada. Nem estão os ausentes e o cepticismo cresce nos presentes.
No ponto em que estamos gostava de ver a liberdade, e não querendo como já aqui se referiu ferir a liberdade alheia, de ver a liberdade impor-se à ordem...

freitaspereira disse...

Seria muito presunçoso da minha parte definir o conceito de liberdade nalgumas linhas, tal como o penso.Com ou sem palavras sábias, porque a minha bagagem não o permite.
O que me levou sempre a reagir quando leio a palavra “ordem” versus “liberdade” é que ignoro em que limites a minha liberdade deve ser contida para não usurpar a liberdade de outrém. Quem deve definir estes limites? A sociedade dos homens? Quais homens?Aqueles que condenaram Socrates? (Nao o PM !)
Claro que a liberdade não consiste na faculdade gratuita de fazer não importa quê. E não reivindico a liberdade teológica que o facto de ter sido concebido à semelhança de Deus concede e na qual a liberdade é um “fiat” que se assemelha mais a um determinismo que à liberdade real.
Prefiro admitir que o atributo da liberdade não me foi dado pelo Criador uma vez para sempre, mas que na realidade sou eu mesmo que devo perseverar para me libertar. E livre aquele que é capaz de se libertar.
Por isso estou convencido que o destino da nossa liberdade está ligado à acção. Uma liberdade não reivindicada e não utilizada é uma liberdade que desaparece. E sobretudo, D.Marta, nunca uma liberdade mitigada foi a liberdade.Vi muitas sociedades autoritàrias e mesmo piores, fundadas sobre as ruinas da liberdade.

Gonçalo Capitão disse...

Aliás, lendo o interessante Isaiah Berlin podemos mesmo encontrar os célebres "dois conceitos de liberdade", sendo que a liberdade negativa redunda na ausência de coacção e a positiva na autodeterminação do sujeito. Ou seja, liberdade e ordem, queira-se ou não, acabam por conviver.

Dito de outro modo, no limite, a liberdade é sempre mitigada, mas apenas pela igual capacidade de fruição pelo "outro".

Pena é que parte da esquerda confunda libertinagem com liberdade. Sei que, apesar das divergências, o meu ilustre e querido amigo Freitas Pereira não me desautorizará.

Já repararam que, no meio disto, a importância da liderança do PSD (tema do texto) passou para segundo plano. Sintomático, se me permitem...

freitaspereira disse...

Caro Amigo Gonçalo

Honestamente , também pensei que nos afastamos do tema do seu post. Mas que importa: o campo da política é o campo de exercício por excelência da liberdade dos homens.
E se para mim o problema do mau uso da liberdade na nossa sociedade não é o apanágio da esquerda ou da direita, porque em ambos os campos existem extremos de sensibilidade libertária, formados na escola existencialista de Sartre, o que me parece importante é a educação da liberdade na sociedade.Como aliàs frisei no ultimo parágrafo do post precedente.


E se divergências existem entre nos , elas enriquecem a percepção do nosso presente.
E como alguém disse:

"Je ne suis pas d'accord avec ce que vous dites mais je défendrai jusqu'à la mort votre droit à le dire ".

J. Freitas Pereira

Marta disse...

Sintomático Gonçalo? Eu diria que calculado... ;)

luis cirilo disse...

Caros amigos Gonçalo,Marta e Freitas Pereira.
A Sara Brito não conheço mas esteve ao nivel.
Os mais sinceros parabéns pela vossa interessante "polémica" á volta da liberdade.
Quem diria que com o dr Mendes como pano de fundo seria possivel um debate tão rico...
Ele há cada surpresa !
P.S. Desde o dia 25 de Maio que estou privado do acesso ao meu blog devido a uma "artistice" do Google.
Eu e muitos outros utilizadores do gmail que subitamente viram as suas contas de mail desactivadas.
Confesso que depois disso começo a dar mais razão ao amigo Freitas Pereira na sua conceptualização do que é hoje o império americano...

freitaspereira disse...

Imagine o que seria se se chamasse Freitas como eu, hoje, nos USA , depois da descoberta do complot terrorista contra Kennedy Airport !

Gonçalo Capitão disse...

Estava "fReito" :)

freitaspereira disse...

Eu não sei se o nosso Amigo Luís Cirilo vai ter a curiosidade de voltar ao « Lodo » enquanto está banido do “Google”. Para o consolar: Estive há dias em Mónaco a assistir ao Grand Prix, porque gosto de ver aqueles bólidos, e resido não muito longe, e conversando com os dois vizinhos Americanos que estavam ao lado, nas bancadas não longe do sitio onde Ascari caiu ao mar há muitos anos, ouvi-os lamentar-se do facto que talvez devido ao nome um “pouco” Árabe, tinham o cartão de crédito bloqueado pelas autoridades Americanas , “despite the efforts made by American Express to clear the situation” ! Bom, isto acontece frequentemente desde o famoso 9/11 !
Big Brother is getting very nervous!

ESTRELA disse...

Adorei... ainda me doem os maxilares!!

Até pq conheço o Dr. Cabral Fernandes... o q torna a análise ainda mais interessante!

Continua a postar... parece-me que a inercia ta a dar cabo de ti, a avaliar pela data do post!!