terça-feira, 17 de outubro de 2006

Por isso sai... sai da minha vida!

O senador democrata dos US of A John Kerry veio a publico esta semana afirmar que, tal como outros no passado (nomeadamente o Presidente Reagan), também ele merece uma segunda oportunidade para se candidatar pelo Partido Democrata à Casa Branca.

Trata-se de um indivíduo que não aparece e, quando diz alguma coisa, exige a retirada total e imediata das forças americanas do Iraque. Concordando ou não com a tomada de posição do Bush Jr. no Iraque, a verdade é que a retirada apenas iria dar início à guerra civil... e afirmar o contrário disto é pura demagogia.

Mas mais importante que a ausência de ideias e de activismo da parte do senador Kerry é o facto do Partido Democrata ter pelo menos dois candidatos muito melhor qualificados e que têm demonstrado uma oposição séria e responsável à administração Bush: refiro-me ao Al Gore e à Hillary Rodham Clinton.

O John Kerry teve a sua oportunidade e perdeu. Se tivesse feito uma boa campanha, se tivesse feito uma oposição credível e com visibilidade, se tivesse demonstrado que afinal é um político dinâmico, capaz de inspirar milhões com as suas palavras, então eu seria o primeiro a defender que, à boa maneira americana, lhe dessem uma segunda oportunidade. Mas não foi o caso e, apesar de não ser americano, julgo que os cidadãos do mundo têm direito a ambicionar alguém melhor para liderar a maior potência global. Nem todos nasceram para ser Presidente e o Kerry, caso concorra, irá perceber isso logo nas primárias.

10 comentários:

Gonçalo Capitão disse...

Dr. Milk,

Interessantes ideias, como sempre. Vamos a elas:

1 - Também creio que os dois candidatos alternativos à indigitação pelo Partido Democrata são melhores, mas entendo que o Al Gore é francamente superior, desde logo, na mundividência.

2 - Quanto à proposta do Kerry de retirar inopinadamente do Iraque é, sem mais, um bom enxovalho às famílias que deram os seus filhos à pátria e aos que ainda combatem uma guerra muito mal planeada.
O problema na antiga quintarola do Saddam não é o esforço para impor um regime político incontestavelmente superior, mas sim a idiotice de um presidente, George W., que cede a lóbis (agora é assim que se escreve, não é?) e que não teve sequer a esperteza de se tornar curioso em relação ao pós-guerra, num cenário complexo de etnias e crenças religiosas.

3 - O único argumento que contesto é a tua reticência em relação a dar novas oportunidades a quem perde eleições (embora que o fizesses no decurso dos demais pontos). Perder eleições é normal, em democracia. Quiçá um dia passarás por isso e, se fores o mesmo, serei o primeiro a apoiar-te.
Richard Nixon, Durão Barroso, a História está cheia de exemplos de sucessos tardios (e nota que é para o mesmo que se prepara o actual presidente do PSD, caso a coisa corra mal, em 2009).

4- Em suma, também concordo que o Kerry já deu, embora não pelo argumento anterior.

Ricardo Baptista Leite disse...

Obrigado Gonçalo pelo teu comentário.

Apenas uma nota em relação ao teu 3º ponto - eu sou um dos maiores defensores que as pessoas merecem uma segunda oportunidade. Contudo, entendo que, depois de se falhar à primeira (como foi o caso), as pessoas devem continuar a trabalhar, a motivar e a "vender" os seus sonhos através das suas acções e das suas palavras. O Al Gore é um excelente exemplo do que se pode fazer depois de perder as eleições... Levantar a cabeça depois de uma derrota, agarrar-se a uma causa importante e tentar tornar o mundo um pouco melhor!

As segundas oportunidades devem ser dadas, mas apenas quando merecidas! O Kerry nada fez para merecer uma segunda oportunidade e foi isso que quis transmitir no post.

Gonçalo Capitão disse...

Amen.

Cunilingus disse...

Bem isto parece o Sr. Feliz e o Sr. Contente, mas de facto até têm razão quando dizem que o Kerry não é a figura indicada para nos governar. Talvez o Al Gore fosse o mais indicado, apesar deste também já ter perdido as eleições contra o Bush no seu primeiro mandato (apesar de tardio, é uma das opções mais sólidas). No entanto, corremos o risco de ver os EUA governados (não de forma consecutiva) por uma espécie de regime sucessório ( Bush pai para Bush filho), reflexo do jogo de poder paralelo que existe em vários os países ditos ocidentais. Por outras palavras, o poder económico e a influencia de certas famílias condiciona certas e determinadas escolhas. Por isso, estou curioso por ver como se comportam os Clintons na luta pelo poder dentro do partido Democratico. (Para os mais conservadores da etiqueta do macho latino lusitano é capaz de ser problemático ver uma mulher a governar-nos)...

Rodrigo disse...

Gonçalo,

o Ricardo com a humildade e altruismo que lhe são caracteristicos "esqueceu-se" de referir um pormenor ... ele é daqueles que já perdeu eleições, várias até!
E vendo bem, algumas foi como o Gore, só não ganharam nos resultados proclamados ;)
Mas depois foi sendo feita justiça e eis o Dr. Milk vitorioso!

Gonçalo Capitão disse...

Rodrigo

Sim, sim... Mas o passe do Doctor Milk é do "lodo" e não vendemos, nem na reabertura do mercado. :)

Rui Miguel Ribeiro disse...

O Kerry é um flop. Nem com Heinz Ketchup!!! E o pior é não aprendeu nada com as eleições de 2004.
Quanto à 2ª oportunidade, que a tente; os eleitores logo lhe dirão se a merece. Cá para mim nem sequer chega à Super Tuesday.
De qualquer modo, para mim, o melhor é que os candidatos fossem muitos e se trucidassem uns aos outros, incluindo os mencionados no post.

Ricardo Baptista Leite disse...

Só quero agradecer as exageradas, mas simpáticas, palavras do Rodrigo... Quanto à parte do vitorioso, apenas me sentirei vitorioso quando verificar na prática que todo o nosso esforço e empenho têm consequência prática no desenvolvimento e progresso sustentável do nosso País e da recolocação da Europa como potência mundial, não apenas como “museu” mas também como vanguardista na ciência, tecnologia, economia, assim como nas ciências sociais e humanas e como pilar da estabilidade democrática global.

Quanto à resposta do Gonçalo, apenas posso dizer aos mais jovens para olharem para o meu exemplo para não cometerem o mesmo erro que eu: Nunca vendam o vosso passe sem conhecer bem as pessoas... estes “agentes de jogadores” da blogosfera são uns sanguessugas que se aproveitam de pobre gente como e eu e nunca mais poderei deixar o lodo!!! Ahhh!!! :)

Rui Miguel Ribeiro disse...

Desculpe Dr. Ricardo Leite, mas de que Europa é que está falar? A que está no lodo (não neste)? Se for, vai ter de esperar mais tempo para se sentir vitorioso do que os franceses para ganharem uma guerra!!!

freitaspereira disse...

Sim, realmente a Europa desiludiu muita gente. A globalizaçao da economia mundial e os efeitos nefastos das deslocalisaçoes industriais desesperaram muitos europeus. O NAO des Franceses e dos Holandeses teve consequências graves. E por isso, Durao Barroso teve talvez razao de suspender os referendos, porque senao o resultado teria sido ainda pior.
O debate entre alargamento e aprofundamento continua portanto.

Para muitos, alargar a Europa até à fronteira da Siria e do Iraque, se considerarmos a adesao da Turquia, pais muçulmano,seria um passo perigoso em tempos tempestuosos como os de hoje.

Para outros, limitar o alargamento so até à fronteira Oder/Neiss teria sido o ideal.

Do lado da Europa politica, que nao existe realmente, também hà quem considère que o problema é a G.Bretanha, que nao aceitou o Euro, e nao é um membro fiàvel, tanto a sua politica estrangeira se alinha com a dos EUA (caso do Iraque, entre outros,) e constitui assim um grande porta-avioes US ao largo do canal da Mancha.

E a fuga recente da BEA inglêsa do capital da Airbus, que vendeu as suas acçoes desde que se verificou o atraso previsivel na entrega dos A380 aos seus clientes, devido a problemas na fabrica de Hamburgo, ainda provocou mais desconfiança neste parceiro.

Durao Barroso terà muitas dificuldades a convencer os que podem pagar, para aumentar o orçamento da Europa, como seria necessàrio, para acolher os novos futuros membros e ajudà-los a subir rapidamente ao nivel superior.

Para mim, o alargamento economico, o volume da Europa, correspondeu a menos de poder politico e a uma perda de soberania que nao foi compensada pela eficacia que se desejava e esperava.

Mas no fundo, talvez este "lodo" no qual a Europa se encontra hoje, nao desagrade àqueles que esperam conservar a hegemonia politica, economica e militar sobre o mundo.