quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Conceitos

Peter Drucker:“ A finalidade é a satisfação, a recompensa é o lucro.”

Hoje e cada vez mais, com a homogeneidade existente no mercado, o “truque” está em encontrar conceitos que vão de encontro às necessidades daqueles com quem há o interesse de interagir. O foco no consumidor é seguramente uma necessidade e não uma decisão altruísta.
A prová-lo está a IBM, que não vende material electrónico nem software, mas sim soluções informáticas para problemas de gestão. Ou então a Danone, que vende corpos Danone e não iogurtes; a Disneyland, que oferece divertimento para famílias, não está no negócio dos parques temáticos; ou mesmo uma qualquer empresa que não quer ser conotada com a venda de parafusos, mas sim com suportes de afixação (pudera, meter-se com os chineses!).
Enfim, estamos cheios de exemplos no mercado…
Mas o conceito que aqui me apraz referir, é relativo à matemática, bicho de muitas cabeças para os jovens lusitanos.
Rompendo com os clássicos centros de explicações, surge a era dos ginásios da matemática (como ilustra a foto).
Estou mesmo a ver uma conversa de final de dia entre dois alunos de uma qualquer escola secundária:
- Oh pá, vamos ao ginásio?
- Ok. Vamos lá que preciso de exercitar um pouco as equações de 2º grau.
Ou então:
- Espera por mim que vou a casa buscar o material para irmos ao ginásio.
- Vai lá que enquanto não chegas vou fazendo uns exercícios.

Brincadeiras à parte, o conceito é interessante e de apostar, até porque parece-me bem mais motivador.
De notar é que estes ginásios são privados, o que equivale dizer: é só para quem pode.

6 comentários:

Cunilingus disse...

Meu caro
Até posso concordar que a ideia é gira, pois, mas não passa de gira. É um nome giro para se dar a uma sala de estudo.
Este tipo de projectos que pretendem complementar a formação escolar, só conseguem alguma eficácia se adoptarem uma filosofia mais laboratorial, se se tornarem locais onde não se vão apenas fazer exercícios, ou pedir aos explicadores para os resolverem, mas sim para se ganhar uma noção mais prática do que é a Matemática. Como se trata de uma disciplina que exige um elevado nível de abstracção, que em alguns anos do secundário se confunde com uma excessiva mecanização de conceitos, torna-se necessário recorrer a ajuda externa à escola. Ajuda essa que na maioria dos casos não resolve nada porque acaba por ser mais do mesmo: Alguém num quadro a debitar formulas, quando na realidade o que é necessário é alguém que evidencie a razão das coisas acontecerem de determinada maneira.
Na prática pensamos que compramos corpos danone, mas acabamos a comer iogurtes... Em alguns casos, se calhar, se houver uma dieta saudável e se se fizer bastante exercício, lá ficamos com corpos danone. Nessa altura, se tivermos meio dedo de testa lá reparamos que os iogurtes não tiveram nada a ver com isso.
O mesmo se passa com a matemática, podemos chegar ao fim do nosso percurso académico e apercebermo-nos que esses “ginásios” foram muito úteis aos nossos pais porque não tinham onde nos deixar depois das aulas, mas que na realidade pouco serviram.
Uma recomendação de leitura para quem tiver tempo “Educação de Portuga” – Agostinho da Silva

Ricardo Cândido disse...

Meu caro:

Referi e aplaudi uma nova forma de aproximação aos jovens, inovadora, que rompe com o ultrapassado (a meu ver) centro de explicações.
Se os resultados são positivos ou não, isso já dependerá do espírito com que os alunos encarem o exercício e a forma como lhes é incutido esse mesmo exercício, como quase tudo na vida, aliás!
Percebo o ponto de vista, embora não concorde integralmente com ele.

Cunilingus disse...

Ricardo Cândido
Há uma brincadeira que se ouve há uns anos:
Fui ao médico (ao Dr. Ricardo Leite) e paguei, pagar é chato, é chato coça, coçar faz ferida, fez ferida vai ao médico (continuo a recomendar o Leite).
Neste caso da matemática há factos difíceis de contornar. Se quero adquirir conhecimento e tirar um curso (com ênfase no conhecimento....para eu também ser um pouco idealista), tenho que estudar, se tenho que estudar vou ter de me esforçar para não me perder pelas PS2(leia-se Play Station), epá, mas isso é chato, se é chato coça, coçar faz ferida, fez ferida vai ao médico.... por outras palavras quem ganha é sempre o Ricardo Leite. Na realidade pintem como quiserem, mas estudar não é divertido. O conhecimento académico adquire-se com esforço.... Se tiveres uma maneira divertida de por um miúdo do 9 ano a resolver equações de 2 grau, está à vontade para partilhar (não devia ter dito isto, na realidade até há métodos giros, mas são impraticáveis em aulas de 90m).
Não é para falar mal desta Nobre Terra Lusitana, no entanto, se compararmos com Espanha vemos que por cá todos acham que a matemática é muito difícil e que os miúdos, coitados, não têm culpa de não gostarem de estudar. Em Espanha dão matérias no 11 e 12 ano que cá só se dão no ensino superior ( primitivas, por exemplo), já nem falo em França (podes pedir o currículo no colégio francês e comparar com o nosso, cuidado se não ainda te convences que eles são mas é sobredotados, ou qualquer coisa assim). É curioso ver que a ideia da matemática papão é um conceito muito luso....
Acho que de facto são necessários novos métodos, como os laboratórios de matemática, todavia mais importante que isso é cultivar métodos de estudo e cultivar a ideia que o facilitismo não nos leva a lado nenhum ( excepto para filiados no PS....e alguns do PSD...assim, daqueles mais baixinhos que estão à espera que o poder lhes caia na mão).

Ricardo Cândido disse...

Estamos de acordo: "novos métodos" e "cultivar a ideia que o facilitismo não nos leva a lado nenhum".

O conhecimento, de facto, é chato de se obter.

Ricardo Cândido disse...

No entanto, há algumas coisas "chatas" de que gosto!

Toni disse...

Viva!

Gostei deste post, e tudo o que se possa fazer para que o insucesso da matemática termine deve ser feito.
Ainda que possa ser ao alcance de poucos, o mathnasium é uma forma inovadora de "agir" sobre a matemática.
Resultados? Bom, so com persistencia se aprende matemática, nao basta dizer que é giro, ha que treinar e entender que sem um "sofrimentozinho" nao se aprende aquilo...

Abraço!