quarta-feira, 14 de março de 2012

Misérias nacionais

Este País cujos defeitos, lembrando o “Primo Basílio”, nos fornecem “tantas pilhérias”, é pródigo em manter desactualizados os motivos da minha irritação. Assim é que, ainda há dois dias, a Liga de Clubes concretizou a mais populista, cretina e ruinosa promessa de campanha do seu presidente: o alargamento da Liga para 18 clubes.

É aqui e a dois tempos que se vê que somos uma Nação com muita gente mesquinha: desde logo é o velho choradinho dos pequeninos contra os grandes. Tal qual como muitos portugueses preferem olhar à situação dos gestores (em alguns casos com razão) e outros abastados profissionais, em lugar de procurar uma via de melhorar a sua situação, trabalhando mais e melhor (embora também reconheça que, dada a quase total ausência de cultura de mérito, a desculpa para assim proceder é maior), os clubes pequenos decidiram olhar ao que julgam ser o seu interesse, e o alargamento deu-se.

Em segundo lugar, reside a mesquinhez na esperteza saloia do Presidente da Liga que, por preciosismo ou vontade de nos tomar por parvos, e pese embora reconhecendo o mesmo efeito prático, corrigiu um jornalista afirmando que não podia dizer-se que ninguém descia  de divisão; nas palavras deste génio da bola, o que se passava era que a I Liga era alargada e que dois dos quatro lugares que sobrariam (os dois novos e os dois da descida) eram ocupados pelo 15º e 16º classificados deste ano! Sob pena de ser grosseiro, mudo de parágrafo…

A ideia em si – a I Liga com 18 clubes – é errada sob vários prismas. Por um lado, vai aumentar as despesas da maioria dos clubes. Se me não atraiçoa a memória, creio que a Académica só terá lucro quando recebe Benfica, Porto e Sporting; ou seja, todos os outros jogos dão prejuízo (manutenção do estádio, segurança, etc…). Imagine-se este problema com mais dois jogos em casa e – eis outro anátema – com mais duas deslocações! Mais ainda, veja-se tudo isto para os vários clubes que têm menores assistências que a Briosa.

Em segundo lugar, não me custa acreditar que os próprios recursos humanos (vulgo, plantéis) tenham que ser aumentados, com os inerentes gastos. No fim de contas, são mais quatro jogos por temporada e maiores os riscos de lesões e fadiga.

Em terceiro lugar, aumentam também as hipóteses de assistirmos a maus jogos e a lamentáveis arbitragens. Se já temos que aturar valentes secas e autênticos roubos com trinta jornadas, replique o suplício por trinta e quatro.

Por fim, o momento em que a medida pode equivaler a um escândalo: mudar as regras com o jogo a decorrer é coisa que não pertence ao mundo da gente séria e dos cavalheiros! Quem me diz que, sabendo que não descerá, uma equipa não vai facilitar a vida a um candidato ao título ou às competições europeias, a troco de reforços ou sabe Deus que “fruta”? Digo-o com a tranquilidade de quem sabe que a Académica jamais o faria, mesmo que estivesse em risco de descida, de acordo com as regras vigentes e o deixasse de estar com as novas, mas com o alarme de quem gosta de jogos leais!...

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