segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sindicatos de todo o mundo,

Depois deste Sábado, alinham-se as espingardas para mais uma manifestação à portuguesa, desta vez com inspiração internacional. Dia 15 lá estarão sindicatos, movimentos, clientelas e uns poucos que associam o seu desencanto pela vida nacional e quiçá pessoal à responsabilidade política.

Sobre estas iniciativas, quero deixar apenas algumas notas:

  • O direito à manifestação pacífica, consagrado constitucionalmente, não significa que seja viável sairmos de casa para gritar umas palavras de ordem contra não sei bem o quê (saberão as excelências?) a cada quinze dias;
  • A sustentabilidade do sindicato, do movimento ou da organização ou comité seja ele qual for, é também colocada em causa dado que consequentemente e manif após manif vai perdendo boas oportunidades para fundamentar quaisquer que sejam as suas reivindicações;
  • De qualquer modo, os cartazes estão giros;
  • No que respeita a Portugal, o governo PSD/CDS-PP foi eleito há pouco mais de 100 dias, com apoio expresso da maioria dos portugueses;
  • O mesmo governo reforça a sua legitimidade, conforme podem suas excelências confirmar;
  • As medidas tomadas desde então estão consagradas no compromisso europeu para garantir o equilíbrio das contas públicas;
  • O memorando da troika foi conhecido antes de o povo (este mesmo povo que muitos dos que vão na Grande Marcha referem como a sua maior preocupação) ter colocado o voto nas urnas;
  • O apelo aos "camaradas do SIS" no anúncio publicado no Arrastão faz-me lembrar uma vez mais a mania da apropriação que muitos sentem quando as forças de Estado mostram algum descontentamento face à sua situação corporativa.
Contrariamente a muitos iluminados da nobilíssima esquerda portuguesa, habituados a assumirem-se como patriarcas da única verdade, estas opiniões não são consequência de uma atitude demonstrante de uma vontade castradora à expressão mas sim um aviso à navegação e um pedido:

A bem da saúde da nossa democracia, haja sensatez.

3 comentários:

Gonçalo Capitão disse...

Excelente análise!

Defreitas disse...

No momento em que as forças políticas dominantes, da direita como da esquerda, estão de acordo para comprimir maciçamente as despesas publicas e os salários em nome do reembolso da divida, a acção dos sindicatos demonstra-se impossível.
A ilusão unitária do sindicalismo reunido resulta da escorregadela visível da Confederação Europeia dos Sindicatos que renuncia a combater frontalmente o capitalismo. E sabe-se porquê ! A greve não parece ser absolutamente o bom caminho, numa situação muito difícil para o poder de compra e o emprego !

E as organizações sentem bem que as classes dominantes estão
determinadas a prosseguir as políticas e as medidas que conduziram à crise actual.
Por outro lado, os sindicatos têm também a sua clientela, para retomar a sua imagem em relação ao Bispo de Lisboa! Para o momento têm que manifestar ! Só que, esta clientela , tem muitas razoes validas para voltar à carga, um dia, quando as coisas piorarem.

E elas piorarão ! E o facto de terem votado desta vez pela direita , não os afectará!
Senão vejamos os Italianos, que votaram maciçamente pelo Berlusconni e que hoje pedem a sua demissão! O espectáculo da Itália é deprimente.

O desemprego, a pobreza, a precariedade da juventude, os graves recuos sociais, os planos de rigor, a factura apresentada aos assalariados e aos povos depois de termos salvado os bancos, virão a ser argumentos poderosos nas mãos dos sindicatos se a situação não melhorar rapidamente.

Freitas Pereira

João Pedro Cruz disse...

Concordo com a tua análise...
Aliás, a rotatividade é coisa que não se vê nos dirigente sindicalistas deste país - pelo menos nos mais graúdos!!! Fico com dúvidas se as constantes manifs são reais ou formas de eles se manterem por lá...