domingo, 7 de dezembro de 2008

Faltas Injustificadas

Como é do conhecimento geral na passada sexta-feira 30 deputados do PSD faltaram à sessão plenária, na qual poderia ter sido aprovado um diploma, que levaria à suspensão do actual modelo de avaliação de professores (modelo ao qual o partido se opõe oficialmente).

Face a uma situação como estas devemos questionar se os nossos representantes estão cientes da responsabilidade que têm no exercício das funções para que foram eleitos e até que ponto é que estes são escolhidos de acordo com padrões de mérito e qualidade e não através de tráfico de influências, cunhas ou cacique. Devo salientar que esta situação não é um caso isolado, são muitas as sessões onde não comparecem um grande número de deputados – não só do PSD mas de todos os partidos.

É plausível que alguns deles tenham justificações credíveis para as suas faltas (consta que 5 dos deputados estavam em missão parlamentar), o que me parece menos lógico é que 30 deputados tivessem algo de mais importante para fazer exactamente no mesmo dia, com a agravante de ser uma sessão para a qual tinham sido expressamente convocados, dada a sua importância.

A atitude que estes deputados tiveram, prejudica fortemente a credibilidade do partido que deveria dar o exemplo na oposição ao governo. Esperemos que estas atitudes tenham consequências e que nas listas de deputados às eleições de 2009 se privilegiem aqueles que possuam efectivas qualidades para desempenhar a actividade parlamentar, encarando-a com a seriedade que esta merece.

3 comentários:

Gonçalo Capitão disse...

João

Estive para escrever sobre isto, mas preferi que fosse um de vós a faze-lo, para que nem para mim houvesse dúvida sobre o cariz genuino da minha indignação (digo-o por ter sido deputado de 2002 a 2005 e de ter tomado posse em 1995 e 2005).

O facto é vergonhoso e não é novo. O problema é que a própria conferência de líderes da AR já agenda, regra geral, temas menores para os dias que antecedem os fins de semana ou as férias. A "balda" não é nova e era dramático o esforço do Luís Marques Guedes (então membro da direcção do grupo parlamentar) e do secretariado para levar os senhores deputados a votar, e pior para os manter no plenário.

Se em alguns casos os deputados estão a preparar algo (nas comissões raramente estarão, pois as mesmas não coincidem com o plenário, salvo excepções), a maioria das vezes estão é mesmo "noutra".

No entanto, não te iludas: quando chegar a altura de fazer listas, como estiveram nos gabinetes a "cacicar", muitos lá estarão, sem que se lhes conheça uma ideia ou a participação em algo que tenha mudado para melhor a vida dos portugueses.

Somos um povo que vai lá muito na base da autoridade superiormente imposta, pelo que resta saber se Manuela Ferreira Leite terá a mesma coragem disciplinadora que se não vê na elaboração de listas do PSD desde os tempos de Cavaco Silva. Se o pacto com o nunca prezado Santana Lopes se entende (não havia com nome que quisesse arder na fogueira de Lisboa, aproveitando ainda para retirar força real às reivindicações de um novo congresso), mal se entenderá se a líder laranja pactuar com a pouca vergonha que toda a gente diz que tem sido a actuação genérica do actual plantel parlamentar (claro que todos os que o disseram o negarão, agora).

Nota final para sublinhar que mal andou Paulo Rangel (líder parlamentar) ao justificar o regabofe que, como disseste e bem, inviabilizou a primeira derrota real de Sócrates no Parlamento. Maria de Lurdes Rodrigues não teria como não se demitir se os nossos 28 ou 30 companheiros tivessem feito a fineza de cumprirem o seu dever e justificarem o seu salário (que, ao que sei, nunca "falta"), atrasando a ida para fim de semana prolongado.

Dulce Alves disse...

O episódio da passada 6ª feira é vergonhoso mas também sintomático do estado do partido.

É consabido que os deputados nem sempre respeitam as funções de que foram investidos pelos portugueses... mas é deveras preocupante quando o desdém chega ao partido que representam...!

A batalha da passada sexta feira teria proveitos inestimáveis: pôr a Ministra na corda-bamba, causar calafrios ao aparentemente inabalável José Socrates, ganhar a confiança e o reconhecimento de uma franja da população - professores - e voltar a captar as atenções do eleitorado.

Mas à mercê da irresponsabilidade e do fim de semana alargado (já não bastava 3 dias...era "meter" tb a 6a!) perdeu-se tudo...

Como se sugere por aí, era fazer as contas às faltas dos nossos deputados e tê-las em conta quando se fizerem as próximas listas...!

PS - É preciso dizer que no rol dos faltosos estavam, entre outros, os 'ilustres' Rui Gomes da Silva, Pedro Santana Lopes, Duarte Lima, Montalvão Machado, Miguel Frasquilho, Henrique Freitas e Agostinho Branquinho... Confirme-se aqui:

http://www.parlamento.pt/
DeputadoGP/Paginas/
DetalheReuniaoPlenaria.
aspx?ID=50481

Filipe disse...

A acrescentar à falta de respeito dos deputados perante o povo, surpreende-me (a mim que estou longe e sou da aldeia) a "dificuldade" que o líder da bancada parlamentar, Paulo Rangel, está a ter em identificar os faltosos. Só mais uma coisa: isto não é novo, como já foi dito, e não é um exclusivo PSD, muito pelo contrário, é prática enraizada e generalizada.