quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ética desportiva

O consumo de bebidas energéticas e as taxas de ocupação dos centros de encontros sociais contemporâneos (vulgo ginásios) dispararam em flecha nos últimos anos, tudo em nome de um corpinho saudável e de uma mente sã. Mas não só...

A malta que faz desporto é mais in, está na moda, tem o melhor cabedal.
A prática desportiva previne doenças, eleva a auto-estima e melhora o equilíbrio emocional
Político que faça jogging no Calçadão ou na marginal de Luanda aumenta consideravelmente o seu indicador eleitoral.
É saudável e fica bem dizer que se faz desporto. Cai bem. Dá outra pinta.

Tudo certo, mas e se fizéssemos um estudo de mercado em que se perguntasse o seguinte:

“A prática desportiva é mesmo importante para a formação do indivíduo?”

Seguramente que uma percentagem significativa de inquiridos responderia afirmativamente à demanda, até porque está implicitamente associado ao desporto o desenvolvimento de competências socialmente positivas.

Apesar da temática não ser recente, confesso-vos que até há poucos dias nunca tinha lido nada sobre “ética desportiva”. Nunca foi das minhas áreas de interesse. No entanto, a newsletter on-line da Universidade de Coimbra deste mês (que diga-se, é um projecto de comunicação interna muito bem elaborado ao qual apetece fazer scroll), abala a noção comum existente de que fazer desporto forja o carácter em sentido positivo.

Uma das reportagens centra-se na tese de doutoramento de um investigador da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, que coloca em causa a dimensão ética do desporto na actualidade, afirmando que “a moral desportiva imanente à prática desportiva real é um mito”!

Para este investigador, tendo por base o estudo ciêntifico por si elaborado em que inquiriu 1000
praticantes de desporto organizado, os atletas consideram perfeitamente normal e admissíveis atitudes anti-desportivas tais como o exercer de pressão psicológica sobre os adversários ou mesmo a tentativa de influenciar os árbitros a seu favor.

Fala também numa “patologia social” que pode levar as famílias a pressionar, para a obtenção de resultados, não só os jovens como os próprios treinadores e árbitros, gerando situações contrárias à ética desportiva.

Fica aqui o link do artigo cientifico, para quem quiser espreitar.

1 comentário:

Dulce Alves disse...

Tema interessante :)

Violência, doping, corrupção são três claros exemplos do que o desporto actualmente pode gerar, não substimando, é certo, os outros tantos exemplos positivos...

Também sou, por isso, das que acreditam que da mesma forma que o desporto desenvolve virtudes, pode por outro lado potenciar sentimentos menos virtuosos...

Não é por acaso que hoje nas entrevistas de emprego torna-se comum perguntarem aos candidatos se praticam desportos, que tipo de desportos (colectivos/individuais) e com que motivação (competição/lazer/saúde/estética), com a finalidade de daí poder deduzir as suas características pessoais.