sábado, 30 de agosto de 2008

Decision 2008


O candidato à Casa Branca, Barack Obama, tem sido frequentemente acusado de ser um político vazio e sem ideias que baseia toda a sua estratégia num discurso emotivo, onde não se podem captar quaisquer indícios de um programa político.
Ora, Barack Obama veio provar precisamente o contrário no seu último discurso na convenção democrática de Denver. Quem teve a oportunidade de assistir ao mesmo, pode reparar que este apresenta propostas bem definidas para diversas áreas, que de resto o diferenciam bastante de John Mccain.
No que diz respeito à dependência energética este propõe uma clara aposta nas energias renováveis (ao invés de explorar, por exemplo, recursos que se encontram em áreas naturais protegidas), propõe também uma série de medidas que visam colmatar as falhas geradas por um sistema de saúde que se baseia exclusivamente em contratos com seguradoras (demonstrando uma coragem que poucos teriam, para enfrentar um dos mais poderosos lobby’s dos E.U.A.), ao mesmo tempo que sugere um apoio mais abrangente às famílias para que os mais jovens possam aceder às universidades sem que estas tenham de contrair empréstimos que esmagam o orçamento familiar. Se isto não bastasse, Obama, supostamente um homem fraco no plano da política externa, parece querer renegar à política belicista e à arrogância que marcaram a administração Bush, para dar primazia à diplomacia, evitando conflitos desnecessários, vejam-se os casos do Irão e do recente dejá vu da guerra-fria.
É claro que podemos encontrar alguns traços de demagogia no discurso do candidato democrata, quando este repete incessantemente o seu mítico slogan Yes, We Can, ou quando tenta demonstrar em plena convenção as suas qualidades de pai de família (respeitando o bom velho american dream), mas que atire a primeira pedra quem encontrar um politico americano que não possua esses traços.
Com todas estas propostas (e só citei algumas) não se pode dizer que Barack Obama tenha um discurso vazio e ainda que possamos questionar a sua capacidade para atingir as metas que estabelece, todos temos de concordar, como relembrou o sociólogo americano, Alvin Tofler, aquando da sua última visita ao nosso país, que a eleição deste homem seria um marco importantíssimo não só para ultrapassar as barreiras existentes face às comunidades negras de diversos países ocidentais, como face a todas as outras minorias vítimas de discriminação.

4 comentários:

Dulce Alves disse...

João,

Não vejo qualquer problema no lado um tanto ou quanto plastificado de Obama, de jovem bem-apessoado, figura simpática, poder de oratória e afins… mas talvez o seu ar compostinho um dia destes comece a provocar um certo enjoo…

No entanto, o que aqui queria dizer é que a meu ver, mais importante que eleger alguém pelo marco político-social que a sua eleição possa representar, é eleger alguém pela repercussão que sua actuação possa vir a ter, pelo bom mandato que possa exercer.

Bem sei que a ocupação da Casa Branca por um afro-americano é uma revolução no palco político, mas se o factor “novidade” é determinante, do lado republicano também há “novidade”: chama-se Sarah Pallin e pode vir a ser a primeira mulher vice-presidente dos EUA…

João Morgado disse...

Dulce,

Nunca foi pretensão minha, demonstrar com este texto que o possível marco "político-social" que a eleição de Obama iria criar, se devia sobrepor ao projecto político que este apresenta como forma de avaliar se este deveria ou não ser eleito.
O meu objectivo ao escrever este texto era demonstrar que Obama não é um candidato tão vazio, como tem sido defendido. Parecem-me, de resto, muito mais importantes as suas propostas para o futuro dos EUA e do mundo, pela mudança que poderão criar (o caso das relações internacionais é um dos mais evidentes), que o marco que este poderia representar face ao fenómeno da discriminação no entanto, não o desvalorizo.
A diferença que existirá entre uma vitória democrata e uma vitória repúblicana é que, uma vitória democrata conjugará uma série de reformas que irão mudar (creio eu) os EUA no sentido positivo (quer no plano interno como externo) e um importantíssimo fenómeno social, enquanto que uma vitória repúblicana não significaria mais que uma manutenção do actual status e, ao mesmo tempo, um fenómeno social que não seria mais que uma forma algo forçada de responder ao que de genuíno aconteceu no partido democrata. Não nos podemos esquecer que Sarah Pallin, é uma pessoa com um historial político muito pobre e sem qualquer relevancia nacional, que foi escolhida com o único propósito de captar o eleitorado que estava afecto a Hillary Clinton (essa sim uma mulher de grande valor).

Gonçalo Capitão disse...

João

Entendo a referência que tem sido feita ao facto de Obama ser negro é o menos importante. Esse tipo de destaque que os democratas deram gerou o folclore republicano, apresentando uma mulher conservadora, para ocupar espaços eleitorais vazios.

Creio que o senhor podia ser azul ou até mulher, embora entenda que é um marco (tal como o é a candidatura da Governadora do Alasca a Vice-Presidente de McCain), face às discriminações que ainda existem.

Só pergunto é se haverá discriminação a favor dos brancos, a concretizar-se o que dizia o Público que dizia que, em 2042, as minorias dominaram a sociedade americana...

Quanto ao modo: creio que, na era dos media, políticos sem emoção e discurso sedutor não criam o apoio social necessário para voltar a envolver os cidadãos na política. Foi por achar que tinha tudo isso que, em final dos anos 90, apoiei Santana Lopes. Hoje reconheço que isso não basta e o resultado viu-se.

Os temas: parecem-me certíssimos. Resta-nos medir a distância entre as palavras e os actos, se ele ganhar (algo que não tenho por garantido).

Boa estreia, João!

Joaquim disse...

Mc Cain é sem duvida a “suite” de Bush, da sua política de defesa dos interesses das oligarquias militaro-industriais e financeiras, mas pior que isso, a continuação das guerras actuais que põem os EUA de tanga.

O programa McCain esquece as necessidades fundamentais dos Americanos, uma segurança social digna do país mais rico do mundo, os investimentos necessários na educação nacional, a manutenção das infra estruturas tais como aeroportos, estradas, pontes , que tanto precisam e sobretudo uma política de dialogo com o resto do mundo, pois que o mundo unipolar em que a América sempre esperou consolidar a sua hegemonia derrocou por completo.

No momento em que o urso Russo acorda, o mundo precisa de um leader americano de outra dimensão, mais consciente da necessidade de uma diplomacia adaptada às novas contingências do mundo dos blocos asiáticos e europeu. E não é fazendo a guerra por procuração como na Geórgia que o mundo poderá contar com os EUA. O jogo é perigoso.

Quanto à escolha de Sarah Palin, ultra conservadora ,confesso que nunca encontrei tanta incoerência numa pessoa que pode muito bem ser amanha Presidente dos EUA!

Adepta das armas que matam, mas contra o aborto e pela pena de morte. A vida e a morte enfrentadas de uma maneira estranha.

Na realidade incapaz de enfrentar o “lobby” do armamento!

Ao serviço das empresas petroleiras ao apoiar a foragem na reserva do Alasca.

Belicosa ao declarar : “ Arrasarei o Irão, o Irão desaparecerá do mapa! Quer dizer que Iraque e o Afeganistão não chegaram como lição! Incrível!

Claramente escolhida para recuperar os votos Hillary das mulheres do partido democrata, Sarah Palin acaba de receber uma lição da própria filha, que com 17 anos , solteira, já espera um bebé! E claro não praticará o aborto. Mas a educação sexual da filha devia pelos menos ter-lhe ensinado que existem meios legais de contracepção. Presa na sua própria linha moral, a Mãe tem que apoiar a linha não aborto da filha. Mas seria normal que todas as jovens ainda no colégio sejam mães aos 17 anos ? Belo exemplo!