terça-feira, 20 de maio de 2008

Paços para Coelho II - Epílogo

Se na semana transacta expliquei por que não apoiava os outros dois candidatos “a sério”, digo-vos hoje as razões pelas quais voto em Pedro Passos Coelho para líder do PSD.

A primeira razão é, aliás, exactamente essa: mais do que um presidente, elegerei um líder, já que o candidato da minha preferência detém todas as características que preconizo para o comando de um barco em riscos de naufrágio (falemos do PSD ou, subsequentemente, de Portugal): inteligência, militância sem olhar a lugares (eis a abordagem positiva ao que Santana Lopes converteu em enxovalho ao adversário), humildade (Passos Coelho vai a todo o lado, fala e debate com todos e jamais se arvora em salvador da pátria) e elevação. Detenho-me um pouco mais sobre este ponto último, para sublinhar o quão digna tem sido a campanha de Pedro Passos Coelho que a desconsiderações sobre a sua idade e sobre a sua alegada inexperiência tem reagido com moderação e cavalheirismo e que tem sempre uma palavra de respeito por todo e qualquer adversário ou apoiante de outra candidatura. É um pouco desta serenidade e deste fair-play democrático que faz falta ao debate interno social-democrata, não falando já no bem que faria à estratégia de comunicação do Primeiro-Ministro, José Sócrates.


Depois, acredito que Pedro Passos Coelho, ao debruçar-se, como tem feito, sobre o próprio Estado que temos (ou não temos), demonstra que se preocupa com algo que é uma das magnas questões para o nosso futuro enquanto país: o “estrago” do Estado social.


Como já escrevi noutras ocasiões, sucessivos governos vêm, desde o 25 de Abril, procurando iludir-nos ao fingir que é possível, num pequeno país como o nosso, manter um Estado pesado e ineficiente. Os exemplos que suportam o que digo são mais que muitos, começando na Saúde, onde encerram urgências e maternidades, com que isso importa de natalidade em Espanha e na nossa rede viária e sem que se veja real motivo que não a falta de meios.


Depois, há a Segurança Social, em que se tentam remendos para que a falência seja o mais tardia e nunca num governo em funções na altura das medidas paliativas.


E que dizer da Educação, em que se mascara com razões pedagógicas (aqui e além verdadeiras, reconheço) o encerramento de escolas do 1º ciclo, quando sabemos que é a penúria que dita a socialização com meninos de outras escolas? A mesma socialização que sofre tratos de polé quando se corta o financiamento aos centros de ocupação de tempos livres que não integram o sistema público... Ponto de coerência?! Falta de dinheiro, pois claro…


E podíamos continuar o rosário de lamentações com o vergonhoso subfinanciamento da Cultura – sem perceber o seu valor essencial para protecção da nossa identidade nacional – ou com a indigência da Defesa, que nos leva a pedir empréstimo de blindados para missões no estrangeiro e a comprar dois submarinos, desconsiderando as regras navais que fixam em três o número para a sua operação eficaz, a mais de ficar por saber a sua capacidade de intimidar qualquer adversário minimamente dotado de meios navais.


Percebendo que há que reformar e emagrecer o Estado, tenho ainda a esperança de que Pedro Passos Coelho acabe com o relativismo ético que herdámos do 25 de Abril e que faz com que se tenha fugido como o diabo da cruz da crucial distinção entre o que está certo e o que está errado. Actualmente, ao invés, qualquer opinião é boa, apenas por ser veiculada, caldo de cultura que faz com tenhamos uma baixa qualificação de recursos humanos, já que o sistema educativo fica sem argumentos de disciplina e rigor, centra-se no pavor de traumatizar os jovens e ensina pouco porque se convencionou que estudar tem de ser tão agradável como comer gelado de baunilha…


Em 1991, ouvi uma entrevista a Pedro Passos Coelho, em que este dizia que é preciso explicar às pessoas o que se quer fazer com o seu voto antes de lho pedir. Entendo que, em 2008, é exactamente isso que tem feito, e bem.


Em suma, penso que, não existindo regra estatutária alguma que impeça a vitória de Passos Coelho neste momento, é desculpa de mau pagador dizer-se que “ainda não é o seu tempo”. Por que não?! Para mim, como ele afirma, “o futuro é agora” e passa por Pedro Passos Coelho.