quarta-feira, 2 de abril de 2008

(Ainda) a RTP e o PSD


Quando em Janeiro passado Luís Filipe Menezes alertou para a falta de equidade na RTP, muitos vociferaram. Recordo-me particularmente do maldizente Pacheco Pereira, que à data denominou de antidemocráticas aquelas palavras de Menezes.

Pois bem, antidemocrática é a estação pública que nos serve. Hoje mesmo veio a ERC reconhecer que o PSD é sub-representado na estação pública, tendo em conta os valores de referência definidos por aquela entidade com base na expressão eleitoral de cada partido. Destarte, não foram de todo descabidas as declarações do líder do PSD.

É certo que Menezes não foi eleito para dirigir a linha editorial de um canal televisivo, mas não creio que a liderança de um partido impeça o seu timoneiro de se pronunciar sobre a falta de pluralismo político-partidário que prolifera na grelha de um inverosímil serviço público.

Claro que não tardaram a vir à tona aqueles que se escudam no argumento de que o período analisado coincidiu com a presidência portuguesa da UE; bem como os que garantem a pés juntos que a mesma governamentalização da informação daquele canal ocorreu em tempos idos, quando o PS foi Oposição.

Ora, se bem me lembro, da última vez que o PS foi Oposição e o PSD foi Governo o líder da nação era Santana Lopes - político permeável aos media, é certo - cujo fugaz Governo foi mediatizado até ao tutano. O que eu não me lembro mesmo é de então os media terem usado da mesmíssima brandura e respeito com que há três anos vêm bafejando Sócrates e os seus discípulos...

3 comentários:

JAbreu disse...

A ridicularização das oposições feitas por um (e ai de quem disser mal do programinha engraçado da treta!) programa de bonecos no ar na RTP é inaceitável.
A Mandala (produtora do programinha da treta) agradece os favores de sei lá quem, em espanha na era Zapatero também já têm o programinha da treta tão engraçado.
A democracia é o pior dos sistemas à excepção de todos os outros, contudo esta democracia portuguesa está porreira demais à excepção de todos os outros sistemas.

Dulce Alves disse...

Confesso que já ri muito com o “Contra-Informação”. E a mero título de curiosidade, recorri à wikipedia e constatei que das 119 personagens representadas naquele programa, vinte e três delas têm ligações ao PS, treze ao PSD, cinco ao CDS-PP, três
ao PCP e uma ao Bloco, o que permite inferir que o partido laranja foi dos mais “poupados” na sátira...

De qualquer das formas, não creio que se deva tanto atentar aos programas de ficção, mas antes à censura ou à propaganda feita nos espaços de informação... porque são esses que de facto moldam a opinião pública.

luis cirilo disse...

Pessoalmente também gosto muito do Contra Informação que acho um programa independente dos poderes politicos.
Já lá vi grandes sátiras a politicos do PSD e do PS cada qual a mais arrasadora.
O problema não está aí.
Está no alinhamento dos telejornais,nos convites para as entrevistas,no escandalo de convidarem António Costa para a "Quadratura do Circulo",no irem dar um programa na RTP á namorada de Sócrates.
Nesses e noutros casos estão as razões de queixa do PSD.
Que infelizmente,mas já vamos estando habituados,foram logo contestadas por alguns comentadores da área do...PSD !
Que agora,face ao relatório da ERC,deviam pedir desculpa.
Se tivessem vergonha na cara é claro...