segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Desemprego Médico: O Início de uma Nova Era

Temos vindo a assistir, através de notícias veiculadas pelos mais diversos órgãos da Comunicação Social, a mais um episódio lamentável oriundo do Ministério da Saúde.

Quase mil médicos recém-licenciados encontram-se actualmente no desemprego por incompetência da Secretaria-geral do Ministério da Saúde ao não os colocar, contrariando seu compromisso para com estes jovens colegas, nos mais diversos serviços hospitalares a partir do dia 1 de Janeiro de 2007.
E qual foi a resposta destes colegas? Dirigiram-se aos Serviços de Urgência e ofereceram-se para trabalhar voluntariamente, sem remuneração... Sim, porque doentes a necessitar de assistência médico, infelizmente, não faltam.

Embora esta questão apenas tenha vindo a público agora, a incompetência total e absoluta da Secretaria-Geral da Saúde, assim como o total desrespeito que existe para com os Médicos Internos da parte deste órgão, é um dado adquirido para quem, como todos os profissionais de saúde, dela dependem laboralmente.
Este Ministro é responsável pela primeira crise de desemprego médico em Portugal, não porque haja médicos excedentários, mas por mera incompetência do seu ministério em cumprir com as suas obrigações básicas.
O Ministro e o Secretário-geral devem um pedido de desculpas público para com os Médicos Internos e, tendo em conta os antecedentes, deveriam, a meu ver, ponderar seriamente a demissão das funções que actualmente exercem. Os erros surgem por culpa de alguém... esse alguém que o assuma.

3 comentários:

Camisa Azul disse...

O Ministro anda muito ocupado a abrir clínicas de abortos e a fechar maternidades e urgências hospitalares.

João Pedro Cruz disse...

Assumir as consequências politica é de facto algo que este governo não gosta de fazer...

um exemplo disso é o naufrágio de uma embarcação em Nazaré, onde 6 pessoas perderam as suas vidas... neste caso, teve de ser a dignidade "militar" a assumir as responsabilidades...

Cunilingus disse...

Meu caro Ricardo.
Ao ler menos atentamente o teu post pensei a dada altura, que talvez estivesse a presenciar o primeiro sinal do fim do cartel dos médicos em Portugal. Fui levado a imaginar que talvez, finalmente, o corporativismo da classe de Hipócrates tivesse deixado de manipular as vagas das especialidades, que actualmente apenas são abertas de forma a não mexer no bolso de meia dúzia de médicos, normalmente já bem colocados na vida e que não querem ver o status quo alterado.
Sinceramente, ao ler mais atentamente o que escreveste atingi que de facto esses recém licenciados estão no desemprego por incúria do ministério. Este facto é deveras condenável porque estamos a falar da vida das pessoas, sejam elas os médicos, que precisam de trabalhar, ou os doentes que precisam de ser tratados.
Apesar disso, não posso de deixar de te dizer que considero que uma das coisas que precisamos é de desemprego na classe médica. Passo a explicar:
Há falta de médicos no interior português. Porquê? Porque todos os recém licenciados querem ir para as cidades. Como há falta de médicos no interior, contratam-se espanhóis entre outros para suprir as lacunas. Estes acabam por demonstrar que apesar das dificuldades de comunicação são do ponto de vista académico tão bons como os formados em terras lusas.
Mas porque é que os médicos castelhanos vêm para Trás-os-Montes? Porque em Espanha, ao contrário de Portugal, a classe médica não manipula a formação de mais médicos e, como é natural, há desemprego entre os médicos, tal como há em todas as outras profissões.