segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Um ombro cheio de qualidades

Que publicações virtuais como o "lodo" aviem uns valentes pontapés na gramática ainda vá, mas o Expresso...
O erro foi já alvo de denúncia no programa televisivo de Diogo Infante, mas foi daquelas calinadas que saltou à vista dos mais atentos, logo no dia 4 de Novembro.
A propósito da notícia ao redor de uma denúncia de Agostinho Branquinho (deputado do PSD) sobre a alegada manipulação de um noticiário da RTP pelo Governo, o político é citado pelo semanário como tendo salvaguardado a "ombridade" do jornalista que teria sido alvo daquela pressão.
Ora, salta à memória o Congresso da JSD realizado em 1998, na Figueira da Foz, no qual o meu correlegionário Pinto Lobão exaltava a "hombridade do Pedro Duarte", explicando aos circunstantes que falava de "hombridade com 'h' porque era uma qualidade do homem e não do ombro"...
Embora cite de cor (já lá vão 8 anos...), nunca mais me esqueci de como um, então, jovem da JSD prevenia um erro algo grosseiro, mas usual.
Claro que também teremos de admitir que, mesmo em jornais ditos de referência, os lapsos sucedem. Porém, não só a revisão de textos (mais a mais na 1ª página, como foi o caso) deve ser rigorosíssima, como se me apoquenta o espírito sobre a formação de quem, por sua vez, forma a mente de muitos cidadãos.
Como no ensino em relação a novos professores, preocupa a suspeita de perda de qualidade e de "escola" no jornalismo, com a correlativa adopção de uma táctica de afrontamento do poder, que acaba, possivelmente, por encobrir algumas insuficiências próprias, como já se debateu por aqui.

7 comentários:

Dulce Alves disse...

Que "errar é humano", todos sabemos. Mas um erro ortográfico desse calibre, numa publicação com o alcance e o estatuto do Expresso e numa primeira página... ... é mais que grave, é preocupante!!!
Parece que a redacção do Expresso 'faltou'ao Campeonato Nacional de Língua Portuguesa promovido há uns tempos por este mesmo jornal...
Caso para dizer: uma segunda edição deste campeonato vinha mesmo a calhar!...

Rosa Moreto disse...

É caso para dizer "encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora" :)

Se vissem como os jovens escrevem hoje em dia, não só na net e nas mensagens, mas acima de tudo (e mais grave) na escola...choravam de certeza :.(

Eu sei que é grave e que estavam a falar de jornais, mas quando se fala em escrever mal só me lembro dos meus alunos...

Gonçalo Capitão disse...

Eu também dei aulas, durante dois anos, e fiquei arrepiado, muito para além da ortografia, com a própria sintaxe.

Um País como Portugal só pode defender-se pela via cultural, mas creio que estamos a jogar sem "defesas". Assim, dá goleada...

Dulce Alves disse...

Romy e Gonçalo,

de facto é preocupante o (horripilante) português dos jovens de hoje...

Já nem me refiro à escrita que se desenvolveu no uso das sms e dos chats, em que tudo está repleto de "k's", "x's" etc etc...

Mas quanto aos erros ortográficos graves - que para a Romy, enquanto professora, devem ser o pão nosso de cada dia - tenho a dizer que conheço pessoas que frequentam o ensino superior e escrevem pior que a minha avó (que, saliento, aprendeu a ler/escrever aos 65 anos com uma das minhas irmãs!).

Já vi muito boa gente na faculdade a escrever 'talvez' com 's' (!!!!!!!!!!) e coisas bem piores... (se é que é possível imaginar pior que isto!)

Eu, que me incluo nesta 'juventude' - é claro que também estou sujeita a dar as minhas 'calinadas'... - sinto vergonha quando vejo erros inacreditáveis como aquele.

Hoje temos mais escolaridade, mais acesso a livros/revistas/diccionários,televisão... e somos mais iletrados que os meus avós!
Não consigo compreender isto.
É que não consigo mesmo.

Gonçalo Capitão disse...

Dulce:

Tem muito a ver com a sobreinformação (uma edição de domingo do New York Times tem mais informação do que aquela que estaria disponível a um homem culto do século XVIII, durante toda a sua vida) e com o formato "pop" da informação, já que "emocionalizar" vende muito mais e é perceptível para gente intelectualmente adormecida.

By the way, para meu gáudio, voltaram a convidar-me para falar sobre o tema, outra vez, o que já não sucedia desde que me "aposentei". Dia 25, em Valongo.

Rita de Matos Oliveira disse...

Tirei um curso de Comunicação Social (3 anos de tronco comum)numa das Universidades mais afamadas do país e pouco ou nada aprendi acerca de bem escrever. Vi as maiores barbaridades escritas nos testes e cadernos dos colegas; ouvi professores dizerem que a sua função é corrigir conteúdos, não ortografia e pior do que isso, convivi com dezenas de pessoas que apesar de se estarem a preparar para trabalhar com a língua portuguesa no seu dia-a-dia não mostravam o mínimo brio por falar e escrever bem.

Só me espanta que erros como este não aconteçam mais vezes..

Gonçalo Capitão disse...

Rita

Saudando o teu regresso, digo-te que o que escreveste ainda me arrepia mais. Dessa não sabia eu...