quarta-feira, 15 de novembro de 2006

"Percepções e Realidade"… by PSL

Foi apresentado, no passado dia 13 de Novembro, o livro por muitos esperado: "Percepções e Realidade". Este livro de Pedro Santana Lopes (PSL) vem certamente dar uma visão pessoal dos desenvolvimentos histórico-políticos que resultaram na dissolução do Parlamento, em 2004…
Claro está que não deixa de ser a sua visão pessoal, mas, mesmo assim, julgo ser importante, para quem acompanha de perto estes assuntos, reter esta opinião!!!

Eu sou da opinião de que o período de 2002 a 2006 da política portuguesa será alvo de um “Case Study” para quem se dedicar à ciência política, no futuro…

Mesmo para os menos atentos, é fácil perceber que não é normal que se agendem eleições antecipadas num país com uma maioria parlamentar e com uma grave situação económica em resolução…
Mesmo justificando esta atitude do Presidente Sampaio com a crítica fácil de caracterizar o Governo de PSL com “falta de competência”, isso torna-a ainda mais complexa. Senão vejamos:


Quais foram os critérios de avaliação de competência utilizado pelo presidente Sampaio ao primeiro-ministro em 2004, tendo este apenas um mandato de 4 meses??? Mandato esse confiado, por esse mesmo presidente…
Será que foram os mesmos critérios que o presidente Sampaio utilizou para avaliar, entre 1996 e 2001, os governos do engenheiro Guterres??? Parece-me que não…

NOTA: a referência anterior ao período do “case study” de 2002 a 2006, não é um erro!!! As medidas do actual Governo são idênticas a muitas das medidas anunciadas pelo Governo de PSL em 2004… O que, realmente, difere é actual Presidente da Republica…

Sobre este assunto, não tenho mais nada a acrescentar, a não ser após a leitura do livro!!!
Confesso que também estou curioso por saber quais os comentários do Professor Marcelo no próximo Domingo, relativamente a este “relato” de PSL…

9 comentários:

Gonçalo Capitão disse...

Não sei se me sobra "pachorra" para ler o livro e se há € para tal, já que tenho vários livros em lista de espera.

Creio que acabarei por ler...

Numa coisa têm (tu e o dr. Santana) razão e defendi-o em dois debates televisivos, na altura: é uma interpretação da Constituição às "três tabelas" ou "psicadélica" optar pela dissolução de um parlamento, cuja maioria se dizia pronta a continuar.

O dr. Sampaio, que estimo, estava limitado porque as causas para demitir o Governo são tipificadas, como o deveriam estar as de dissolução da AR, algo que o PSD propôs na década de 90.

Contudo, entendo que isso não o autorizava a mandar para casa deputados que, como eu, estavam a desempenhar normalmente as suas funções. O problema do PR era com o Governo!

Lamentável é que a "esquerdalha" do BE não se tenha indignado, dessa vez, com uma interpretação, a meu ver, abusiva da CRP.

Gonçalo Capitão disse...

Quase me esquecia: bem vindo ao "lodo"!...

Agora, também temos de carregar "o" nosso Cruz!!! :)

Anónimo disse...

Gostei do artigo e partilho a ideia nele expressada o Sr Sampaio de facto foi mais um dos não faz nada da História deste PAIS além de não faz nada o que fez foi triste e deplorável, Parabéns

José Patricio

Rita de Matos Oliveira disse...

Bem-vindo:)

Não me pronuncio sobre o post porque no meu esforço de me tornar uma pessoa melhor decidi tentar falar apenas quando tenho algo de bom a acrescentar ;)

Democracia Social disse...

Nos últimos 12 anos, Santana Lopes governou Portugal em 2,8% desse tempo. Quando se dá a ideia de que Santana Lopes desgraçou o nosso país, tal argumento é uma anedota de uma ridícula piada, patética, intelectualmente estúpida!

Meus senhores, Portugal, nos últimos doze anos, foi governado pelo partido socialista em mais de 75% desse mesmo tempo!

Arre! Que raio de doença será a daqueles que têm uma obsessão, em tão abrupta e ignorante ideia?

Um Abraço,

Jaime Alves
Resende

Dulce Alves disse...

Reitero as boas-vindas ao JPC :)

Quanto ao teor do post, gostei da reflexão, mas penso que volvidos dois anos há que ultrapassar esta questão de descobrir 'culpados' e 'inocentes'...
Creio que depois de ler o livro talvez me sinta tentada a fazer por aqui algumas considerações...

Só mais uma 'coisinha':

PSL bem disse que não se despedia, que 'ia andar por aí'...

Isto faz-me lembrar aquela célebre frase de Churchill que diz que
'a política é quase tão excitante quanto a guerra, e quase tão perigosa. É que na guerra, é-se morto uma vez mas em política, várias vezes'.
...
Quantas vezes poderá PSL ressuscitar?!!? ... ...

Gonçalo Capitão disse...

Dulce

Embora seja inequívoco que ainda não ouvimos as suas famous last words (ele, aliás, aí está), não creio que o Menino Guerreiro volte a atingir o esplendor e o benefício da dúvida de outros tempos, por muito que o Jaime Alves tenha algum a-propósito no que diz (como é seu timbre).

Sara Brito disse...

Quando vi que PSL ia lançar um livro sobre a dita "conspiração" tive, inevitavelmente, de me lembrar do ressabiado Carrilho. É que mais parece uma questão de mau perder mas... opinião pessoal ;) Por outro lado, e tirando da balança a maioria com vontade de governar e a dissolução menos correcta de Sampaio, o certo, e aqui contra mim falo(leia-se PSD), é que Santana Lopes tinha legitimidade formal para Governar mas pelo que vi, ouvi, presenciei, não a tinha na prática (dada pelo "povo"), e isto, não pela cor política, mas sim por ser o próprio PSL. Também não penso ser este o culpado de todos os nossos males, até porque me parece terá PSL tido o "azar" de apanhar um ciclo económico menos favorável, que tinha as suas origens em anteriores Governos Socialistas e daí não lhe imputar a culpa. Agora, se poderia ter gerido melhor certas situações? Podia! Bem haja :)))

Rui Miguel Ribeiro disse...

Pedro Santana Lopes tem responsabilidade naquilo que aconteceu, mas francamente, não é o principal. A verdade é que ele nunca teve uma real oportunidade: entrou no campo de batalha debaixo de fogo contínuo (inimigo, "amigo" e "neutro") e recebeu o golpe de misericórdia de um Presidente da República que nunca teve as qualidades pessoais e políticas para o ser, como o prova o uso arbitrário e abusivo dos seus poderes constitucionais, depois de anos de ócio (no que concerne ao uso dos ditos poderes).

P.S. Não creio que o caso de PSL seja comparável ao de Carrilho: enquanto aquele aparentava calma e paz de espírito, este destilava ódio, fel e sede de vingança. Se fosse há 600 anos, tinha passado meia Lisboa a fio de espada.