terça-feira, 7 de novembro de 2006

Os amigos de Drácula

O Governo (e bem, tenho que reconhecer) pretende limitar os arredondamentos da taxa de juro do crédito à habitação, sempre que há uma revisão da taxa euribor.

João Salgueiro, que não sei se ainda se diz social-democrata (relembro que chegou a concorrer à presidência do PSD contra Cavaco Silva, em 1985), em nome dos bancos (é presidente da associação do sector), declarou que a banca não ficaria a perder, já que sempre restará a possibilidade de castigar os portugueses, aumentando o spread (a margem de lucro assumida dos bancos).
Indiferentes a qualquer consciência social, e resistindo à tentação de implantar dentes de vampiro, os nossos banqueiros mostram bem o grau de consideração que têm para com a situação actual do País.
Seria bom para os nossos banqueiros fazer o mesmo que eu, a seguir ao jantar de ontem, para os lados da Rua Jardim do Regedor, nos Restauradores, subindo a pé por esse lado da Avenida da Liberdade; veriam mais de uma dezena de pessoas dormindo na rua, embrulhadas em mantas e cartão.
Creio que o fenómeno humano da miséria implícita neste caso ainda tem uma dimensão que permite a sua resolução, não falando já na questão social e turística de se tratar de uma artéria que é um cartão de visita da capital portuguesa.
Bastariam umas milésimas dos ditos spreads, tornando-se, pelo menos, compreensível a sua existência e os sucessivos aumentos...
Contudo, aposto que os motoristas dos banqueiros são velozes ao passar na Avenida, que os restaurantes a que estes vão não são tão plebeus (apesar de tudo, ao Gambrinus pode ir-se pelo Rossio) ou que preferem o outro lado da rua...

2 comentários:

João Pedro Cruz disse...

De facto, é caricata a forma como o nosso sistema económico se organiza do ponto de vista da “fuga à responsabilidade social”…

Só para os espertos, quase sempre os mesmos, se percebe que existe na “lei da economia” formas de compensar, aquele que, supostamente, acha que irá ficar “descompensado”…

A estas formas (cada vez mais bizarras) de articular o conceito de esperteza na sociedade, aplicam-se termos tecnologicamente interessantes, tais como, spread, taxa moderadora, assinatura, taxa de passagem… entre outras, que certamente estão presente no vocabulário de uma organização social cada vez mais restrita…

Porque tenho responsabilidades sociais, sou um defensor das hierarquias e da recompensa ao esforço, à iniciativa e ao trabalho… mas também sou um ser humano, que reconhece o mesmo que o Gonçalo…

Já que o nosso País está a querer crescer, estão que cresçamos todos juntos sem deixar ninguém na valeta!!!

Obrigado Gonçalo pela tua visão (sempre interessante) e do teu alerta para as realidades do nosso País e da nossa politica!!!

1abraço,
Pedro Cruz

Gonçalo Capitão disse...

Não deixa de ser engraçado que, na tarde de ontem, o Primeiro-Ministro tenha anunciado mão pesada do Estado sobre o IRC a aplicar sobre a banca, logo sendo torpedeado pelo incontornável dr. Salgueiro com acusações de "peronismo" e "arrogãncia".

Será que João Salgueiro já leu uma boa biografia de Juan Peron ou é um chavão daqueles que as nossas figuras públicas adoram usar por dá cá aquela palha?

Sou do PSD, mas, tal como o dr. Marques Mendes, há alturas em que aplaudo algumas medidas deste Governo.