quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Trevas do vento que passa

Manuel Alegre e o seu MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania) começam a tornar-se, em meu entender, num oximoro, numa contradição política...
Numa sessão oficial, ontem, segundo a edição on-line do DN, o Poeta de Águeda "sem nunca mencionar o nome de José Sócrates, denunciou as reformas que são feitas contra as pessoas, a lógica neoliberal aplicada aos serviços de saúde, a consolidação das contas públicas encarada 'como um fim em si mesma' e os despedimentos na administração pública".
Ora bem, vamos por partes: por um lado, é natural que um militante da ala esquerda do PS tenha estas apreensões.
Mas, por outro lado, será que o Partido Socialista, até pela cultura política de que se gaba, milhares de vezes, o "construtor" da "Praça da Canção", não é hoje um local suficientemente democrático para que se ouça quem diverge? Dito de outro modo, pergunto-me se é necessário criar uma "equipa B" para se fazer ouvir?
Se aceitarmos a segunda hipótese, então, a desfiliação seria o acto mais natural e consequente. E claro que estaria fora de questão voltar a aceitar um lugar em futuras listas.
Porém, quando toca a prestar serviços à Nação (mesmo que ela os não encomende, como é o caso), o nosso Deputado Alegre lá se sacrifica por nós, como ilustra o caso de, apesar de se ter mostrado enfurecido com a intenção de António Guterres e José Sócrates de instarem a co-incineração em Coimbra (falo da primeira tentativa), ter limitado a sua consternação à mudança da lista da Lusa Atenas para a de Lisboa (como se não tratasse do mesmo partido e do mesmo secretário-geral...).
Não sei quando esmorecerá esta verdadeira MICose, mas vivemos trevas no vento que passa.

2 comentários:

Ricardo Cândido disse...

Engraçado que tenho uma colega de trabalho que pertence ao tal MIC e que me colocou uma ficha de inscrição à frente!!!
Fiquei com uma MICose tal que ainda não me passou.

A verdade é que esse tal movimento, ao que temos visto, tem apenas servido de instrumento crítico ao poder politico do Eng. Sócrates. Se o poeta caçador pretende que a relevância cívica do seu MIC se resuma a isso, parece-me no trilho certo.

Sara Barbot Roquette disse...

Cuidado que vão subir as taxas moderadoras... Toca a evitar as urgências...

(Gonçalo: Porra, pá... és brilhante!!!)