domingo, 22 de julho de 2012

Será que conseguimos separar o trigo do joio?


Há uma história que ouvi há uns anos numa conferência que nunca mais esqueci e que tem a ver com este vídeo que gostaria que assistissem (demora cerca de dois minutos e meio).



Tudo parece normal. Quantas vezes nos deparamos com os chamados “artistas de rua”, alguns com muito talento mas que devido ao stress do dia-a-dia os ignoramos, seguindo nosso caminho.

Com este violinista aconteceu precisamente o mesmo no metro de Washington, e nem as 6 peças de Bach que tocou durante 45 minutos fez com que as cerca de 1100 (aprox.) pessoas que passaram pela estação fossem dissuadidas de irem onde quer que fossem.

Esta seria uma história igual a tantas outras, não fosse o violinista… Joshua Bell, um dos músicos mas conhecidos e talentosos do mundo que esgota salas por onde quer que passe e cujos bilhetes por espectáculo rondam os 100 USD.


A experiência, organizada pelo Washington Post pode ser lida aqui com mais detalhe.

As interpretações podem ser várias… Como referido em epígrafe, podemos perguntar se conseguimos separar o trigo do joio? Ou então, se temos a capacidade de distinguir o talento em locais inesperados? Porém, para mim, a conclusão é muito simples: “um bom produto não é suficiente”.

3 comentários:

Defreitas disse...

Caro companheiro do Lodo : Se o objecto é de apontar uma ironia, isto é um publico que pode e é capaz de pagar uma fortuna para ver ou ouvir obras primas, ( ou obras julgadas como tal) enquanto estas mesmas obras expostas ou executadas fora do seu contexto suscitam a indiferença, creio que a “experiência” do “Washington Post “ pode ser vista assim.
Salvo que não são forçosamente as mesmas pessoas ( as do metro e as que pagam fortunas para assistir aos grandes concertos clássicos).

Indo frequentemente a Paris, vi e ouvi muitos desses músicos do metro. Muitas pessoas devem pensar : “coitado do musico, ele ganha a vida dele a tocar musica no metro!” E por vezes lá deixam uns cêntimos no cesto ! Outras, se reconhecem e conhecem um pouco de musica, acompanham-na até desaparecerem ao longe! Claro que têm outra coisa a fazer que escutar musica nesse momento! Eu sou um deles. Se o artista me parece bom, levo a musica comigo, o mais longe possível. Mas não paro! Nunca parei para « escutar », mas estes músicos embelezaram pequenos momentos da minha vida e é inesquecível !

Para poder realmente “escutar” musica preciso do ambiente apropriado!

Parece-me difícil beber bom vinho num copo plástico! Mesmo se tem bonitos desenhos no copo!

De qualquer maneira não penso que seja o musico nem a musica que são o objecto da “experiência”, mas a nossa capacidade a ressentir emoções em contextos difíceis.

Gonçalo Capitão disse...

Concordo com o nosso amigo Freitas Pereira.

Acho que há coisas que carecem da "embalagem" apropriada, embora possam existir experiências interessantes de fusão. Há muitos anos os Deep Purple tocaram no Royal Albert Hall, a artista Diamanda Galas executou uma missa satânica (como espectáculo performativo, nota) numa catedral católica em Nova Iorque e os GNR tocara com a Banda da GNR (corporação que, no início, os processou judicialmente). Os paradoxos podem ter piada, mas todas as circunstâncias elencadas pelo Freitas Pereira fazem com que ache esta experiência pouco interessante.

Ricardo Cândido disse...

A minha conclusão até nem está muito longe da vossa.
Esta experiência é muito utilizada na área do marketing, aliás, costumava referi-la nas minhas aulas. A conclusão é que mesmo que o produto seja bom, há um conjunto de variáveis que não podem ser negligenciadas (o tal copo de plástico). ;)