quarta-feira, 3 de junho de 2009

Uma pipa de massa

Mesmo quem acompanhe com olhar crítico a campanha para as eleições que escolherão os nossos deputados ao Parlamente Europeu arrisca-se a ficar na mesma ou a desaprender…

Senão, vejamos: bem sei que sou suspeito (sou militante), mas entendo que, ainda assim, a campanha mais “europeia” tem sido a de Paulo Rangel. Creio que o ainda líder parlamentar do PSD não só tem elevado nível intelectual e boa preparação académica (se o partido não estiver tão mal como alguns alvitram, há que contar com ele, mesmo noutros cenários directivos), como tem procurado discutir questões verdadeiramente comunitárias, como ilustra o exemplo recente da agricultura e as palavras anteriores sobre o alegado desacerto de determinados usos para os fundos comunitários (designadamente, o TGV). Ajuda a experiência europeia de elementos da lista como Carlos Coelho, ajuda a sensatez do cabeça de lista, mas, ainda assim, tem ido demasiado “a jogo” em mesas de apostas baixas (quando se enreda em polémicas com o PS sobre a presença ou ausência dos líderes e sobre os excessos de linguagem de um candidato socialista – Vital Moreira – que quando mudou do PCP para o PS não actualizou todo o software, como prova a desbragada linguagem “comicieira” da “roubalheira” e catilinárias afins).

Este mesmo Vital Moreira, com toda a sinceridade, deixa pálida imagem da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, de que tanto me orgulho… o Professor anda perdido nos temas mais lamacentos e que usa abusivamente; procurar afectar o resultado do PSD pelo ainda indefinido processo de apuramento de responsabilidades de algumas figuras do Banco Português de Negócios é tão sujo como procurar afectar o resultado do PS com alguns dos casos que procuram ligar ao seu Secretário-Geral, algo com que eu jamais pactuarei. Vital Moreira enrola-se na sua “língua de prata” (“roubalheira”?!), afunda-se no poço da seu desconhecimento sobre o País (troca o nome de minas e não sabe quando a promessa de que se aproveita verá a luz ao fundo do túnel…) e não larga a manga do casaco de José Sócrates, cujo prestígio procura vampirizar, numa tentativa de disfarçar o erro de casting que foi a sua escolha.

Quanto aos demais, Nuno Melo aproveita inteligentemente o papel do CDS no caso BPN (que de Parlamento Europeu tem “zero”, como sói dizer-se), o PCP tenta, ridiculamente, responsabilizar PS e PSD por uma crise que se sabe ser mundial e o Bloco de Esquerda permanece igual a si próprio: acintoso, sem programa coerente e com muita demagogia barata.

O meu receio é que, no fim da campanha, os portugueses apenas continuem a ter do Parlamento Europeu a ideia de que é um lugar onde se arrumam algumas figuras, a ganharem rios de dinheiro… É pouco, convenhamos…

1 comentário:

Tiago disse...

Vital Moreira conseguiu o facto histórico de esta semana, ter obtido 0 votos na eleição para o Conselho Cientifico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Mais estranho ainda é que um dos eleitores é Gomes Canotilho, reconhecido Socialista...
Será que já nem os da sua cor acreditam em Vital Moreira?!
Espera-se que os portugueses que se afirmam descontentes com o governo, saibam mostrar agora e nas legislativas ao Eng. Sócrates que a sua forma de governar é errónea!