segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Palpites

O Lodo estreou-se nas sondagens com uma consulta sobre a surpresa que os leitores esperavam no discurso de Manuela Ferreira Leite, na Universidade de Verão do PSD. Votaram 25 leitores e, reproduzida a demanda, os resultados foram:



"Manuela Ferreira Leite vai supreender com o discurso de dia 7?"

  • Com'ó caraças - 16% (4 votantes)

  • Sim, mas em medida piquena - 36% (9 votantes)

  • Nadinha - 48% (12 votantes)

Ou seja, numa primeira leitura, podemos dizer que cerca de metade dos nossos leitores e/ou colaboradores entendiam que nada de novo havia a esperar em relação a um discurso que a líder da oposição fizera envolver em expectativa, durante um mês. Tal traduz, a meu ver, um profundo desencantamento com a política e, por outro lado, a ideia de que o PSD é um partido que deve ganhar o poder por alternância e não pela conquista galvanizadora da vontade do povo português.

Se lermos, por seu turno, o magro pecúlio acumulado pelos que entendiam que a drª Manuela iria surpreender, vemos o quão cabisbaixa anda a nossa gente e o seu conformismo com uma ingovernabilidade do País para a qual venho alertando.

Contudo, importa entrar no discurso em si e formular uma opinião. Creio que alinho pelo diapasão da maioria dos militantes do PSD: a Presidente é de uma seriedade inquestionável e foca os temas da actualidade.

Dito isto, cumpre anotar que a metodologia continua próxima da seguida pelo Professor Cavaco Silva; com este silêncio Manuela Ferreira Leite, ao manter o País regulado pela sua agenda, quase pode dizer-se que ensaiou uma sequela do "tabu" levado a cabo pelo primeiro sobre a hipótese de recandidatura, em 1995 (se o leitor se esqueceu, Fernando Nogueira lembrar-se-á cristalinamente...).

Falou quando e como quis e sobre o que muito bem entendeu, o que, na nossa "mediocracia", é um grito do Ipiranga que, mesmo que simbólico, temos que louvar (ao silêncio acresceu a circunstância de a drª Manuela ter resistido à tentação de falar à hora exacta dos noticiários). E, como disse, creio que falou com a-propósito: a insegurança é tema magno, no qual o Governo tem falhado e optado pela cosmética; precisamente, a propaganda institucional do Governo é de monta jamais vista na democracia portuguesa e, por fim, questionar a mais-valia dos vultuosos investimentos públicos anunciados é democrático, necessário e, quiçá, acertado.

Não obstante, a questão que colocávamos era de outra sorte: falávamos da capacidade de surpreender, algo que julgo necessário, quando é certo que os eleitores se perguntarão qual a razão pela qual hão-de mudar de Sócrates para Ferreira Leite e do PS para o PSD.

Aí, entendo que Manuela Ferreira Leite caíu no "nadinha", não tendo adicionado emoção e mobilização ao já grande descontentamento que há para com o Executivo. E tal nem teria que violar a máxima da líder, que parece apontar para não revelar políticas alternativas antes do período eleitoral; bastava que falasse à razão, mas também à emoção, denunciando e entusiasmando, criticando e animando... Em alternativa e conhecido o risco que há em fazer promessas na conjuntura global dos dias de hoje, poderia fazer política low-cost, prometendo pouco e comprometendo-se em remediar o possível deste Portugal ingovernável.


Não fazer nem uma coisa nem outra pode bem potenciar a ideia (que não desejo) de dizer, antes de "fazer a cruz", que "para ser igual, mais vale deixar o que lá está"... No entanto, também não me custa reconhecer que Manuela Ferreira Leite e a sua equipa percebem muito mais disto que este amante da piquena análise política... Espero que tenham razão!

1 comentário:

Dulce Alves disse...

Confesso que pertenço à maioria (da sondagem) que acreditou que MFL surpreenderia "em medida piquena". Mas a nossa líder não tirou proveito do suspense que girava em torno do seu silêncio estival, nem sequer chegou a surpreender...
Com o mesmo tom enfadonho com que nos vem habituando - bem sei que o teor do discurso não era para menos, mas... - pintou um país com as tonalidades com que qualquer telejornal diariamente o faz, sem acrescentar nada de novo à pintura. Focou temas cruciais, é facto. Mas, e acicatar as hostes? Lançar debate, pôr o dedo na ferida, fazer tremer o Sr. Engenheiro? Disso, nada. Um mês de jejum para nada. Até Jerónimo de Sousa - que sofrerá de alguma verborreia - teve maior e melhor repercussão nos media com o seu discurso no Avante que Ferreira Leite em Castelo de Vide...