segunda-feira, 21 de julho de 2008

A JS e o pecado da heterossexualidade

Legalização da prostituição, casamento e adopção por homossexuais, quadro legal para os transsexuais e direitos LGBT (seja lá o que isso signifique...). Eis os temas que dominaram o XVI Congresso da JS, que elegeu este fim de semana novo líder. Sintomático? Muito.

As jotas são frequentemente criticadas por andar a reboque dos partidos, sem marcar posição. E vai daí, a JS quis agarrar uma mão cheia de bandeiras, considerando que quanto mais polémicas, melhor. Atentando ao conclave dos jovens socialistas e à sua actuação nos últimos tempos - desde a participação em marchas LGBT às conferências sobre casamentos homossexuais - concluo que as prioridades da JS estão longe de respeitar as verdadeiras preocupações que atemorizam os jovens portugueses.

Quando uma juventude partidária relega para segundo plano a própria juventude e a igualdade e dignidade daquela em matéria de Educação, Emprego, Habitação, Saúde, Cultura, Cidadania, Associativismo, etc, é grave. Quando uma juventude partidária cinge a sua agenda política em função da mediatização que determinadas tomadas de posição possam dar, é muito grave. É porque não está convicta do alcance que a sua voz e a sua actuação podem ter na sociedade. É porque é movida a coisa diversa do interesse dos jovens, é porque aprecia mais a política de show-off que a defesa das verdadeiras políticas de juventude. Gravíssimo, digo eu!...
Em nome da igualdade - porventura o suprasumo dos princípios - a JS dedica-se a assuntos respeitantes a minorias, não se dando conta de que menospreza a maioria dos portugueses e as suas desigualdades (bem mais graves) que à mercê do Governo socialista grassam neste país.

6 comentários:

Gonçalo Capitão disse...

LGBT = lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (tradução que não sei se é correcta de transgender ou seja, os que mudam de sexo)...

Concordo que seja oportunista e lamentável para os jovens heterossexuais que a JS se consagre quase exclusivamente a isto, embora me não choque que TAMBÉM falem nisto.

Dulce Alves disse...

Gonçalo,

o "seja lá o que isso signifique" respeitava aos direitos em si, não à expressão LGBT que bem definiste e que hoje já é corrente quando se fala destas matérias.

A mim também não me choca absolutamente nada que a JS traga estes temas a debate. O que me choca é que estejam reféns destas matérias fracturantes e que, por outro lado, ignorem os reais problemas que estão a fracturar o país.

Gonçalo Capitão disse...

Sim, mas não partas do princípio de que toda a gente que não tenha a tua idade conhece estas siglas.

Humildemente confesso que só há pouco sei o que é e aposto que não sou o único.

Se te referias aos direitos, os "cotas" como eu solicitam-te o favor de explicares algumas siglas.

João Pedro Cruz disse...

Será que é assim tão importante para Portugal a legalização imediata do casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Num país onde as necessidades básicas “das camadas jovens” são enormes, tais como, a falta de infra-estruturas para a ocupação dos tempos livres, o aumento do desemprego, os cursos superiores sem mercado de trabalho, o combate à droga, o aumento constante das tarifas dos transportes públicos, o inaptidão dos institutos da juventude, o trabalhos precário (principalmente no inicio da carreira profissional), o sempre almejado assunto relativo às propinas, a lei do arrendamento e habitação para os jovens com menos rendimentos, as residências universitárias (ou falta destas), etc… a js preocupa-se com o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Parece-me que com motivações deste tipo a “incendiar” um congresso da js, tenho de dar razão às pessoas que acusam constantemente as juventudes partidárias de andar a brincar à politica!!!
Isto claro está não desvalorizando a questão, embora a considere inoportuna no que respeita à urgência...

RB disse...

Sobre este assunto, tenho uma questão: o que aconteceria se, em caso de legalização da prostituição e de esta passar a contar como profissão, o que aconteceria a uma mulher, no fundo de desemprego, que rejeitasse a oferta de trabalho (para prostituta)? Contaria como uma recusa ou não ?

Gonçalo Capitão disse...

rb: não sei se está a brincar, mas o conceito "legalizar" é errado, quando se fala de prostituição.

A prostituição não é ilegal (o lenocínio ou proxenetismo sim, bem como o tráfico de seres humanos), antes se vivendo no mais selvático liberalismo.

Cá por mim, defendo que regulamentar o exercício da prostituição é uma solução resignada, mas que tem a ver com o facto de jamais se ter erradicado a "mais velha profissão do mundo". Dou o exemplo da Bielorrússia onde ela é proíbida, mas tem que ligar para a recepção dos hóteis (decentes) para pararem de aborrecer.

Os ganhos seriam na saúde, dignidade humana, combate ao crime associado e outros...