domingo, 1 de junho de 2008

Vence Manuela Ferreira Leite


Confirmou-se por volta das 20h de ontem. 37,67% dos votos davam a vitória a Manuela Ferreira Leite, que se fazia seguir de Pedro Passos Coelho, com 31,07%.

Não havia, nestas eleições, candidatos de sonho. Em Passos Coelho atestamos a sua determinação e boa imagem, uma forte capacidade de mobilização, uma vontade de ruptura e de resgate do partido do bloco central. É indelicado chamar-lhe aprendiz de Sócrates, mas não deixo de considerar que é complicado dar o futuro de agora a alguém sem passado. Não coloco toda a validade de um candidato no seu currículo, mas dada a importância desta escolha, a experiência era um ponto importante, fosse para a vitória ou para a derrota. Foi, por isso, falacioso o argumento de campanha de que, com Passos Coelho, só se debateria o futuro e ninguém lhe poderia pedir justificações sobre o passado. Seguidamente seria natural que a sua proposta de viragem à direita não agradasse a todos e que o seu liberalismo misturado com preocupações sociais soasse a mal cozido. Fora isto, PPC esteve à altura e agradou também pela sua visão não conservadora da vida social, outra marca de diferença dos outros candidatos.

Da vencedora confesso que não mais espero do que o finalizar das querelas internas no partido, uma linha de orientação com sustento e conteúdo, uma oposição. Com o seu estilo anti populista acabou por dar sinais de algum comprometimento ao não se manifestar sobre algumas matérias, fugindo às respostas concretas – jogou, por isso, mais no escuro e isso deve ser assinalado. Posto isto MFL acabou por, apesar do que implica dizê-lo, potenciar o seu perfil sobre as propostas para o país. Perfil esse, que valendo o que vale, enquanto dirigente política ou cidadã, se transformou no capital político da vitória.

Balanço final das directas – foi um exercício intenso, que não sofreu do mesmo alheamento das de Setembro último. Trouxe alguma reflexão sobre o país e a governação. Os portugueses seguiram com atenção um debate que também foi o das ideias. E para o PSD, abriu-se um caminho de esperança. Importante é, agora, MFL aceitar a colaboração de Pedro Passos Coelho. Um resultado de 31% pode significar a continuidade das querelas e da desunião. Se Leite não o fizer coloca em cheque a unidade do partido, aquilo que, verdadeiramente, os eleitores e militantes desejam com estas eleições.

5 comentários:

Gonçalo Capitão disse...

Excelente texto. Eu também hei-de palrar sobre esta interessante disputa, mas não sei ante dizer que concordo com a necessidade de civismo e respeito pela vontade da maioria, no interior do PSD.

Infelizmente, esse nosso desejo depende muito pouco da drª. Manuela...

Paulo disse...

Este é um resultado que não dá margens para grandes vencedores. Considero até que, necessariamente, teremos que ter alguém no partido a debruçar-se sobre ele.

Se houve um aumento de militantes eleitores ao abrigo do argumento do interesse por este acto eleitoral, como se justifica um valor muito idêntico?

Que resultados seriam se fosse apenas uma disputa MFL X PPC ou MFL x PSL?

PPC perde porque perdeu em distritos onde não devia ter perdido, nem pelas diferenças com que aconteceram. Ex. Madeira, Gaia, Aveiro.

MFL não pode fugir à análise que 63% dos militantes votantes não queriam a estratégia por si defendida. Terá que passar por ela a decisão de união do Partido. PPC já se demonstrou disponível para ajudar a criar uma maioria de suporte da nova liderança.

Porque como ele demonstrou no seu discurso de encerramento do processo eleitoral ele está convictamente empenhado em fazer parte de um “Todo por Portugal”.

Paulo disse...

Desculpem no 2º paragrafo faltou complementar a ideia colocando-a comparativamente "às eleições directas entre MM e LFM".

Tânia Morais disse...

Este post no Público de ontem! Parabéns Diogo!! *

RB disse...

Como já te disse, acho que a legitimidade de Ferreira Leite é, em parte, equiparável à de Luís Filipe Menezes quando ganhou as eleições.

Um ganhou sem adversários de peso. Outro ganhou com 6% de vantagem sobre o segundo e 7% sobre o terceiro.

É óbvio que a eleição não está em causa. Mas os resultados desta eleição mostra o quanto o PSD está dividido e a necessitar de uma verdadeira liderança forte.

O choramingão do Menezes não foi líder para um partido que se diz aberto a várias tendências. Se era aberto a várias tendências, deveria estar mentalizado para as afrontas que iria encarar.

As citações ao senhor das barbas são, no mínimo, de baixo nível. Mostra bem o escárnio que Menezes nutria pelos seus opositores.

Em suma: não sei se Manuela é mulher para agarrar o partido. Mas esse nem é o obstáculo mais difícil: o obstáculo mais díficil é bater o Príncipe de Trás-Os-Montes nas próximas legislativas.

Eu não sou futurologista, mas acho que isso não vai acontecer.