terça-feira, 22 de abril de 2008

Responsabilidade Social: ética empresarial ou... fogo de vista?


Não restam dúvidas de que a Responsabilidade Social está na moda e que cada vez são mais as empresas e organismos que revelam preocupar-se com as questões sociais e ambientais. Hoje, Dia Mundial da Terra, foi clarividente a aposta de alguns sectores na sensibilização da sociedade civil para as problemáticas ambientais. Dos jornais e televisões - que fizeram pertinentes referências à data - às empresas - que anunciaram como têm vindo a fomentar as boas práticas ambientais - até as autarquias, empenhadas em melhorar qualidade de vida local e em contribuir para um mundo mais verde.

Em Lisboa, a cadeia de gelados Ben&Jerry’s associou-se à CML e à Quercus e promoveu uma campanha ambiental intitulada “Assine o compromisso por uma Lisboa mais limpa e sustentável”, a qual incentiva a população a contribuir para a produção de energias renováveis, o aumento de eficiência energética e a redução de emissão de gases com efeito de estufa. Mas este não foi um caso isolado, porque pelo país não faltaram iniciativas idênticas, ainda que mais ou menos mediatizadas.

Se ainda tinha algumas reservas quanto às boas intenções das empresas em assumir este tipo de compromissos - duvidando desta súbita vaga de sensibilidade e ética- hoje pelo menos verifiquei que há efectivamente positivos sinais de mudança de mentalidade dos portugueses. Espera-se é que esta moda não seja efémera. Que seja para ficar e que não se resuma somente a uma atitude puramente estratégica.

1 comentário:

Ricardo Cândido disse...

Bom tema e muito actual.

Esta "súbita vaga de sensibilidade ética" de que falas não é inocente, bem pelo contrário...

O busílis é que as empresas já se aperceberam que uma política de Responsabilidade Social bem pensada e executava é uma mais-valia, porque não só acrescenta valor às suas marcas como também reduz custos de promoção.

Tens vários exemplos cuja promoção empresarial é fundamentalmente à base da RS e com imenso sucesso, como por exemplo a Delta. Quem não se lembra de um café para Timor?

Numa óptica empresarial, em vez de se falar em Responsabilidade Social fala-se em Sustentabilidade Estratégica, porque a RS é cada vez mais estratégia, que tem de ser sustentável.

O voluntarismo em apoiar causas sociais e ambientais tenderá a aumentar, Dulce. Há é que separar o “trigo do joio”, porque não faltam casos em que súbitas apostas em políticas de RS mais não são do que tentativas de lavagem de imagem(NIKE e o trabalho infantil na Ásia).

Com mais tempo, volto ao tema.

Bjs