sexta-feira, 18 de abril de 2008

A demissão


Luís Filipe Menezes demite-se, depois de seis meses de liderança e sete de pancada: dos notáveis, que enfrentou em nome de um projecto de devolução do poder às bases; de uma comunicação social impiedosa, que, explorando a falta de coesão interna do partido e da própria direcção nacional, muito contribuiu para o desgaste da sua liderança. Nas últimas semanas, figuras desta direcção, proferiram afirmações incompreensíveis, às vezes inaceitáveis. Fácil de entender a dificuldade em fazer uma oposição credível ao governo socialista. Seria coerente com a sua narrativa que Menezes se voltasse a apresentar a votos, nestas directas. Mas com este estado da arte e perante os adversários que se aproximam, o seu regresso, que alguns desejarão, não passará de uma miragem.


1 comentário:

Dulce Alves disse...

Dizes bem - seis meses de liderança e outros tantos de pancada... Costuma dizer-se que "os cães ladram e a caravana passa".. mas no caso, ninguém aguenta, a menos que seja masoquista..!

Para mim, o mais curioso de tudo isto vai ser verificar que agora que os visionários (para não dizer garganeiros) têm o caminho aberto para mudar o rumo das coisas... vão enfiar a cabeça na areia, quais avestruzes. Falar é fácil, actuar é que...

Quanto a Menezes, também eu espero que se apresente a votos - revelaria não só coerência mas sobretudo persistência, não desistindo de levar avante o rumo que delineou para o partido. E a ser de novo eleito confirmaria que só não chegou onde era esperado porque não contava encontrar mais obstáculos internos que externos...

Nesta embarcação, há quem ainda não tenha percebido que se não rumarmos todos para o mesmo lado não chegaremos a lugar algum...!