quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Os amigos e as ocasiões






O Ministro dos Negócios Estrangeiros vai, hoje, ao Parlamento, explicar os voos da CIA e da Força Aérea Israelita, que passaram pela base das Lajes.

Vejamos alguns pontos que se me oferecem comentar sobre este assunto:

O que mais me preocupa é saber até que ponto estão a fazer gato-sapato da nossa soberania; isto é, gostaria de apurar se os governos responsáveis pelos aviões que por ali passaram tinham ou não de nos passar cartucho ou se, tendo passado, é uma informação que deve ser mantida confidencial (algo que me parece razoável).


Os media actuais, achando-se mais legitimados do que o poder político, não têm a lealdade de explicar à opinião pública que a política externa e a política de defesa são áreas nas quais o segredo pode, desde que proporcional e excepcional, justificar-se.


Depois, há que optar: ou temos aliados, ou não. A verdade é que, num conflito contra movimentos terroristas que assassinam inocentes, sem qualquer respeito por qualquer princípio de humanidade, e Estados de Direito e democracias como os E.U.A. e Israel, a minha escolha é por estes últimos.


Não me parece que seja atropelo sequer comparável ao dos criminosos da Al Qaeda e do Hezbollah transportar clandestinamente prisioneiros para centros de detenção, onde, mercê da natureza quase incontrolável do fenómeno terrorista, estarão sujeitos a procedimentos menos ortodoxos, mas, ainda assim, muitíssimo mais humanos do que os que os interrogados usaram contra homens, mulheres e crianças inocentes. Como é óbvio, menos ainda me horroriza que se transporte material bélico, seja ele ofenseivo, defensivo, não ofensivo ou qualquer outra palermice que lhe queiram chamar. É para um exército democraticamente supervisionado (veja-se que Israel abriu um inquérito sobre a actuação das suas forças armadas, algo que só deve existir no Hezbollah quando o criminoso não consegue suicidar-se ou matar em número suficiente...) e não para semear o horror entre civis, como as armas que a Síria e o Irão fornecem ao chamado Partido de Deus.


Claro está que um processo como o de Guantanamo só é sustentável enquanto for excepcional, temporário e não envolva tortura ou qualquer outro apoucamento sádico do ser humano. Ainda assim, se estiver em causa salvar "n" vidas inocentes, concedo que há que admitir alguma latitude no "diálogo". Mesmo aqui, repare-se que os E.U.A. ordenaram, de imediato, inquéritos aos infames casos da prisão de Abu Grhaib, no Iraque.


Por mim, face à barbárie de certos canalhas, do Médio Oriente à Chechénia, não hesito em tomar partido.


Como não nascemos ontem, recomenda-se atenção para o previsível e apalhaçado comportamento de alguns deputados, como os do Bloco de Esquerda...

7 comentários:

plutao4 disse...

Consta que o " Novo Jornal já não vai sair…pelos menos na data prevista.
Comentava-se num dos bares da cidade que o Moura contou com o ovo no cu da galinha …parece que quem lhe terá prometido o carcanhol para avançar com o semanário terá dado ao chinelo. Será caso para dizer que foi um parto prematuro…ou foi mesmo aborto?

Camisa Azul disse...

Os governos europeus são lacaios do imperialismo americano.

Alves disse...

Esta é uma questão que desperta muita da minha atenção, especialmente quando, em Portugal, se fala relação de Israel com os países “vizinhos”.

A este respeito, tenho lido vários textos que o Professor Pacheco Pereira, pessoa por quem tenho a mais alta estima intelectual. Peso tratar-se de um sabedor, que tem feito pedagogia em torno desta problemática, com factos e sem histerismo! Algo que o Bloco de Esquerda sabe fazer exuberantemente, mas, ao contrário, ou seja, com palhaçada do mais alto grau, mas sem verdade.

Vejamos:

É bom lembrar, que a União Soviética foi a nação, que mais patrocinou a resolução da ONU para a partilha da Palestina, na defesa da criação do Estado de Israel.
É bom lembrar, que o “Avante” do PCP defendia a criação do Estado de Israel. “Clandestino saudava a luta de Israel contra as monarquias feudais árabes.” “Os socialistas e a sua Internacional deram grande apoio político ao jovem estado”. (JPP)
É bom lembrar, que: “Para Israel muito pouco mudou desde o dia 15 de Maio de 1948 em que imediatamente a seguir à formalização da independência pela ONU, os estados da Liga árabe declararam guerra a Israel que foi atacada pela Jordânia, o Líbano, o Egipto, o Iraque, e Arábia Saudita. O secretário geral da Liga árabe, Azzam Pasha, invocou a jihad e apelou a uma guerra de extermínio.” (JPP)

É bom lembrar, que Israel nunca fez nenhuma guerra que não fosse de carácter defensivo e que teve sempre em vista a sua própria subserviência, enquanto Estado-nação.

É bom lembrar, que fazer a paz com que nunca a procurou é uma tarefa impossível, por mais que se queira. Não por vontade de um Povo, sim pela vontade das suas elites.

É bom lembrar que o Presidente do Irão se recusa, terminantemente, a reconhecer o Estado de Israel, afirmando mesmo que Israel “deveria ser varrida da face da Terra.

Por fim:

Fico estúpido, quando jornalistas do nosso Portugal, iluminados pelo conhecimento, procuram, com razão, “ladrões” de dinheiros públicos, e fecham a “matraca” quando se fala em financiamento de organizações terroristas. Fico completamente palerma, quando, com razão, defendem direitos humanos, mas fecham a “matraca”, quando se fala do “status role” da mulher, em alguns contextos árabes.

Devem ser os media de massas que merecemos ter…


Um abraço,

Jaime Alves
Resende-Viseu

Gonçalo Capitão disse...

Caro Jaime:

Sê bem aparecido!

Subscrevo em número e género! :-)

Luis Cirilo disse...

Sabemos todos,de há muito,que falar dos EUA,da CIA e afins dá sempre tempo de antena,mediatismo e desperta a atenção.
Desde que se fale mal como é evidente !
Claro que os Louças de todos os quadrantes(sim porque na area politica do PSD e do PS também existem especimes desses)adoram falar desses temas na justa medida em que isso lhes permite auto afirmarem-se como guardiões da moral,da justiça e da democracia.
Por mim,com a clareza habitual,não me importam nada os voos da Cia com suspeitos de terrorismo.
Importa-me muito mais o que aconteceu faz hoje 5 anos em Nova Iorque,o que aconteceu em Madrid ou em Londres,actos ignóbeis perpretados por "compagnons de route" desses passageiros de voos suspeitos.
É que na guerra global contra o terrorismo,que é a guerra decisiva para a nossa civilização,os americanos ~são dos "nossos" e a Al Qaeda e respectivos seguidores sãos os inimigos.
Nesta matéria só há lugar ao preto e branco.
O cinzento está excluido.

Gonçalo Capitão disse...

Nem mais, Luís!

Rui Miguel Ribeiro disse...

Para não chover no molhado, subscrevo o post e os comments!