quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Profecias para Torres Vedras

Muito se tem especulado sobre o próximo congresso do PSD, o que é perfeitamente natural, diga-se.

Entendo, porém, que não será daqui que virão novidades de monta e digo-o por motivos variados, nos quais arrisco a minha nula propensão para vidente.

Em primeiro lugar, entendo que, como é de esperar, alguns integrantes da longa marcha menezistas tenham algumas contas a ajustar e queiram por isso “mostrar as penas”. Não falo tanto da armada do Norte que acompanha o novo líder há bastante tempo e para quem a vitória foi o culminar de um processo natural. É precisamente a Sul, por parte daqueles que vinham passando maus bocados com o consulado mendista, que pode haver algum excesso pós-revolucionário.
Se bem que, neste caso há um factor de ponderação: saber se há “negociações” bem encaminhadas para que o antigo premier assuma a liderança parlamentar.
Aqui chegados, meia dúzia de palavras sobre esta hipótese: se eu fosse parlamentar e apoiasse Santana Lopes tudo faria para que assim fosse; seria o renascimento, bem mais cedo do que, provavelmente, o próprio previa (teria compensado “andar por aí”…), para além de que os duelos com o engº Sócrates passariam a ser uma delícia irrenunciável – bem longe dos açoites que o Primeiro-Ministro gostava de dar ao dr. Marques Mendes.

Todavia e por muita auto-confiança que possua, se eu fosse o dr. Luís Filipe Menezes não sei bem se acharia conveniente ter num plateau onde não estaria (Menezes não é deputado) um ex-Primeiro Ministro, Ex-Presidente de duas câmaras, ex-Secretário de Estado, etc, etc, etc…
Ainda para mais tratando-se de uma personalidade carismática e que vive em união de facto com a notoriedade, sem que tenha de fazer algum esforço para isso. Dito de outro modo, será errado se a ponderação do dr. Menezes for ditada ou pelo medo da projecção do dr. Santana ou, ao invés, pelo excesso de confiança, entendo que não virá daí qualquer sombra.

É uma decisão interessante e difícil, cuja margem fica ainda por determinar; que é como quem diz que, podem ser as evidências do xadrez do grupo parlamentar a ditá-la.
Será curioso, também aqui, ver o que diz o próximo fim-de-semana laranja.

Em terceiro lugar, entendo que o Congresso poderá valer a pena para lermos os realinhamentos dos chamados “barões” e do grupo dito de barrosistas que, embora envergonhadamente, apoiou Marques Mendes.

Finalmente, facto a que Menezes e os seus são alheios, será divinal ver centenas de menezistas tipo “Royal” (ou seja, instantâneos) ou de pedidos encapotados de desculpa por não terem visto a “luz” mais cedo, uma vez que em 2009 há listas para todos os gostos…

terça-feira, 9 de outubro de 2007

In memoriam

Tive oportunidade de conviver algumas vezes com o dr. Fausto Correia, sobretudo em Lisboa (ironias do destino), antes e durante a minha experiência parlamentar.

Conhecia-o já pela sua passagem pela Briosa, mas, a mais de uma ideia sobre o político de eficácia tremenda (o seu nome era falado para Coimbra, a cada eleição autárquica), ficou sempre a recordação do homem de fina sensibilidade social e de boa "bagagem" cultural. Um dos livros que citei no meu próprio livro e que antes usara na minha tese de mestrado foi indicado por ele, no final de uma noite de conversas cruzadas ("Notícias do Planalto: a Imprensa e Fernando Collor" de Mario Sergio Conti), fazendo uso da sua vida no mundo do jornalismo.
É um daqueles amigos-adversários que faz falta...

Estou chocado...


Hoje, quando vinha no carro a ouvir as notícias da manhã, fiquei "chocado" com as novidades lá prós lados da Covilhã.

Inicialmente até pensei que tivesse sido mais um assalto (sou de Viana do Castelo e ainda tenho presente o "pânico" no centro da cidade durante o assalto ao Museu do Ouro – julgo que todos sabem do que estou a falar)...

Mas não, foram agentes da PSP que entraram supostamente (termo obrigatório) nas instalações de um sindicato de professores para "dar uma formação" de como se faz uma manifestação ao sr. Primeiro-ministro...

Ver noticia em:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20071009_Polemica+na+Covilha.htm

Será isto a flexisegurança*???

“Estou pasmado!!!”


(*) - brincadeira do autor do post devido à conjugação das palavras de flexibilidade e segurança de policia de segurança pública

domingo, 7 de outubro de 2007

O essencial... e o @cessório

Li, há dias, que José Sócrates anunciou - a propósito do "Plano Tecnológico dos serviços públicos" - que em breve será possível fazer marcação de consultas médicas via electrónica.
Vangloriando-se (justamente) da escalada na acessibilidade e qualidade da administração electrónica, Sócrates anunciou ainda a nova geração de lojas do cidadão e ainda a progressiva acessibilidade dos cidadãos com deficiências a sites governamentais.
Quanto à conveniência destas duas últimas medidas, nada a apontar.
Mas quanto à ideia de marcar consultas online, parece-me um pouco desajustada à realidade do nosso país.
Será que o nosso PM tem noção de que, por muitos computadores que ande a distribuir, há por aí muitos lares sem acesso à internet?
Será que o nosso PM faz ideia da quantidade de pessoas que se levantam de madrugada e rumam aos centros de saúde, numa espera interminável (e muitas vezes em vão...) por 5 minutos de atenção do médico de família?
Será que o nosso PM está a par do número de portugueses que não têm sequer, médico de família?! (Os últimos números apontam para 750 mil...)
Será que o nosso PM ainda não percebeu que de pouco serve a modernização se não temos um SNS bem gerido?
Caro PM, concentre-se no essencial...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Vem aí mais “cor” dos Radiohead!!!


A banda de Thom Yorke vai lançar no próximo dia 3 de Dezembro um novo álbum intitulado In Rainbows.


Longe vão os tempos em que a letras incompreendidas e o rock “hiper” alternativo foram substituídos por melodias e sonoridades que fidelizaram público em todo o mundo…

Os álbuns dos Radiohead tornaram-se assim uma "caixinha de surpresas"…


O sétimo álbum desta banda, In Rainbows, não foge á regra!!! Desta vez, a grande novidade (mesmo antes de o ouvir) é o facto de quem o quiser, só terá de fazer um simples download da internet pelo preço que achar conveniente pagar… que até pode ser zero €!!! e isto já a partir de 10 de Outubro…
Ir a:

http://www.inrainbows.com/


Já se comenta em terras de sua majestade que os autores do “Creep” estão doidos ou não têm amor ao dinheiro…


Talvez não.


A meu ver, In Rainbows será um marco na luta à pirataria e na consciencialização do consumidor. Agora o mercado discográfico terá de repensar a estratégia e apostar no modo de valorizar o fiel comprador de CD’s… o consumidor por sua vez, terá de começar a respeitar o “criador” para permitir que este continue a criar!!!

Talvez este Arco-íris traga mais cor à música… e não só!!!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Quem tem medo compra um candidato

E eis que o dr. Marques Mendes foi derrotado.

Pelo menos da minha parte, não o foi sem aviso...

Efectivamente, a mais do estilo descolorido e pouco entusiasmante com que fez oposição, a forma como se enclausurou num “bunker” de palmadinhas nas costas feito em relação ao que era o seu forte – o contacto personalizado e afável – e como concessionou a colaboradores arrogantes e persecutórios o trabalho de relações pouco públicas e, seguramente, nada urbanas – tudo isto, dizia eu – foi cavando um fosso entre a cúpula partidária e as sempre referenciadas, mas nem sempre cuidadas, bases do PSD.

E nem se trata de “pisar quem perde”, mas sim de rever a matéria dada...

Todavia, creio que a análise ficaria incompleta se não fossemos a outros pontos. Em primeiro lugar, entendo que é de mau gosto culpar as “directas”, como fizeram muitos “notáveis” sociais-democratas. Em si, a eleição directa do presidente é apenas um processo, dependo os juízos morais do uso que dele se faça. Ou seja, as chamadas directas tanto podem conviver com os mais notáveis espíritos e as mais filigranadas formulações ideológicas, como podem ser um gigantesco tanque para lavagem de roupa suja.

Não vale sequer a pena recuperar exemplos de desmandos plebiscitários (tipo República de Weimar, que teve as consequências políticas que se conhecem com o apogeu do nacional-socialismo), pois, também neste caso, não só se trataria de um abuso especulativo, como seria um atestado de menoridade aos militantes do PSD que, se estão habilitados a votar “directamente” num Primeiro-Ministro (por muito que se elejam deputados em listas, no subconsciente está a escolha de um líder partidário para Chefe do Governo), parecem não poder ser dignos dessa confiança quando o assunto se prende com o seu líder partidário.

Com isto não fica dito que esteja ainda em fase pueril de entusiasmo com as directas. Entendo, hoje (nem sempre pensei assim, reconheço sem problemas), que se perde muito debate sem a disputa em congresso; agora, o que não posso aceitar é que se objecte às directas com o argumento de que se não controlam supostas pulsões malignas da turba inculta, mais a mais quando, desconfio, teríamos uma militância esclarecida, na opinião dos agora insatisfeitos “barões”, caso fosse outro o resultado.

E por falar na dita fidalguia, de novo, um ponto de ordem: falamos de pessoas por quem tenho imenso respeito, que deram muito ao País e ao PSD (se falamos da geração fundadora, note-se, pois parte da que sucedeu inverteu um pouco o sentido da dádiva…) e em quem deposito esperança para com as gerações mais novas fazerem um movimento de tenaz que, no mínimo, coloque pressão na faixa etária que, actualmente, lidera a vida interna do PSD e que, como já escrevi, se profissionalizou e enquistou, com consequências óbvias para o sistema partidário e para a vida pública portuguesa.

Todavia e no sentido irónico dos termos, não deixo de achar uma certa graça às figuras gradas do PSD que parecem envolvidas numa onda de consternação, desde a vitória de Luís Filipe Menezes… Se estavam genuinamente empenhadas no que entendem ser o futuro desejável para o PSD, por que suportaram a liderança nitidamente “partisan” (entenda-se, de aparelho) de Marques Mendes? E por que lhe deram verdadeiros beijos de Judas, apoiando com nítida resignação, ao estilo “do mal, o Mendes”? E, por fim, por que não arranjaram o tão anunciado D. Sebastião (leia-se, 3ª via)?

Agora, o que temos é uma liderança legitimada e pertencente a um grande autarca do PSD.

A mais dos votos do sucesso tradicionais, espero que o dr. Menezes não copie os vícios que criticou e, desde logo, seja tolerante no debate e abrangente nas opções.

Quanto ao “medo” que o novo líder parece suscitar, diria que quem tem medo “compra um candidato”!...

domingo, 30 de setembro de 2007

Directas PSD - Ilações e Elações

Neste rescaldo das Directas, assisto - com maior ou menor perplexidade - ao desfilar de tolices proferidas pelos ditos entendidos, i.e. militantes social-democratas de relevo, constitucionalistas, dinossauros socialistas, analistas políticos, opinion-makers, etc...
Pouco me surpreende a moralista Paula Teixeira da Cruz anunciar a “derrota dos valores e dos princípios”. Ela que, qual profeta, já tinha anunciado uma eventual fuga da nata social-democrata.
Não me estranha Pacheco Pereira, entretido a fazer malabarismo com a bandeira e, nos intervalos, a vaticinar o fim do partido.
Tampouco me choca o sempre inoportuno Soares, a falar em “desgraça”, quando o próprio é que já não cai na boa graça de ninguém…

Agora, o que me revolta é que os maus perdedores se refugiem em estereótipos que não são passíveis de ser aplicados a esta eleição - fazendo crer que a batalha se travou entre Lisboa/Província; Elites/Bases; Pseudo-Intelectualismo/Populismo, e por aí fora…
Surpreendem-me aqueles que dão tamanha importância às tais elites sociais-democratas. As elites que fogem - como o Diabo foge da cruz - nestes momentos decisivos; aquelas que só afloram quando lhes é propício; aquelas que maldizem o partido, mas na hora H, acomodam-se e não ousam chegar-se à frente.
Muito me espanta que haja quem continue a subestimar Menezes, mesmo depois da inaudita vitória da passada sexta-feira. Que haja quem acredite, como o Prof. Marcelo, que Menezes só venceu porque houve um conjunto de factores que não abonaram Mendes, incapazes de reconhecer o valor e o mérito de Menezes.
E incomodam-me solenemente os partidários do pessimismo, a vaticinar catástrofes de danos irreparáveis.
Restam - valha-nos isso - algumas vozes menos altivas e um pouco mais sensatas, aqui e acolá.
Esta última, reconhecendo que “a candidatura de Menezes tem defeitos”, admite simultaneamente que “com ele a líder laranja, o Governo de Sócrates nunca mais terá a podre paz em que estamos. E tudo estará em aberto para 2009”. Amén.

Nota

Apenas para relembrar que caso haja “nevoeiro” em 2009, a história dirá (partindo do principio que não haverá interrupção voluntária ou involuntária) que em 18 anos, o PS esteve 15 no poder.
Os tais senadores ou notáveis, a quererem fazer brincadeiras entretanto, convém que não se lembrem apenas agora da possível estatística.

Pilhas Duracel.. e dura e dura e dura...

Como era de esperar, choveram críticas, algumas até a atingir o inqualificável, a Luís Filipe Menezes e às bases do PSD pela escolha feita na sexta-feira.

Nada de surpreendente visto que, no essencial, são mais do mesmo.
No alto dos meus 29 anos :-), e fazendo um “rewind” até 1995, foi dito que o partido estava dividido com Fernando Nogueira, o mesmo com Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso igual, com Santana Lopes então era o holocausto, com Marques Mendes, o que se sabe.

sábado, 29 de setembro de 2007

Há gente burra paga por nós

Acabo de ouvir na RTP1 o anúncio promocional do jogo Dínamo de Kiev vs Sporting, na terça-feira.
Tudo estaria bem se o locutor não tivesse dito que o "Sporting vai à Rússia".
O meu medo é que quando o Sporting for jogar com o Manchester e com a Roma, digam que vai à Figueira ou a São Paulo.
E, já agora, senhor jornalista: por que é que não vai à... à escola?!

Primeiras notas do Requiem

Sem júbilo digo que o dr. Marques Mendes, para começarmos a análise da derrota de ontem, pode pensar em três coisas que, manifestamente, não compensaram:
  1. Cinzentismo enfadonho na oposição.
  2. Autorizar os colaboradores mais próximos a tratar com punho fechado e língua de prata quem discordava, ainda que criticasse Mendes com elevação.

E escusam os "donos" do Partido de dizer que vem aí isto ou aquilo. O que vier vem por mérito do dr. Menezes, mas também pela arrogância dos que escolheram o Presidente cessante por resignação ("do mal, o Mendes").

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Valha-nos Deus

Santana Lopes voltou às grandes jornadas!...
Aquela de, anteontem, abandonar o estúdio da SIC Notícias, após ter sido interrompido pela chegada de José Mourinho ao aeroporto, foi de mestre.
Primeiro, porque mostrou que o futebol não pode sobrepor-se aos assuntos de Estado (a análise das eleições no PSD é-o).
Depois, porque, sendo mediático, mostrou a uma televisão que a lógica do lucro/audiências pode não ficar impune.
Por fim, recuperou pontos, numa altura em que o ambiente interno faz o PSD oscilar entre a happy hour numa loja Imaginarium e uma festa de homenagem póstuma a Boris Ieltsin (será difícil explicar que ninguém bebeu...).

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O que sobrou do Partido

Pela primeira vez no meu já longo percurso partidário decidi não revelar o meu sentido de voto nas eleições para a presidência do PSD.

Faço-o por dois motivos axiais: por um lado, porque, genuinamente, ponderarei, até ao momento de pousar a caneta no boletim de voto, se votarei num dos “Luíses” (só um deles é hipótese) ou em branco.


Por outro lado, porque tenho dificuldade em distinguir entre a escuridão que faz à meia-noite e aquela que se sente às três da manhã…


A meu ver, como tenho dito, não saem isentos de culpas os chamados “barões”, que indicando implicitamente que fazem uma escolha do tipo “do mal, o Mendes”, não se fizerem ao caminho para encontrar uma solução entusiasmante, sussurrando a desculpa táctica de que o não faziam para evitar dividir o eleitorado de Marques Mendes, assim matando esperanças acrescidas a Menezes.


Na hora de balanço e contas, se a favor do actual premier laranja abonam o bom currículo parlamentar e governativo e, apesar da relutância, o apoio do friso de notáveis do partido, sobre ele paira a sombra da continuidade de uma oposição cinzenta e triste, bem como a grilheta da nebulosa a que comummente se chama “aparelho”.


Já Luís Filipe Menezes podemos abonar com o soberbo trabalho na Câmara de Gaia e com um estilo mais “colorido”. Mas é também este último que podemos arrolar como incógnita, dado que o PSD ainda sofre com o “excesso de cor” do estilo de Santana Lopes. Em segundo lugar, causa apreensão, para quem conheça, parte da comitiva que, entre outros, inclui alguns dos estrategas do naufrágio de 2005 e respectiva metodologia.


Juntemos a isto as lamentáveis novelas em torno do pagamento de quotas por Multibanco e vales postais e o episódio do “vota e não vota” dos militantes dos Açores e temos que o PSD, na genial frase de um amigo, está entregue “ao que sobrou do partido” (descontadas as figuras de proa que, evidentemente, têm reconhecidos méritos, quer causem mais ou menos entusiasmo).
E nem custa reconhecer que ambos os candidatos falam com propriedade do peso do Estado na economia e na sociedade, do défice, da saúde, das pequenas e médias empresas e dos grandes investimentos que, por exemplo, são o grande trunfo da governação de Gaia.


Porém, como no ilusionismo, importante é a mão que o mágico esconde… Que sociedade teremos daqui a vinte anos, se cada um deles concretizar o seu ideal social (aceitando como premissa de partida que o têm)? Que medidas têm, a mais daquelas de gestão corrente, para que Portugal cresça mais do que o resto da União Europeia e, assim, mostre que lemos as lições da Irlanda? Que ética propõe para os tempos da novas tecnologias, do consumismo exacerbado, do terrorismo, do relativismo moral e da criação de direitos de propriedade sobre seres humanos?


Sei que este é um daqueles textos que mais valia não escrever, se me norteasse pelo calculismo, já que não agrada a qualquer dos beligerantes. Porém, prometo que até amanhã (dia da votação) estarei atento. E também prometo que estarei atento às soluções que venham a desenhar-se para o PSD, mas sobretudo para Portugal…

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Pago eu ou pagas tu?


O secretário-geral do PSD denunciou ao CJN o pagamento de quotas em pacotes. Pacotes de 100, 200 e por aí fora até aos milhares...

Alegadamente são quotas pagas por apoiantes de Luís Filipe Menezes.

Eu pergunto: ao fazer esta denúncia, quererá o sr. Miguel Macedo insinuar que na candidatura que apoia tal não aconteceu? Ou estamos perante o ressurgimento dos valores e da ética na arte de fazer política?

"Beauty is nothing without brains"*

Vídeo do Concurso Miss Teen USA, no qual uma candidata dá uma disparatada resposta a uma simples pergunta do júri, facto que veio relançar a eterna discussão da associação de beleza à falta de inteligência.

Uma das padronizações sociais mais comuns é a de que 'as mulheres bonitas não são inteligentes'. Esta generalização, como as demais generalizações, é injusta. Contudo - reconheça-se - tem algum fundamento.
É facto inegável que muitas mulheres usam a sua beleza como um trampolim para o sucesso. O problema, sob o meu ponto de vista, não está em usar a beleza como trunfo no caminho para o sucesso profissional e pessoal.
O problema está nas que, numa lógica de comodismo e superficialidade, se fazem sobressair somente pelos atributos físicos, subestimando as suas próprias qualidades morais e capacidades intelectuais.
Este tipo de conduta por parte de muitas mulheres é censurável, mas verdade seja dita: a própria sociedade tem quota-parte de responsabilidade.
Ora porque delas não exige mais - as que se encaixam no padrão de beleza são "levadas ao colo" por quem as rodeia, sem necessidade de lutar pelo que quer que seja.
Ora porque assim as estimula - refiro-me à obsessão pela estética e a cultura de vaidade que imperam na sociedade moderna.
Quando o físico e a beleza são ditos como sinónimos de sucesso e riqueza, mulheres (e homens...) acabam por descurar o essencial e tornam-se desprovidos de sentimentos, ideias, valores e projectos. Valem unicamente pelo seu aspecto físico.
A juntar a isto, programas em que a exploração da ignorância feminina é a palavra de ordem (como o recente reality show "A Bela e o Mestre") e ainda a publicidade e as capas de revista que as despem - e aqui, aponte-se justamente o dedo à conivência por parte delas... - de roupa, valores e afins... vêm dar sentido a estes estereótipos que teimam em denegrir o papel e a importância da Mulher na sociedade.
*slogan surripiado a uma antiga publicidade da Mercedes-Benz

domingo, 23 de setembro de 2007

Prémio "Então, por que é que não dizes aos acólitos que te imitem na tolerância?!..."

Expresso, 22 de Setembro de 2007, pág.2
(é mesmo verdade):
"(...) Com o dr. Santana Lopes fiz o que qualquer militante deveria fazer: fui ao congresso expor as minhas divergências. Ninguém mais foi. Mas nunca fiz campanhas sitemáticas contra um líder do partido".
Isto é tudo muito engraçado de se dizer, se nos esquecermos de instruir os nossos "rapazes", quando, um dia, nos toca a nós... É como aquela história de a Defesa Nacional e os Negócios Estrangeiros serem áreas de Estado (subtraídas à barganha partidária); é assim até que alguém se atreva a acreditar nisso...

sábado, 22 de setembro de 2007

Se pedirem com jeitinho...

As valentes senhoras de uniforme são parte das forças armadas da Pridnestrovskaia Moldavskaia Respublica, sobre a qual já falámos...
A mais dos argumentos menos subjectivos, parecem-me merecer que se lhes faça a vontade (independência da Moldávia)...

Mais a sério, parece que fizeram um referendo lá no sítio, com uma afluência de 79% e que 97% terão imitado em relação a Chisinau (capital moldava) o que Mário Lino disse em relação ao aeroporto na margem sul: "jamais" (agradece-se a fineza de ler em francês)! A fonte é da Transnístria (ou Pridnestrovie ou Pridnestrovskaia Moldavskaia Respublica) e resta saber se o destino que vão ter é o da Ota...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Porque nem todos os russos são inteligentes...


... Abramovich despediu The Special One, que deu ao Chelsea mais glória em 3 anos, do que todos os outros em toda a sua história.
E agora?! Que faço à hora de almoço, no fim de semana? O Liverpool (clube que aprecio) é treinado por um hermano (e há que embirrar com eles)... Talvez o Cristiano...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

4 a 3

Numa sondagem indoor do "Lodo", apurámos que 4 elementos afirmaram apoio ao dr. Menezes e 3 ao Dr. Mendes.

Ou seja:

Menezes 57%
Mendes 43%

Porém, há que explicitar o método e algumas notas sintomáticas:
  1. Dos 7 membros do "Lodo" que militam no PSD (a Sara, a mais de andar sem pachorra para nos aturar, tem outras "cores"), apenas dois garantiram ter o seu voto determinado (um para cada lado), oscilando os demais entre o voto branco e o "seu" candidato.
  2. A "sondagem" foi feita com o pressuposto de que era necessário escolher um dos dois candidatos (Castanheira Barros foi excluído para dar hipótese à concorrência).
  3. Está tudo agoniado com o que vê no PSD...

Do partido de elite ao partido “delete”

Como sempre chega o dia em que se não pode varrer mais nada para baixo do tapete, chegou a altura em que, abusando da vossa benevolência, há que confrontar a poeira que o actual estado do PSD acumulou debaixo do meu super-ego (uso os termos da psicologia para descrever uma auto-censura que me tem vindo a impedir de escrever sobre “isto”)…

E pego em declarações que, salvo erro, pertencem ao mandatário de Luís Filipe Menezes, Ribau Esteves – que terá dito que nenhum dos candidatos lhe “enchia as medidas” – para confrontar o estado de espírito da militância do PSD. Por exemplo, no blog em que escrevo regularmente, apenas dois dos sete elementos que militam no PSD afirmam convictamente (e não o escrevem) que têm um candidato. Ou seja, a desmotivação existe, mas a vida agitada e a cultura mediática destruíram aquilo que existiu até meados da década de 90: lideres intermédios, instâncias de debate e moderação (designadamente, as sedes partidárias eram lugar de convívio e de debate) e capacidade de mobilização de base para arranjar alternativas ou, simplesmente, para lançar avisos à navegação.

Hoje, o militante partidário (e ainda mais o eleitor) é um consumidor de política que, qual comensal, escolhe de uma ementa mais ou menos vasta aquilo que os chefes decidiram cozinhar.
E também não é difícil de explicar por que é que o pouco debate que poderia ter lugar não é estimulado: porque não interessa à imensidão de “cinzentões” e “seguidistas” que se apoderou do famoso “aparelho”.

E porque é feio não concretizar estas coisas, cá vai disto: tendo empurrado a parte da geração fundadora (os não menos célebres “barões”) para a galeria de memórias - sem se ter preocupado em aprender coisas como “bagagem” cultural, sentido de Estado e ética comportamental – e apenas franquiando de bom grado as portas aos elementos das gerações mais novas que joguem o “jogo” com as regras daqueles ou que, reverencialmente, “beijem o anel”, grande parte das segundas linhas tornaram o partido numa sede de impressão de panfletos para eleições, à boa maneira do que se fazia, quando se concorria a eleições para associações de estudantes (deste naipe excluo os candidatos e os nomes mais conhecidos, embora os não isente de responsabilidades por celebrarem autênticos pactos com esses “diabos”).

Com isto fica de fora o debate ideológico – importante para que se defina a sociedade que se quer concretizar – e a possibilidade de governar com metas de longo prazo – as únicas que podem contraria a tendência que Portugal tem tido para se afundar na União Europeia, mesmo com 27 países. Por cá, em consequência disto, vamos esperando que os governos do partido oposto caiam de podres e governa-se com metas de gestão corrente (o défice e outras contas de mercearia), como se o mundo, para citar Rui Reininho, terminasse às Portas de Benfica…

O mais sério, a meu ver, é que se instalou, em virtude de ter perdido densidade o debate interno, uma cultura de intolerância que causa estranheza a quem, como eu, ainda pode participar em assembleias concelhias e distritais marcadas por acesas, elevadas e democráticas trocas de argumentos. Hoje - senti-o na pele - candidatos ao lugar de primeiro-ministro permitem que os seus mais directos colaboradores (têm nome, mas a hora não é de “homenagem”) enxovalhem alguém cuja opinião não cumpra o diktat oficial, tornando quase pecado qualquer referência à génese do PSD e a Francisco Sá Carneiro (que não conheci, mas sobre e de quem li bastantes textos).

E é neste contexto que José Sócrates se permite presidir com calma olímpica aos destinos da União Europeia, sem qualquer receio de que a vida política nacional o faça cair do pedestal de popularidade em que as sondagens o colocam, bem como ao PS. Seria isto pensável, havendo boa oposição, tendo ainda em vista os sacrifícios que têm sido impostos aos portugueses?

O PSD, perdida a elite, dedica-se, hoje em dia, ao “delete” (termo popularizado pela informática, que significa “apagar”)!...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Zapping

Amanhã à noite, o comando cá em casa vai alternar entre a RTP1 e a SICNotícias.
De um lado, a Liga de Campeões com o meu Benfica na luta por um lugar ao sol frente ao AC Milan.
Do outro, Luís Filipe Menezes na luta por um lugar ao sol (leia-se: liderança do PSD) num frente-a-frente com Luís Marques Mendes.
A noite promete...

domingo, 16 de setembro de 2007

sábado, 15 de setembro de 2007

Galhardia

Temos acompanhado com interesse a participação dos valentes "Lobos" no Campeonato Mundial de Rugby, onde, recordamos, jamais participara uma selecção amadora, como a nossa.
Hoje, perdemos por 108 a 13 com a melhor equipa do mundo, a Nova Zelândia. Com todo o respeito e orgulho, era como se, no futebol, as Ilhas Fidji defrontassem o Brasil, com a agravante de que, aqui, se pode cavar mais o fosso, pela natureza do sistema de pontuação.
Porém, há mais, para além de não termos deixado o resultado tornar-se anormal (a Itália, que está no top 6 europeu, perdeu por 76 a 14...):
  • Respeitámos o adversário e a nossa bandeira, não nos encolhendo.
  • O jogo foi, dentro e fora do relvado, uma festa.
  • Ganhámos o respeito dos adversários que, sem fazerem o jogo das suas vidas, nunca abrandaram a carga, à boa maneira da moral prática do mundo anglo-saxónico.

E pego nesta referência à maneira anglo-saxónica de estar na vida para dizer que, em Portugal, é isto que nos falta no futebol, no trabalho, na vida quotidiana e na política...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Caro Ricardo (bancada parlamentar):

...Sendo suspeito para comentar o teu texto - fui um dos que PSL entendeu que não era essencial (algo que é legítimo e, dado o que se viu, quase prestigiante) e que "levou" com o PPM e o MPT (as mais caras boleias da história parlamentar) - creio que estás certo.

Pedro Santana Lopes, como quase todos antes dele, foi permeável à "mercearia" a que os partidos normalmente se entregam na distribuição de lugares.

Em bom rigor, deveria pensar-se de que equipa parlamentar se precisa à chegada, assim constuindo um "plantel" equilibrado por especialidades, características pessoais (tribunos, negociadores, técnicos, etc) e, moda oblige, de género.

Porém, "diz-me quantos votos tens, dir-te-ei o teu lugar numa qualquer lista" é mote mais comum, com as consequências que se sabe...

E o pior, caro Amigo, nem é o futuro do "administrador do Lodo" (que a amizade te leva a citar) que está em causa, mas sim o futuro do País, que se afunda a cada estudo estatístico publicado pela União Europeia, entre outras coisas, por estar tão mal servido de classe política.

Quanto a Marques Mendes, creio que mostra que quem nasce para uma coisa nem sempre consegue ser outra e que há coisas que o tempo não melhora.

Se já era mau que o premier social-democrata atacasse o seu exército (mesmo que mau, é o que tem), tentar disfarçar o que disse (basta ver a edição de ontem do "Público") ainda me parece pior (note-se, todavia, que me enojam as vozes púdicas que andam, desde 2005, a dizer o mesmo que Marques Mendes, mas que agora parecem chocadas). Seguiu a marcha do caranguejo...

Já que assumiu uma crítica (para mais, não totalmente infundada e, menos ainda, inaudita), deveria manter o que disse e mostrar com que critérios vai corrigir o tiro. O pior, já se sabe, é que os critérios serão mais ou menos os mesmos, mudando apenas as lealdades a contentar.

Aceita um abraço amigo do
Gonçalo

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Sábado, na Sport TV

Eles têm a Haka, nós temos a Portuguesa. Força "Lobos"


Dias de Tempestade

As declarações de Marques Mendes sobre a constituição das listas de deputados têm suscitado debate nos últimos dias.
Não estando inclinado a votar em Marques Mendes, reconheço que essas declarações foram das mais certeiras que Marques Mendes fez nos últimos dois anos, pelo simples motivo que só não vê quem não quer, e que o Grupo Parlamentar da coligação PSD/PPM/MPT é mesmo fraco.

Podemos começar com as quatro boleias aos tipos do MPT e aos monárquicos, que para além de não acrescentarem valor à bancada, são irrelevantes do ponto de vista eleitoral. Posso estar a ser injusto, mas não me lembro de uma única vez que essas personagens se tenham destacado em ambiente de assembleia da república, nem de nenhuma proposta que tenham feito.

Podemos também falar da deslocalização de deputados de norte a sul, até às ilhas, sendo um erro de casting à escala nacional.

Poderá haver ali falta de liderança para que o grupo funcione bem, dirão alguns, outros (ou os mesmos!) que Marques Mendes não tem capital para proferir tais declarações, visto que não se tem destacado, ou então que Marques Mendes enquanto líder do partido nunca deveria ter proferido tais coisas.

Até posso concordar com alguns desses argumentos, no entanto, há que reconhecer que Marques Mendes colocou a nu uma evidência que se constatou logo na altura em que foram feitas essas listas. E MM tem toda a razão ao dizer que foi uma herança pesada, porque na realidade, o foi.

Pode-se criticar o dr. Sampaio pela queda do Governo de Santana. Mas não podemos é esquecer a gritante falta de visão estratégica de PSL (pós queda, realço!) relativamente ao futuro do partido, que em muito contribuiu para o estado em que estamos.
Vamos ter que aguentar com a tal “noite de nevoeiro” até 2009.

Depois, com um desplante assinalável, segundo ouvi na rádio, PSL espera justificações por parte de MM. Não será que deveria ser PSL a ter que explicar ao partido o autoritarismo e os critérios que tiveram por base a sua escolha na elaboração dessas listas? Será que ele não vê que está escrito nas estrelas?

Poderão sempre dizer que há muita gente com valor na bancada do PSD, mas, todos temos valor, uns mais, outros menos.
Votos? Nem todos têm.
Amigos? Bem, é melhor falarmos em “companheiros” de ocasião.

PS: será que o administrador do "lodo" não tinha lugar entre os eleitos? Será que lhe falta valor?

Jornalismo de "opinião"



São já várias as notícias vindas de Inglaterra e que entram nas nossas casas via RTP, da jornalista Sandra Felgueiras sobre o caso do desaparecimento da menina Madeleine McCann .

Independentemente do desfecho deste caso, ou a Sandra Felgueiras sabe alguma coisa e que me escapa, ou, na minha opinião, é de muito mau gosto a insistente tentativa de chacinar na praça pública os pais da menina "desaparecida".


Para uma vez mais influenciar mentalidades e atitudes em Portugal, o Lodo apela ao bom senso jornalístico da Sandra...

"Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti!!!"
"Inocente até ser considerado culpado!!!"
Lembra-te de nossas senhora de fátima de Felgueiras...

sábado, 8 de setembro de 2007

Videotas

Sempre evitei pronunciar-me sobre o triste desaparecimento de Madeleine McCann e continuarei a não o fazer. É um caso de polícia e, como tal, não me parece que possa especular-se com senso.
Há, todavia, dois aspectos que não posso deixar escapar, pois já assim actuara em 2002 (defesa da minha tese de mestrado) , 2004 (edição do livro a que aquela deu origem) e passim em diversas intervenções: falo da cultura mediática e da mediocridade intelectual que, à míngua de uma escola moderna e de uma classe política capaz de pedagogia (saindo de entre os eleitores, os políticos estão, de igual modo, em versão pop), se foram instalando.
A televisão é causa de adormecimento do pensamento (Sartori fala em "Homo Videns" e João de Almeida Santos do "Homo Zappiens") e a Internet fracciona-nos, podendo levar-nos, já que não há uma ética concebida à dimensão da pós-modernidade em que vivêmos, a ignorar problemas ou até a nutrir perversões.
Além disso, ao mesmo tempo que dão informação, causam sobre-informação (estima-se que uma edição de domingo do New York Times forneça mais informação do que a que estaria acessível a um homem culto do século XVIII, durante toda a sua vida*), levando-nos a, na impossibilidade de escolher o certo e o errado, vogar ao sabor de empresas que, além de informar, gostam de lucrar, nem que seja manipulando as emoções para o indulto, num dia, e para a condenação, no outro, fazendo com habitemos um mundo em que um sujeito que esteja debaixo dos holofotes se encontre perante a discricionaridade a que estavam submetidos os gladiadores de Roma, embora, agora, perante um "César mediatico".
Se mais provas fossem necessárias, bastou ver a triste figura que, ontem, dezenas de populares fizeram, apupando a mãe de Maddy, pelo simples facto de os media anunciarem que podia ser constituída arguida, como veio, aliás, a suceder com ambos os progenitores.
Independentemente do desfecho do caso, se sempre achei exageradas as manifestações de solidariedade nas missas, acho estúpida a vaia de ontem. Mostra a pobreza de espírito dos consumidores da nova (in)cultura mediática e prova a irresponsabilidade das empresas de comunicação social e dos políticos e a ineficácia, neste domínio, das universidades.
*Cito, com tradução nossa, não a Wikipédia :))) , mas sim Donald Wood ("Post-Intellectualism and the Decline of Democracy (The Future of Reason and Responsability in the Tweentieh Century)", Westport, Connecticut, Londres, Praeger Publishers, 1996).

Nunca me deu tanto gosto bater na boca

Receava eu que o caso "Somague" se arrastasse e servisse para enlamear a já desprestigiada classe política e a Procuradoria-Geral da República pôs fim à especulação, afastando (como sempre admiti) vestígios de crime.

Resta esperar que o mesmo suceda nos casos em que não haja um Presidente de Comissão Europeia em jogo!

Enquanto a malta brinca às directas...

José Sócrates anunciou a abertura, até 2009, de quase 400 creches.
É uma medida essencial, no quadro de um imperioso estímulo à natalidade, esperando eu que os horários de funcionamento tenham alguma coisa a ver com os horários de trabalho dos pais, mormente nas grandes cidades.
A boa política não tem cor partidária.

Carga ligeira

Está prestes a começar a histórica e inédita presença de uma selecção amadora de rugby na fase final de um campeonato mundial.
Bem vistas as coisas e repetindo o espírito aventureiro do costume português, a equipa é a nossa; os nossos "lobos"!...
Por muito que voltem a uivar para casa (espero que haja seguro contra hecatombes para o desafio com os encorpados moços da Oceania - leia-se, Nova Zelândia), já nos encheram de orgulho, como fizeram os companheiros do basquete.
Fica o repto aos políticos: por que é que os nossos é que têm de ser amadores? Por que é que Nélson Évora, depois de se sagrar campeão mundial de triplo salto, tem que ir treinar para Madrid (aqui já não se arrepiam os "patrioteiros" do costume?!) porque nos falta uma mísera pista coberta com condições para treino de alta competição?
Será que os balofos do PS e PSD que adoram mandar no desporto não podem dispensar atenção e uns cobres para resolver algo que nos torna campeões do improviso (mérito aos atletas) e pedinchas da alta competição (vergonha da política desportiva)?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Página Web do dr. Manuel Pinho

Ontem e por motivos profissionais, visitei o site do Ministérios da Economia e Inovação.

Como qualquer página Web de um ministério do nosso país, esta apresenta no topo a designação/título/denominação à qual se refere. Sem margem para dúvidas, Ministério da Economia e Inovação.
De igual modo, como qualquer página Web, esta apresenta a barra do índice do site com as diferentes secções para visitar.
O que torna esta página Web de um ministério diferente das outras, é a fotografia em tamanho de “destaque” do seu ministro: doutor Manuel Pinho (drMP)...
Nesta, o drMP aparece a discursar num sitio qualquer, que até deve ser um local interessante do ponto de vista do estado, só não se fica a saber bem onde!!!
Pensei eu cá para mim: “Ok!!! É o ministro!!! Estranho, parece mais novo… deve ter sido tirada há já algum tempo!!!” e outro pensamento que não este seria absurdo, pois o conteúdo da fotografia é demasiadamente vago e não acrescenta conhecimento a ninguém, que só lá esta para mostrar este “ilustre” membro do governo rosa!!!
Ainda não tinham passado 10 segundos e aparece outra fotografia com o drMP ao lado do famosíssimo Lula da Silva.

O formato da fotografia é do tipo Tony Carreira, onde normalmente aparece com um ar esbaforido no fim de um concerto e acompanhado por uma fã… aproveito para mandar um abraço ao “nosso” músico Tony e pedir-lhe desculpa pela comparação… no que respeita à fã, o facto de ser uma pessoa anónima não me traz problemas futuros pela comparação com o drMP…

“Bem, talvez seja interessante para Portugal ter na página Web do ministério da economia e inovação uma fotografia que prova que o nosso ministro conhece (e é fã) o Presidente Brasileiro…” foi o que eu pensei!!!

Mais 10 segundos e já estava a aparecer a terceira fotografia… depois dessa, apareceram mais sete (uma com o drMP e o “nosso” Scolari)… no total são 10, todas com o drMP ao lado de alguém ou sozinho…
Assim pensei com os meus botões:
Será que é mesmo a página Web do Ministério da Economia e Inovação?
Não será a página pessoal do drMP?
e esta, hein!!!

Frutos do mesmo ramo?



O jornalista Pedro Correia, levou a cabo - no DN do passado dia 5 - uma comparação exaustiva entre Mendes e Sócrates.
Embora as origens, gostos pessoais e percurso curricular e profissional diferenciem os dois líderes, é justo concluir que em muitos pontos são mais parecidos do que [queremos e] cremos.
Desde percursos políticos semelhantes, características comuns (workaholics, moderados, prevenidos….), paixões e até vícios, Mendes e Sócrates quase nos fazem crer que são frutos do mesmo ramo. Confiram aqui.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Para mais tarde recordar...

Soube-se hoje que o governo sul-coreano terá cedido às exigências dos taliban, comprometendo-se a cessar o envio de missionários para o Afeganistão e a retirar as suas tropas daquele sempre conturbado canto do mundo.


Creio que estamos impedidos de julgar moralmente a atitude dos responsáveis de Seul. Há reféns e familiares em inimaginável sofrimento.


Porém, salta logo à vista o facto de haver gente, designadamente os fundamentalistas que distorcem e instrumentalizam o Islão e têm uma consideração nula pela vida de gente inocente. Se o sublinho é porque, muitas vezes, esta noção perde-se na torrente informativa e é descurada por alguns comentadores "in" que justificam o recibo "por ir ao telejornal" dizendo alarvidades que se pautam pela masoquista atribuição de culpas ao mundo ocidental e seus aliados.


Depois, há que notar que esta mesma facção planetária está em processo de auto-castração. As democracias mediáticas fazem com que a morte de um soldado ou de um civil seja notícia que choca as opiniões públicas e abala o apoio aos governos, ao passo que em nações fundamentalistas (ou, melhor dizendo, controladas por esses energúmenos) o suicídio é encorajado, a morte dos seus nacionais é martírio e o massacre de inocentes ocidentais ou pró-ocidentais é motivo de celebração.


Assim, o que a Coreia do Sul decidiu fazer estabelece, a meu ver, um grave precedente, por muito ponderosos que sejam os motivos. A mensagem que passa é a de que, quando tocar a dar vidas, a permanência de uma tirania religiosa é um mal menor, que vale a pena sequestrar civis de países democráticos (porque os seus governos não podem dar-se ao luxo de pagar com sangue dos seus) e que basta apontar uma arma a 19 pessoas para que contingentes militares bem mais vastos batam em retirada.


A ser assim, creio que a derrota é certinha e para durar. O que não creio é que a China e a Rússia alinhem por aqui, com o que isso poderá significar de reequilíbrios estratégicos internacionais, mormente se a América "regressar a casa" e a União Europeia continuar com discursos balofos e pouca força...


* A ilustração é do curioso www.britishwars.com

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Rússia - que liberdade de expressão?

Quase um ano após a morte de Anna Politkovskaia - e quando todos já tinham deixado de acreditar na justiça - eis que surge a notícia da detenção de dez suspeitos pelo homicídio da jornalista russa.
Politkovskaia foi morta em Moscovo, a 25 de Outubro 2006 e tudo leva a crer que o seu assassínio está relacionado com o seu trabalho enquanto jornalista. Conhecida pelos seus escritos e investigações sobre a Tchetchenia e a defesa dos direitos humanos no seu país, tornou-se ao longo dos tempos a jornalista mais crítica com a política de Putin. "Atreveu-se" demasiadas vezes a investigar temas incómodos como o abuso de poder e outros crimes políticos cometidos na Rússia, facto que a converteu em persona non grata.
Daí a suspeita de que o seu trabalho de denúncia a condenou à morte.
A provar-se que o seu intenso e premiado trabalho foi o motivo do seu assassinato, estamos perante um gravíssimo golpe à imprensa livre e independente, e consequentemente, um golpe à democracia.
Se assim for, o que se passa na Rússia é um grave problema que deve ser preocupação de todos, particularmente dos Estados e organizações internacionais. Trata-se de uma grave violação dos direitos humanos, de um incrível retrocesso da liberdade de expressão que os demais países não se podem dar ao luxo de ignorar. Até porque, coincidência ou não, desde que Putin passeia pelo Kremlin, já foram assassinados doze jornalistas russos...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Mas este gajo não tinha que ir para o Brasil, por causa do filho???

"França: Anderson apresentado no Lyon esta tarde
Anderson vai ser apresentado oficialmente como jogador do Lyon na tarde desta quinta-feira pelas 17h30, hora portuguesa, mais uma em França.
Depois do processo disciplinar de que foi alvo no Benfica, o defesa-central brasileiro vê assim o impasse resolvido e vai jogar na ex-equipa de Tiago nas próximas épocas.
" (fonte: Maisfutebol).

O sujeito recusou-se a ficar no Dínamo, digo no Benfica, por motivos de doença do filho, que o obrigavam a voltar a terras de Vera Cruz. Pelos vistos, França vai dar no mesmo.


Perdeu-se um bom reforço para a nossa política...

"Ponha na conta"

O caso de alegado (e reconhecido) pagamento por uma construtora (Somague) de facturas de serviços prestados por outra empresa (Novodesign) ao PSD é um daqueles que, sendo eventualmente sintomático em termos de vox populi, pode bem dar no costume: nadinha.


Ora porque o ilícito é meramente administrativo (o financiamento irregular dos partidos era-o, em 2002, data do sucedido), ora porque prescreveu algo, ora porque não há elementos de prova suficientes, ora porque pode nem ser interessante, ora porque a memória é curta, nas democracias meditizadas, ora... Ora, bolas!!!
Vamos aos factos:

1 - A empresa de construção civil em causa tem ligações a obras públicas e ao futebol.

2 - José Luís Vieira de Castro (então, Secretário-Geral Adjunto do PSD com o pelouro financeiro, à data, a quem desejo rápidas melhoras) é um gentleman que, acredito, terá agido de forma que atendeu de admitir e José Luís Arnaut cumpriu, assumindo a responsabilidade objectiva (a que decorre de ser, então, o Secretário-Geral).


3 - É popular a convicção de que há promiscuidade no financiamento partidário e de que existe o chamado "bloco central de interesses" (que proporcionaria, a existir, cobertura a membros de ambos os lados do arco de governação, que ostentariam ou mandariam parentes ostentar, ainda a ser verdade, fortunas sediadas em Portugal e não só, que dificilmente se explicariam por rendimento, herança ou qualquer jackpot.

E que fazer dos factos? Se for como habitualmente, esperar sentados até que o assunto se apague da agenda mediática. No caso até desejo que nada de grave se passe - é o meu partido e são figuras que aprecio - mas começa a tomar tons latino-americanos o pulsar do mercado político paralelo.

Judas, Morais, Loureiro, Felgueiras, Carmona e por aí fora são nomes que enchem jornais e passam-se anos, com danos irreversíveis para quem prova a sua inocência, até que saibamos que o arguido era inocente ou que o processo deu em nada por motivos menos nobres.

O que quero não é uma fúria condenatória! Deve ser ilibado aquele que não vê provadas as acusações contra si esgrimidas, desejando eu que se chegue aos 100% de arquivamentos ou absolvições.

Mas acredita mesmo que somos o único País do mundo com 100% de rapaziada honesta?

O caso em análise (PSD-Somague) nem é do mesmo estilo. Em 2002, os factos descritos não preenchiam qualquer tipo legal de crime. Mais e como disse, espero que se prove que se tratou de algo meramente operacional e não de um pagamento de qualquer favorecimento (não acredito que Vieira de Castro e Arnaut alinhassem nisso)!

Porém, mesmo fumo sem fogo intoxica a credibilidade do nosso já doente sistema de partidos. Por que não se chega ao ponto de credibilidade em que as meras suspeitas não cheguem a fazer sentido?...

E não é que, se calhar, a "miúda" tinha razão?!...

Lê-se, hoje, na edição on-line do Jornal de Negócios que:
"Accionistas do BCP aceitam eleger quatro novos conselheiros
Ainda não há um acordo fechado entre as duas facções de accionistas do BCP, mas já há um entendimento relativamente a alguns pontos. Consenso que deverá resultar na apresentação de uma lista conjunta de nomes a eleger para o conselho geral e de supervisão (CGS), o único ponto que deverá ser votado na assembleia geral da próxima segunda-feira.
"

E não é que a nossa Dulce já o previra?! Quem disse que não marcamos a actualidade?!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Crónica dos bons tarados


Não aquecer nem arrefecer


Hilariante


Perturbador, mas com jeitinho


Regresso às aulas

Os supermercados já estão cheios de cadernos e a minha caixa de correio (a real, não a virtual) repleta de folhetos a anunciar as mochilas mais baratas. Este ambiente de regresso às aulas, ligeiramente antecipado fruto do hiperconsumismo, suscitou-me uma breve reflexão que partilho aqui.

O nosso sistema educativo constrói-se sobre a obrigatoriedade de frequentar a escola, aprender os programas definidos ao nível nacional e ser avaliado segundo parâmetros o mais paralelos possível.

Quando uma criança falta à escola durante uns dias sem aviso, a escola tem o dever/ obrigação de procurar entrar em contacto com os pais e quando tal não é exequível, é função da polícia fazer as devidas averiguações. Todos já ouvimos histórias onde a polícia vai a casa buscar as crianças que pelos mais variados motivos não comparecem às aulas.

Contudo existem no nosso país comunidades dedicadas a uma vida mais próxima da mãe natureza, que professam ideais ecológicos e defendem um mundo mais saudável. De tempos a tempos surgem na comunicação social, através da qual ficamos a saber que do estilo de vida mente sana em corpo são em que vivem faz parte uma educação "tradicional" praticada dentro da comunidade.

No nosso país existem crianças que não vão à escola, a escola provavelmente não sabe que elas existem, a assistência social idem idem aspas aspas e a comunicação social quando fala no assunto é no sentido de valorizar este comportamento.

Pergunto-me se estas crianças não têm o direito de aprender o mesmo que as outras, pergunto-me o que é feito da igualdade de oportunidades e denuncio aquilo que julgo ser uma discriminação positiva.

Positiva porque a sociedade vê nestas comunidades uma tentativa de regresso às origens, e isto combina muito bem com uma ideia preconcebida e muito difundida de que antigamente é que era bom e que por consequência as crianças educadas no seio da família são priveligiadas.

Mas isto são mitos porque na realidade ninguém sabe o que é que estas crianças aprendem nem o que sabem. E ninguém na realidade se preocupa em saber.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A História dos 5 Macacos

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, e no meio, uma escada, e sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada com o intuito de chegar às bananas, os cientistas jogavam um jacto de água fria aos que estavam no chão. Passado algum tempo, quando um macaco tentava subir a escada, os outros pegavam-no e enchiam-no de pancada.
O que se veio a assistir posteriormente é que nenhum macaco tentava subir mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas resolveram introduzir variáveis no estudo: substituíram um dos macacos por outro novo. Chegado à jaula, a primeira coisa que ele fez foi subir a escada, sendo no entanto dela retirado pelos outros, que o surraram.
Passadas algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo experimentado o banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar nas bananas.

Moral da história: se fosse possível perguntar a algum deles porque é que eles batiam em quem tentava subir a escada, quase de certeza que a resposta seria: "não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui".

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Menos um

Recebi uma simpática mensagem no telefone, da parte do meu amigo José Barroca, informando que desistira da candidatura a favor de Luís Filipe Menezes.
Restam Mendes, Menezes e... Barros.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Em suma

Depois de muito me irritar, sumario uma visão o mais branda possível do que se passa na Cultura.
O episódio da ausência de membros do Governo, especialmente da Ministra da Cultura, nas comemorações do centenário do nascimento de Miguel Torga é apenas mais um, embora grotesco, episódio no percurso desta lamentável equipa ministerial.
E escusam os idiotas de serviço de vir dizer que o Governo se fez representar pelo Director Regional da Cultura. Salvo o devido respeito pela função e pelo titular, se existe protocolo é porque as funções e os eventos obedecem a uma escala de dignidade. O que poderia concluir-se – mas não creio que esta equipa tenha sequer arte para coisa tão subtil – é que Torga não é um autor benquisto pelo regime. Na verdade, creio que é mesmo terceiro-mundismo e arrogância própria de uma visão elitista que já nem o PS moderno (leia-se, ala Sócrates; os verdadeiros, porque agora devem ser todos…) perfilha.
Mas de falta de coerência ninguém pode acusar Isabel Pires de Lima, que tem feito o possível por, constantemente, juntar o pior das suas origens marxistas com a má aprendizagem da vida cultural nos regimes demo-liberais.
Pelo primeiro lado da frase, quero dizer que escolheu centralizar as decisões e afastar quem pode ganhar “vida própria”. Falo designadamente do cepticismo que tenho em relação à fusão da Companhia Nacional de Bailado com o Teatro Nacional de São Carlos na Opart, sobretudo porque, como é hábito, tal servirá para disfarçar misérias e não para criar um “império” de cultura.
Acresce que se sucedem as dispensas polémicas. Depois de Paolo Pinamonti (que voltou a colocar o São Carlos no devido lugar de destaque) foi Dalila Rodrigues, do Museu Nacional de Arte Antiga. E, no último caso, até entendo que quem discorda das linhas da tutela deverá renunciar, mas jamais aceito que se saneie alguém, a pouco tempo do fim da sua comissão de serviço e na sequência de uma opinião divergente. Os casos de Fernando Charrua (professor “corrido” da Direcção Regional de Educação do Norte, em virtude de uma anedota sobre Sócrates) e da ex-Directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho (demitida por, alegadamente, não ter sido lesta a retirar uma sátira ao Ministro da Saúde) deveriam ter sido marcas infelizes e isoladas, mas, pelos vistos, são tiques doutrinais.
Mais ainda, entendo que, dado o soberbo trabalho de Dalila Rodrigues no MNAA, deveria ter sido procurada uma solução diplomática que permitisse a sua continuidade. Todavia, com os preconceitos próprios da ideologia com que formatou o seu modo de pensar, Isabel Pires de Lima preferiu o “Gulag” (leia-se, o desterro) …
E, já que trouxe tantos “vícios de postura” do lado de lá da sua própria cortina de ferro, valeria a pena que também tivesse sido capaz de impor o fortíssimo investimento que a URSS fazia em cultura, embora nem sempre com os melhores propósitos…
Mas a coisa não melhora se virmos o seu desempenho mais encostado aos regimes capitalistas. Apesar de ter necessitado da intervenção do Primeiro-Ministro, andou bem a Ministra quando segurou entre nós a colecção Berardo, que é um acervo muito importante em matéria de arte contemporânea. Todavia, ao contrário do que faria um Governo que realmente apostasse no desenvolvimento intelectual das gerações futuras, varreu-se o problema para debaixo do tapete. Quero com isto dizer que, em vez de começar a amortizar o preço da colecção, adiou a decisão para daqui a dez anos e por um preço colossal, assim manietando um Executivo em que, aposto, já não será Ministra.
Acresce que, numa democracia como a nossa, o sector da Cultura terá sempre de lutar o dobro para ter um orçamento condigno: A irrelevância de Pires de Lima também se mostra nisto, estando eu em crer que passa por aqui a explicação para José Sócrates a manter no lugar: é quase inexistente, não desviando grandes recursos de projectos mais vistosos e que, tradicionalmente, PS e PSD preferem.
Pena é que tal cause danos de monta num país como Portugal, que tem na cultura a chave da subsistência da sua identidade.

domingo, 12 de agosto de 2007

Calhaus

Não há muito tempo, criticara a Ministra da Cultura.
A sua não comparência nas cerimónias de evocação do centenário do nascimento de Miguel Torga, acompanhada da ausência do Secretário de Estado (é estranho, tendo em conta o vício de centralismo de estilo soviético que costuma mostrar...), prova bem a vergonha que é o actual elenco da Cultura.
O Governo esteve representado pelo Director Regional da Cultura que, salvo o devido respeito, estaria à altura de proceder à entrega de prémios de uma exposição média, mas nunca terá estatuto (é da função e não da pessoa) para fazer, em nome do Executivo, a devida vénia a um dos expoentes máximos das nossas Letras.
Engº Sócrates: nem sempre intransigência dá com inteligência. Demita-os por favor.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

"Lodo" decisivo na corrida pelo PSD

Mesmo em slow motion (prometo mais actividade para breve), conseguimos que o "Lodo" fosse interpelado por um dos candidatos à liderança do PSD (cfr. os comentários ao texto).
Recomenda-se calma aos candidatos e aceitam-se utensílios de cozinha, ecrãs de plasma e outros confortos do género, embora se registo o plágio da estratégia de campanha do Major Velentim Loureiro.

Assina: o Capitão.

domingo, 5 de agosto de 2007

So the story goes...

Nos últimos dias, e depois de o Teatro Nacional de São Carlos ter perdido o director que lhe devolveu o prestígio (Paolo Pinamonti), o naipe de servidores públicos distintos ficou mais pobre: Paulo Macedo deixou a Direcção-Geral dos Impostos e Dalila Rodrigues o Museu Nacional de Arte Antiga.
Vejamos o que nos murmuram as situações em causa... Em primeiro lugar, embora não haja insubstituíveis, Paulo Macedo deveria ter sido reconduzido. Em equipa que ganha não se mexe e a calmaria em relação aos nossos elevadíssimos e castradores impostos pode dever-se ao fim da sensação de impunidade que, ainda na década de 90, era tema de debate. Porém, a memória é curta...
Mas, Macedo toca num ponto crucial: não era ele que ganhava muito, mas o Presidente da República e o Primeiro-Ministro que ganham pouco (o salário dos servidores públicos não pode, de algum tempo a esta parte, suplantar esses mealheiros). Verdade! E nem me chocaria que os nossos "empregados" mais ilustres fossem aumentados se, atrás disso, não viesse uma chusma de incompetentes a esfregar as mãos, por via da indexação de salários.
Por exemplo, se há deputados que valem o seu peso em ouro, outros há que deviam pagar pelos tapetes e cadeiras que gastam.
De igual modo, em casos de comissão de serviço (como o de Paulo Macedo), bem podia fazer-se o que se fez (pagar o que ganhava no seu local de trabalho), com a norma cautelar de reportar o vencimento a um ano antes da requisição (para evitar aumentos de última hora, na iniciativa privada). O problema do PR e do PM seria suplantado pela enorme vontade que quaiquer titulares desses cargos sempre terão em trocar dinheiro eventual por real e reconhecido serviço à Pátria.
Já no caso da ex-Directora do MNAA tudo muda. Tirando a cegueira política da Ministra da Cultura - a maior aselha do Governo, se querem a minha opinião - que podia ter deixado o mandato expirar (Novembro), creio que quem manifestamente discorda das orientações políticas da tutela deve pôr-se a andar...
O seu trabalho foi bom? Excelente! Porém, isto não legitima um governo de técnicos.
Deveria a Ministra ter procurado o diálogo, mantendo Dalila Rodrigues? Sim! Todavia, a asneira e a irrelevância políticas são imagens de marca de Isabel Pires de Lima que até para segurar a "Colecção Berardo" precisou de José Sócrates, ainda assim optando por uma solução cobarde para o próximo ciclo de governação: deixando uma monstruosa cláusula de opção de compra para daqui a dez anos, a Ministra cala-se com o seu orçamento de miséria e passa a batata quente.
Em suma: pobres na carteira e pobres de espírito. So the story goes...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Amigos, como antes?


Paulo Teixeira Pinto falou ontem em entrevista à SIC Notícias, sobre Jardim Gonçalves.
"Não concebo o Millennium BCP sem ele", garantiu.

Ai a tola

Julguei que a oarvoíce tivésse limites, mas a RTP surpreende-me.

Não vi a entrevista, mas li na imprensa de hoje que a jornalista Márcia Rodrigues entrevistou o Embaixador do Irão com véu e luvas.
Ora bem, mesmo que a entrevista haja decorrido na embaixada (território iraniano, portanto) jamais uma televisão pública portuguesa pode rasgar a Constituição, ofendendo a laicidade do nosso sistema político e sendo cúmplice no tratamento de cão (ou pior) que os regimes islâmicos dão às mulheres.
O PS, que tão histericamente defendeu as quotas, devia pedir responsabilidades ao operador do serviço público de televisão. Eu não pago impostos para andar de cócoras (perdoem-me o vernáculo) perante regimes fundamentalistas.
Já bem basta a humilhação para a gloriosa civilização persa que o regime religioso impóe!
Bem andou o CDS que reagiu. Os candidatos todos do PSD, que eu visse, a dormir...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

PGR arquiva... sr. "eng". Sousa suspira!!!


Escusando qualquer comentário à decisão da PGR e porque também (assumo) não estou habilitado para tal, o arquivo do processo relativo à falsificação de documentos sobre a licenciatura do primeiro-ministro, vem dar alguma tranquilidade para as férias de Verão lá para os lados do Largo do Rato.
Não sei se é coincidência, mas que dá tranquilidade, dá!!!
NOTA: Independentemente do "resultado", importa nunca esquecer a "causa"...
"Credibilidade senhor primeiro-ministro, credibilidade..."