terça-feira, 6 de novembro de 2012
Os Votos e os Dólares
segunda-feira, 23 de maio de 2011
As coisas que eu não entendo
Numa altura em que o Mundo, em geral, e o País, em particular, parecem esvair-se em desgraças e pessimismo, assumo a minha incapacidade cognitiva global e tento, pelo menos, compreender partes do triste fado que nos envolve. Mesmo assim, creio que sou mal sucedido…
Desde logo, fala-se na nossa campanha (algo que gostaria de poder comentar com outro detalhe) de aumento de impostos do IVA ao IMI (o que nos restará, ao fim do mês?!), há algo que nunca entendi: por que é que os gestores das grandes empresas – mormente as de capitais maioritariamente públicos ou onde haja a famigerada golden share – ganham prémios colossais, no fim de cada exercício??? Não é o vencimento a justa compensação pelo seu empenho?!
O argumento mais clássico é: “se não são bem remunerados, vão para o sector privado ou mesmo para o estrangeiro”.
Apetece dizer: boa viagem! As nossas universidade injectam no mercado, anualmente, jovens licenciados e mestres bem mais actualizados e até qualificados do que muitos dos gestores que, há anos, pulam de cadeira em cadeira e de empresa em empresa. Não há homens providenciais!...
Depois, há outra coisa que me tolda a inteligência; não entendo a razão pela qual se fala de perigo para a subsistência de, por exemplo, o Sistema Nacional de Saúde. Ou me deu ataque de lirismo, ou me parou o cérebro, mas diria que muito se conseguiria com uma articulação com o fisco que permitisse escalonar o pagamento nos nossos excelentes hospitais públicos (quem viva fora de Portugal, em muitos países, aprende a tirar o chapéu ao nosso serviço público). É impensável que uma semana de internamento continue a custar sessenta euros para o pobre, o remediado, o desafogado ou o rico.
Por fim, uma interrogação mais filosófica: todos os partidos oscilam entre mais e menos impostos, renegociar ou não renegociar a dívida, mais ou menos Estado e daí por diante... Quase quarenta anos depois da Revolução que o próprio Otelo (esse mesmo, o amnistiado!) admitiu poder renegar, fica por perceber o que queremos ser enquanto pátria e enquanto Nação. A cada acto eleitoral discutimos remendos e desvios de dez ou quinze graus (diferenças mínimas, portanto), mas não aparece uma liderança disposta não apenas a dizer a (sua) verdade, mas também a emocionar, motivar e conduzir o povo português para uma mudança de idiossincrasia, apontando o exemplo de outros povos que não precisaram de poços de petróleo para ter níveis de conforto elevados, e que não estão sempre de mão estendida para o Estado.
Admito que o defeito seja meu…
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Já sabiamos
Assim, dadas a crise mundial que ocorreu (e ainda vai pairando), a contestação gigantesca que lhe moveram alguns sectores (professores e magistrados à mistura) e as polémicas em que procuraram envolver o seu nome (justa ou injustamente, decidirá quem é competente para o efeito), o resultado de dia 27 de Setembro é uma vitória para José Sócrates. Embora seja votante e tradicional eleitor do PSD, sempre achei, aliás, que a coisa não estava bem encaminhada... Eu e 40% dos 42 votantes na nossa sondagem eleitoral, apesar de se tratar, reconheça-se, de um blogue editado e lido por uma maioria de povo laranja...
O problema é que, pelos mesmíssimos factos que fui coligindo, esta era uma eleição que o PSD não podia perder, sendo fraco contento dizer que o PS ficou sem a maioria absoluta. Mesmo assim, restaria ainda saber se o feito de lha retirar pertence ao PSD...
A opção pela “não campanha” (nada prometer para nada incumprir) sempre me pareceu pouco perceptível e o tradicional clima fratricida do PSD fez o resto. O mais grave é que cresce o número de caciques internos que prefere ser rei de coisa nenhuma do que príncipe num reino de opulência, o que gera a dinâmica do “quanto pior, melhor”.
Essa propensão para a desgraça, acumulada com o descrédito mais genérico nos dois partidos crónicos de governo, tem, a meu ver, outra consequência: os resultados do CDS, PCP e BE mostram que a tendência para a bipolarização foi sustida, se não mesmo invertida. Temos, neste momento, cerca de 30% dos votos atribuídos a 3 partidos que podem vir a ganhar crescente potencial coligativo (algo que só o CDS tem, de forma isolada); dito de outro modo e estando ainda longe desse cenário, podemos caminhar para um fraccionamento crescente do sistema de partidos e para a erosão do espaço das duas maiores agremiações políticas.
Penso mesmo que, sendo o CDS liderado com a forma astuta que tem imperado (moderando o conservadorismo com medidas liberais e aproximação ao eleitorado urbano), o PSD pode vir, mais cedo do que tarde, a perceber que os partidos não são (longe disso) eternos. Basta que o grémio laranja continue a espremer líderes e a dividir ainda mais os gomos de uma laranja algo mirrada pela pouca exposição ao poder.
Como terceiro apontamento, sublinho que o eleitorado provou, embora não em medida larga, a sua sapiência ao moderar as expectativas do Bloco de Esquerda, que não só ficou em quarto lugar, como não elegeu deputados suficientes para chantagear politicamente o PS, como deixara perceber durante a campanha. Creio que teve vencimento a ideia de que o insulto, a maledicência e a inveja (algo que é estimulado em cada simulacro de trotskismo dos discursos do BE) não formam uma ideologia de governo.
Estaríamos, em conclusão, perante um cenário que reforçaria o papel do Presidente da República, não fora a forma infeliz como, em minha opinião, conduziu o dossier das alegadas escutas em Belém. E, neste caso, creio que, mais uma vez (eu fiz as campanhas de Fernando Nogueira e de Santana Lopes), o PSD que o projectou sai dorido das suas mãos.
Nota final para as autárquicas para saudar antecipadamente a natural vitória de Carlos Encarnação, que me renovou a esperança de bons ventos, se for verdade que a Professora Maria José Azevedo Santos será a responsável pela Cultura. Finalmente!...
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
MMS - Mesmo Muito Saloios
Já haviamos alertado para a bacorada, mas o MMS persiste em chamar "Conchichina" ao que é Cochinchina, como se comprova aqui, ali e em dezenas de sítios até mais certificados cientificamente.
O que vale é que esta malta não vai nem a S. Bento, quanto mais a sítios cujo nome não sabe escrever...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
O regresso do bolo rei II
Por outro lado, a Líder do PSD declarou hoje que não se mete nesses assuntos da Presidência, quando no comício de Aveiro, sexta-feira, cavalgara a onde, dizendo que as escutas ao director do Público (já desmentidas pelo próprio) eram um exemplo de asfixia democrática.
Como profissão de fé, fui hoje pagar as quotas, à sede do PSD. Sim, porque a mim nenhum cacique as pagará jamais!... Já me bastou a rolha a que me obrigaram em tempos muito recentes (falaremos mais tarde sobre isto).
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Luva branca
Pedro Passos Coelho acaba de declarar o seu apoio a Manuela Ferreira Leite, no comício de Vila Real.Recordo que a Líder do PSD rejeitou o antigo Presidente da JSD como cabeça de lista pelo mesmo círculo eleitoral, apesar da sua disponiblidade e da proposta nesse sentido dos órgãos locais do PSD.
Vejo aqui uma bofetada de luva branca e um passo de gigante em direcção a uma candidatura forte à liderança.
O regresso do bolo rei
Falo, obviamente, da recusa do Presidente da República em pronunciar-se sobre as alegadas escutas a assessores do Presidente e à também alegada tentativa de infiltração de um assessor do Primeiro-Ministro nos segredos de Belém.
Na sexta-feira, o Diário de Notícias tornou pública a tentativa por parte de Fernando Lima, eterno assessor de Cavaco Silva, de "vender" a história. O jornal publicou mesmo correspondência electrónica entre jornalistas do Público (o jornal escolhido), na qual se mencionava o facto de Fernando Lima ter dito estar a mando do Presidente e se confessava que haviam escolhido o correspondente na Madeira para encobrir a pista de Belém, enquanto fonte de informação. Mais se dizia no DN que a história tinha meses, que o jornalista escolhido concluira tratar-se de um rumor e que, mesmo assim, o Público escolhera avançar com a "notícia".
Nessa altura, dada a indelével conotação do Presidente com o PSD e em face da sua proximidade à Dra. Manuela Ferreira Leite, achei que o Eng. Sócrates passara o dia escondido na dispensa, a rir à gargalhada...
Hoje, a demissão de Fernando Lima, ainda para mais "por decisão do Presidente" (segundo fonte de Belém citada pelas edições electrónicas dos jornais), piora a situação...
Desde logo, porque continuamos sem um necessário esclarecimento cabal por parte do Presidente da República. O assunto é muito sério e a campanha eleitoral nunca serviu de desculpa para algo que é próprio de uma república das bananas! Façamos a revisão da acusação: o Palácio de Belém estaria a ser espiado a partir de São Bento ou, não sendo assim, estaria em causa uma intriga da Presidência da República para manchar a conduta do Primeiro-Ministro; do ponto de vista constitucional, qualquer uma das duas hipóteses é gravíssima e demonstra o estado de degradação da política portuguesa, pondo a nu pontos de corrosão numa de duas das mais importantes instituições nacionais (Presidente e Governo) ou, se quisermos, em dois dos quatro órgãos de soberania. Ou seja, olhando o edifício constitucional de 1976, a infiltração é mesmo nas fundações...
Em segundo lugar, mesmo que o DN não revelasse os e-mails do Público, toda a gente informada sabe que Fernando Lima jamais daria um "ai" sem autorização do Professor. Suspeito até que antes de qualquer eructação pós-almoço de Fernando Lima é precedida de decreto presidencial habilitante... É claro que, diz o povo, há sempre uma primeira vez para tudo, mas, mesmo aí, o caminho bifurca: ou o Presidente explicava, de imediato, a culpa de Fernando Lima, ou optava por ser responsável pelas suas escolhas políticas (na minha terra, chamamos a isso "solidariedade"), pedindo desculpa pelo trapalhão simulacro de intriga.
Mesmo nesta última hipótese e fosse como fosse, teríamos um bode expiatório, o que não fica bem a quem manda. Nixon tentou fugir, mas acabou por pagar as favas, com ou sem responsabilidade. No caso, como disse, bastava que o Presidente (em quem sempre votei, em todas as eleições, e que admiro) assumisse a defesa intransigente do assessor ou, em alternativa, explicasse (embora já não chegasse cedo ao "jogo") o que se passa.
Se o início da história enublava o PSD, injustamente, diga-se em quarto lugar, o fecho do seu primeiro capítulo faz temer atrapalhação nas hostes.
Resumindo: este acto (que substitui, inabilmente, as palavras que o Presidente se recusou a proferir) iliba o PS, como Sócrates sempre defendera. Dito de outro modo, Sócrates sai com ar de vítima de uma conspiração originada na Presidência (gravíssimo!!!) e o Presidente da República (ex-Presidente do PSD) bloqueia qualquer comentário por parte de Manuela Ferreira Leite que, deste modo, não pode defender-se da conotação implícita, por muito absurda que seja na realidade.
A mais de tudo isto, Cavaco Silva era a pessoa que ninguém de bom senso esperava, por muito remotamente que fosse, ver ligada a uma confusão destas; quando muito, podia recear-se uma "rasteira" destas nos consulados de Mário Soares. Ironia do destino: Cavaco Silva vê-se, agora, envolvido numa daquelas penumbras de que o PSD acusava Soares, a famosa "força de bloqueio"!... Resta-me fazer figas e ir votar...
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
O limite da estupidez
Ora, se há adepto da utilização do humor na política, sou eu (as actas parlamentares atestam-no), mas, como em tudo, creio existirem limites.
No caso, de megafone em punho, os dois "engraçadinhos", abafaram o som dos discursos do PS e, assim, interromperam uma manifestação cívica e até corajosa (porque em ambiente mais vermelho do que rosa). Os políticos já estão suficientemente mal cotados para virem agora dois pseudo-cómicos abandalhar um momento em que um candidato se esforça por explicar aos eleitores o que quer fazer com os seus votos.
Escolho este incidente precisamente por não se ter verificado com o meu partido e assim vos transmitir a compreensão que tenho pelo desespero de alguns militantes do PS presentes. Façam os vídeos brejeiros que entenderem, mas conservem-se ao lado dos demais GB de lixo electrónico que se produz diariamente.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O não admirável mundo novo
Todavia, sinais há de que o modo de fazer campanha mudou e de que os políticos, ao invés de inventarem modelos a seguir, preferem sujeitar-se à imagem de descrédito que as pessoas têm da classe política, procurando caminhos para serem os “menos detestados da turma”…
O primeiro desses exemplos vem do anunciado e continuado crescimento da votação no Bloco de Esquerda. Trata-se de um partido que tem no oportunismo o seu cimento programático: detecta-se o problema do momento, dá-se-lhe um banho ideológico de esquerda e toca de pôr em causa a seriedade de todos os demais partidos, sem alguma vez oferecer um modelo consistente de governação; aliás, nas fileiras do BE existe a certeza de que uma ida para o Governo poderá ser o fim do bluff, seja porque se vêem forçados ao aburguesamento (descontentando os revolucionários e os anarquistas), seja porque o seu radicalismo torna a sobrevivência de uma coligação insustentável (alertando os eleitores moderados para a inutilidade do voto no BE).
No fundo, o que está em causa é um voto de protesto, que se explica pelo facto de não vivermos tempos fáceis e de o Bloco dar forma política aos desabafos que todos temos no quotidiano. Advirto, no entanto, para o preço do voto na extrema-esquerda: o facto de não servirem para qualquer governo responsável e a circunstância de poderem vir a estabilizar bem acima dos 15% podem acarretar uma ingovernabilidade duradoura do sistema político português.
A segunda nota de mudança das campanhas é dada pelo corrupio de líderes partidários (seguindo-se os dois principais concorrentes à autarquia lisboeta) ao programa da SIC “Gato Fedorento esmiúça os sufrágios”, que teve a sua primeira edição na segunda-feira, entrevistando José Sócrates e liderando, desde logo, as audiências com mais de um milhão e trezentos mil espectadores.No dia seguinte, Manuela Ferreira Leite terá rondado os dois milhões de almas atentas!...
A meu ver, tal fenómeno – a ida de políticos de primeira linha a programas de entretenimento – serve para aferir da força dos media e da indústria de conteúdos, iniciando um percurso que já tem anos nos E.U.A. e que obriga a que, por lá, qualquer candidato ou figura pública que se preze seja obrigado a passar pelas mãos de Oprah Winfrey, Jay Leno ou Jon Stewart. Ao mesmo passo, representa também um recuo do poder político… Certo é que descontrai, mas não deixa de se tratar de "brincar com coisas sérias".
A última nota de mudança é, a meu ver, dada pelo modo de campanha de Manuela Ferreira Leite: apresentar um programa e um discurso sem promessas concretas e afirmar que apenas fará o que puder representa uma capitulação perante a vox populi na sua condenação dos políticos e o fim do dever de apresentação de um caminho a seguir, quando já há muito se deixara de falar do ponto de chegada (o ideal social). No entanto, pode ser que dê resultado…
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Cartazes para o avó e o bebé







quinta-feira, 3 de setembro de 2009
3-2
Desde logo, creio ser injusta a crítica que aponta a ausência de propostas. Mormente o Primeiro-Ministro foi, tanto quanto o castrador esquema do debate (que parece querer meter o Rossio na Betesga) o permitiu, apontando algumas linhas de futuro, que aliás já se conheciam da entrevista a Judite de Sousa, na véspera; 1-0.
No plano da economia e finanças, Sócrates marcou o seu distanciamento ideológico (nisso foram ambos muito claros, permitindo distinguir as diferentes ideologias em confronto) e ainda teve arte e engenho para golpear Paulo Portas por alegadadas falhas do Governo de coligação (2002/05) , mesmo no sagrado terreno centrista das pequenas e médias empresas; 2-0.
Já no início do tema social, creio que o Líder do CDS lançou um bom contra-ataque, alertando para medidas penalizadoras tomadas pelo Governo do PS: aumento da idade da reforma, aumento do prazo para os jovens receberem o subsídio de desemprego e o escândalo (palavras minhas) do rendimento social de inserção (vulgo, rendimento mínimo). Teve ainda ensejo de salientar a magreza comparativa do aumento das pensões feito pelo PS, quando comparado com o do consulado de Bagão Félix; 2-1.
Foi preciso aguardar o início do tema da segurança para ver um auto-golo... Paulo Portas, em vez de "jogar o joker" num dos temas que o celebrizou, exigiu voltar atrás, quebrando as regras do debate, bem como perdendo tempo precioso (ficou mais a exaltação do que outra coisa) e a compostura ("vá interrogar os seus camaradas" fica mal ao, regra geral, cortês Portas); 3-1.
No entanto, seria neste terreno que Paulo Portas ainda reduziria a desvantagem (que seria se não tivesse perdido tempo a voltar a um tema em que até não estivera mal...), demonstrando a pobreza dos meios atribuídos ao combate à criminalidade.
Resultado Final: 3-2
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
O que pôde arranjar-se
Vamos por partes: creio que a entrevista, no cômputo geral, correu bem a José Sócrates. Com a boa presença que o distingue, conseguiu explorar todas as falhas usualmente atribuídas a Manuela Ferreira Leite; da célebre tirada em que disse que as grandes obras públicas só dariam emprego a cabo verdianos e ucrânianos áquela outra em que falou da suspensão da democracia por seis meses, sem olvidar a alegada contradição entre a reclamação de exclusividade dos candidatos feita pelo PSD (na altura das eleições para o Parlamento Europeia e visando Edite Estrela e Elisa Ferreira) e o facto de o cabeça de lista pela Madeira ser, como sempre, Alberto João Jardim, que jamais assumiu o lugar. De permeio, nem sequer se esqueceu de "envenenar", devolvendo as acusações de "asfixia democrática" ante a exclusão das listas do nome de Passos Coelho.
Ou seja, na "finta" esteve bem.
Já quanto ao resto, procurou cavar o fosso na interpretação do papel do Estado, seja nas obras públicas, seja nas questões cívicas (divórcio e casamento homossexual), seja ainda na segurança social. A diferença parece, aqui, clara entre PS e PSD.
Todavia, continuo a perguntar-me se a dureza destes quatro anos ainda deixa disponibilidade aos portugueses para escutarem o nosso Premier... Seguramente não o ouvirão os professores, a quem o Primeiro-Ministro dirigiu um lamento pelo facto de o Governo não ter usado de maior "delicadeza" na comunicação de medidas que continua a defender...
Parece que falta um epílogo... Não se ouviu uma medida galvanizadora ou algo que nos faça crer que vamos ser um País dos mais bem sucedidos da Europa. Parece que os nosso líderes (o PSD não faz melhor, neste particular) abandonaram o ideal social e a esperança de não sermos mais os remediados da União...
Foi o que pôde arranjar-se, calculo...
Campanhas e piranhas
Há muito que nos habituámos a ver as campanhas eleitorais como um lodaçal em que partidos e candidatos trocam acusações, mostram rostos conhecidos (e mentes ausentes, se nos lembrarmos de Carolina Patrocínio…) e fazem promessas que ou simples e descaradamente não cumprem, culpando o Governo de outro partido que o os tenha antecedido, ou nem sonharam cumprir, porque nunca governarão (PCP) ou porque sabotar é a sua forma de estar na vida (BE).É, por isso, com simpatia que vejo a decisão tomada pelo PSD de acabar com os comícios, caravanas e brindes. A mais do atentado ao desenvolvimento sustentável, as canetas, sacos e aventais com que os partidos soterravam os transeuntes constituíam pura intoxicação, não acreditando eu que um só voto tenha mudado em função de uma dessas ofertas (mau fora) ou sequer que uma delas tenha servido ao seu detentor como imprescindível lembrete para o dia eleitoral.
Numa altura em que as fontes de informação excedem em muito aquelas que estavam disponíveis acerca de quinze anos (quando fui, pela primeira vez, candidato à Assembleia da República), não faz sentido complementar imagens televisivas e documentos disponíveis na Internet com uma parafernália de objectos, regra geral de qualidade lamentável.
A única dúvida que ainda paira no meu pensamento prende-se com o grau de genuinidade da decisão de acabar com os comícios. Não será uma forma encapotada de disfarçar a falta de capacidade de mobilização dos partidos portugueses?!
Bem sei que as pessoas estão mais comodistas e que podem escutar as palavras daqueles que lhes pedem o voto na televisão, na rádio ou na Internet, sem saírem do conforto do lar!... Porém, também sei que os comícios eram uma ocasião magna para escutar de fio a pavio as propostas e as ideias (estou a ser benevolente, bem sei…) das mais conhecidas personalidades da freguesia, concelho ou mesmo do País. Aliás, se fossem inúteis, fica por perceber por que é que, por exemplo, o PSD afirma não realizar comícios, mas promete sessões em auditórios! Isto se não houver daquelas jantaradas de lombo assado, em que as mesas ajudam a preencher o chão dos pavilhões…
O meu ponto é simples: bem podem os partidos portugueses propor o fim dos comícios e brindes (PSD), o fim dos cartazes gigantescos na via pública (CDS) ou dar-nos fruta sem caroços (se o PS der o Ministério da Educação à empregada de Carolina Patrocínio, como é da mais elementar justiça), pois o essencial reside na credibilidade que lhes é atribuída e na fiabilidade das suas propostas.
Fazer figura de “santinho(a)” não ajuda, enquanto os eleitores persistirem em ver a maioria dos candidatos como um cardume de piranhas à espera do seu naco de poder. E nem se diga que os eleitores é que não se interessam (que o diga a, para mim, triste subida do Bloco de Esquerda que, para vergonha pessoal, está à beira de eleger um deputado por Coimbra)… E não se tente passar a ideia de que jamais haverá mobilização de massas, nos dias de hoje; a campanha de Obama prova o contrário…