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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Reciclar, dar e receber

Neste últimos tempos tenho vindo a confirmar que, apesar de todos os defeitos a que não escapamos, o povo português é na sua generalidade um povo solidário, abnegado e atento às necessidades do seu próximo, mesmo em plena crise económica. Exemplo disso são as inúmeras plataformas que crescem na internet e nas redes sociais com vista à partilha ou doação de objectos reutilizáveis, permitindo que uns se desfaçam daquilo que já não precisam e outros façam uso desses bens. O impacto dá-se em muitas frentes: não só se ajuda quem mais precisa e tem lugar um novo ciclo de consumo, como se aumenta o período de duração dos bens, reduzindo o número daqueles que vão parar ao lixo, o que se reflecte também ao nível ambiental. Estas plataformas - de que são exemplo a Dou.pt e a Trocas de Amor - têm tido uma enorme adesão por parte de quem dá e de quem recebe. O sucesso mostra assim que mesmo em tempos difíceis os portugueses não esquecem essa elementar máxima de que «dar é receber» e fazem questão de não deitar fora ou desperdiçar aquilo que sabem poder ser reutilizado por outros. E numa altura em que tanta gente não tem como fugir às dificuldades económicas, estas iniciativas são ainda mais significativas, facilitando a vida a muitos portugueses.  

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Assustador

Em mil anos de existência, a nação russa não se recorda de alguma vez ter passado por Inferno igual. A desmesurada onda de calor já resultou em 26 mil fogos que destruiram uma área florestal equivalente ao dobro do território português. Os 160 mil bombeiros vêm deflagrar mais fogos do que aqueles que conseguem apagar. Mas o problema não se fica por aí. O fumo alastrou até à zona urbana e um smog cobriu as cidades, com níveis alarmantes de dióxido de carbono. Moscovo é uma nuvem de cinza e de cinza se cobrem as coloridas cúpulas das catedrais, como se vê na imagem acima.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Com boas intenções, mas reprovados a Línguas

Os meninos bem do Rotary, cheio de boas intenções, inauguraram o muro com pompa e circunstância (e uns amores-perfeitos a emoldurar). Tudo muito catita, sim senhor. A mensagem em português, passou. Já quanto ao inglês, o francês e o espanhol, não é tão certo que tal suceda... Atente-se os erros grosseiros em cada uma das três frases, a manchar a iniciativa.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Críticas com Pimenta*

Eloquente e entusiástico – foi assim que, no painel Recursos & Sustentabilidade, Carlos Pimenta expôs a sua intervenção. Preocupado, sobretudo, com o desperdício das energias e com o recurso à água, Pimenta arregaçou as mangas com a vontade de quem quer resgatar o globo de um mal sistémico. Criticou a falta de mobilização, sobretudo da classe política, mais preocupada, segundo diz, com autoestradas e esse tipo de «manias». Colhendo, mais que uma vez, os aplausos da assistência, assim se evidenciou com os apelos à classe política, à sociedade civil, mas também (como homem dos dias de hoje que é) com uma certa crença na faculty e no empowerement...!

*o título contou com a colaboração do co-repórter João Morgado.

A «verde» Daryl Hannah

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Diz que é uma espécie de amnésia...


Se a celeridade caracterizou o andamento do processo de licenciamento do Freeport, a morosidade marcou a postura de todos quanto, de uma ou outra forma, tiverem contacto ou conhecimento do sombrio enredo daquele processo e só agora se lembram de vir bradar às autoridades que à data desconfiaram de falhas, irregularidades, ilegalidades e tudo o mais que lhes assome à memória.
De zelosas ex-secretárias a atentos ex-secretários de Estado, passando por associações ambientalistas que se esquecem das queixas que fazem, a cada dia que passa haverá alguém que vem aditar mais alguma coisa ao processo, sendo que durante sete anos todos sofreram de uma oportuna amnésia. Se me permitem, aqui a amnésia confunde-se com cobardia e deu lugar a uma certa conivência. E o espectáculo ainda mal começou...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Por um Mundo melhor?!

"Por um mundo melhor" é o mote daquele que se auto-intitula o maior festival de música do Mundo - Rock in Rio. EU FUI e, música à parte, não gostei. Demasiada confusão, demasiado ruído entre concertos - oriundo dos mil e um stands que se dedicavam a tudo menos à música-, comportamentos excessivos e falta de civismo até mais não. Se aquilo é local para concentrar esforços por um mundo melhor... garanto que jamais voltarei a dizer mal do mundo em que vivemos.

O evento diz-se preocupado com questões sociais e nesta terceira edição portuguesa focou a sua responsabilidade social no Ambiente. Pura estratégia, quer-me parecer. Num evento tão ambicioso e vanguardista, nada vi de inovador quanto à preservação do meio ambiente. Absolutamente nada. Lá estavam os habituais contentores de lixo estilo eco-ponto e ponto final. Também houve promoção da utilização de transportes públicos para acesso ao recinto mas cabe sublinhar que a rede dísponivel era deveras diminuta: no caso do Metro, com apenas 4 estações abertas...

Ao que sei, o mais significativo que levaram a cabo com o intuito de preservar o meio ambiente foi a instalação de painéis fotovoltaicos que forneceram electricidade ao palco principal. É já um primeiro passo significativo, mas... e o resto?!

Ficaram-se por aí e perdeu-se a excelente oportunidade de alertar o cidadão comum para a necessidade de mudança de atitudes face ao descalabro do Planeta Terra... A única mensagem alusiva ao tema passava no ecrã gigante entre os concertos e resumia-se a uma fraquinha sugestão de Gisele Bündchen (não havia alguém mais credível?!) no que toca a preservar o ambiente. Curioso, é que nessas alturas o som baixava alguns décibeis e o público acabava por fixar-se noutras mensagens subliminares que a super modelo, inevitavelmente, transmite.

De resto, de Mundo Melhor não vi qualquer indício. Bem pelo contrário: aos poucos destruía-se o coberto verde da Bela Vista e a cidade do rock transformava-se numa selva que não lembra a ninguém, mergulhada em lixo. Bem sei que eram milhares de pessoas, mas os contentores mantinham-se vazios... A ajudar "à festa", o desperdício que é todo aquele merchandising distribuído e que no fundo não serve para absolutamente nada senão para poluir: plumas, cabeleiras, sacos e saquinhos, insufláveis, chapéuzinhos, papelinhos, etc.

Para terminar, a cereja no topo do bolo: o evento promete que determinada percentagem das receitas reverte a favor de organismos que estejam ligados à causa que dá mote a cada uma das edições, no presente caso relativos à preservação do meio ambiente. Este gesto parecer-me-ia louvável - e compensaria tudo o que poderia ter sido feito, e não foi, durante o evento- não fosse uma fonte segura garantir-me que a parcela a atribuir-lhes é uma ninharia que deveria envergonhar a própria organização...

terça-feira, 22 de abril de 2008

Responsabilidade Social: ética empresarial ou... fogo de vista?


Não restam dúvidas de que a Responsabilidade Social está na moda e que cada vez são mais as empresas e organismos que revelam preocupar-se com as questões sociais e ambientais. Hoje, Dia Mundial da Terra, foi clarividente a aposta de alguns sectores na sensibilização da sociedade civil para as problemáticas ambientais. Dos jornais e televisões - que fizeram pertinentes referências à data - às empresas - que anunciaram como têm vindo a fomentar as boas práticas ambientais - até as autarquias, empenhadas em melhorar qualidade de vida local e em contribuir para um mundo mais verde.

Em Lisboa, a cadeia de gelados Ben&Jerry’s associou-se à CML e à Quercus e promoveu uma campanha ambiental intitulada “Assine o compromisso por uma Lisboa mais limpa e sustentável”, a qual incentiva a população a contribuir para a produção de energias renováveis, o aumento de eficiência energética e a redução de emissão de gases com efeito de estufa. Mas este não foi um caso isolado, porque pelo país não faltaram iniciativas idênticas, ainda que mais ou menos mediatizadas.

Se ainda tinha algumas reservas quanto às boas intenções das empresas em assumir este tipo de compromissos - duvidando desta súbita vaga de sensibilidade e ética- hoje pelo menos verifiquei que há efectivamente positivos sinais de mudança de mentalidade dos portugueses. Espera-se é que esta moda não seja efémera. Que seja para ficar e que não se resuma somente a uma atitude puramente estratégica.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Descubra as diferenças (IV)

Estação Baixa-Chiado ( Metropolitano de Lisboa, 2007)


Estação Lavapiés ( Metro de Madrid, Dez. 2007)

Já fomos rotulados de povo menos cívico do Ocidente e com frequência reconhecemos que civismo é coisa que nos escasseia. A par disso, teimamos em invejar o país vizinho e em atribuir um rol infindável de qualidades ao seu povo.
Não seremos nós, portugueses, um bocadinho sadomasoquistas..?!
De nada serve votarmo-nos insistentemente à autopunição, pese embora seja inegável que ainda temos muito a aprender em matéria de cidadania.
Atente-se ao exemplo acima. É prova clara de que temos vindo a registar significativas mudanças. Um exemplo que dá lugar a interpretações bem diferentes daquelas que habitualmente se tecem sobre o nosso povo e que nos deixa concluir que, afinal, no que toca a civismo parece que estamos um bocadinho assim à frente dos espanhóis...

terça-feira, 25 de março de 2008

Devolve o dinheiro à mãe, anda lá...


... o quê? Então mas eu dei-te a mesada para melhorares o aspecto do teu curral e tu metes-te nas borgas??? Mas tu estás parvo ou quê? *

"Portugal foi obrigado a devolver verbas cedidas por Bruxelas para projecto de preservação de aves..."


Os flamingos do Tejo. Aqueles que causaram tanto alarido nas organizações pró-ambientais aquando da construção da Ponte Vasco da Gama e afinal voltaram ao seu habitat natural.

Organizámos a Fundação para a Gestão Ambiental das Salinas do Samouco em 2000. Em 2004 temos o último relatório de trabalho referente ao ano anterior.

A partir daí as aplicações dos fundos cedidos pela Comissão Europeia são feitas sobre despesas correntes. Hoje não há sequer uns trocos para podas ( ! ) ou gasóleo ( ! ! ! ). "A sede da fudação [foi] vandalizada várias vezes e teve de ser encerrada por falta de dinheiro para a instalação de um alarme."
O projecto para estes últimos anos seria simplesmente:
  • intervenções nas salinas;
  • recuperação de comportas;
  • criação de ilhas artificiais;
  • acções de divulgação e sensibilização ambiental.
Não parece nada de extraordinário... Será necessário um organograma para explicar a relação entre protecção ambiental -> imagem limpa -> potencialidades turísticas que se estendem até às Lezírias ( ? )
760 mil euros, dos quais 380 mil de fundo perdido europeu. Fundo perdido... O que quer dizer que andámos a brincar. A coisa não correu mal - simplesmente não se deu.
"Portagens podem ser a solução" dizem. Uma pequena fracção das portagens da Ponte V. G.
A Lusoponte até poderia fazer um manguito a esta proposta, que não a censurava.

*Pode parecer brincadeira isto, mas morria de vergonha se fosse eu a devolver o cheque a qualquer burocrata europeu.

Paisagem natural viva

Mais de 100.00 espécies no Estuário do Tejo

Considerada uma das reservas naturais mais importantes da Europa...




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Descubra as diferenças (III)

2008

Ontem, estreou na RTP pela mão de Maria Elisa, "E depois do Adeus", um programa que evoca momentos que marcaram indelevelmente o país, incitando à introspecção política, social e cultural. O tema escolhido para a primeira emissão foi o das cheias de 1967 - a maior catástrofe natural ocorrida em Portugal depois do terramoto de 1755 - bem como as de 1983 e 1997.

Hoje, Lisboa acordou inundada e no resto do país o cenário não foi muito diferente.

Afinal, as cheias não são problemática do passado e de quando em quando, insistem a marcar a actualidade. E não vale a pena remeter as culpas para S. Pedro. É certo que o tempo é cada vez mais incerto e as alterações climáticas têm revelado a sua pior faceta. Contudo, os problemas que estão na origem das maior parte das incidentes relacionados com o mau tempo podiam ser evitados com coisas tão elementares como limpeza de algerozes e dos sistemas de escoamento, a regular manutenção das vias rodoviárias e fiscalização periódica de infraestruturas públicas. E há ainda que alertar para os efeitos da urbanização descontrolada, que na maioria dos casos é imune ao ordenamento de território.

O certo é que já era hora do país estar preparado para fenómenos metereológicos como este, ao invés de continuarmos a olhar para o passado (como no aludido programa), sem no entanto sabermos retirar lições dele. E insistimos nesta lógica a la portuguesa do "remediar, sobre a qual ainda há dias aqui falei.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Alguém que os ilumine, por favor...

O termo "apagão" parece estar na moda.
Já não bastava o famoso e escandaloso «Apagão do Brasil», ou aquele em 2000 provocado por cegonhas (!!) que deixou meio Portugal à luz de velas.

Hoje o "apagão" é outro. E, imagine-se, convocado.
Como forma de alertar para as graves consequências das alterações climáticas, a organização francesa "Aliança pelo Planeta" apela a um apagão geral pelas 18h55 de hoje.
França e Espanha são dois dos países que prometem aderir em peso a este apagar de luzes durante cinco minutos.
Por cá, o Ministério do Ambiente não aderiu à proposta. Haja alguém com bom senso...

Com isto, não julguem que não tenho sensibilidade quanto ao tema. Bem pelo contrário, é tema que me preocupa bastante.
Compreendo o simbolismo desta acção, mas tenho sérias dúvidas que, e apesar da sua intensa mediatização, possa ter reflexos positivos na mentalidade ecológica dos cidadãos.
Ao invés de pedir aos cidadãos uma coisa tão simples quanto inútil como apagar as luzes durante cinco minutos numa qualquer quinta feira de fevereiro, os governos, associações e demais, deviam de levar a cabo campanhas de sensibilização eficazes, que se traduzissem na inversão do comportamento despesista e inconsequente da maioria dos cidadãos de hoje.
Estes gestos simbólicos ficam sempre bem, mas na realidade estão longe de ter qualquer eficácia... Neste preciso caso, até parece é que vão trazer alguns problemas, uma vez que a alteração repentina de consumo de energia corre o sério risco de provocar problemas na rede eléctrica.