Definitivamente encontrei o termo que melhor define o momento político que vivemos. Mas o que é a esquizofrenia? É um transtorno mental que pode atingir qualquer pessoa independentemente da idade, sexo, raça, classe social e que se caracteriza por delírios, alucinações, etc..., no fundo uma descolagem perante a realidade.
Desde que este governo tomou posse, com o grande desígnio Nacional de evitar a bancarrota, cedo se percebeu que iríamos ser influenciados e condicionados por um movimento transversal à sociedade Portuguesa, liderado pela comunicação social no sentido de impedir o inevitável, o "fim dos interesses instalados".
Esta esquizofrenia generalizada, vem em crescendo e atingiu o seu epílogo com o discurso do Presidente da Republica no dia 25 de Abril. Ora, seria fácil adivinhar, que qualquer que fosse o discurso se responsável , e de estado, seria criticado da esquerda à direita e ontem alguém por quem não tenho grande simpatia, dizia algo muito obvio mas que a esquerda só releva quando é conveniente. Ao rejeitar eleições antecipadas, apelando à estabilidade política e aos consensos, o Presidente da Republica não fez mais do que cumprir e respeitar a constituição, a saber os mandatos são de 4 anos.
Ao contrário, Jorge Sampaio violou a constituição quando dissolveu a Assembleia da Republica sem qualquer razão objectiva e porque todas as sondagens davam uma vitória clara ao PS, convocou eleições antecipadas, vindo a dar posse ao governo que levou o País à bancarrota. A esquerda e uma parte da direita aplaudiram e o resultado foi aquele que se viu e para o qual somos hoje todos chamados a pagar.
Não posso estar mais de acordo com o Presidente da Republica, "À primeira qualquer cai, à segunda só cai quem quer"
Mas afinal de contas quem são os maiores beneficiários desta esquizofrenia?
A lista é extensa, mas nada como dar alguns exemplos:
No topo da pirâmide podemos encontrar as elites económicas, que historicamente sempre viveram à custa do orçamento de estado. A seguir, temos as elites políticas, que vêm o sistema de reformas chorudas ameaçado, depois, todos os operadores judiciais a começar pelos juízes, procuradores, terminando nos advogados. Mais abaixo os jornalistas e comentadores (normalmente ex- políticos) e finalmente os funcionários públicos em geral, que pela sua dimensão e capacidade de gerar vitórias eleitorais, foram acumulando benesses insustentáveis, roçando em alguns casos a indecência. A propósito disto, muitos se questionarão porque é que o tribunal constitucional nunca invocou a falta de equidade e justiça, evitando assim a divisão da sociedade Portuguesa, entre Portugueses de primeira e Portugueses de segunda.
Numa soma de resultado nulo, se uns são beneficiados, alguém tem que ser prejudicado.
A resposta é simples, Portugal, e a maioria dos Portugueses, os tais cidadãos de segunda, que pagam com os seus impostos todos estes desmandos.
Contudo, os beneficiários desta esquizofrenia, sofrem de outra patologia, a miopia galopante, porque ainda não perceberam que quanto mais cedo reformarmos e acabarmos com todas estas distorções insustentáveis, menores serão as perdas. O colapso de todo este sistema, é o pior dos cenários e a pior das opções.
Muitos Portugueses, estranharão porque é que a maioria dos comentadores adoptou a política do bota abaixo e invariavelmente está contra toda e qualquer medida anunciada pelo governo, mesmo aquelas há muito reclamadas por toda a sociedade Portuguesa. Eu não estranho e as razões são simples e deviam ser perceptíveis ao comum dos mortais.
Para começar, os media por uma questão cultural, a que eu chamo "intelectualite de esquerda", recrutaram desde muito cedo, jornalista e comentadores simpatizantes da tão conhecida esquerda caviar, gostam de viver bem, ganhar bem, julgam-se intocáveis, não se sujeitam a qualquer julgamento e acham que só eles detêm a verdade. Depois, porque nos últimos dois anos, muitos destes pseudo-comentadores foram sujeitos pela primeira vez a cortes salariais e para quem se julgava intocável e acima do comum dos mortais, começou sentir toda esta construção em perigo.
Finalmente, porque os grupos económicos de media, sentiram-se ameaçados com a perspectiva da privatização da RTP, e sub-repciamente, as administrações terão passado a mensagem aos jornalistas que eles seriam os principais prejudicados pelo sucesso desta operação. Como quem não quer a coisa, a mensagem foi clara e muito objectiva do tipo, "façam pela vida que os tempos estão difíceis"
Temos assim um " melting pot" de interesses, que nada tem a ver com as reais necessidades do País ou do cidadão em geral, mas apenas e tão só, com a defesa de interesse corporativos e pessoais, que ameaça a cada momento a estabilidade tão necessária para sermos bem sucedidos na defesa do interesse geral e do nosso futuro.
Vivemos assim tempos a que eu chamaria de censura silenciosa, muito mais perniciosa do que a censura do lápis azul, porque se nos tempos idos e em alguns casos se escrevia aquilo que se pensava, que posteriormente poderia ou não ser censurado, hoje, à partida, já nos dizem que se não escrevermos em determinado sentido, é a nossa última missiva. Honra seja feita aos blogs, local onde ainda podemos ser genuínos e escrever segundo as nossas convicções.
Nem há muito tempo, um comentador e articulista da nossa praça, confidenciava-me que tinha abandonado algumas convicções e se tinha dedicado a escrever e a comentar banalidades e terminou dizendo, não quero fazer parte dessa grande fileira que são os desempregados do nosso País.
O corolário deste unanimismo ficou bem patente na primeira página do jornal de negócios desta semana. O convidado foi Fenando Rosas, um historiador, bloquista que para além de não acreditar na economia de mercado, também não a entende e é como sabemos um feroz crítico deste governo.
Este cinzentismo a que fomos votados, não augura nada de bom, não só porque a nossa cultura foi construída sob a diversidade, criatividade e espírito de aventura, mas também porque esta forma unânime de pensar tão ao estilo das ditaduras nunca deu bons resultados. Estranho é, que aqueles que mais defenderam a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões, estão hoje na linha da frente na defesa desta nova cultura.
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domingo, 28 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Gatos escaldados (e agora «calados»)
Se havia página d'A Bola que eu gostava de ler nas raras vezes que o jornal me vem parar às mãos, era a das crónicas dos gatos Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela, a torcer pelos seus clubes, SLB e SCP, respectivamente. Mas ao que parece, um destes dias o lápis (literalmente) azul falou mais alto e a última crónica do «gato verde» saiu com certos cortes, sem que o cronista fosse disso avisado. Os cortes recaíram sobre trechos em que Quintela «respondia» a Miguel Sousa Tavares a propósito de uma troca de palavras quanto ao célebre Apito Dourado. Pormenores à parte, é de concluir que, desta vez, até o diário comummente associado ao Benfica se prostou perante os papões do Norte. O resultado? Quintela abandonou a crónica e RAP fez, num gesto solidário para com o colega, o mesmo. Quem fica a perder? Todos. O humor intercalado com momentos de pura lucidez (que tanto escasseia no meio), viesse de quem viesse, tornava o desportivo numa leitura mais sadia. Agora MST pode respirar de alívio: tem o jornal por sua conta e ninguém à sua altura para lhe lembrar que um homem com a sua inteligência não pode fingir acreditar que o Apito Dourado é uma mera ilusão futebolística.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
A farsa II
Já não bastava a areia movediça que o tema encerra, pelos vistos, precisávamos ainda que o ex-ministro Capoulas Santos viesse animar-nos com um colorido corso de carnavalescas asneiras. Diz o senhor que a oposição deveria apresentar uma moção de censura, tal a indignação mostrada em face do alegado esquema para, via PT, começar uma guerra relâmpago que culminaria no controlo governamental da comunicação social.Desde logo, é bom que se diga que do dito esquema, para já, nada prova o envolvimento do Governo; creio até que o “carnaval” de notícias que nos soterram prova bem que o Governo não tem mão nos jornalistas. Porém, o que sabemos sobre dois administradores da Portugal Telecom já justificava uma ida para o olho da rua, que mais não seja, por conduta imprópria. Acresce que, deste modo, se manifestava a clara intenção de cavar um fosso para assuntos desta sorte, por parte do Executivo.
Mas voltando ao despautério de Capoulas Santos, creio que o dirigente socialista faria melhor em ajudar o PS a governar e a tirar-nos da crise, já que presumo que tenha sido essa a razão da vitória eleitoral que averbaram. Já bem bastam as miseráveis arbitragens do nosso futebol e o constante assinalar de pretensas faltas perante descaradas simulações, para vir agora um político com truques de algibeira pensar que a “malta” é parva. Dito isto interrogo-me genuína e, se calhar, ingenuamente: será que Capoulas Santos acha que não se percebe a desastrada tentativa de calar a oposição?! Sabendo, como sabe, que ninguém ficaria com o ónus de agravar a situação do País (por razões táctico-eleitorais, mas também por sincero patriotismo), a insinuação é a de que ou a oposição avança para xeque-mate ou abandona o jogo, calando-se.
Artimanha básica, meu caro senhor… Há, no mínimo, dois caminhos que passam pelo meio desse fantasioso “beco do tudo ou nada”: o primeiro é o Governo declarar, sem mais novidades à sexta-feira, que nada tem a ver com o assunto, pondo, na passada, os representantes sem mandato na ordem.
O outro passa por Belém... Nada me tira da cabeça que Cavaco Silva adoraria ter o País em boa situação económica, a reeleição garantida e um PSD que já constituísse uma alternativa credível (será que é desta???). Pois, mas eu também adorava ganhar o Euromilhões e que a Académica vencesse o campeonato. Esse não é, contudo, o Portugal que, de facto, existe. Cavaco Silva responderá em 2011 pela atitude (activa ou passiva) que agora tomar. Espero, sinceramente, que a razão lhe assista!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A farsa
Depois de termos pensado um pouco sobre o que quereria dizer o episódio de alegada censura em torno de um artigo de Mário Crespo, eis que o “Sol” – que me aparece como uma fusão de “Tal & Qual” com “Independente” – nos revela escutas “laterais” do processo “Face Oculta” (o tal das sucatas), nas quais Armando Vara, Paulo Penedos e um administrador da PT, supostamente, debatem um plano de José Sócrates para adquirir o grupo detentor da TVI (através daquela empresa de telecomunicações, onde o Estado detém uma posição privilegiada) e, assim, silenciar noticiários adversos.Ora bem, a primeira coisa que se me oferece dizer é que estamos atolados em processos e suspeitas. Mal vai um país que, a mais de estar em mau estado no que ao nível de vida respeita, ainda vive sem respeito e sem sentido.
Depois, em sede de abordagem política, creio que os partidos da oposição só podem mesmo acreditar que todos “nascemos ontem”. Vale isto por dizer que só mesmo em delírio ou ataque agudo de toleima podem os demais partidos pensar que a coisa se resolve com uma declinação da tradicional dicotomia “céu versus inferno”... Seria assim estilo “o Sócrates é mau”, mas todos nós (leia-se, PSD, CDS, PCP, BE e o inútil PEV) “somos bons e redentores”. Como se diz na América: “for God’s sake” (em bom português podemos sempre bascular entre um salvífico “pelo amor de Deus” ou um zoófilo “vão dar banho ao cão…).
A verdade é, senhoras e senhores, meninas e meninos, que se poderá ter passado pelos corredores do PS a ideia de amainar as noites televisivas de sexta-feira (o que, sendo verdade, é assunto sério) não menos se poderá dizer que o súbito ataque de pudor da oposição e subsequentes projectos de audições em sede de Comissão Parlamentar de Ética (parece ter ficado de fora a ideia de uma comissão de inquérito) também são fruto da sede de exposição mediática; resta saber se a dita o medo de que depressa se acabe o pluralismo informativo ou mesmo a tradicional ideia de que “apareço, logo existo”. Vou pela última hipótese…
De uma ou de outra, que vos não resta dúvida de que os “auditados” vão repartir-se entre o “sim, fomos muito pressionados” e o “não, não sentimos nada disso”…
Se não acreditam na minha acidez analítica, a ver vamos se não serão as “vedetas” de cada grupo parlamentar a protagonizar as inquirições. Ou julgava que seriam os anónimos deputados que fazem quórum na Comissão que iriam ter a sua hipótese de mandar beijinhos lá para casa?! Nada disso! Já quando eu passei por São Bento, sempre que o assunto envolvia câmaras de televisão lá vinha o estado-maior (lembro-me, por exemplo, da demissão do Ministro Pedro Lynce). A única excepção que me ocorre ocorreu aquando da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI; aí, suponho eu que devido ao incómodo, não havia ninguém com vagar para questionar Pais do Amaral (então, patrão da TVI e restante grupo).
Nesta fase, o que se perde é a capacidade de separar o que é judicial (e que deve ter o seu curso nos tribunais, doa a quem doer) e o que é carnaval…
E continuamos entretidos pela saga justiceira dos partidos, rezando para que nos façam esquecer de que, lá para Março (creio eu), os juros do crédito à habitação voltam a subir. De todo o modo, os bancos não se esquecerão…
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Mares encrespados
Um dos assuntos do dia (a não publicação de um artigo de Mário Crespo, no Jornal de Notícias), em si mesmo, não é novo… Estou seguro de que o Amigo Leitor já se lembrou de mais duas ou três situações desta sorte (como, por exemplo, a que lançou para a ribalta um discreto assessor presidencial), sendo altura de passar aos corolários de que me julgo capaz…Em primeiro lugar - parece óbvio, mas vale a pena recordá-lo – tal turbulência mostra, cristalinamente, a força e a relevância dos media. Não são ingénuas as vozes que começaram a falar, de há anos a esta parte, num novo poder quase insindicável, que faz e desfaz vidas e carreiras (isto sem falar dos blogues, onde se desgraçam reputações, sem fundamento).
Depois, é preciso não esquecer que as próprias vedetas mediáticas estão bem cônscias da sua relevância e que estamos no país em que qualquer avançado (no futebol ou na vida pública) sabe que atirando-se para o chão ao menor “bafo” do adversário, haverá, com certeza, penálti.
No entanto, seria simplista subsumir o caso do artigo de Mário Crespo (disponível, designadamente, no sítio do Instituto Sá Carneiro) a estes comentários genéricos. A meu ver (visto que a minha Avó me proibiu de escrever “na minha óptica”…), a análise requer duas passadas: a primeira para sublinhar que o Director do JN invocou, como razão da não publicação, o facto de tratar-se de um artigo baseado em conversas escutadas num restaurante (que dariam azo a contraditório; seria um caso de “diz que disse”) e relatadas via correio electrónico (fonte rejeitada, pelos vistos).
Ora bem, cumpre dizer que muito me espantaria se o JN (o segundo diário mais lido em Portugal) se atemorizasse com a ira eventual do Primeiro-Ministro, embora já tenha visto de tudo... Por um lado, são várias as crónicas contundentes de Mário Crespo que já publicara naquele jornal (muitas visando José Sócrates) e, por outro lado, creio que haveria, caso assim fosse, um caso de temor reverencial patológico da parte do Director do JN, Pereira Leite.
Contudo, se, ao invés do que fica dito, algo se demonstrar, não apenas seria o regime democrático que estaria em causa, como existe uma instituição a quem incumbiria o dever de agir: o Presidente da República. Na minha opinião, por bem menos, o Presidente Sampaio ofereceu “um bilhete de ida” ao Dr. Santana Lopes.
O segundo aspecto do “caso” Mário Crespo que gostaria de olhar tem a ver com o facto de me parecer que mencionar “gente que ouviu o Primeiro-Ministro” como fonte é um eufemismo, sobretudo se considerarmos que, alegadamente, José Sócrates terá proferido os irados comentários em conversa com o director de programas da SIC, onde trabalha Mário Crespo. A grande questão é separar o desabafo da pressão, algo que só o interlocutor poderá fazer (isto deixando de lado aquilo que pode ter sido uma imprudência do Primeiro-Ministro, mormente tendo em conta os casos mais recentes, como o de Manuela Moura Guedes e outros).
Concluindo, uma certeza tenho eu: esta permanente torrente de suspeições e de confusões envolvendo media, partidos e Governo não deve ajudar nem à participação dos cidadãos, nem aos ratings da República e coisas do género. Torna-se cansativo e desanimador ver a vida a piorar e os políticos e jornalistas a servirem-nos intrigas como alimento!...
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