Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Valores decotados - Parte I


Há umas semanas, vejo no noticiário da RTP e, subsequentemente, leio na imprensa que o Agrupamento de Escolas de Valadares proibiu, através do seu regulamento interno, o uso de “decotes ‘excessivos’, calças ‘excessivamente descidas’ ou ‘saias demasiado curtas’" (cito, na circunstância, o “Sol”).
Começando pela abordagem política, relembra o semanário citado que, em 2009 e por ocasião de evento similar em Pinhal Novo, o Bloco de Esquerda terá declarado tratar-se de "inusitado atentado à liberdade individual, expressando "o mais profundo repúdio" pelo seu "cujo cariz autoritário" (idem). Ora bem, o mesmo partido que quer proibir “piropos” rejeitava aqui uma clara tentativa de defender a dignidade das jovens mulheres, evitando uma excessiva sexualização e a automática sujeição (não é preciso estudar em Coimbra para somar dois mais dois) aos ditos e aparentemente gravíssimos piropos… Mais uma vez se vislumbram as contradições evidentes de um fenómeno partidário cuja notória decadência só espanta por ser tardia.
Aliás, a propósito do episódio mais recente, o sítio/blogue afecto ao BE (ESQUERDA.NET) reconhece e relembra as posições de 2009, associando o raciocínio ao caso de 2013; ou seja, como eu próprio disse nos meus tempos parlamentares, a conveniência e o lucro eleitoral são o único fio condutor de uma agremiação que foge da responsabilidade institucional como o diabo da cruz.
Contudo, não contornaremos a questão em apreço, dizendo que, mais uma vez, se encontram em jogo as questões de saber de distinguimos, sem maniqueísmos, o certo do errado e o mundo ideal do mundo real. Começando pela última, diria que num mundo ideal, cada um usaria (ou não) o que muito bem entendesse, sem que isso pudesse trazer consequências nefastas, fosse no plano do assédio, fosse no domínio da ofensa à moral pública, fosse ainda na estruturação de um personalidade que entenda e respeite regras de conduta. Sucede que entra aqui a mesma variável de que Marx (o Karl e não qualquer dos irmãos homónimos) se olvidou: o ser humano, a sua imprevisibilidade e o seu egoísmo inato (parto, claro, de um certo pessimismo antropológico), coisas que explicam a necessidade de regular a não menos necessária convivência social.
Depois, temos que perceber se ainda acreditamos que há coisas que estão certas e outras que estão erradas. Tenho escrito que entendo que a civilização ocidental me parece ter entrado numa deriva relativista em que qualquer opinião é válida por ser emitida por um sujeito determinado e em que os valores perdem a essência de marcas de sinalização do comportamento, porquanto valem o que cada nação, organização ou sujeito entender que elas valem.
Como explicarei na próxima semana, sou dos que entende que ainda há referências inegociáveis. 

sábado, 22 de outubro de 2011

Educação

Partilho este vídeo que reflecte em muito a minha opinião sobre Educação.

Como sociedade, somos (ou devemos ser) sensíveis a esta temática, quer pelo seu papel crítico na formação das novas gerações, quer nas implicações directas que tem no desenvolvimento e futuro da nação.

Em boa verdade, várias gerações de decisores políticos que passaram pelo poder nas últimas décadas não souberam cumprir a sua missão nesta área pelo que deixo agora algumas reflexões sobre qual considero que deveria ser o rumo das políticas de educação no nosso País.

Historicamente, nomeadamente desde a era da industrialização, a educação seguiu os princípios ideológicos do chamado socialismo, massificando o ensino, tratando tudo e todos por igual. Passados mais de 100 anos, continuamos exactamente com o mesmo sistema, como que ignorando as evoluções e necessidades vigentes da nova era digital e de informação que hoje vivemos. Parece que a globalização e suas consequências enquanto difusora livre e democrática de conhecimentos não existem na realidade paralela em que se vive nas escolas e universidades portuguesas. A nossa visão tem que ser diametralmente oposta, devendo estar assente num espírito de abertura para o mundo; temos que acreditar no valor da individualização e que o ser humano deve estar sempre no centro de toda a acção política.

Primeiro, e antes de mais, devemos ser os primeiros a assumir que chegou a hora de acabar de vez com o jogo das culpas. Nesse jogo, os pais culpam os professores, os professores culpam os pais, estes culpam os conselhos directivos, as universidades culpam os liceus, que por sua vez culpam as escolas básicas e, por fim, todos acabam por culpar os políticos. Chegou a hora de dizer basta! Chegou a hora de parar com este jogo e de deixarmos de continuar a aceitar o fracasso do sistema como uma fatalidade ou destino – enquanto assim não for, nada se resolverá.

Por isso, vamo-nos concentrar todos, em equipa, em encontrar as soluções que nos permitam entrar numa nova era para a Educação em Portugal. Honra seja feita, neste aspecto, o nosso Ministro Nuno Crato tem feito um trabalho excepcional tendo definido de forma clara a sua visão de exigência em que podemos e seremos melhores. Para entrarmos nessa nova era, é obrigatório começar por encarar cada criança como um ser individual: com características, virtudes e defeitos próprios – cada criança tem um ou mais talentos e é nosso dever criar um sistema educativo que encontre e explore essas potencialidades! Não podemos continuar a fomentar um sistema que utopicamente exige que todos os alunos sejam bons em tudo… Se nenhum adulto consegue alcançar esta proeza, como serão as crianças capazes?

O nosso maior erro tem sido o de tratar todos por igual… é nossa missão assegurar que cada criança seja bem sucedida nas áreas em que apresenta maiores capacidades, sobretudo sabendo que esse sucesso na infância irá ditar muitos dos sucessos que poderá vir a ter na sua vida adulta.

Sejamos francos: a escola não vale pelos conhecimentos enciclopédicos que nos impõe mas sim pelas ferramentas que nos faculta para enfrentar as dificuldades e problemas do dia-a-dia. Em vez de ensinarmos a “marrar”, que tal ensinarmos a “pensar”?

No entanto, para que um sistema educativo seja capaz de ter esta abordagem individualizada, é necessário assumir duas coisas: Primeiro – que nenhuma criança tem dificuldades de aprendizagem, mas sim têm exigências diferentes de aprendizagem; e segundo –que as crianças processam informação de modo diferente umas das outras, exigindo uma adaptação personalizada do método de ensino. Outra questão que se coloca é o das reformas dos sistemas educativos. Nas últimas décadas, várias foram as reformas oriundas do Ministério da Educação. Curiosamente, essas reformas focalizaram-se quase sempre no ensino secundário…

Parece que o que é evidente deixou de o ser e, Ministro após Ministro, ninguém foi capaz de assumir que o problema é que os alunos chegam ao secundário e às universidades mal preparados, com maus hábitos e com falta de valências que lhes permitam ser bem sucedidos. Os problemas estão na base, bem no inicio, e não no final da vida académica pré-graduada. Chegou a hora de nos consciencializarmos sobre a importância do ensino pré-primário e primário e sobre a urgência de as transformar profundamente. As evidências da caducidade do actual sistema estão também patentes no aumento que se verifica nos níveis de racismo, xenofobia e criminalidade entre indivíduos que não completaram sequer a escolaridade obrigatória. Não só o sistema não cumpre os seus objectivos de formar cidadãos solidários e capazes de ajudar ao desenvolvimento do país, como nem sequer cativa a participação dos próprios alunos.

Portanto, para iniciarmos esta reforma por um inovador sistema de ensino, devemos assumir que a educação não começa nem acaba nas escolas. Hoje é irrefutável a importância do papel das famílias e das comunidades em que estão inseridas na formação de qualquer criança ou jovem… então porque é que ignoramos a sua existência e não fomentamos a sua participação? Tem de ser dada a importância devida às associações de pais e às reuniões entre pais e professores – porque é que o professor não pode ir à casa dos alunos de modo a começar a quebrar a barreira entre a escola e a casa? Os Professores têm que assimilar que eles têm uma missão única e histórica e a sociedade tem que lhes reconhecer esta grandeza.

Também as comunidades devem ser incentivadas a colaborar com as escolas e deve ser fomentado um espírito de missão entre os membros de determinada comunidade de modo a que sintam orgulho e vontade de melhorar a sua escola. Mas este tipo de espírito só poderá ser alcançado a longo prazo se as crianças de hoje tiverem direito a uma verdadeira educação para a cidadania – que lhes incuta um espírito empreendedor, mas solidário – de modo a que as crianças de hoje, adultos de amanhã, não sejam indiferentes às dificuldades e problemas que os possam rodear. Quando toca à nossa comunidade e ao nosso País, temos o dever de ter sentido de missão… e de transmitir esse sentido de missão às novas gerações.

Evidentemente, neste novo sistema, a educação para a cidadania tem de ser acompanhada por uma educação para a saúde, de modo que cada indivíduo se possa conhecer e respeitar a si próprio, no sentido de assim se formarem cidadãos justos, solidários, empreendedores e, sobretudo, mais responsáveis e conscientes do seu papel em sociedade.

Os nossos estabelecimentos de ensino devem ser templos dirigidos à beleza do conhecimento, à tolerância, à cidadania e à solidariedade.

Tem que se reconhecer que cada aluno é especial e único, mas também é determinante que cada aluno perceba que pertence a uma sociedade a um mundo Maior, que extravasa as paredes da sua escola. 

Tal como afirmou Albert Einstein: “A Educação é tudo que nos resta, depois de esquecermos tudo que aprendemos na escola”.

Está na hora de darmos às crianças de Portugal a Educação que elas merecem.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Avaliação congelada

O ministro da Educação divulgou ontem a mais recente proposta de avaliação de professores. Nuno Crato, matemático experimentado e ex-comentador em assuntos de educação, anunciou, após a sua tomada de posse, a suspensão do modelo de avaliação do governo de José Sócrates. Decisão aplaudida, já que o modelo vigente nos últimos dias do socialismo, manta de retalhos do malogrado projecto de Maria de Lurdes Rodrigues, carecia de uma revisão, sem prejuízo da manutenção de um clima de diálogo com as forças sindicais, com o peso que sabemos que têm no sector da educação.

Por hesitação tecnocrática ou motivo alheio à sua vontade, Nuno Crato vem agora apresentar um projecto que em pouco ou nada altera o modelo herdado de José Sócrates. A bolsa de avaliadores acaba por ir de encontro ao regime de avaliação por pares (incluindo a que é feita pelos directores, relativamente aos professores do 9º escalão), sujeitando o processo às vicissitudes próprias das relações pessoais, o que não aconteceria se os avaliadores fossem provenientes de uma entidade verdadeiramente externa às escolas. A avaliação sobre aulas observadas continuará a ser deixada ao critério do professor avaliado, o que significa que, no caso do professor rejeitar a assistência, o modelo incide sobre um duvidoso relatório de auto-avaliação, como no tempo em que a avaliação contemporizava com a progressão automática. Como esta é prática enterrada (pelo menos na administração directa do Estado), subsistem exigentes quotas para os lugares cimeiros da carreira docente, decisão que o ministério de Crato já fez saber ser irreversível. Na existência de quotas não podemos ver outra coisa senão a confissão de que o processo de avaliação é ineficaz - donde a necessidade de um impedimento à progressão na carreira -, bem como uma verdadeira perversão do mérito como fundamento da avaliação de professores.

Perante o aparente silêncio dos parceiros da coligação governativa - Grupos Parlamentares incluídos -, lamenta-se que fiquem na gaveta as propostas recolhidas pelo PSD e pelo CDS/PP, no tempo em que eram oposição, preconizando um modelo eficaz e justo. A versão que ora se apresenta não é uma coisa nem outra.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Quando o feitiço se vira contra o feiticeiro


Ainda a propósito das inúmeras escolas cuja morte este Governo já ditou, ouvi hoje que entre elas está aquela que foi considerada uma das mais modernas e inovadoras escolas primárias do Mundo. A EB1 de Várzea de Abrunhais, em Lamego, também não escapa à medida, uma vez que apesar de ser escola-modelo, conta apenas com 16 alunos neste ano lectivo.

A escola havia ganho o prémio da Microsoft por contar com um projecto inovador no campo da utilização das novas tecnologias, com o recurso ao famigerado Magalhães, ex-libris da governação de Sócrates. Mas isso não bastou para que fugisse à regra do encerramento de escolas com menos de 21 alunos, anunciada há dias pela competente Ministra.

Mesmo que o projecto ali desenvolvido seja aplicado ao novo Centro Escolar, parece-me que esta insistência na centralização dos serviços educativos num só local, a mais de quase desumana, potencia a desertificação das aldeias do interior, que no caso do concelho de Lamego resulta no abandono de mais de 30 escolas das várias freguesias.

sábado, 5 de junho de 2010

Viva a Escola!

Em Outubro transacto, aquando da apresentação do novo Governo, congratulei-me aqui com a escolha da sucessora de Maria Lurdes Rodrigues, na pasta da Educação, entregue então a Isabel Alçada. Sucede que se até há bem pouco tempo não havia grandes motivos para falar (mal) da sua actuação, no espaço de uma semana duas medidas anunciadas fizeram-me estremecer.

A primeira delas já se abordou aqui no blog, tem que ver com o encerramento das escolas com menos de 21 alunos pois parece que, segundo o Primeiro Ministro, estas crianças ficam votadas à exclusão. As desculpas que se arranjam! Eu cá fiz a terceira classe com apenas uma colega, integradas na turma da 4.ª classe que, no total, não devia superar uma dezena e isso não fez de mim, que eu saiba, alguém socialmente excluído...

A outra medida passa pelo empurrão do Governo aos miúdos do ensino básico com 15 anos que, coitadinhos, sofrem tanto no 9.º, toca a passá-los directamente para o 10.º! Isto é que é dar-lhes sentido de reponsabilidade. E depois ainda ousam denominar a medida de "incentivo".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cabular é que está a dar

Há uns tempos li aqui que por terras de nuestros hermanos havia sido consagrado um novo direito, no mínimo sui generis: o direito a cabular. Isso mesmo, os estudantes apanhados em flagrante com a mão na cábula ou até mesmo a olhar para o exame do vizinho não podem ser reprovados ou expulsos pelo professor, devendo a situação ser posteriormente submetida a uma comissão composta por alunos e docentes que decidirá, então, se houve ou não copianço.

Quem não teve direito a uma comissão avaliadora nesses termos, tendo sido fortemente criticada por ter recorrido a auxiliares de memória foi Sarah Palin, a governadora do Alasca que não pára de nos surpreender (imagine-se se tivesse chegado à vice-presidência dos EUA!!). Desta feita, numa Convenção do Tea Party em Nashville, Palin recorreu às palmas das mãos nas quais havia delineado o seu discurso, qualquer coisa entre «Impostos» (Tax), «Energia» (Energy) e, isto sim é genial, «levantar o ânimo aos americanos» (lift american Spirits). Pelo meio ainda havia uma alusão a «cortes orçamentais» (budget cuts), embora rasurada.

Dá vontade de rir, não só pela asneira básica da Sr.ª Palin (uns post-it amarelos colados no púlpito passariam mais despercebidos), mas sobretudo porque é sabido que governadora muito troçou da dependência de Obama dos telepontos. Uma espécie de "feitiço que se virou contra o feiticeiro" e que deveria servir de lição a Palin.

O que já não dá assim tanta vontade de rir é pensar que esta mulher pode um dia chegar à presidência. A julgar pelo seu discurso, que recolheu muitas salvas de palmas de pé e arrancou vários "Run Sarah Run" em uníssono, não falta quem a apoie nesse sentido...

sábado, 14 de novembro de 2009

Episódio da vida real

Numa festa de anos, a fazer conversa com o filho de 5 anos de um conhecido:

[Eu] -Então e já tens um Magalhães?
[Miguel] - Não..
[Eu] - Mas sabes o que é, não sabes?
[Miguel] - Sei. É o computador que o Sócrates dá aos meninos.
[Eu] ??????!!!!!!!!!!!!!
*foto daqui

domingo, 25 de outubro de 2009

Uma aventura no Ministério da Educação

O astuto Primeiro-Ministro escolheu a dedo o seu Governo, com especial atenção a uma das pastas mais massacradas na legislatura passada. A Educação fica agora a cargo de uma cara já conhecida e figura muito apreciada pelas gerações de 70/80, que então liam de fio a pavio a colecção "Uma Aventura" e, com sorte, ainda tinham direito à visita das autoras à sua escola. Para além do que conhece por ser professora, as incursões que Isabel Alçada já faz há quase três décadas e a proximidade que teve com alunos e professores de muitas escolas deste país dão-lhe uma ideia daquilo que a espera. Conhece de gingeira os queixumes dos professores e as carências dos alunos e está agora em posição de atender a essas causas e de lutar por um melhor ensino. É uma grande e inusitada aventura, mas a escritora goza de um apreço que muito dificilmente perderá, mesmo que nem tudo corra pelo melhor. E é por isso que cumpre tirar a cartola a José Sócrates. Escolheu alguém cujo perfil profissional não deixa dúvidas de que se apropria ao cargo e cujo perfil pessoal cai bem na generalidade dos portugueses. Oxalá Isabel Alçada não venha a desiludir-nos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dignificar a advocacia

No site da Ordem dos Advogados convidam-se os 'colegas' a lançar sugestões para uma campanha comercial "com vista a dignificar e salientar a importância do exercício da advocacia na defesa do Estado de Direito e da cidadania".

Bem pode a Ordem promover campanhas, pretendendo publicitar e dignificar o exercício da advocacia junto da sociedade portuguesa, que o povo português dificilmente deixa de franzir o sobrolho perante um causídico. É triste para quem enverga a toga mas, bem vistas as coisas, é compreensível que se tenha em tão má consideração esta classe profissional.

O problema começa desde logo na proliferação dos cursos de Direito nas privadas, bem como no numerus clausus arrepiante das clássicas. Quanto à formação, melhor ou pior, é certo que os licenciados em Direito saem com enormes carências técnicas e, não raras vezes, é-lhes vedada a possibilidade de as treinar convenientemente nos estágios. Isto não os impede de se tornarem excelentes advogados, mas dá-lhes o rótulo de «tipos que só servem para oficiosas».

E depois, há os que sabendo não ter vocação, insistem na advocacia mesmo tendo noção de que não passarão de advogados medíocres. É com esses que os portugueses esbarram muitas vezes, com tipos que envergam o título de advogado como se de uma insígnia se tratasse, com tipos que menosprezam clientes, que perdem casos por incúria, que esquecem os escrúpulos e prestam um mau serviço ao clientes, à Justiça e ao país.

São estes que mancham o profissionalismo de todos os outros que não encaixam nesse lamentável perfil (vão sendo poucos...) e são estes os responsáveis pela pouca consideração que a sociedade tem para com esta classe. Embora seja de louvar o esforço da Ordem, isto não vai lá com campanhas.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Lá na terra chamam a isto «miúfa»


Faz hoje uma semana que José Sócrates fez (na companhia de Mª de Lurdes Rodrigues) um périplo pelas escolas do Norte do país, com a pompa e circunstância do costume. Pormenor: fê-lo na véspera do regresso às aulas, quando os recreios e as salas de aula ainda estavam às moscas e os miúdos a gozar o último dia de férias de Páscoa.

Mais valia ludibriar os espectadores com "fogo de vista", i.e., à semelhança de outrora, pagar uns trocos a meia dúzia de garotos com pedigree - escolhidos ao dedo em casting - para desfilar com grandes sorrisos e dar um enquadramento simpático à visita dos senhores governantes.

Desta feita, não se lhes tendo ocorrido tal ideia, revelaram ao país que o critério da agenda para os assuntos escolares é a ausência de alunos e professores, nada mais, nada menos, que os principais personagens (e vítimas) desta rocambolesca novela que é a Educação em Portugal.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A novela e a vida real

O que é que as telenovelas tem a ver com fertilidade e natalidade? E com divórcios? Enganam-se aqueles que responderam "nada". A penúltima edição da The Economist traz um resumo de um estudo recente que concluiu que no Brasil as novelas tiveram relevante influência no comportamento dos brasileiros. Se foi influência positiva ou negativa, isso já depende dos pontos de vista...

Segundo o estudo, a taxa de fertilidade no Brasil caiu, ao longo das últimas décadas, de 6,3 filhos por mulher para 2,3 no ano 2000. O impacto nos divórcios pode ser menos relevante, mas não deixa de ser espantoso. Se em 1984 ocorriam 3,3 divórcios por cada 100 casamentos, em 2002 essa taxa rondava os 17,7.

Claro que não se pode fazer da Rede Globo o bode expiatório do decréscimo da fertilidade e um considerável aumento nos divórcios, mas o facto é que as telenovelas difundiram estilos de vida mais apetecíveis(ou não...). Em 115 novelas analisadas, 62% das personagens femininas principais não tinham filhos, sendo que 26% eram infiéis. E foi assim que as mulheres emancipadas, as famílias monoparentais, a crítica aos papéis e valores tradicionais, a aspiração à classe média e determinados padrões sociais difundidos nas novelas deram uma "mãozinha" nas mudanças sociológicas.

Isto dá que pensar sobretudo quando atentamos à TV portuguesa que, bem sei, não é pior que as vizinhas espanhola e italiana. Deste lado do Oceano também consumimos muita Rede Globo, e não nos contentando com isso, lançamo-nos em ficção sem qualidade, programas medíocres, violência televisiva, programação que desinforma, que deseduca, que foge aos seus fins.

Há honrosas excepções e sim, há quem faça esforços, veja-se a televisão pública e o trabalho que tem feito com o seu Provedor. Também o quarto canal melhorou a olhos vistos quando desistiu de nos impingir reality shows, fiéis e infiéis e outros tipos de lixo televisivo. Mas, feitas as contas, isso não chega. As novelas e os ocos talk show's ocupam as tardes e as noites das tv's e os portugueses consomem fraco alimento.

Sendo incerto que isso afecte a taxa de natalidade ou os divórcios por cá, certo é que continuamos a menosprozar a influência que a televisão tem em nós, pior, insistimos em não aproveitar as potencialidades da caixinha mágica para educar e (in)formar o nosso povo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Da faixa preta para a bata branca

De facilitismo na escolas portuguesas já muito falei aqui, aqui e aqui. Sucede que quanto a novas facilidades/oportunidades foi-me recentemente dada a conhecer a notícia da imagem (clicar para aumentar), um preocupante e paradigmático exemplo de como um sistema facilitista pode conduzir um moço que não sabe muito bem o que quer fazer da vida - além de dar uns socos - a um lugar ao sol no curso de Medicina.

É certo que o rapaz se dedica de corpo e alma ao desporto e representou o país nos JO de Pequim. E é certo que entrou no curso ao abrigo de uma quota estipulada por Lei ( Dec-Lei n.º 125/95 de 31 de Maio).

Não se trata tão só de um sentimento de inveja por ter logrado acesso à licenciatura mais cobiçada deste país e por tanto estudante cujo 19 vírgula qualquer coisa só dá para rumar até à vizinha Espanha ou à República Checa... ver um tipo que frequentou as Novas Oportunidades concluir o Secundário em pouco mais de nada e num ápice estar a cursar Medicina. Trata-se de um aluno de Medicina que pode perceber muito de técnicas desportivas mas, ao que consta, não frequentou nem Biologia, nem Química nem Matemática.

Igualmente grave é a 'vocação' do rapaz. De artes marciais a psicólogo, passando por gestão. Tudo a ver. Pelo meio ainda lhe deve ter ocorrido a carreira de engenheiro civil, que o músculo dá bem jeito no mundo das obras e já está habituado ao capacete (a ascensão de azul para o branco seria canja!).

Resta-nos crer que o rapaz se vai aplicar tanto na medidicna quanto no taekwondo. E resta-nos esperar que não se lembre o Governo de aplicar as novas oportunidades ao ensino superior.... Porque se assim for, o que esperamos mesmo é que nunca tenhamos que ir parar às mãos deste Sr. Doutor...!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Palpites V

A acreditar nos nossos ciber-sondados, a ideia de demitir Maria de Lurdes é tudo menos consensual; à pergunta "José Sócrates devia demitir a Ministra da Educação?", as respostas foram:
Sim - 60% (20 votos)
Não - 40% (13 votos)

Se as respostas foram sinceras, há quem admire a teimosia reformadora da Ministra. Pergunto-ma apenas sobre quanto mais tempo conseguirá o Primeiro-Ministro pagar o preço da sua má gestão da comunicação...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O lado negativo da Fenprof

Sempre defendi, no que toca à avaliação dos docentes, que a Ministra da Educação devia olhar à contestação que os professores lhe movem (a dos alunos, com franqueza, parece-me um pouco descabelada, quando não mesmo tola...).

Todavia, este método de cedências progressivas feitas nas garras do impagável Mário Nogueira (Fenprof) é um logro! O sujeito em causa é um marxista-narcisista (que isso do leninismo já era...) que só se contentará com o "correr de sangue".

Dito de outro modo, a negociação não é séria por parte da Fenprof (como raras vezes o foi por parte da própria CGTP, na concertação social); agora que a Ministra cedeu em vários pontos (aulas assistidas, formação dos avaliadores, etc...), o impagável Mário Nogueira diz que só aceita uma mera auto-avaliação, este ano.

Mais valia dizer que não quer que os professores sejam avaliados, o que, acredito, não terá muito a ver com o real desejo daqueles em nome de quem diz falar.

Seria bom que os professores (gente séria, na esmagadora maioria) se revoltassem contra sujeitos como este que, em vez de os defenderem com ética negocial, vampirizam tempo de antena!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Suspender a parvoíce por 6 anos

Já aqui escrevi sobre o que eu, no lugar da Dra. Manuela Ferreira Leite, não teria dito.

Surge agora outra declaração da líder do meu PSD que, no mínimo, é polémica. Leio no site da RTP que a Dra. Manuela terá dito que “Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se. E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia. Mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia”...


Vamos por partes, pois o caso tem pontas soltas:

  1. As afirmações foram proferidas numa ocasião (um almoço organizado da Câmara de Comércio Luso-Americana) em que a Premier laranja atacava a governação de José Sócrates, sublinhando que não podem fazer-se reformas que contendam com interesses de determinados grupos profissionais, virando a opinião pública contra os mesmos, no intuito de os fragilizar. No caso, acho que falava do sistema judicial.

  2. Era uma ironia dirigida ao modus operandi socialista tão fácil de entender que, vendo o video, se escutam com facilidade os risos da assistência.

  3. Alberto Martins (líder parlamentar do PS) sabe-o e foi oportunista; Luís Filipe Meneses queixou-se deste tipo de ataques e, agora, usa-os.

  4. Ninguém de bom senso acha que a Dra. Manuela defende, realmente, a suspensão da democracia.

  5. Toda a gente já pensou nisto, dada a sociedade corrupta e sem civismo em que vivemos. Pense-se até que, em contextos diversos, os Generais Garcia Leandro e Loureiro dos Santos já alertaram para o limite em que os nossos péssimos políticos (falo da média) estão a colocar o regime democrático.

  6. Concordo que uma pessoa com o traquejo político da nº1 social-democrata não pode "pôr-se a jeito" desta forma, mormente quando não tem vocação para dizer graças (a este nível só mesmo o insucesso de Durão Barroso, quando, no congresso de Viseu, comparou Santana Lopes a um misto de "Zandinga e de Gabriel Alves").

Feita a análise política, sublinho que o empolamento que os media estão a dar ao caso só pode trazer maus resultados para os próprios, a médio prazo, já que, ao acossarem uma política de elevado padrão ético e muita densidade política, estão erodir o resto da classe política que ainda preza a política com substância e que ainda estima a pluralidade de opiniões. E o problema ainda se agrava mais se pensarmos nos "consumidores de política" (leia-se, potenciais eleitores) que aí vêm, dada a ignorância mínima garantida que está a sair das nossas escolas...

Valia a pena era todos suspenderem a parvoíce, e não era por 6 meses...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O dia em que o Mundo se enganou

Indo eu em sentido contrário, espantam-se-me os olhos com a fila contínua de autocarros que avisto na auto-estrada… É sábado e há manifestação de professores…

Era, evidentemente, o prenúncio de uma manifestação que, na prática, deve ter deixado em casa apenas os professores doentes, idosos, os que acham que não adianta protestar e as docentes grávidas, já que, a avaliar pelo barómetro familiar, foram a esta manifestação professores que jamais haviam estado num protesto de massas e outros que até são activistas e eleitores do PS.

Dizem os nossos docentes que o processo que conduz à sua própria avaliação e, logo, à eventual progressão na carreira é burocrático, não deixa tempo para preparar aulas e ensinar e obriga mesmo a escolhas, quando se trata de ter tempo útil de vida familiar ou particular, em geral.

Insinua a Ministra da Educação que o que esta classe profissional não quer é ser avaliada e que quer progressão automática na carreira, como havia até agora.

No meio de tudo isto a incoerência do Governo torna-se escandalosa, já que o Secretário de Estado Adjunto, Jorge Pedreira, diz que os professores que boicotarem o processo não serão alvo de processo disciplinar. O que quero dizer é que, na sequência da inflexibilidade da Ministra que admite limar arestas, mas não suspender o processo, entendo que até o mais contestatário dos lentes esperaria ver cair a guilhotina da 5 de Outubro; temos um Ministério de meias-tintas: não cede, mas também não tem coragem para impor o rumo.

E, se calhar, é melhor assim, mesmo que a equipa governativa dê um ar frouxo… É que, para disparate já basta o que está. Foram precisos anos para eu concordar com a Professora Ana Benavente, ex-Secretária de Estado, mas a realidade é que se combina o ridículo facilitismo da avaliação dos alunos (feita para enganar os números de Bruxelas) com uma burocracia, no caso da avaliação dos professores, que faria chorar de saudade os que ainda lamentam, em Moscovo, o fim da União Soviética.

Sejamos claros, todavia: eu (e creio que a maioria dos professores me acompanhará) acho que os docentes têm que ser avaliados, através de um sistema que premeie o mérito e faça progredir os que ensinem melhor e formem melhores cidadãos. Sei também que os sindicatos acham sempre que têm toda a razão (ainda para mais quando se intromete o impagável Mário Nogueira, agora em altas funções de protesto profissionalizado), mas duas certezas conservo: por um lado, os professores que ainda têm motivação e bases para isso devem, prestando contas pelo seu desempenho, poder ensinar, o que é, no fundo, o cerne da sua actividade.

A segundo ideia que tenho por verdadeira é a de que dificilmente três ou quatro governantes estão totalmente certos, quando têm cento e vinte mil eleitores a contestá-los… Como diria o Eng. Guterres: “é fazer as contas”…


Fotografia "emprestada" pelo IOL

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Estudar em Coimbra (momento chauvinista) II

Já nem sei que diga...
Leio na edição de ontem do Público que a Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, foi, mais uma vez, a escola pública mais bem cotada no ranking anual do Ministério da Educação.

Ora, depois de vos ter mostrado com quantos paus se faz uma canoa, ao mencionar o ranking do jornal The Times para as universidades, vejo-me condenado a dizer-vos que foi ali que, orgulhosamente, fiz o ensino secundário e iniciei a minha vida política e associativa...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Agora percebo porque é que andamos a subir nos rankings de Educação...


Leio incrédula esta notícia. Choca-me o crime e a inocência da criança, mas igualmente me choca que neste país haja uma professora de Educação Cívica que vê no filme "O Crime do Padre Amaro" um instrumento pedagógico. O filme foca problemas socio-culturais que persistem desde os tempos de Eça ao presente, é um facto. Mas abordar os problemas sociais deste país numa aula de aprendizagem cívica só é possível recorrendo a filmes onde o que mais se vê são os seios e as nádegas de Soraia Chaves?... Quem viu o filme sabe do que falo - poucas ideias, pouco conteúdo 'queirosiano' e muito sexo explícito. Bem sei que hoje tudo isto está ao alcance das crianças e que para elas não é novidade. Novidade, novidade, é um pedagogo ver nos dotes e na performance de Soraia Chaves um contributo para a Educação e Cidadania dos pequenos...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Estudar em Coimbra (momento chauvinista)

Digam o que disserem, estudar em Coimbra ainda é o que era. Segundo o ranking publicado pelo jornal The Times, a Universidade de Coimbra (onde me licenciei) é a melhor escola superior portuguesa, bem à frente da segunda, a Universidade Católica Portuguesa (onde me tornei mestre)...

Fica uma braço de solidariedade aos demais e um encorajamento para que não desistam... :)