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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Avaliação congelada

O ministro da Educação divulgou ontem a mais recente proposta de avaliação de professores. Nuno Crato, matemático experimentado e ex-comentador em assuntos de educação, anunciou, após a sua tomada de posse, a suspensão do modelo de avaliação do governo de José Sócrates. Decisão aplaudida, já que o modelo vigente nos últimos dias do socialismo, manta de retalhos do malogrado projecto de Maria de Lurdes Rodrigues, carecia de uma revisão, sem prejuízo da manutenção de um clima de diálogo com as forças sindicais, com o peso que sabemos que têm no sector da educação.

Por hesitação tecnocrática ou motivo alheio à sua vontade, Nuno Crato vem agora apresentar um projecto que em pouco ou nada altera o modelo herdado de José Sócrates. A bolsa de avaliadores acaba por ir de encontro ao regime de avaliação por pares (incluindo a que é feita pelos directores, relativamente aos professores do 9º escalão), sujeitando o processo às vicissitudes próprias das relações pessoais, o que não aconteceria se os avaliadores fossem provenientes de uma entidade verdadeiramente externa às escolas. A avaliação sobre aulas observadas continuará a ser deixada ao critério do professor avaliado, o que significa que, no caso do professor rejeitar a assistência, o modelo incide sobre um duvidoso relatório de auto-avaliação, como no tempo em que a avaliação contemporizava com a progressão automática. Como esta é prática enterrada (pelo menos na administração directa do Estado), subsistem exigentes quotas para os lugares cimeiros da carreira docente, decisão que o ministério de Crato já fez saber ser irreversível. Na existência de quotas não podemos ver outra coisa senão a confissão de que o processo de avaliação é ineficaz - donde a necessidade de um impedimento à progressão na carreira -, bem como uma verdadeira perversão do mérito como fundamento da avaliação de professores.

Perante o aparente silêncio dos parceiros da coligação governativa - Grupos Parlamentares incluídos -, lamenta-se que fiquem na gaveta as propostas recolhidas pelo PSD e pelo CDS/PP, no tempo em que eram oposição, preconizando um modelo eficaz e justo. A versão que ora se apresenta não é uma coisa nem outra.

domingo, 6 de junho de 2010

A dieta do estado!

O estado está pesado. Actualmente e com as facilidades que a internet introduziu no dia-a-dia das pessoas, já nada justifica que o estado tenha tantas pessoas...

É necessário fazer (hoje!!!) um plano a 30 anos, com todos os partidos políticos com assento na Assembleia da República, que preveja o “emagrecimento” do estado.
Naturalmente que a solução não está em atitudes como as que o governo quer tomar relativamente às escolas com poucos alunos: ver aqui e aqui.

Tudo o que entendo ser correcto nesta matéria, não passa pelas reformas antecipadas e pela dispensa de tarefeiros/estagiários que o estado abusivamente vai contratando.

A solução está em contabilizar as saídas (naturais) da função pública para a reforma e, nos serviços em que for possível, compensar com serviços on-line ou mecanizados nos “balcões” do estado.
Ainda se lembram da quantidade de funcionários no atendimento de um banco?... e sempre com muitas filas???
Pois sim, actualmente faz-se quase tudo em máquinas do tipo multibanco. Apenas temos alguns (poucos) funcionários (sempre muito simpáticos) a orientar as nossas tarefas.

Temos de acarinhar e tranquilizar a função pública da actualidade… mas temos de alterar os perfis para a admissão dos futuros quadros da função pública… as necessidades vão ser previsivelmente diferentes.

Só assim entendo o sentido da distribuição de Magalhães pelas crianças, preparando-as para um futuro modo de vida de Portugal…

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um bem-haja à função pública (grunf!)

Juro que bem tento não cair no cliché de dizer mal dos funcionários públicos só "porque sim". Até porque tenho uma irmã que trabalha (e muito) numa autarquia deste país e não vê meio de lhe ser reconhecido o mérito que tem e a entrega exemplar com que todos os dias (úteis e não úteis) se dedica ao seu trabalho. Adiante. Dizia eu que bem me esforço por não cair na generalização de criticar a função pública e de usá-la como bode expiatório só porque, como a generalidade dos portugueses, me sinto mal servida pelo Estado.

Sucede que esse meu esforço cai por terra sempre que tenho que lidar com essa estranha espécie que são os funcionários públicos. Por força do meu trabalho, vejo-me algumas vezes levada a ajudar clientes em assuntos que lhes cabiam a eles resolver mas que não conseguem, por falta de diligência dos funcionários do Estado e, sobretudo, porque lhes faltam algumas armas que se mostram necessárias usar com aquela gente.

Há dias, tentei estabelecer contacto com Direcção-Geral das Alfândegas e estive cerca de uma hora em espera, porque os sucessivos interlocutores alegavam sempre "que não era com eles" e passavam a chamada uns aos outros, sem réstia de consideração. Cheguei a falar com a mesma pessoa duas vezes e - nada que me surpreendesse - levei com um "então mas eu não lhe disse já que isso não era comigo?". Às tantas, quando lá encontraram a pessoa "certa" (que ali é a mesma coisa que dar com uma agulha no palheiro) e me deram o respectivo contacto, atende-me uma senhora cujos bons modos escasseavam e cuja mensagem foi suficientemente esclarecedora: "Agora estamos a almoçar, seja o que for, só depois das duas".

Ontem o cenário não foi muito diferente. Estive 40 minutos em espera para falar com determinado departamento da Câmara de Lisboa, para meu desespero e da telefonista que tentava, sem sucesso, passar o telefone às "técnicas que estão cheias de trabalho ao telefone". Até podia ser verdade, mas chegada a hora de me atenderem só sabiam dizer que "não era com elas", mesmo quando lhes relembrei que no anúncio do Diário da República era aquele exacto contacto o que se indicava para eventuais esclarecimentos. Até que me exigem a "coisa" por escrito, meu deus, que burocracia! Um email sem resposta (mesmo tendo rogado resposta rápida uma vez que o prazo da coisa assim o exigia) e uma tarde passada a ligar para lá, até que percebi que ainda nem sequer tinham lido o email e, tal era a fúria com que estava, lá coagi uma senhora a dar-me um número de telefone de alguém que me garantiu saber ajudar. Claro que tudo isso foi em vão, porque o senhor, mesmo sendo Director de Departamento ou raio que era, não sabia patavina! Ainda estou em choque, a perguntar-me que raio faz aquela gente, que nem sabe aquilo que exige aos munícipes!

Pois bem, não há volta a dar, a imagem depreciativa que tenho dos funcionários públicos teima em piorar de dia para dia e, razões, como bem vêem, não me faltam para isso. E assim dou por mim a desejar que tudo neste país fosse privatizado! Pronto, já um pouco mais calma concluo que bastaria aplicar as regras do privado no sector público e já seria um grande avanço...

sábado, 11 de julho de 2009

As causas do nosso atraso

Numa reunião havida num órgão regional da Administração Central, para justificar o facto de, há mais de um mês, ter em sua posse um processo de interesse comum, sem que tivesse lido uma linha, antes da dita, pude ouvir um dirigente intermédio da identidade em causa proferir a seguinte pérola:

"Pois é... O tempo passa e as coisas são assim!..."

E ainda vai ter uma boa avaliação, não me admiro...