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terça-feira, 10 de novembro de 2015

António Costa, eu nunca me vou esquecer de ti…

Lembras-te do colega de escola que se sentava sempre ao lado do professor para lhe dar graxa? Todas as pessoas sabiam que ele “não era grande espingarda” na matemática mas graças à lata que tinha e à argumentação que utilizava lá conseguia ter sempre um 3 + + para chegar ao 4 no final do ano letivo…
Lembras-te do colega de trabalho que se senta nas reuniões ao lado do chefe? Aquele que normalmente “não faz puto” mas lá consegue dar sempre a volta ao texto para justificar a sua incapacidade de trabalho e passar por entre as gotas da chuva sem se molhar…
Lembras-te do colega de brincadeira que só jogava futebol porque era o dono da bola? Não tinha jeito para a bola, mas era o que tinha o mote da brincadeira e por isso era uma obrigação acolhe-lo para que todos conseguisses jogar. Isto quando assim era, pois corríamos o risco de ele não querer jogar à bola o que significava que também não a partilhava com ninguém…
Pois, lembras-te não lembras???
Na vida política democrática de Portugal, por tudo isto, nunca te irás esquecer do António Costa!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O dia em que Houdini se afogou


Tentarei escrever esta prosa com o menor número de adjectivos e com a frieza possíveis em homenagem à moderação a que me sinto obrigado. Contudo, creio que o dr. António Costa poderá estar, politicamente falando, a meter-se numa numa camisa-de-onze-varas ou a criar, genialmente, o “auto-xeque-mate”.

Indo por partes, reafirmo que, a meu ver e usando noções sobre métodos eleitorais que espero não estejam desactualizadas, a coligação PSD-CDS, tendo mais votos e mais deputados eleitos, ganhou as eleições. Continuo a acreditar nisso, apesar de as últimas notícias me tenham feito ganhar esperanças de que a Briosa possa ir à Liga dos Campeões, aliando-se a clubes mais bem pontuados. E nem venham os puristas dizer que se não pode comparar política e futebol; em ambos os casos e salvaguardadas as evidentes diferenças regulamentares, é uma questão de pontos averbados...

Pode, por isso, soar a mau perder que as forças derrotadas queiram o que os portugueses não quiseram dar-lhe. Acredito que a mensagem eleitoral pode ser plasmada do seguinte modo: siga o Governo com o bom trabalho, mas com mais moderação e escutando propostas alternativas.

Pensar nem que seja num acordo de incidência parlamentar com PCP (dou por irrelevantes Os Verdes) e Bloco de Esquerda é suicídio a prestações: por um lado, porque estas duas formações radicais têm apenas dois caminhos possíveis: ou se “aburguesam” e desaparecem em próximas eleições por traição ao seu eleitorado, ou impõem os seus temas e arrastam o PS para fora da governabilidade europeia.

Por outro lado, porque esta originalidade aritmética pode custar a Costa a união do PS, tanto mais necessária quanto mais esotérico o acordo que fizer.

Ademais importa por os conceitos en su sitio: no caso do PCP, como podemos ver pelo quase estaticismo eleitoral, falamos de um partido parado no tempo e que espera que a lei da vida venha a erodir a sua base eleitoral, por muito que disfarce com a operação plástica que consiste em indigitar alguns deputados jovens. Trata-se do único partido comunista ocidental que apoiou o golpe contra Gorbatchev e que, mais recentemente, revelou dúvidas sobre o facto de a Coreia do Norte não ser uma democracia. Por fim, cumpre dizer que nem Mário Soares deu, alguma vez, tanto poder aos comunistas…

Já no caso do Bloco de Esquerda e como não sou apreciador de cocktails, não sei qual a sua composição actual, mas lembro-me de um tempo em que se descortinavam marxistas-leninistas, trotskistas, maoístas e até anarquistas na sua fórmula. É a propostas destas maravilhas ideológicas que podemos sujeitar-nos? E se já houve fracturas internas, como será quando tiverem que incensar a burguesia que, seguramente, vêem no PS?

Se for este o caminho, que não se iluda Costa: cedo ou tarde, a factura chegará e com IVA a 100%...

Já se escolher “tolerar” a coligação e derrubá-la um ou dois anos volvidos, provavelmente, arrisca nova maioria absoluta de PSD e CDS.

Há habilidades que podem sair caras. A ver vemos se sai da caixa de água em que se meteu.

sábado, 6 de julho de 2013

Ficamos assim...

Embora com a devida moderação, não havia como não romper o silêncio sobre a vida política portuguesa.
Estando ainda “a bola a correr”, o que aqui se diga pode ficar desactualizado ao minuto. Todavia, algumas observações (repito, não tão acutilantes como desejaria) posso já fazer:
1 – À distância, fico com a impressão de que nunca se criou uma relação de confiança pessoal ou sequer de empatia entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Se é certo, como dizia um rival que tive na JSD, que “não precisamos de ser amigos para trabalharmos juntos”, a verdade é que, em não raras ocasiões, um bom entendimento ajuda.
Na minha modesta opinião, havia que ter posto em lugares charneira pessoas que pudessem fazer pontes e limar arestas entre os dois partidos. Fico, ao invés, com a sensação de que cada uma das forças coligadas nomeou os seus como se de uma sociedade por acções se tratasse.
Talvez Mourinho pudesse, melhor que eu, falar sobre a importância do espírito de equipa, mesmo pelo lado negativo da sua ausência, se pensarmos na experiência em Madrid…
Em todo o caso, a ser verdade o que se ouve, mais vale tarde do que nunca.
2 – Dizem as “últimas” que o CDS poderá negociar a manutenção na coligação, com alterações no elenco. A esse respeito, admitamos que o seu líder podia ter razão ao desejar maior grau de informação sobre as nomeações para a equipa. Todavia, voltamos ao mesmo ponto: será que o mesmo grau de consulta existiu nas nomeações dos titulares das pastas que cabiam àquele partido (para além da necessária e constitucional informação ao Primeiro-Ministro)?
O que foi mal calculado – beneficio da dúvida concedido, sem o que as palavras teriam que ser mais amargas – foi o efeito de uma decisão que, ainda que eventualmente profícua na defesa da auto-estima pessoal e colectiva (CDS), teve uma série de efeitos imediatos devastadores, com consequências que chegaram ao plano internacional.
“Que farias tu?” – perguntariam alguns leitores. Nestas coisas da política, creio que o País está sempre primeiro. Por muitas eventuais tropelias com que nos dificultem a vida, os objectivos do mandato conferido têm que estar primeiro (a uma escala ínfima, sei o que é ter um grupo interno a sabotar – e estou certo que nem por sombras se passou algo assim na coligação – e não desmobilizar até completar a missão). Por outras palavras, mesmo que admitamos que Portas tinha razões de queixa, creio que, inquestionável patriota que é e sempre foi, deveria ter sopesado melhor os resultados da sua consternação e, talvez, aumentado a sua capacidade de sofrimento ou, em alternativa, lograr os mesmos resultados através de uma negociação discreta.
Em suma e em matéria de cenários, creio que a manutenção renegociada da coligação é o cenário preferível (tacticamente, até para António José Seguro), seguindo-se nas opções defensáveis um eventual elenco resultante de esforços presidenciais (os governos de iniciativa presidencial estão fora do seu alcance), embora não acredite que tal encaixe no perfil do nosso Presidente. Os custos de um acto eleitoral iriam muito além da organização do escrutínio.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O regresso do cavalo do inglês

Vejo o estóico exercício de amputação realizado pelo Conselho de Ministros e relembro a troca de mensagens de correio electrónico com um amigo que é membro do Governo, que à minha frase de felicitação respondia com um “isto está difícil”.

Não me passa pela cabeça duvidar do esforço que é pertencer a um governo que tem que combater uma crise que parece insuplantável e que, seguramente, o é a solo por Portugal.

Como já disse, creio que, à parte de um ou outro carreirista que consegue furar as malhas do mérito, as pessoas que hoje aceitam ir para funções de Estado são cidadãos que me merecem todo o respeito; estarão, seguramente, sujeitas à permanente insatisfação de grande parte dos concidadãos, não verão as coisas boas que fazem aplaudidas ou sequer com o devido destaque mediático, não enriquecerão com o ordenado que vão receber e, de certeza absoluta, vão envelhecer bem mais depressa. Claro está que, assim o creio, servir a Pátria é uma honra, mas esta honra vem sem honrarias e apenas - para os que são sérios – com “ferimentos de guerra” e com uma quase pornográfica renúncia à esfera privada.

Penso, em conformidade, que o muito vituperado Víctor Gaspar não estará em funções porque o ordenado é soberbo – como académico e consultor ganharia “n” vezes mais – ou porque aprecia o estrelato, posto o que teria que lhe ser diagnosticado um masoquismo de proporções patológicas.

Tudo isto para dizer que o que podemos discutir é a forma de tentar amortecer o impacto da crise, que, repito, não resolveremos com mais ou menos cortes dado o cariz internacional dos problemas.

Aqui chegados, devo dizer-vos que valia a pena que os três partidos com propostas realistas de governação (PSD, PS e CDS) procurassem mais entendimentos em nome de Portugal, até para que haja a mesma obrigação moral quando a alternância democrática chegar. A lógica de deixar a batata quente nas mãos de outrém sempre acabará por escaldar as nossas, sobretudo quando o forno que é a economia está para lá de quente…

O entendimento é tão mais importante quando me parecem de levar em conta avisos como os que escutei a um economista (Arroja, creio), dizendo que não poderia haver mais cortes sem abdicar de funções do Estado. Achando a ideia tétrica e um recuo civilizacional, relembro as palavras de um ilustre académico de Coimbra que, há meses, me dizia que “não conseguimos pagar esta dívida em menos de 30 anos”. Isto para não evocar as muito criticadas declarações de José Sócrates, quando afirmou que estas dívidas não eram para se pagar (veja-se a Grécia…); concordamos que o rei vai nú, mas criticamos quem o diz…

Há, por isso, que pôr travão na dieta para que não resulte em anorexia ou, dito de outra maneira, para que não acabemos como o cavalo do inglês, que morreu quando estava quase a aprender a deixar de comer, como escrevi, há anos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Falar depressa e sem paneleirices


Leio em alguma imprensa de hoje que PSD e CDS admitem discutir recuo na lei do aborto e do casamento gay!

Se isto for verdade, é prova que a mediocridade está instalada.

Que pouca vergonha, quanta ignorância... o país a saque, as pessoas sem dinheiro para se alimentarem em condições... e querem discutir paneleirices...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Opinião Isenta sobre Portugal

Um artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, professor na Universidade de Estrasburgo. 


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Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais. Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem-se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união. Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou. 

Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo. Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre. 

A política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário. 

Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores, assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas, tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso nos problemas do país. 

Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica, entre o PS (Partido Socialista) e o PSD (Partido Social Democrata), de direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder, que tem um suporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado. 

Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas com telhados de vidro e linguagem pública, diametralmente oposta ao que os seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade. 

À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. 

Mais à esquerda, o PC (Partido comunista) menosprezado pela comunicação social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais. 

Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democracia pré-fabricada não encontra novos instrumentos. 

Contudo, na génese deste beco sem aparente saída, está a impreparação, ou melhor, a ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação. 

Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas de vários países. Ora, é bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda. Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres. 

A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e TV oficiais, está dominada por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos sociais-democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória. 

Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, "non gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e à realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática da apregoada democracia. 

Só uma comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca, o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os seus desígnios.

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Belenenses… e outras coisas…

Conheço o João Pinho de Almeida (JPA) da televisão… da política. Nunca o associei ao Belenenses. Agora, pela comunicação social, percebo que é do Belenenses desde pequenino…

Outra coisa que não lhe reconheço, é experiência profissional… isto é, se não contar com a política. De facto, e da breve pesquisa que fiz no Google com o seu nome, noto que fez parte de algumas comissões parlamentares relacionadas com o ambiente e a energia (acho?). Pois bem, se isso contar, então tem uma vasta experiência profissional.

Gosto muito de política. Sempre acompanhei e tentei, dentro de algumas limitações regionais e pessoais, estar a par dos assuntos do estado e das decisões que os políticos (com ou sem experiência) tomam para o bem da nação.
Posso estar a cometer um erro crasso… pois como referi inicialmente, não conheço nem acompanhei ao detalhe o percurso profissional do JPA.

No entanto, acho que o país precisa actualmente de jovens na política mas com mais experiência profissional do que política… e provavelmente o Belenenses, também.
… o mesmo se aplica a Bernardino Soares (excepto a parte do Belenenses)!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mera coincidência...

Ainda Paulo Portas festejava o "tiro no porta-aviões" de domingo, que fora a eleição de 21 deputados e a medalha eleitoral de bronze, e já o negócio da aquisição de dois submarinos (celebrado quando era Ministro da Defesa) voltava às primeiras páginas e ecrãs...

Claro que pode ser coincidência (espero que seja...), mas deixa noa ar um perfume de domesticação...

Seja como for, "submarino ao fundo" na esquadra do Caldas...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Na mouche!

Nem as empresas de sondagens, ódio de estimação do CDS-PP, estiveram tão perto. O último cartaz do partido do táxi (que agora já enche um Minibus) acertou em cheio. Desde domingo que eles são muito mais. E, atento o cenário, ainda bem que assim é. Não fosse a eficaz campanha de Portas e o trabalho louvável que este pequeno partido fez na última legislatura, teríamos como terceira força política o partido dos bloquistas radicalistas trotskistas anti-capitalistas e outros «istas» que nunca chegaremos a perceber muito bem. Estivemos na iminência de ver concretizada uma coligação PS/BE - coisa que suspeito que levaria muito de nós a emigrar para bem longe deste Portugal - mas o partido de Portas 'resolveu'. Bem vistas as coisas, não foi só o CDS-PP que ficou a ganhar, fomos todos nós...