segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Uma descarrilada e bárbara novela
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Valores decotados - Parte I
sábado, 15 de junho de 2013
Brasil: das Mulheres de Areia às Mulheres de Aço
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Traição
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Autoridade
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Encarceramento
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Descartáveis
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
A razão pela qual se não pode abrir a janela do avião
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Celebrando o dia 26
terça-feira, 13 de março de 2012
O nosso mundo (resposta ao Freitas Pereira)
E compreendendo a sua preocupação apetece-me trazê-lo a estes passeios, onde me cruzo com famílias de portugueses e estrangeiros que estendem a toalha nas mesas de piquenique e brincam com as crianças da família, partilham a feijoada com outras famílias que trazem tartes e passam um dia com aqueles que realmente importam. Estas não são famílias que se demitiram de olhar os outros como a extensão de si próprios. Podem até ser famílias que há uns anos passavam as tardes nos centros comerciais e se deixaram seduzir pelas marcas e pelo consumo em detrimento das coisas que parecendo simples, são as mais preciosas que temos. Mas como a economia e a sociedade se regem por ciclos acredito sempre no homem de bem. E no dia em que ele volta aos valores que promovem uma sociedade coesa e forte. É nestes piqueniques, ou nas famílias que se encontram quando levam as crianças aos escuteiros, à música ou a correr pelo parque que encontramos o nosso mundo, como ele deve ser.
E renovo continuamente nestes meus passeios a fé neste homem e nesta sociedade, que às vezes se deixa seduzir mas termina o seu propósito naquilo que vale realmente a pena.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Repetição
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Na Arábia Saudita mulheres ganharam o direito a votar
domingo, 25 de setembro de 2011
Biografia
Zuckerberg anunciou esta semana o novo conceito de rede social no f8. A partir de Outubro, podemos escrever a nossa história em interacção com o mundo numa experiência fascinante.
Mais do que alterações no layout da página ou novas funcionalidades, cada utilizador do facebook pode registar todos os momentos de maior importância na sua vida, num percurso determinado timeline, transformando a rede no verdadeiro serviço público. Mostra quem somos e - aqui está o interesse - a construção da nossa identidade. Priceless. Esta é a verdadeira obra de Mark Zuckerberg.
Como no site de apresentação: Tell your life story with a new kind of profile.
https://www.facebook.com/about/timeline
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Quem quer ser milionário
Por todo o lado se vê milhares de pessoas a perderem o emprego. E a pergunta (que nem sequer chega a tocar as margens do problema realmente vivido pelas vítimas desse flagelo) roça o retórico: como vão essas pessoas pagar a casa e a escola dos filhos?! Mais importante ainda: como vão comer e vestir-se?!
Por outro lado, vemos os Estados, mormente os que ainda se dizem herdeiros do modelo social europeu, a cortarem função social após função social. À segunda vai-se a esperança da reforma e reduzem-se as que ainda são pagas, à terça corta-se no orçamento dos hospitais e fecham-se centros de saúde, à quarta encerram-se escolas e deixam-se as universidades à mingua, à quinta fecha-se a porta à modernização das forças armadas e aniquila-se a motivação das forças de segurança civis, à sexta destrói-se qualquer possibilidade e qualquer incentivo à poupança, ao sábado acabam as obras públicas e ao domingo esperamos que o nosso clube ganhe, para ver se o ácido estomacal se acalma…
E com isto – tirem o sorrisinho da cara os mais propensos à intriga – não estou a insinuar que o actual Governo não esteja a trabalhar bem e a fazer o que não pode deixar de ser feito. Vou mesmo mais longe: não chego sequer a remeter as responsabilidades para o Governo anterior; separam-me dele opções de cunho ideológico, mas acredito que tenham tentado ao máximo preservar o cunho social do Estado.
O problema é, por isso, muito mais global e quiçá ideológico (quem disse que as ideologias estavam mortas???), sendo irónico e surreal que seja a China a propor-se salvar o Velho Continente e, ainda por cima, exigindo para tal que os países europeus adoptem determinadas políticas ditas de rigor.
Concluo o mesmo que venho concluindo nos últimos anos: deixámos o mercado à solta e a criatura virou-se contra o criador. Não conheço melhor mecanismo de regulação do que a economia de mercado, mas o que me fez militar no PSD foi acreditar que – descartadas as patranhas da extrema-esquerda sobre a sociedade sem classes e sobre a economia socialista – há um papel moderador e regulador que dá sentido ao Estado. Todavia, foi aqui que Estados Unidos da América e Europa falharam, permitindo a criação de uma temperatura social em ponto de ebulição que, quando o pão faltar mesmo, pode levar à anarquia, para presumido gáudio da referida extrema-esquerda.
Até quando deixaremos os especuladores brincarem ao “Monopólio” com os nossos países? Quando pararemos os mecanismos financeiros incorpóreos que inscrevem as respostas sobre o nosso futuro em cartões de “Trivial Pursuit”? Por enquanto, ainda vivemos na ilusão de responder à pergunta que nos levou ao abismo: “quem quer ser milionário”?
sexta-feira, 25 de março de 2011
Um dia de glória
Interrompo a série de artigos dedicada à viagem que fiz no Transiberiano, para me debruçar sobre um fenómeno que teve tanto de novo como de efémero, entendendo eu que a maioria das análises pecaram ora por euforia, ora por superficialidade: refiro-me à manifestação da “Geração à Rasca”…
Antes de mais, cumpre reconhecer o óbvio: foi uma mobilização pioneira em Portugal, mostrando a obsolescência crescente dos blogues (que perdurarão, mas com menos comentários e leitores) e o cariz inorgânico de muitas movimentações sociais hodiernas.
Porém, cumpre dizer que os parteiros e os cangalheiros da repercussão da iniciativa foram os mesmos: os media. Quero com isto dizer que, mesmo com o Facebook como propulsor, a manifestação não teria tido números tão avultados, não fora a intensa divulgação prévia e a cobertura em directo pelos jornais, rádios e televisões. Porém, foram os mesmos órgãos de comunicação social que, emersa a polémica em torno do PEC IV (que conduziu a mais um período de agitação política), liquidaram as notícias e consequências da enorme manifestação, volvidas algumas horas ou, na melhor das hipóteses, pouquíssimos dias.
Outra nota que se me oferece partilhar tem a ver com as rédeas desta nova forma de mobilização, pois, a meu ver e em geral, rapidamente os autores destas torrentes de mensagens e convocatórias perdem o comando das mesmas. No caso vertente, se é certo que os autores foram entrevistados e a prova de paternidade e maternidade feita, não é menos verdade que à manifestação se juntaram professores, partidos, pessoas com reivindicações avulsas e mesmo gente com a lata suficiente para reclamar uma freguesia para o Parque das Nações (gente “pobre”, portanto…), perdendo-se o guião inicial no meio da vozearia dispersa e de palhaçadas de certos homens de luta nenhuma.
Eis, contudo, mais um momento em que os media intervieram de forma relevante, já que, ao dar igualmente projecção aos comentadores moderados que denunciaram infiltrações consabidas, conseguiram que o grosso dos aderentes à manifestação diluísse as tentativas de manipulação da extrema-esquerda, mormente do Bloco da dita.
Do que não há dúvida, em suma, é que milhares de portugueses largaram o conforto do lar para expressar descontentamento com uma situação de que muitos, como eu, não têm memória ou sequer vislumbre.
Porém, tudo se resumiu a um dia de glória. Assim correm os tempos modernos…
terça-feira, 8 de março de 2011
Homens da Luta - qual luta?!

Não vi o Festival, nem estou a par dos demais concorrentes e da sua qualidade (ou falta dela), mas por muito maus que fossem, nada é tão mau como esta dupla que ridiculariza um país e um povo. Antes representada pelas Wandas Stuarts, Tonichas e Sabrinas, gente genuína e assumidamente lamechas, bem à portuguesa, que por dois palermas que levam até à Alemanha um número de circo que só irá confirmar, perante toda a Europa, a palhaçada que vai por estes lados.
E nem que o arranjo musical fosse bestial, nem que a letra fosse soberba, que não é. Muitos estão convencidos que a música é de intervenção, que a letra de A Luta é Alegria é oportuna e cheia de palavras de ordem, mas não só não há quaisquer resquícios de intervenção no conteúdo desta canção, como não vejo onde é que alegria rima com o estado do país...
E a luta, que luta é essa que os dois humoristas preconizam? Que contributo é que ambos deram ao nosso país? Foram dados a conhecer por um decadente programa de televisão e por sistemáticas intervenções despropositadas e ofensivas em actos solenes, comícios partidários, etc. Ah, espera, também são conhecidos por discursos a transbordar de conteúdo, que oscilam entre "camarada" e "e o povo, pá?".
E é com isto que o português se identifica? Com gente sem mensagem, que é do contra porque sim, porque é muito mais fácil captar atenções a esparvoar, que a actuar. É mais fácil ligar para uma linha de valor acrescentado ou deixar um «gosto disto» no facebook, que arregaçar as mangas e ir à procura de soluções. É mais fácil acreditar que o país pode mudar só porque dois tipos vão ao país de Angela Merkel debitar meia dúzia de parvoíces em camisa de flanela e acordeão ao peito.
No fundo, e ironicamente, os Homens da Luta representam precisamente os portugueses que não vão à luta, que bocejam a ver o país a afundar e que só espevitam ao som de megafones e palavras de ordem ao acaso, com muita farsa à mistura, pão e vinho – como dita a música - que isto é que alimenta o povo…!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Mobilizar [via Facebook] é o que está a dar
As redes sociais têm tido um papel fulcral nos protestos que grassam pelo Médio Oriente e Norte de África, o que chega a ser um bocadinho assustador. Através do Facebook, Twitter e semelhantes, a capacidade de mobilização da sociedade é tal, que acaba por estar na origem da queda de regimes no Egipto e Tunísia. No caso do Egipto houve quem, para comemorar o feito, baptizasse a filha com o nome Facebook, dado o relevo desta rede social naquele acontecimento. Por cá, e embora estejamos a falar de situações políticas diferentes, a mobilização via redes sociais também vai dando que falar. O Protesto Geração à Rasca, que terá lugar no Porto e em Lisboa a 12 de Março próximo, já conta com quase 19 mil pessoas «confirmadas» na página do Facebook criada para o evento. Resta saber se essas pessoas se mobilizam mesmo e aderem, ou se apenas se contentam em gostar da iniciativa, com a facilidade de um clic. quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Da cegueira social
A cegueira em que vivemos nestes tempos é preocupante, sobretudo, porque passámos a considerar que os idosos, uma vez sujeitos não activos e de diminuto peso social, não são dignos de um investimento político e social por parte da sociedade, instituições e do próprio Estado.
Longe vão os tempos em que um idoso era visto como um sábio, cujas número de rugas se traduzia no seu conhecimento e experiência de vida, atractivo aos olhos dos mais jovens. Mas na sociedade actual, que deifica a juventude, o idoso é agora dado como um inválido e um empecilho no seio familiar. A discriminação surge no círculo familiar e, não raras vezes, desemboca em violência doméstica. Noutros casos a família descarta-se do problema, ou seja, os idosos são votados ao esquecimento e vivem sós, amparados por uma irrisória pensão do Estado. Quando isto se passa nos grandes centros urbanos a situação ainda é mais preocupante, pois as relações de proximidade não são as mesmas que nas pequenas localidades.
Claro que o primeiro responsável pela situação é a família, que mesmo perante as adversidades do quotidiano não deve negligenciar um membro seu apenas porque já não tem as mesmas capacidades de outrora. Mas também as instituições e o próprio Estado têm a sua quota-parte de responsabilidade, cabendo-lhes, no mínimo, estarem atentas a sinais que indiquem maus tratos e/ou solidão. E se puderem elaborar programas de protecção, melhor. Como neste notável exemplo, em Alfândega da Fé. Começar por ajudar os jovens a desmascarar os preconceitos contra a chamada terceira idade é, sem dúvida, um grande passo. Oxalá venham outros...
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
O Processo

Se por um lado esse interesse se traduziu em coragem - a dos órgãos de comunicação social que denunciaram o caso -, por outro, esse mérito foi ligeiramente ‘apagado’ pela sede dos que preteriram noticiar os factos a explorar, sem dó nem piedade, os aspectos puramente emocionais, causando profunda comoção na opinião pública.
Ora, se é certo que a denúncia pública é o papel essencial da comunicação social, certo é também que a ela não deve estar associada uma atitude sensacionalista, que adultere o bom serviço público até aí prestado. Porém, o processo Casa Pia não escapou a isso. Nunca antes a justiça portuguesa se vira transformada num reality-show, metáfora que alguns oportunamente usaram. Nunca antes se vira tantas conferências de imprensa improvisadas à porta dos tribunais. Nunca antes se assistira a tanta crítica ao modus operandi dos nossos tribunais, pondo em causa actuações e decisões.
“Quais são os melhores espectáculos contemporâneos, desportivos à parte?” questionou o jornalista francês Alain Minc. O próprio encontrou a infeliz resposta: “As grandes comoções colectivas? Não foram nem o genocídio ruandês, nem a guerra na Bósnia, nem a criação do euro. Mas sim o fantasma pedófilo, que percorreu de um extremo ao outro o continente”.
Mas é precisamente na base do desentendimento entre um poder constitucionalmente consagrado – o poder judicial – e um poder atípico, o chamado “quarto poder”, que se encontra a maior virtude deste processo. É que as opostas lógicas de funcionamento e os diferentes universos de regras, princípios e interesses ofereceram, e oferecem, matéria-prima bastante para que a justiça portuguesa repensasse questões como o segredo de justiça, prisão preventiva, as escutas telefónicas, a competência e a habilidade dos defensores, entre muitas outras problemáticas, abrindo caminho a reformas legislativas.
Quanto à comunicação social, estou em crer que, no exercício da sua actividade, tem agora uma percepção mais nítida e rigorosa da fronteira entre a liberdade de imprensa e o, não menos fundamental, interesse punitivo do Estado e da eficácia da investigação criminal.


