sexta-feira, 18 de junho de 2010

Se vem ao Mundial, traga fé

E pronto, instalou-se a depressão colectiva e voltámos a pensar na crise, depois do trapalhão tropeção de ontem contra os “Elefantes”…

Todavia, como é recomendável para todos os que desejam comunicar e não são ilegíveis o suficiente para ganhar o Nobel da literatura, comecemos pelo início: o jogo com a Costa do Marfim foi, de facto, mal jogado, faltando criatividade e inteligência para romper a teia bem urdida por Eriksson (sem curarmos sequer de adjectivar o consulado de Queiroz, sublinho). Para quem foi ao estádio, ainda por cima, houve a novidade que terá destruído o mito africano de muitos: um frio de rachar!

Vendo bem as coisas, Itália, França e Inglaterra também começaram aos solavancos e no nosso grupo tudo continua em aberto, com a familiaridade aconchegante para nossa idiossincrasia nacional de, mais uma vez, estarmos aflitos…

Entrando nos bastidores da epopeia, todavia, a história não é tão convencional, já que ao invés do que aconteceu com outras selecções nacionais (México e Grécia, ao que se diz, e África do Sul, com toda a certeza), a nossa esquadra decidiu não se misturar livremente com a comunidade portuguesa, limitando-se a uma aparição relâmpago num jantar, em que cada degustação ficou por um pouco mais de quinhentos euros por pessoa. Soubessem os dirigentes federativos (ilibo os jogadores que, com exemplo de cima, fariam diferentemente, estou certo) o quanto os portugueses emigrados se emocionam com qualquer “aroma” do seu Portugal (houve quem se comovesse com o simples contacto com um agente da PSP…) e corariam de repúdio pela sobranceria exibida. Mas nós, a espaços e quando temos lugares proeminentes, somos assim: pequenos, narcisistas e insensíveis…

Por fim, uma palavra para os que, mesmo menos alegres, ainda se desloquem para assistir aos embates com a Coreia do Norte (a democracia preferida do jovem-idoso comunista Bernardino Soares) e, sobretudo, com o Brasil: venham, porque a África do Sul está longe do retrato pintado em Portugal e na Europa, em geral.

Um país encantador, de gente simpática (quer os locais, quer a comunidade portuguesa, que o ajudará em tudo, mesmo que o não conheça de parte alguma) e com todas as comodidades e mais algumas (das estradas aos hotéis, dos centros comerciais às telecomunicações, e por aí fora…).

Quanto ao crime – o assunto mais debatido – se é certo que, por exemplo e principalmente, Joanesburgo tem áreas pouco recomendáveis, não é menos certo que não há nada nessas zonas que recomende a sua presença (excepto a Art Gallery que, mesmo assim pode visitar-se, embora com um arrepio na espinha) e que a polícia sul-africana está a fazer um trabalho meritório, patrulhando incessantemente todas as áreas (assim o façam depois do Mundial, digo eu). Acresce que Portugal, nesta fase, joga em cidades bem mais tranquilas.

Em suma, venha sem medo e, acima de tudo, com muita fé, pois é algo de que a nossa Selecção necessita…

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Orelhas moucas

O senhor Presidente bem aconselhou as gentes a fazer férias por cá, mas parece que os portugueses (os que ainda podem fazer férias!) fizeram ouvidos de mercador. Os inquéritos entretanto feitos mostram que um terço da população vai sair do país para veranear. E a própria imprensa dá uma ajuda, já que não se coíbe de anunciar as melhores praias da vizinha Espanha. Como se por cá não houvesse areal e Atlântico que chegue para todos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Já dizia o [visionário] Eça, em 1871...


in "As Farpas", Crónica Mensal da Política, das Letras e dos Costumes
Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão
Coordenação de Maria Filomena Mónica
Edit.Principia, 3. Edição, pág. 312

O trigo e o joio

Perante a actual conjuntura da economia mundial a tenda do “alarmismo” está montada e sucedem a um ritmo alucinante cenários apocalípticos descritos por alguns economistas. E aí há aquela máxima da sabedoria popular que diz que temos de “separar o trigo do joio”.

É que os indicadores macroeconómicos estão para os economistas como um texto está para dois advogados, sobre os mesmos dados dizem coisas completamente diferentes, cada um emite o seu parecer (sem desprimor para nenhuma das áreas do saber, até porque passei parte significativa da minha vida numa Faculdade de Economia).

Isto vem a propósito de há alguns dias, na Fnac/Coimbra, ter folheado o livro de um economista espanhol, Santiago Becerra que aborda a crise de 2010. Aparte o sensacionalismo da escrita, diz este autor que a crise é sistémica e que 2010 será o fim do capitalismo tal como a "crise de 1820" terá sido o fim do "mercantilismo", identificando um conjunto de “sistemas” que tiveram um ciclo de vida de aproximadamente 250 anos/cada.

Escreve ainda que os reais impactos da crise só se sentirão a partir de 2010 e que serão profundos e duradouros, atingindo principalmente a classe média (e aqui estamos "nós" outra vez tramados, como sempre!).

Ora, não dando razão nem colocando em causa o parecer deste professor catedrático (até porque nem tenho preparação para tal!) há um conjunto de dados concretos sobre esta crise e para esses não há “Sócrates” que os consiga desmentir.

Vemos países com défices excessivos, o desemprego a galopar, crescimentos económicos pouco significativos ou mesmo negativos, períodos conturbados nos mercados financeiros, enfim, o far west onde se substitui os duelos de pistola por duelos argumentativos que colocam em causa ou o sistema económico pelo qual nos regemos (Karl Marx deve estar a dar voltas no túmulo!), ou a maior/menor incompetência dos nossos políticos. Penso que devemos abrir ambos os flancos do debate.

Pelo nosso sistema económico:
O Capitalismo é mau? – Sim.
Promove injustiças? – Sim.
Há melhor? – Pois, se há que mo digam. Se continuar a defender a propriedade privada dos meios de produção, a existência de mercados livres e a liberdade de iniciativa dos seus cidadãos, é de estudar.

Pelas nossas lideranças:
Será que estão preparadas e têm o carisma e a inspiração necessárias para os desafios de hoje? – Tenho dúvidas.
Têm a sabedoria e a visão para criar, executar e tomar as decisões necessárias? – Não o têm demonstrado.
Temos líderes carismáticos, inspiradores? – Se olharmos para a Europa, Não! Não se encontra uma liderança política de peso e ninguém que se tenha destacado nos últimos tempos. E a razão parece-me simples, todos são líderes nacionais e não europeus. Antes de olharem para a Europa como um “todo” olham primeiro para a sua “quinta”.

Por norma às crises estão sempre associados períodos de mudança. Esperemos que, como dizem os estrategas, por detrás de uma ameaça esteja uma oportunidade latente. Só temos é de nos posicionar por lá! Seja revendo a nossa organização económica – social e/ou melhorando os nossos líderes. Eu começava pela segunda.

terça-feira, 15 de junho de 2010

«Era importante não perder»


Palavras de Paulo Ferreira (o pior em campo, cumpre dizer) no final do jogo. E não se bastando com isso, ainda acrescentou: «Conseguimos empatar, não foi mau». Para mim, mera espectadora, isto resume o pensamento pequenino e a falta de coragem dos nossos incríveis, que nesta estreia foram tudo, menos incríveis. É certo que o adversário não ajudou, mas isso era já de esperar, havia que contornar as coisas...

Agora segue-se a Coreia do Norte, equipa na qual alinha um jogador que, curiosamente, contraria este espiríto tacanho. Disse, há dias, que «se entramos em campo a achar que um empate é melhor que uma derrota, perdemos de certeza. Queremos jogar para ganhar». Se alguém conseguisse meter isto na cabeça dos jogadores portugueses, dava jeito. Mas isso pressupõe que eles tenham cabeça, e a julgar pelo que hoje se viu, têm - salvo as devidas excepções - muito pouca.

* Na foto acima temos, a meu ver, o homem do jogo;

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bom momento de entretenimento

Provas da "sua" verdade

Creio que numa iniciativa inédita em Portugal, Carlos Cruz lançou um site pessoal onde disponibiliza o processo Casa Pia e responde a perguntas dos portugueses. O objectivo é que as pessoas possam consultar os elementos documentais e que afiram a inocência do apresentador.

Pessoalmente sempre lhe dei o benefício da dúvida. Nunca o "condenei" mas também nunca o "absolvi". Infelizmente para o próprio, independentemente daquela que venha a ser a decisão do tribunal, creio que a dúvida se manterá para esmagadora maioria da opinião pública.

Apesar de não colocar as mãos no fogo, o meu feeling (agora com a música dos BEP, os feelings estão na moda!) sempre recaiu mais para a sua inocência. Talvez porque sempre duvidei da veracidade dos testemunhos de "miúdos" que apesar de abusados, a ingenuidade e inocência há muito que foi perdida. E segundo consta, as únicas provas que têm contra Carlos Cruz são testemunhais.

Por outro lado, acreditar numa conspiração desta magnitude tendo como alvo um apresentador de televisão sempre me pareceu demasiada ficção.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Que barraca..!


Na Austrália, os preparativos para a visita do Presidente Obama deram numa valente barraca, já que a loja do parlamento local pôs à venda exemplares como o da foto acima. Entretanto a visita de Obama até foi cancelada, não pelo incidente de merchandising, mas devido à crise ambiental no golfo do México. De qualquer forma, há dois sortudos que ainda foram a tempo de comprar uma caneca destas, já que as demais foram, entretanto, destruídas.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aviso à Navegação

Alguns de vós, leitores, já devem ter reparado que ultimamente alguns textos por aqui são comentados em caracteres como o da foto acima, sendo que isso não significa propriamente que o Lodo seja lido na China. Trata-se de spam, cuja regularidade chateia (sobretudo para quem os tem que apagar...) e, por isso, a única forma de travar estas chinesices é mesmo a de recorrer à verificação de palavras na caixa de comentários. É chatinho, bem sei. Sobretudo porque muitas vezes as letras da palavra a transcrever estão pouco definidas. Mas tem que ser.

Para mais tarde recordar


Enquanto os «incríveis» foram lançados aos leões, numa tarde de folga com direito a um safari nos arredores de Joanesburgo, o seleccionador nacional, o director desportivo da federação e Cristiano Ronaldo tiveram a singular oportunidade de confratenizar com Nelson Mandela, ao que se sabe, a convite deste.

O convite é curioso, sobretudo porque havia sido noticiado que durante o Mundial o mítico estadista não iria dar entrevistas, tampouco receber visitas. Mas ao que parece, houve excepções. E nem mesmo os 91 anos e o delicado estado de saúde de Mandela o vão impedir de marcar presença no jogo de abertura do Mundial, que terá lugar amanhã entre a África do Sul e o México.

Adenda (11/6/2010): Afinal Mandela acabou mesmo por falhar o pontapé de saída do Mundial, devido ao acidente que vitimou a sua bisneta na véspera, uma tragédia que obrigou a uma mudança de planos.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Quando o feitiço se vira contra o feiticeiro


Ainda a propósito das inúmeras escolas cuja morte este Governo já ditou, ouvi hoje que entre elas está aquela que foi considerada uma das mais modernas e inovadoras escolas primárias do Mundo. A EB1 de Várzea de Abrunhais, em Lamego, também não escapa à medida, uma vez que apesar de ser escola-modelo, conta apenas com 16 alunos neste ano lectivo.

A escola havia ganho o prémio da Microsoft por contar com um projecto inovador no campo da utilização das novas tecnologias, com o recurso ao famigerado Magalhães, ex-libris da governação de Sócrates. Mas isso não bastou para que fugisse à regra do encerramento de escolas com menos de 21 alunos, anunciada há dias pela competente Ministra.

Mesmo que o projecto ali desenvolvido seja aplicado ao novo Centro Escolar, parece-me que esta insistência na centralização dos serviços educativos num só local, a mais de quase desumana, potencia a desertificação das aldeias do interior, que no caso do concelho de Lamego resulta no abandono de mais de 30 escolas das várias freguesias.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cavaco a “Mudar”

Este fim-de-semana mostrou uma nova postura de Cavaco Silva como presidente da república. Conclui-se que Cavaco percebeu (tarde) duas coisas (evidentes há muito tempo):

  1. O governo do PS não vai imitar o governo do PSD (com o primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva). O PS não vai apoiar uma recandidatura ao segundo mandato de Cavaco, assim como o PSD fez a Mário Soares
  2. O votante/apoiante/militante da/do esquerda moderada/centro/direita está descontente com a postura dos últimos anos do presidente Cavaco.

Assim, o presidente Cavaco só tem uma alternativa para esta recta final às presidenciais: mudar!... e por isso até já anda a “puxar dos galões”!!!

À atenção do Futebol Clube do Porto

Sinal utilizado na África do Sul, que indica a proibição de vender FRUTA em algumas estradas...

domingo, 6 de junho de 2010

A dieta do estado!

O estado está pesado. Actualmente e com as facilidades que a internet introduziu no dia-a-dia das pessoas, já nada justifica que o estado tenha tantas pessoas...

É necessário fazer (hoje!!!) um plano a 30 anos, com todos os partidos políticos com assento na Assembleia da República, que preveja o “emagrecimento” do estado.
Naturalmente que a solução não está em atitudes como as que o governo quer tomar relativamente às escolas com poucos alunos: ver aqui e aqui.

Tudo o que entendo ser correcto nesta matéria, não passa pelas reformas antecipadas e pela dispensa de tarefeiros/estagiários que o estado abusivamente vai contratando.

A solução está em contabilizar as saídas (naturais) da função pública para a reforma e, nos serviços em que for possível, compensar com serviços on-line ou mecanizados nos “balcões” do estado.
Ainda se lembram da quantidade de funcionários no atendimento de um banco?... e sempre com muitas filas???
Pois sim, actualmente faz-se quase tudo em máquinas do tipo multibanco. Apenas temos alguns (poucos) funcionários (sempre muito simpáticos) a orientar as nossas tarefas.

Temos de acarinhar e tranquilizar a função pública da actualidade… mas temos de alterar os perfis para a admissão dos futuros quadros da função pública… as necessidades vão ser previsivelmente diferentes.

Só assim entendo o sentido da distribuição de Magalhães pelas crianças, preparando-as para um futuro modo de vida de Portugal…

sábado, 5 de junho de 2010

Viva a Escola!

Em Outubro transacto, aquando da apresentação do novo Governo, congratulei-me aqui com a escolha da sucessora de Maria Lurdes Rodrigues, na pasta da Educação, entregue então a Isabel Alçada. Sucede que se até há bem pouco tempo não havia grandes motivos para falar (mal) da sua actuação, no espaço de uma semana duas medidas anunciadas fizeram-me estremecer.

A primeira delas já se abordou aqui no blog, tem que ver com o encerramento das escolas com menos de 21 alunos pois parece que, segundo o Primeiro Ministro, estas crianças ficam votadas à exclusão. As desculpas que se arranjam! Eu cá fiz a terceira classe com apenas uma colega, integradas na turma da 4.ª classe que, no total, não devia superar uma dezena e isso não fez de mim, que eu saiba, alguém socialmente excluído...

A outra medida passa pelo empurrão do Governo aos miúdos do ensino básico com 15 anos que, coitadinhos, sofrem tanto no 9.º, toca a passá-los directamente para o 10.º! Isto é que é dar-lhes sentido de reponsabilidade. E depois ainda ousam denominar a medida de "incentivo".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Bernadino, "o Visionário"

Em 2003, o então e ainda líder parlamentar do PCP animava as hostes proferindo a seguinte frase lapidar: «Tenho dúvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia».

A História, como sempre na óptica do PCP, seguiu o seu movimento dialético e confirmou a visão estratégica do envelhecido jovem parlamentar. Falo das declarações do seleccionador norte-coreano, Kim Jong-Hu, que instado pela revista "WorldSoccer" (edição especial para o Verão de 2010) a comentar a importância do apoio de Kim Jong-il (aka "O Querido Líder"), respondeu: "Kim Jong-il deu-nos muito apoio. Ele é o líder do nosso país e, quando pode, vai ver-nos jogar e apoia-nos sempre. Não poderiamos ter-nos qualificado para o Campeonato do Mundo sem o seu apoio" *.

Está assim atestada a liberdade de opinião que confirma as quase-certezas do nosso Bernardino!

* Tradução nossa.

Bonito filme!

Filme sobre os últimos anos e a fase ideológica do imenso Leão (Lev) Tolstoi.

Cores

Pôr-do-sol na zona de Hartbeespoort Dam, África do Sul

África clássica

No passado dia 2, tiver ocasião de assistir a um concerto pela Orquestra Filarmónica de Joanesburgo, no Linder Auditorium da Universidade de Wits, em Joanesburgo.

Do programa constavam:
  • Trittico Botticelliano, de Respighi - uma novidade para mim, tendo gostado pela harmonia dos sons, quase que ilustrando a melodia.
  • Concerto para piano n.º2 , de Saint-Saëns - arrebatadora interpretação do jovem (20 anos) solista convidado, Chung Wang, a merecer quatro (!!!) ovações de pé e obrigado a um encore.
  • e a famosíssima 5.ª Sinfonia, de Beethoven - momentos de puro regalo, com uma orquestra muito bem conduzida pelo maestro Bernhard Gueller.

Creio que ganharam um espectador regular!...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O supra-sumo do raciocínio…

Lê-se aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/61967-pcp-contra-reducao-numero-deputados-reduzir-pluralidade
(…)
O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, rejeitou hoje a necessidade de reduzir o número de deputados à Assembleia da República, frisando que qualquer redução traduzir-se-á em maior representação do PS e do PSD e diminuirá a pluralidade.
“Não há nenhuma forma, ao contrário do que alguns dizem, de reduzir o número de deputados e permitir manter uma pluralidade que hoje existe na Assembleia da República”, afirmou Bernardino Soares.
Para o deputado, a “única redução de deputados que beneficiará o país” seria uma redução dos que “têm apoiado a política de direita”.
(…)

Alguém que me explique por favor o raciocínio deste senhor deputado!!!
Por um lado a redução de deputados é prejudicial porque reduz a pluralidade na assembleia da república… por outro lado, só seria justa se implicasse uma redução de deputados que “têm apoiado a política de direita”…

E esta hein?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

“A minha escola”

“A minha escola fica muito longe da minha casinha. São 6 da manhã. Faz muito frio. A minha tia leva-me pela mão até ao centro da aldeia para o autocarro do senhor Mamede. Comigo vão os meus amigos, Sarinha e Gonçalo, todos os dias durante quase 3 horas. A estrada tem muitas curvas.
A minha escola é numa cidade muito grande onde não conheço ninguém. Chego sempre à escola às 9 horas. A minha professora chama-se Dulce. Eu gosto muito da minha professora. Ela ensina-me os números e as letras. Depois fazemos desenhos, trabalhos e testes no Magalhães.
Saio da escola por volta das 5 da tarde. Chego a casa às 8 para jantar. Depois de ajudar a arrumar a cozinha, faço os TPC.
Quando adormeço, sonho sempre muito com a minha escola… e até sonho com o Magalhães, mas o meu maior sonho era ter uma escola perto da minha casa…”

Composição de um miúdo com 8 anos em 2011…

Belenenses… e outras coisas…

Conheço o João Pinho de Almeida (JPA) da televisão… da política. Nunca o associei ao Belenenses. Agora, pela comunicação social, percebo que é do Belenenses desde pequenino…

Outra coisa que não lhe reconheço, é experiência profissional… isto é, se não contar com a política. De facto, e da breve pesquisa que fiz no Google com o seu nome, noto que fez parte de algumas comissões parlamentares relacionadas com o ambiente e a energia (acho?). Pois bem, se isso contar, então tem uma vasta experiência profissional.

Gosto muito de política. Sempre acompanhei e tentei, dentro de algumas limitações regionais e pessoais, estar a par dos assuntos do estado e das decisões que os políticos (com ou sem experiência) tomam para o bem da nação.
Posso estar a cometer um erro crasso… pois como referi inicialmente, não conheço nem acompanhei ao detalhe o percurso profissional do JPA.

No entanto, acho que o país precisa actualmente de jovens na política mas com mais experiência profissional do que política… e provavelmente o Belenenses, também.
… o mesmo se aplica a Bernardino Soares (excepto a parte do Belenenses)!

Quero o meu Porche!

"Não sei para que é que querem gastar dinheiro no TGV se podem perfeitamente oferecer um Porche a cada português gastando menos."

Luís Campos e Cunha, ex-Ministro das Finanças

A "massa" do povo

A entrada em vigor do Código dos Contratos Públicos (DL 18/2008) trouxe um conjunto de inovações no que toca à matéria da contratação pública. Uma delas, inerente ao princípio da transparência prende-se com a obrigatoriedade de publicação, num Portal criado para o efeito e acessível ao cidadão comum, de uma ficha de ajuste directo para todos os procedimentos cujo valor contratual seja superior a 5.000€ (s/IVA).

Deixando de lado a parte legal, o tratamento deste tipo de informação pode dar um oásis político e/ou jornalístico. O exemplo do que acabo de escrever é o destaque da revista Sábado.

Tendo por base conteúdos do Portal dos Contratos Públicos, a Sábado resolveu dar à luz um conjunto de despesas do Estado consideradas (e bem!) supérfluas. Há de tudo, desde concertos do Tony Carreira e Quim Barreiros, passando pela degustação de Espumante (vá lá, não é Champagne!), flores para a futura residência de Passos Coelho, combustível para a elevada frota automóvel, decorações de Natal, entre muitas outras...

Aparte o impacto que tais despesas teriam no controlo do deficit, a conclusão a retirar é que andam a gastar a “massa do povo” em demasiadas festas quando a época é de sofreguidão.

Quem quiser surfar pelos ajustes directos feitos por este país fora é só ir a www.base.gov.pt.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Para as crianças dos novos tempos


À saída do RiR este Sábado, depois de um dia fantástico para as crianças, diz a mãe à sua filha:

- Para 17 anos, a Miley Cyrus tem as pernas muito flácidas, não achas?

E pronto, o meu queixo foi ao chão.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Made in Portugal


Desconheço de quem partiu a parceria, mas tanto o MoMA como o nosso Ministério da Cultura estão de parabéns pela colecção de produtos representativos do nosso país que, por tempo limitado, se encontra à venda no museu nova iorquino (aqui).

É uma forma de promover o nosso país em solo estrangeiro e, simultaneamente, de dar visibilidade e potenciar o consumo dos mais característicos produtos feitos por cá: dos utilitários de cortiça à famosa louça, dos sabonetes ao galo de Barcelos, do pião aos utensílios de cozinha únicos (como o é o "Salazar"), do alumínio à filigrana entre outros objectos de design contemporâneo lançados por mão(s) portuguesa(s).

Ao percorrer o catálogo de portugalidades a adquirir ficamos, inevitavelmente, orgulhosos daquilo que por cá se faz. A criatividade e inovação mostram que somos capazes do melhor. Em tempo de crise, convém lembrarmo-nos disso.

28 de Maio

"Na Véspera do dia 28 de Maio, o Doutor Salazar mandou comprar a expensas suas uma passagem no avião da carreira de Lisboa ao Porto. Era a primeira vez que utilizava a via aérea para as suas deslocações, e parece que o meio de transporte não foi do seu agrado" *.

Quando passam oitenta e quatro anos desde a marcha de Gomes da Costa sobre Lisboa, que haveria de culminar, com a Constituição de 1933, no início do Estado Novo, escolho esta citação de uma obra magnífica, pois, a meu ver, a mesma reflecte o essencial de António de Oliveira Salazar: honesto como já ninguém é, mas ensimesmado e conservador, tal qual como queria o País... Tivera saído no final da década de 40 e outros relatos se ouviriam...

*Serrão, Joaquim Veríssimo, in "História de Portugal", vol. XVIII ["A Governação de Salazar: Grandeza e Declínio (1960 - 1968)"], pág. 218, Lisboa, Babel (Verbo), 2010.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sobre a Briosa (parte II)

Retomando o tema da semana que passou, abordo agora, singelamente, aquilo que, a meu ver, pode fazer-se para fortalecer a Académica no plano do seu enraizamento social e, logo, do seu sucesso desportivo.

Talvez o melhor seja mesmo começarmos por aqui, procurando explicar o passo lógico que enunciei. Tendo em conta que futebol moderno tem muito de gestão empresarial, sem “consumidores” do “produto futebolístico” da nossa Instituição será difícil explicar a um patrocinador por que razão há-de gastar dinheiro na A.A.C., mesmo que este perceba cabalmente a mais-valia que é o prestígio desta última.

Por seu turno, sem apoios é difícil manter os atletas que venham a destacar-se e, deste modo, nutrir aquela cultura institucional de que as pessoas dizem ter saudade, pese embora se continue a cultivar a diferença (muito por mérito do actual Presidente, que resiste às tentativas de mercantilização por parte de uma ou outra mente pouco brilhante). Por muito que uma Direcção tente incentivar os atletas a completarem-se enquanto homens e cidadãos, designadamente estudando e percebendo a ligação singular entre a Briosa, a Universidade e a Cidade, é de compreender a volatilidade das equipas, mercê da contenção salarial a que a gestão responsável tem obrigado.

No entanto, só mantendo constantes na equipa algumas referências que possam transmitir a quem chega o que é a Académica (lembro, só para falar nos últimos tempos, Miguel Rocha, Pedro Roma e Nuno Piloto) é possível ter uma cultura institucional e uma praxis, que levam muito tempo a adquirir (e, infelizmente, poucos dias a destruir).

Parece, então, que chegámos a um nó górdio: não temos dinheiro e mais competitividade porque as pessoas não aderem e não temos adesões porque não temos dinheiro e mais competitividade…

Como Alexandre, o Grande, temos que cortar o nó e acabar com a angústia; falemos, por isso, do que pode competir a uma Direcção da Associação Académica de Coimbra/Organismo Autónomo de Futebol, deixando aos conimbricenses e aos que passaram pelos bancos das nossas faculdades o julgamento da sua própria consciência, para que possam perceber que, a mais da retórica simpática de dizer-se que se é da Briosa, há uma série de deveres que estão ínsitos nessa condição de academista, sob pena de sermos mais uma meia dúzia, pouco diferente das de Leiria ou de Paços de Ferreira, e de olharmos com preocupação (e vergonha na cara, espero eu) as assistências em Guimarães, Braga ou até Matosinhos. Mais digo que, tratando-se de uma instituição velha de mais de um século, devemos servi-la sempre, independentemente de qualquer elenco directivo que a represente e das críticas que, legitimamente possamos fazer-lhe na sede própria.

Terminaremos estas notas, em breve, com um ou dois pensamentos pessoais sobre o que há a fazer pelo lado da cativação de velhos e novos públicos.

Para nos lembrar que nunca é demais sonhar

terça-feira, 25 de maio de 2010

Momento de natureza dúbia

Fábio Coentrão ao Maisfutebol

"Valha-nos Deus!...", digo eu.

A segunda burrice de Queiroz

Que ninguém duvide de que adoraria ver Portugal como campeão!

Todavia, se já o lote de convocados me parece polvinhado de equívocos e fetiches (primeira burrice), as palavras do Seleccionador, no fim do miserável empate com Cabo Verde, são elucidativas:


Pois... O problema é mesmo esse... Se Queiroz tivesse feito, por exemplo, como outros (vide Fabio Capello, ao comando da Inglaterra), mantendo um lote maior de jogadores na incerteza, veria que haveria mais brio. Todos seriam "homenzinhos" em busca de um lugar. Ora, o nosso génio ("burro" era Scolari...) apenas utiliza 24 jogadores, dos quais já se presume sairem Pepe ou Zé Castro.

Oxalá Mourinho se engane, mas...

Já se pode ir de carro!!!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Palpites VIII

A última sondagem que fizemos registou 68 opiniões, que se dividiram da seguinte forma:
  • 27% entenderam que teremos eleições legislativas em 2010.
  • 63% discordaram dessa possibilidade.

Com os dados mais recentes, creio que dificilmente teremos as ditas eleições. Por um lado, a situação é grave e seria perigoso desencadear uma crise política.

Por outro lado, Passos Coelho percebeu que tem toda a conveniência em deixar o PS no Governo durante a referida crise, aumentando a sua erosão eleitoral.

Apenas uma nota pessoal: nunca subestimar José Sócrates. Goste-se ou não, tem política nas veias.

Esperava mais de Ridley Scott

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Da lucidez, em geral - Tomo I


"Se me candidatasse a um posto político, tinha muito povo comigo. É difícil haver um político português que me ultrapasse em popularidade. Acho que só o Mário Soares poderia empatar comigo"

Maestro António Vitorino de Almeida, jornal "i" (on-line), 20 de Maio de 2010

Nota: dada a desadequação, pelo menos, citou a referência certa...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sobre a Briosa (parte I)

Numa altura em que suspendo funções directivas por motivos profissionais, ocorreu-me partilhar algumas reflexões sobre a nossa Académica.

Assim, creio que durante a sequência aberta com a presidência do Dr. João Moreno e continuada pelo actual Presidente, Eng. José Eduardo Simões, se conseguiu, até à data, um objectivo que se tornara urgente: a estabilidade.

De facto, havia que consolidar as contas, tornar “habitual” a permanência da Briosa no escalão superior do nosso futebol e conquistar respeitabilidade, num futebol cada vez mais industrializado e, logo, sujeito à ética (perdoem-me a ironia de acreditar que existe uma) dos negócios, no que à gestão diz respeito.

Creio, a esse respeito, que é inquestionável o que se conseguiu: diminuir o passivo, progressivamente, contenção orçamental e a construção de uma infra-estrutura que foi crucial para estabilização da equipa como uma “crónica” inquilina da I Liga; refiro-me, evidentemente, à construção da Academia Dolce Vita, que permite uma planificação adequada do trabalho em todas as suas vertentes (da gestão ao trabalho das equipas dos diferentes escalões, passando pela recuperação dos atletas lesionados e pela própria vida administrativa do Organismo Autónomo de Futebol da A.A.C.) e é um símbolo da inserção da Académica no que de melhor se faz nos dias de hoje.

Feito isto, urge entrar na fase da qualidade, como venho dizendo. Neste objectivo foram já dados passos que devem ser sistematizados e seguidos por outros que projectem a Académica para um patamar elevado de notoriedade e cativação de afectos que já foi seu e que pode, com um pouco de imaginação, voltar a pertencer-lhe.

Englobo aqui, em primeiro lugar, a revisão estatutária que, como disse há algum tempo, permite ter uma Académica que responda às exigências de gestão do futebol actual, sem aderir à moda “Sociedade Anónima Desportiva”, que considero incompatível com os seus pergaminhos.

Por outro lado, no mesmo âmbito incluo a recuperação da histórica sede dos Arcos do Jardim, que me parece ter sido um projecto tão essencial quanto bem gizado, a merecer uma visita para quem gosta da Académica e de Coimbra. Sem memória, o futuro nada mais será do que o de qualquer outra sociedade anónima, pelo que penso que se deu um passo seguro no sentido da preservação da nossa identidade.

Em breve, voltaremos ao tema com sugestões sobre o que há para fazer.

Diversão pura e simples

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Robin sem bosques

O Conselho Nacional do PSD decidiu, ontem, apoiar a continuação da solidariedade do grémio laranja com o Governo, no sentido continuar a atacar os graves sintomas da crise que se abateu sobre a zona Euro e, em concreto, sobre Portugal.

A decisão parece avisada, como avisada e segura tem sido a liderança de Pedro Passos Coelho. Deste modo se consegue preservar o necessário patriotismo, passando a mensagem adequada aos nossos pares da União Europeia e, sobretudo, aos especuladores que procuram vampirizar os países mais frágeis (continuo pasmado com a importância que dão às mesmas agências de rating que, há não muito tempo, davam boa notação às empresas que vieram a estar no epicentro de uma crise global sem precedentes…). No entanto, com as bolsas a continuarem em queda, veremos se não morremos da cura...

Ao mesmo tempo, Passos Coelho preserva o PS no Governo, numa altura em que ninguém ganha popularidade por governar; em linguagem corrente, o líder do PSD deixa o Primeiro-ministro acumular desgaste, sendo obrigado a protagonizar medidas impopulares que somarão os seus efeitos nefastos aos que já vinham de quatro anos precedentes como inquilino de S. Bento.

Ademais, ao propor a redução do vencimento dos políticos e dos gestores públicos, creio que o PSD esteve bem na forma, mas mal na extensão. Bem na forma, porque é um sinal de moralização, mostrando que há quem tenha um exemplo a dar (já não era sem tempo…). Mal na extensão porque reduzir os vencimentos em menos de 3% seria irrisório para a Economia, quase imperceptível para os “lesados” e, por isso mesmo, desproporcional em relação ao que sentiria o português “comum” com o aumento de impostos que se adivinha; quem já pouco tem de sobra sentirá um impacto muito superior. Bem vistas as coisas, os 5% a que se chegou parecem mais adequados.

Entendo, todavia, que algo mais deve fazer-se. Desde logo, já que, agora e finalmente, os políticos querem fixar um padrão ético de conduta, haveria que explicar, em linguagem que todos entendam, o que está a passar-se (as razões e as consequências da crise) e qual o resultados dos sacrifícios que se pedem.

Depois, cumpre que haja conta, peso e medida. Ao falar-se em cortes no décimo terceiro mês (que, para já, parecem arredados), cumpre não esquecer que, mesmo para a classe média, mais do que uma cornucópia de esbanjamento, o subsídio em causa serve para pagar apólices de seguros e outras contas “extra” que o vencimento já não comporta.

Persistir em onerar os mesmos de sempre, tornará demagógica qualquer proclamação de justiça social; será omeleta sem ovos ou Robin sem bosques, pedindo a bolsa a céu aberto e sem alguém que disso beneficie.

Em suma, em tempo de agruras, valha à Nação o título benfiquista e a visita Papal para que se não fale tanto do que aí vem…

domingo, 2 de maio de 2010

Polémica à antiga portuguesa (sem comentários)

"Que imensa tristeza nos provoca a leitura das Quase Memórias do Dr. António de Almeida Santos (Volumes I-II, Lisboa, 2006), onde se critica a II República por não ter aceite o processo das independências coloniais. Um advogado de superior craveira põe-se a historiar o passado sem atributos para o fazer, e o resultado fica bem à vista. São lugares-comuns e juízos sem prova, até com o desplante de rebaixar um mestre da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, ousando revelar conversas privadas e o «diz-se» de versões deturpadas. Como é fraco o talento histórico de um abalizado causídico que, em vez de se quedar para sempre em Moçambique, onde lhe estaria reservada a presidência da nova República, voltou à metrópole com os proventos amealhados numa conspiração consentida. E que hoje recolhe as frustrações de quem não soube fazer uma carreira política nesta metrópole onde praticamente ninguém deu pelo seu regresso."


Serrão, Joaquim Veríssimo, in "História de Portugal ", vol. XVIII ["A Governação de Salazar: Grandeza e Declínio (1960 - 1968)"], pág. 9, Lisboa, Babel (Verbo), 2010. Itálicos no original.

sábado, 1 de maio de 2010

Xeque ao "Rei do Roque"

Religiosamente, assisti ao concerto de apresentação de "Retropolitana", o novo disco dos GNR, ontem, em Sintra.

Para quem encheu Alvalade e as Antas, a noite de ontem deve ser parte de um enigma que consiste em conjugar o bom trabalho que Reininho e os seus continuam a fazer e as plateias por esgotar. Não menos estranho é, aliás, o facto de o álbum ainda não ter editora...

Seja como for, sou dos que estarão sempre prontos a ouvir a versão melódica das letras de um dos mais brilhantes poetas contemporâneos portugueses.

Das oito músicas novas escutadas (serão doze), além do já conhecido "Rei do Roque", ficaram no ouvido "Baixa/Chicago", "Clube dos Encalhados", "Tatoo" e "Burro em Pé".

O resto foi matar saudades de grandes sucessos como "Dunas", "Tirana", "USA", "Morte ao Sol" (já diria o Engenheiro Sócrates...), entre muitos outros, num total de 21 músicas e bastante inspiração de Rui Reininho.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A pouco e pouco

Acabo de ver a declaração conjunta de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho, em São Bento, a propósito da crise provocada pela descida do rating de Portugal, efectuada por uma dessas absurdas e vampiras empresas de notação financeira (a Standard and Poor's) - como se não fossem estes palhaços os responsáveis pelos belíssimos ratings que tinham algumas das empresas que estiveram na génese da crise mundial que ainda vivemos...

Voltando ao tema, se do primeiro digo que acredito estar a fazer o melhor que sabe, ao segundo louvo a responsabilidade, a serenidade, o sentido de Estado e a seguríssima caminhada para o cargo de Primeiro-Ministro (como Durão Barroso outrora, poderá dizer que "só não sabe é quando"). Esta ida a São Bento poderá ter sido também uma daquelas visitas das imobiliárias, para tirar as medidas ao "apartamento".

Fica por perceber é se vão ou não tomar-se as medidas drásticas de que carecemos; e não falo de cortes no décimo terceiro mês (como já ouvi), mas sim de algumas obras que, não deixando de ser necessárias, terão que esperar.

Oxalá Passos Coelho consiga persuadir Sócrates a faze-lo, mas para isso terá que dar-lhe margem para recuar com honra.

domingo, 25 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O vestido de Gama

[ainda a propósito da novela Inês de Medeiros]

«Inês de Medeiros foi eleita para o Parlamento pelo círculo de Lisboa. Mas com a família a viver em Paris, surgiu a questão sacramental: quem paga as viagens semanais da deputada?

A resposta evidente seria: a própria. Inês discordou. E Jaime Gama, munido com um apropriado parecer 'jurídico', concorda. Os portugueses que paguem, disse Gama. Mas avisou: o caso não abre precedentes. O despacho presidencial é como certos vestidos de alfaiate: peça única para uma cliente só. Se amanhã um deputado eleito por Lisboa instalar a família nas Caraíbas, não há borlas para ninguém. Injusto.

Resta acrescentar que o Conselho de Administração da Assembleia aprovou o despacho com votos favoráveis do PS e contra do PSD e do Bloco. O PCP não apareceu (há burgueses e burgueses). E o CDS ficou-se pelo grotesco: absteve-se. E Inês? Inês devia aproveitar o seu estatuto singular para dar a volta ao mundo, saltitando de capital em capital. E com os portugueses alegremente a pagar. O país pode caminhar para o abismo, mas é importante que, no meio da desgraça, haja alguém que se divirta.»

por João Pereira Coutinho, aqui

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Depois admirem-se...

Há um tema que me prende às malhas da dúvida, de algum tempo a esta parte.

Tudo começa com a leitura dos jornais do fim-de-semana e com a recuperação de um assunto que me é caro: o perigo de se desgastar o já puído prestígio da classe política. Noticiava um semanário que o Primeiro-Ministro, José Sócrates fora ilibado pela investigação do caso Freeport. Até aqui, nada mais do que a verificação da sapiência ínsita no princípio da inocência das pessoas até ao trânsito em julgado de sentença condenatória…

Contudo, fica por discernir qual a compensação que poderá obter o principal visado, tendo em conta que a imagem pública é um dos maiores trunfos de qualquer político contemporâneo, e que a de Sócrates foi o bombo da festa, durante todo este processo (no qual se preferiu sorver avidamente o voyeurismo informativo da TVI)? E o mesmo se diga em relação ao caso dos submarinos, que ainda agora está nos seus alvores.

Ao mesmo tempo que saúdo a decisão de Pedro Passos Coelho de não explorar o lado “barraqueiro” da política, preocupa-me, indiferentemente dos visados, o ataque a referências de conduta social (sim, os políticos…), por muito que os próprios actores se “ponham a jeito” para estes problemas que a cupidez dos media não perdoa, explorando os factos com a venda de exemplares ou a conquista de audiências (e, logo, de publicidade) como alvo.

Embora num plano diferente, é o mesmo estilo de navegação social anárquica que se induz ao abrir portas como as do “divórcio na hora” (denominação nossa) ou a da consagração festiva do casamento homossexual. Ao esbater o cariz fundacional da família enquanto pilar de referências da sociedade, o que se consegue é o desamparo e a vulnerabilidade do indivíduo em si mesmo, somando a isso a queda “em dominó” de tudo o que, hoje, temos por razoável.

Senão, vejamos: quem há umas décadas falasse em casamento homossexual seria tido por louco ou agitador. Hoje é tido por moderno e sofisticado. Até aqui, tudo bem, já que apenas me aborrece a teimosia taxonómica ou onomástica.

Porém, só por ingenuidade pode entender-se que as coisas ficam por aqui e que se não reivindicará com igual pundonor a adopção. E nem aqui eu coloco uma marca apocalíptica… O que pergunto é de coisas que, hoje, ainda temos por reserva de ética viremos a abdicar, sob a capa da modernidade… O que será “natural”, daqui a uns anos?

Tudo isto tem a ver com a perda de referências, com a contestação mediaticamente estimulada à noção de autoridade e com a perda dos conceitos de certo e de errado… Depois admirem-se…

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Espelho meu, espelho meu...

... haverá alguém mais bem paga para passear que eu?

Uma viagem por semana e ajudas de custo, à custa do contribuinte. É no que dá a snobeira da deputada Inês de Medeiros. A novela em que é personagem principal chega hoje ao fim, com a aprovação, pelo Conselho de Administração da Assembleia da República, de um parecer favorável ao subsídio das viagens semanais. Atentas as lacunas no regimento da AR, é certo que não havia outra saída. Mas não deixa de ser condenável que alguém se candidate pelo círculo eleitoral de Lisboa, declare residir em Lisboa (freguesia de Stª Catarina) e, para os demais efeitos, se dê como residente na Cidade Luz. Para que raio serve então o círculo da Europa?Adicionar vídeo

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Os doze passos de Coelho - parte II

Volto ao tema dos doze passos/trabalhos de Pedro Passos Coelho, já depois do congresso da sua consagração, que, a meu ver, mostrou já sinais bem positivos, designadamente naqueles que baptizei como 5º e 6º passos: o novo líder laranja soube constituir uma equipa equilibrada e rejuvenescida e foi conciliatório.

No meu modesto modo de ver, falta ainda:

7º Definir claramente prioridades políticas que passem por tornar a nação portuguesa instruída, culta e, logo, qualificada. Tal consegue-se com uma afinação de prioridades na Educação, com o fim da sub-orçamentação do ensino superior, com um investimento permanente na Ciência e, sobretudo, com uma aposta muito mais relevante na Cultura e na definição da sua essencialidade para a completa formação dos seres humanos.

8º - Programar com cuidado a aplicação do modelo de Estado defendido. Se é certo que o Estado Providência, que a tudo e a todos procura acudir, está relativamente esgotado, a mudança brusca para um paradigma liberal pode ser desastrosa. Digo-o não apenas por entender que é preciso um relevante lapso de tempo para vencer o costume assistencialista de cuja obrigatoriedade se convenceram as pessoas singulares e colectivas, mas também porque falta ao povo português a cultura cívica que é sine qua non para essa mudança.

9º - Cumpre, de uma vez por todas, estudar o sistema político e tomar decisões. Por exemplo: é ou não conveniente um sistema eleitoral que combine as vertentes maioritárias com as proporcionais (círculos uninominais com uma lista nacional, por outras palavras)? É que se, por um lado, a representatividade era o fito do pós-25 de Abril, por outro lado, a governabilidade (típica dos sistemas maioritários) já foi alcançada por três vezes, sem alterar o sistema. Acrescem os perigos de se entronizarem campeões do populismo, ainda que a possibilidade de responsabilizar os eleitos seja atractiva em teoria.

10º - Passos Coelho deve procurar recuperar a ideia de políticos que dêem exemplos de boas práticas. Prestigiar a política é essencial para desenvolver o País com o envolvimento de todos. O conselho de escrutínio de nomeações que propôs em sede de futura revisão constitucional parece uma boa ideia.

11º - Se as eleições presidenciais parecem ganhas, estancar o recuo autárquico do PSD é urgente, pois esse sempre foi o tabuleiro que proporcionou ao partido a sua mais fidedigna forma de contacto com os eleitores.

12º - Creio, por fim, que Passos Coelho deve almejar a maioria absoluta, não apenas em face do desgaste do Governo actual, mas sobretudo porque as mudanças que propõe dificilmente terão vencimento se o PSD, com ou sem o CDS, não tiver maioria. Ademais, esse é o remédio para a crónica instabilidade política e mediática de Portugal.

domingo, 18 de abril de 2010

Vê-se bem

Expliquem lá isso melhor...

Recebi esta semana na minha caixa de correio postal uma carta do Diário de Coimbra no mínimo invulgar, para não dizer outra coisa.

Para fazer o devido enquadramento, abaixo transcrevo os dois primeiros parágrafos:

“ O Diário de Coimbra tem vindo, de algum tempo a esta parte, a oferecer-lhe, sem qualquer custo, para si, a edição diária do nosso jornal.

Infelizmente, devido ao aumento das matérias-primas e à diminuição da comparticipação estatal em termos de porte-pago, é-nos de todo impossível continuar com esta oferta por mais tempo.”

Permitam-me que realce a minha estupefacção sobre a simpática missiva! É que não faço ideia do que é que para ali escreveram e gostaria que me informassem quais as edições com que me presentearam?

Sinceramente, receio ter cometido uma indelicadeza. Pois como nunca as recebi, também nunca pude agradecer a oferta.

sábado, 17 de abril de 2010

i: fim à vista


O jornal que ainda nem perfez um ano de vida parece ter o fim à vista. Em Maio de 2009 o "jornal i" surpreendeu no seio da imprensa nacional, num formato inovador e bastante apelativo. Goste-se mais, ou menos, dos conteúdos, certo é que foi até considerado o "jornal europeu do ano". Mas se até a imprensa com raízes já fixadas enfrenta a crise e a supremacia da informação em rede, não seria previsível este desfecho? À data da sua comercialização, eu mesma, por aqui havia vaticinado o futuro da publicação. Nem um anos depois, a "fraquissíma capacidade de gerar receitas" conduziu a uma espécie de ultimato ao director Martim Avillez Figueiredo que, por sua vez, se sentiu «defraudado» com as limitações ora impostas e decidiu-se pela demissão. Agora é esperar para ver se o projecto está mesmo condenado à morte ou se há fé que sustente este empecilho do Grupo Lena.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A infância está em vias de extinção


Não dá para acreditar, mas uma famosa cadeia irlandesa, a Primark, lembrou-se de lançar uma linha de bikinis com enchimento na zona do peito, dirigida a... crianças de 7 anos! Felizmente houve gente sensata que deu por isso e denunciou às autoridades, o que acabou por determinar a suspensão da comercialização de tais peças.

Mas se é de exigir o sentido de responsabilidade das empresas quanto a estas matérias, que dizer da responsabilidade dos pais? A pequena da foto acima, de seu nome, Suri, filha de Katie Holmes e Tom Cruise, apresenta-se frequentemente nestes trajes. Tem 3 anos e orgulha-se de ter um guarda roupa avaliado em dois milhões de euros. Não só é ridículo como, dada a fama dos progenitores, dá um péssimo exemplo de uma vivência prematura, extemporânea e artificial de uma miúda que é suposto viver como uma criança e não um como um adulto. Eu cá, muito temo os efeitos que estes comportamentos possam vir a ter nas crianças, hoje já votadas a prescindir da infância.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Embuste à escala global, by George W.


No fim do filme perguntamos como foi possível o Mundo ter ido atrás da mentira de Bush, com a suposta existência de armas de destruição maciça no Iraque?
Fica o consolo de sabermos que, mesmo com os erros inerentes, uma democracia é sempre melhor que uma ditadura ou qualquer movimento terrorista. Além de que a abstenção não honra a nossa história.
Convém também não esquecer que ali vivia (e ainda permanece) o horror do terrorismo e o cinismo do radicalismo islâmico.

By the way, o filme é muito bom.

"Quem és tu Francisco?"

Afinal que tipo de político é Francisco Louçã?
No jornal da noite de domingo ouvi Louçã a discursar sobre o novo programa do PSD (pelo menos foi assim que o jornalista apresentou a peça). Primeiro, ainda pensei que fosse brincadeira. Mas não. Era mesmo verdade. Louçã dizia que o PSD se preparava para sugerir a redução dos salários dos funcionários públicos e das reformas para combater a crise.
Naturalmente que não se estava a referir ao programa do eleito PPC, que é quem naturalmente neste momento dá voz às intenções do PSD. Estava sim a referir-se a um deputado que tinha apresentado essa ideia ao congresso (académica e lógica do ponto de vista económico e financeiro), mas que na realidade a sua execução conduziria a consequências graves na confiança das pessoas e no dia-a-dia dos portugueses…
De certeza que Louçã sabia disto. Mesmo assim, toca a lançar a confusão!!!
Afinal que tipo de pessoa (do ponto de vista político, claro) é o Francisco Louçã?
Pois bem, num exercício, de igual forma académico, vou imaginar que sou uma Dona de Casa. Arrumo a minha casa como sei. Faço-o com carinho, pois quero servir da melhor forma as pessoas que partilham comigo o mesmo tecto.
De repente a minha visita bate à porta para me pedir “sal”. De repente olha para mim de uma forma altiva e ameaçadora e diz: “é assim que arrumas a casa?...”. Fica um silencia assustador e ela continua: “As cortinas têm de ser engomadas da esquerda para a direita. O chão não pode ser barrido mas sim passado com um pano húmido… e o pó não pode ser limpo com esse produto…”
Já com muita vergonha, pergunto à minha vizinha: “é assim que fazer na tua casa?”
Ela responde: “não. Eu tenho empregada… nem sei bem como se faz pois nunca fiz, mas tu fazes mal…”
O Francisco Louçã é como esta vizinha. Nunca irá governar. Nem quer. Mas está sempre prontinho para criticar…
Talvez um dia as donas de casa deste país percebam que existe um Francisco Louçã na casa ao lado e afinal de contas até nem gostam lá muito dele!!!

Freudiano - Para apreciadores


sábado, 10 de abril de 2010

"Mudar"... também por cá...


Pedro Passos Coelho dá um sinal interno de como se deve fazer política após actos eleitorais. O convite a Rangel e Aguiar Branco, cai bem aos portugueses. Embora possam existir militantes defraudados nas suas expectativas em progredir politicamente com a nova direcção apenas pelo simples facto de que apoiaram o “cavalo certo”, a realidade é que assim é que deve de ser… “ruptura interna” nunca será o melhor caminho!

Agora falta apenas que nos núcleos, secções, distritais do PSD adoptem esta prática. O convite de opositores internos derrotados para colaborar em gabinetes de estudos e grupos de trabalho, pode ser uma via extremamente importante para a estabilidade futura interna do PSD.

É assim que se prepara um grupo para governar.


NOTA: Parabéns ao Manuel R. e bom trabalho…
* Fotografia retirada do JN online

Lodo, S.A.D. aumenta a sua "cadeia de valor"

Ajuda a MUDAR, Manuel Rodrigues.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gajo de Gabarito VII

Que se trata de um cavalheiro pudera já constatar pessoalmente numa audição parlamentar, na qual usei da palavra em nome do PSD.

Que é um empresário de mão cheia afere-se pelo seu sucesso.

Porém, faltava uma declaração de tomo. Ora, chega-nos a dita, hoje, pela comunicação social.

Diz Miguel Pais do Amaral que José Eduardo Moniz tinha como agenda derrubar Santana Lopes e o seu Góverno; pena é, aliás, que não tenha reconhecido outra evidência (talvez por ter ocorrido depois ter vendido a Media Capital à Prisa), que é o facto de a raiva predadora se ter mantido com José Sócrates.

O que estava em jogo era, a meu ver e para desgraça da democracia, uma cada vez mais comum tentativa de afirmação dos órgãos de comunicação social e dos jornalistas como contra-poder, algo que me parece deontologicamente errado e politicamente sinistro.

Mais diz Pais do Amaral que Manuela Moura Guedes tinha que ser substituída para que a TVI passasse a ter informação séria e de referência.

Veio tarde, mas é sempre bem-vindo.

Respire "ar fresco" com as palavras do 2º Conde de Alferrarede, citadas pelo Público *:
  • "A TVI funcionou como plataforma para derrube do Governo".
  • "Houve um período de tempo em que a TVI tomou um conjunto de decisões que se desviaram de uma linha de isenção e de credibilidade durante o Governo de Santana Lopes".
  • (Dito a José Eduardo Moniz) "Uma televisão não existe para derrubar governos mas para informar o público".
  • (Sobre Manuela Moura Guedes) "Era um excelente intérprete do estilo tablóide, mas não se podia reconverter. Havia que mudar o pivot para mudar o estilo de informação".
  • "Uma TV líder com informação séria vale muito mais que uma TV com informação tablóide".

* A pontuação nas citações é da responsabilidade da subscritora da notícia e de quem lha publicou. A fotografia foi "emprestada" por A Bola.

Oportuno

É de aplaudir, esta iniciativa de um senador norte-americano que montou uma campanha na tentativa de melhorar a apresentação e preceito dos jovens americanos, que nos últimos tempos adoptaram o sagging (em bom português, «calças arriadas»!). Por cá a moda também pegou e à falta de cartazes, eu diria que um bom puxão de orelhas à antiga surte bons resultados. Pais, toca a experimentar!

Contudo, a "causa" não é de agora. Nos estados do Louisianna e Georgia já haviam sido aprovadas leis a proibir a exposição do traseiro que, contudo, acabariam por cair por terra. A esse propósito até Barack Obama, antes de ser eleito, já se havia pronunciado: “(...) brothers should pull up their pants. You are walking by your mother, your grandmother, your underwear is showing. What’s wrong with that? Come on. Some people might not want to see your underwear. I’m one of them.”

terça-feira, 6 de abril de 2010

Vão e não voltem!

Considero-me um democrata e creio que a liberdade de expressão é crucial para "o pior de todos os regimes com excepção de todos os outros", como diria Churchill.

Creio, todavia, que, por muita razão e ira que os cidadãos de Valença possam ter em virtude do encerramento do serviço nocturno do centro de saúde local, nada justifica o hastear de bandeiras espanholas, no centro da localidade, mesmo perante o auxílio médico disponibilizado pelo alcaide de Tuy.

É obsceno, é um insulto à memória dos que, em várias épocas, deram a vida pela nossa Pátria e é, indirectamente, o enxovalho do mais "sagrado" dos símbolos da nossa soberania: a nossa bandeira.

Nenhum político ou decisão, por mais medíocres que sejam, autorizam o hastear de uma bandeira estrangeira e muito menos da espanhola, dados os cuidados que até o direito diplomático mantém, ainda que devamos cultivar relações amistosas com o povo espanhol.

Vai e não voltes!


"Alegre valoriza mais cátedra com o seu nome que a possibilidade de ser eleito Presidente"

Título do jornal (pág. 7) "Público", hoje


Confesso que sempre me exasperou a arrogância do poeta de Águeda, mas este desrespeito pela mais alta magistratura da Nação (preferindo a cátedra na Universidade de Pádua) é demasiado para qualquer português que se preze.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Os doze passos de Coelho

Depois da sua categórica vitória e usando a deixa de Asterix, creio que Pedro Passos Coelho tem que encontrar a sua poção para tornar o PSD numa alternativa credível e em que também o imenso eleitorado flutuante possa rever-se. Por simpatia de arrumação lógica, eis os seus doze trabalhos ou passos:

1.º - Persuadir o eleitorado de que, agora sim, alguém tem um projecto que resolve (e não remedeia apenas) os problemas de Portugal. É uma sensação que já não percorre os eleitores desde a primeira eleição de José Sócrates, em 2005. A diferença cifra-se em conquistar o poder e a disponibilidade da sociedade para a mudança ou esperar que o PS perca as eleições, recebendo o poder por “K.O. técnico” do adversário, sem entusiasmo do eleitorado.

2.º - Definir um modelo ideológico e, logo, um ideal social. Temos que explicar às pessoas o que queremos fazer com o seu voto, antes de lho pedirmos; esta foi uma máxima que escutei a Passos Coelho, em 1991, e que creio fazer todo o sentido, mormente quando a falta de clarificação ideológica do PSD tem dado margem de crescimento a um CDS que, não descurando alguns traços conservadores, se assenhoreou do espaço liberal clássico.

3.º - Para isso, entendo que deve repensar o Instituto Sá Carneiro, convertendo-o num gabinete de estudos que, mais do que ser chique e mediático, elabore doutrina e planos de acção para o partido, mas sem se metamorfosear num feudo de jovens “cientologistas” (uso o termo deliberadamente) da política, que o transformem numa célula de propaganda e de emprego para os amigos ou num Cavalo de Tróia, onde se acoitam reservistas para um domínio perpétuo do PSD. Deve tratar-se de uma estrutura com método, mas aberta ao caos próprio do pensamento criador, e aberta a todos sem excepção (quem avisa… ).

4.º - Olhar criteriosamente para os estatutos do partido, clarificando sem margem para dúvida quais as suas opções em matérias cruciais como a eleição directa do presidente e a disciplina, entre outras.

5.º Constituir uma equipa dirigente que faça o equilíbrio entre os capatazes e os arquitectos; ou seja, premiando quem arregimentou votos, mas não desprezando os que gostam de pensar a política sem que tenham, por razões variadas, militantes a toque de caixa (vale a pena fingir que os não há?!).

6.º Concomitantemente, terá Passos Coelho que domar os ímpetos pós-revolucionários. Quero eu dizer que não será fácil conter alguns generais e coronéis do seu exército, que terão vontade de fazer rolar cabeças. Há gente importante para o PSD e para Portugal no terço de militantes que não votou novo premier laranja, havendo que resistir à medíocre tentação do tiro à elite, que alguma rapaziada distrital (não, que saiba e felizmente, em Coimbra) nutre. O tempo é de conciliar, mesmo que, no mandato anterior, os ditos barões (também em Coimbra) tenham visto o PSD como uma coutada pessoal.

Para a semana, terminaremos a saga.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O último erro do SCP!

Eu acredito que ele vai ser campeão em breve… mas infelizmente, não no SCP...